sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Olimpíadas no Rio de Janeiro (1)


A cidade se transfigura em muitos sentidos. Os bairros da zona sul, finalmente, ganham o metrô; 
a nomeada linha 4. Saem os tapumes das obras e as ruas se abrem. Olhamos ao redor e redescobri-
mos a largura das avenidas. Somos seres estranhos diante de tantos feitos grandiosos 
em obras realizadasinicialmente, para os atletas e os turistas. A ordem da vez é “Família Olímpica”. 
Mas, pouco ou muito pouco parece ter ocorrido pensando nos habitantes da cidade. Será?
Não há como reclamar diante do belo. As mudanças arquitetônicas são desmedidas. Há ganhos sur-
preendentes efetuados no centro da cidade. Há a chegada de museus importantes em magníficos projetos arquitetônicos.
Avenidas, túneis, praças estão sendo desvendados pela população.
No entanto não podemos deixar de perguntar: como vamos manter tudo isto depois? 
Especialmente estes enormes centros de exercícios e piscinas tão monumentais que chegam
junto com as olimpíadas.
Lembramos que os hospitais estão abandonados tanto ou mais que as nossas universidades públicas As propagandas do governo dizem que o povo da cidade ganha qualidade de vida. Que as distâncias foram reduzidas, etc. Mas a vida em si mesma precisa ser respeitada!
O momento é de vibração e de torcida. E ainda de abertura do coração para receber tantos povos 
e tantos atletas importantes. Vibramos. Vamos conhecer e aprender com os atletas espirituosos, 
alegres e os mais bem preparados do mundoPorém, não vamos esconder o que mais nos preocupa agora: a saúde e a educação. Sem educação de base e de ponta nunca seremos um povo avançado.  
E, ainda, vivemos um certo aperto no peito pelo momento político que atravessamos.   Uma 
preocupação constrangedora nos atinge quando vemos tantos belos projetos e um povo sofrido 
aguardando decisões importantes que podem mudar a direção do país.
O foco está sendo desviado. Por enquanto, aguardamos...
As Olimpíadas passarão e teremos que enfrentar a vida de nossa cidade, de nosso país com todos
os conflitos que nos atingem neste momento de mundo!
Comida, remédios, respeito. O nosso povo precisa ser mais respeitado.
Educação, escolas, pesquisas. As instituições da área da educação precisam ser melhor cuidadas.
O belo e o magnífico não nos alimentam inteiramente. Nem o esporte em si mesmo nos educa. 
São complementares à uma base que precisa existir desde o início da vida.
Repito um dito popular: "não dá pra esconder o sol com a peneira"!


Rio de Janeiro, 5 de agosto de 2016.

Nenhum comentário:

Postar um comentário