fotos de arquivo

quinta-feira, 7 de julho de 2016

INDIANAS

1
Cinco mulheres em véus e sandálias de plataforma alta.
Verão.


2
Eu não estava em Bombaim mas seus tornozelos tinham a tonalidade das pétalas de rosa, um pouco violeta. Corriam entre os carros assustadas.
Vislumbrei a calça jeans embaixo das dobras vermelhas da seda. Talvez, em função da maquiagem, da sensualidade do andar, eu tenha parado 

para olhá-las:























ritmo, perfume, cor...
Por um milagre elas surgiram. Foi como pude senti-las naquele longo
boulevard Raspail.


3
Um pintor teria dito:
parem!
Degas pintaria a idade de seus pés ou de suas mãos? Matisse, os volumes 
e as formas dos braços?
Abro um parêntese.
Fui ao dicionário. Procurei, sem saber bem onde estava indo, a palavra rubra.
Precisava do vocábulo para justificar meu poema que atraía sementes.


4
A "coisa" colorida. O vestido de uma Mulher pede para ser usado no plural, 
v e s t i d o s   de M u l h e r e s.

Há mais coisas a dizer.
Narinas abertas respiram o ar quase púrpuro da luz.

Essas mulheres
na tela escritural,
não longe
umas das outras,
convivem com o final do dia.



5
Sobrancelhas arqueadas
à lápis noir
turquesa - entre - os olhos
não menos que outras cores
sobre a pele brilhante.
Um piscar de movimento brusco
é uma possibilidade
no novo mundo
do texto,
e distingue o jamais visto.


Enfim me rendo!

RUBRO - vermelho muito vivo; da cor de sangue.


PS. poema do livro Outonos montagem incompleta, 2014. (publicado pela primeira vez, na Rede Cronópios, em 2006)

Nenhum comentário:

Postar um comentário