terça-feira, 30 de agosto de 2016

Saudações

Quem se lembra de Henriqueta Lisboa?

Ela nasceu em Minas Gerais em 1901 e morreu em 1985.
Foi poeta, professora, pesquisadora e tradutora. Traduziu Cantos de Dante e poemas de Mistral. Suas Antologias circulavam nas Escolas, e no Ginásio, em minha época de estudante, aprendíamos e recitávamos alguns de seus versos com entusiasmo nas aulas de português.
Com a chegada de Ferreira Gullar à Academia Brasileira de Letras aproveito para saudá-lo e, também, saudar Henriqueta que foi a primeira mulher a entrar para a Academia Mineira de Letras.

A menina Selvagem
                              Para Ângela Maria
                                       
menina selvagem veio da aurora
acompanhada de pássaros,
estrelas-marinhas
e seixos.
Traz uma tinta de magnólia escorrida
nas faces.
Seus cabelos, molhados de orvalho e
tocados de musgo,
cascateiam brincando
com o vento.
A menina selvagem carrega punhados
de renda,
sacode soltas espumas.
Alimenta peixes ariscos e renitentes papagaios.
E há de relance, no seu riso,
gume de aço e polpa de amora.
 

Reis Magos, é tempo!
Oferecei bosques, várzeas e campos
à menina selvagem:
ela veio atrás das libélulas.

                                      H.L.

2011 em Berlim



                                           Fotos de José Eduardo Barros no verão de 2011.

                    OBS:  O Museu Judaico de Berlim nos oferece múltiplas experiências.
                               E em seus jardins nos entregamos às memórias de textos lidos,
                               de relatos autobiográficos dramáticos, mas, também, conseguimos
                               usufruir do vento e da sombra das árvores!

terça-feira, 23 de agosto de 2016

ALGUNS ÂNGULOS DA FUNDAÇÃO PEGGY GUGGENHEIM - VENEZA






ENDEREÇO DO SITE 





Fotos de José Eduardo Barros realizadas no espaço externo da Fundação
em abril de 2015.

Lançamentos hoje na Travessa

   Na livraria Travessa de Botafogo, hoje, o belo livro de Márcia Rambourg,
a poeta e tradutora que vive na França onde leciona na cidade de Tours!

Cito parte de e-mail recebido da autora:
Autografo meu novo livro Mater ex-crita, pela Editora Oficina Raquel, com prefácio da escritora Solange Rebuzzi e capa da artista plástica francesa Sylvie Lobato, em fins de agosto, no Rio de Janeiro. 


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Olimpíada brasileira no Rio de Janeiro


Corremos Torcemos Suamos
Vibramos muito!
Respiramos! Ufa!

It's finished
Aprendemos e demos lições!
Algumas inesperadas

Agradecemos aos nossos atletas e aos outros
- de tantas línguas -
que vieram e somaram!

Sorrisos e lágrimas
brotaram de expressões densas
banhando nossas águas

Pátria amada "Salve! Salve!"

O mundo ficou colorido
Esquecemos (por um tempo)
as tragédias humanas

Triste política
ici et 
là bas

No novelo ainda
a se desenrolar
as rendeiras teceram fios

Et maintenant...
a nossa música
ritmada ecoa ao largo

"tu me ensina a fazer renda/
qu'eu te ensino a namorá"
Nossos mares

têm mais vida!
"Nossa vida em teu seio
mais amores"!


 Rio de Janeiro, 22.08.2016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Escrever a mão


Cavar a letra no branco da página. Desenhar suas pernas. Modelar o corpo da letra no contorno 
da escrita. Subir e descer e, a cada vez, como se fosse a busca da intimidade mais guardada, 
aquela desvendada na infância, trabalhar com esforço e esmero. 
Quando desenhei minhas primeiras letras no papel, acompanhava-me uma alegria
genuína.   A mão forçava a delicadeza. Os traços subiam e desciam obedecendo algum ideal procurado
fora da margem do papel. 
A letra do outro? Ou a letra imaginada perfeita? Pouco importa. A vontade e o entusiasmo 
carregavam a marca da repetição. Cadernos de caligrafia. Frases prontas e ligeiras.
As primeiras:
Vivi viu a uva.
Vogais e consoantes repetidas (a consoante V soando forte ata as vogais em voo; asa sonora!)

A folha nascida da árvore recebe a mão pequena da menina.
Escrita a mão. Suave e desejada. Raios de luz ao vento lançadas.
Mesmo quando escrevo nestas teclas negras, agora, ainda revejo os desenhos 
e as  bordas das letras daquele tempo, que podem vir a surgir no branco da tela.
As letras têm raízes!


Escrevi em: 25 de fevereiro de 2013.

sábado, 6 de agosto de 2016

Olimpíadas no Rio de Janeiro (2)

                                             “O Rio de Janeiro continua lindo
                                                              O Rio de Janeiro continua sendo
                                                                                    (...)  aquele abraço!”               
                                                                       Gilberto Gil 

A festa, sim, a festa foi belíssima e batemos palmas. Muitas palmas.
Surpreendente a dança dos índios tecendo as malocas. Fios de luzes em ritmo de terra.
Bendita seja a nossa terra mãe! Terra de Santa Cruz. Terra de Vera Cruz.
Terra da Verdadeira Cruz!

Entre ritmos e cores entre vozes e dança o Brasil apresentou parte de sua história.
Priorizando as árvores e os pássaros abrimos nossas areias e nossos mares aos atletas do
mundo inteiro.
Bem-vindos ao nosso mundo de irmandades distintas!



                                                                Rio, 6 de agosto de 2016.





sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Olimpíadas no Rio de Janeiro (1)


A cidade se transfigura em muitos sentidos. Os bairros da zona sul, finalmente, ganham o metrô; 
a nomeada linha 4. Saem os tapumes das obras e as ruas se abrem. Olhamos ao redor e redescobri-
mos a largura das avenidas. Somos seres estranhos diante de tantos feitos grandiosos 
em obras realizadasinicialmente, para os atletas e os turistas. A ordem da vez é “Família Olímpica”. 
Mas, pouco ou muito pouco parece ter ocorrido pensando nos habitantes da cidade. Será?
Não há como reclamar diante do belo. As mudanças arquitetônicas são desmedidas. Há ganhos sur-
preendentes efetuados no centro da cidade. Há a chegada de museus importantes em magníficos projetos arquitetônicos.
Avenidas, túneis, praças estão sendo desvendados pela população.
No entanto não podemos deixar de perguntar: como vamos manter tudo isto depois? 
Especialmente estes enormes centros de exercícios e piscinas tão monumentais que chegam
junto com as olimpíadas.
Lembramos que os hospitais estão abandonados tanto ou mais que as nossas universidades públicas As propagandas do governo dizem que o povo da cidade ganha qualidade de vida. Que as distâncias foram reduzidas, etc. Mas a vida em si mesma precisa ser respeitada!
O momento é de vibração e de torcida. E ainda de abertura do coração para receber tantos povos 
e tantos atletas importantes. Vibramos. Vamos conhecer e aprender com os atletas espirituosos, 
alegres e os mais bem preparados do mundoPorém, não vamos esconder o que mais nos preocupa agora: a saúde e a educação. Sem educação de base e de ponta nunca seremos um povo avançado.  
E, ainda, vivemos um certo aperto no peito pelo momento político que atravessamos.   Uma 
preocupação constrangedora nos atinge quando vemos tantos belos projetos e um povo sofrido 
aguardando decisões importantes que podem mudar a direção do país.
O foco está sendo desviado. Por enquanto, aguardamos...
As Olimpíadas passarão e teremos que enfrentar a vida de nossa cidade, de nosso país com todos
os conflitos que nos atingem neste momento de mundo!
Comida, remédios, respeito. O nosso povo precisa ser mais respeitado.
Educação, escolas, pesquisas. As instituições da área da educação precisam ser melhor cuidadas.
O belo e o magnífico não nos alimentam inteiramente. Nem o esporte em si mesmo nos educa. 
São complementares à uma base que precisa existir desde o início da vida.
Repito um dito popular: "não dá pra esconder o sol com a peneira"!


Rio de Janeiro, 5 de agosto de 2016.