sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Crônica de viagem - a caminho do aeroporto de Roma

Conheci a taxista romena em Roma. A caminho do aeroporto a conversa descortinou a vida desta mulher que se disse realizada. Na infância foi obrigada pelo regime do seu país, na época, a estudar russo. Tempo duro. Infância difícil. Desde aí, nasceu o desejo de partir e viver em outro lugar do mundo quando crescesse. Realizou o desejo ainda jovem, quando foi pra Alemanha, roteiro de tantos ainda hoje. Depois, deu o passo em direção à Itália onde mora há mais de quinze anos. 
O surpreendente para mim foi ouvir que aprendeu italiano sozinha, com a leitura da literatura italiana. Intrigada comentou que os verbos italianos são conjugados de forma estranha porque (no presente) terminam em "amo". Exemplificando: "andiamo, sappiamo, vediamo"/ "andamos, sabemos, vemos" etc. E alegre festejava seu perfeito sotaque, e comemorava os amigos que fez ao longo do tempo. Com quarenta e poucos anos, com certeza, essa mulher tem o que comemorar! Trabalho que lhe agrada, uma língua que dominou a partir das leituras, uma liberdade que lhe comove nas lembranças mais difíceis pelo que vê ao redor, hoje. E, principalmente, o respeito que mostra ter no pensamento em direção ao próximo.
Na Europa vive-se hoje, sem escolha, um período que se impõe com a chegada dos imigrantes. Todos dizem estar dispostos a partilhar, mas no dia a dia as dificuldades são inúmeras. Assim como as críticas aos países vizinhos.
Encontrei uma estrangeira que festeja sua escolha singular.

Rio de Janeiro, 28.10.2016. 

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