quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Escrever a mão


Cavar a letra no branco da página. Desenhar suas pernas. Modelar o corpo da letra no contorno 
da escrita. Subir e descer e, a cada vez, como se fosse a busca da intimidade mais guardada, 
aquela desvendada na infância, trabalhar com esforço e esmero. 
Quando desenhei minhas primeiras letras no papel, acompanhava-me uma alegria
genuína.   A mão forçava a delicadeza. Os traços subiam e desciam obedecendo algum ideal procurado
fora da margem do papel. 
A letra do outro? Ou a letra imaginada perfeita? Pouco importa. A vontade e o entusiasmo 
carregavam a marca da repetição. Cadernos de caligrafia. Frases prontas e ligeiras.
As primeiras:
Vivi viu a uva.
Vogais e consoantes repetidas (a consoante V soando forte ata as vogais em voo; asa sonora!)

A folha nascida da árvore recebe a mão pequena da menina.
Escrita a mão. Suave e desejada. Raios de luz ao vento lançadas.
Mesmo quando escrevo nestas teclas negras, agora, ainda revejo os desenhos 
e as  bordas das letras daquele tempo, que podem vir a surgir no branco da tela.
As letras têm raízes!


Escrevi em: 25 de fevereiro de 2013.

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