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domingo, 22 de maio de 2016

Sobre Um teto todo seu

O corpo na cama quente recolhe o texto de Virginia.
O cenário quieto do quarto ainda respira. Quase não penso.
As páginas do diário de Virginia relatam um domingo de Páscoa. 1919.
Com mãos e palavras ela escolhe dizer não às pausas.
Escreve conforme dita o humor. Afirma:
é preciso esforço para encarar um personagem.
Algo solto pode se transformar em desleixo.
Importa descobrir: a matéria vital, vaga e errática.
E, encontrar outro uso ... na ficção.
Volto às páginas do livro – do balbucio ao grito.
Encontro outros significantes e retomo a escrita.
Esqueço o que resta a viver.  Não penso no Tempo.
As palavras se apertam no corpo de um poema.
E não se deslocam do sentido primeiro.
A personagem poderia vir a ser Virginia,
no leito quente!

                    






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