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quinta-feira, 30 de março de 2017

João Gilberto Noll partiu – uma homenagem


Soube hoje, logo pela manhã, que o escritor Noll partiu.
Silencioso e solitário. Partiu da mesma maneira que viveu.
Eu o conheci, pessoalmente, após uma palestra há alguns anos atrás. Creio que em uma homenagem realizada em Santa Teresa.
Na ocasião, conversamos um pouco sobre um de seus livros - Hotel Atlântico, que havia marcado a minha entrada no Mestrado de Letras da Puc em 2000. Curiosamente, depois do evento, acabamos dando uma carona a ele até um hotel bem simples no Flamengo. Rimos muito deste movimento contrário, pois, naquele instante, era ele o grande escritor que habitava um hotel  “qualquer” do Rio de Janeiro; em uma situação distinta da de seu personagem, que havíamos pouco antes comentado.
O mais curioso e belo é que diante do escritor senti uma ternura imensa.
Perguntou-me sobre minha infância no Amazonas, e pediu esclarecimentos sobre a cor das águas dos rios de lá. No detalhe, rememorei que ao colocar os pés no rio de areias claras e água cor de Coca-Cola, bem na beiradinha, tinha lembranças de ver meus pés de menina.  E, ele repetiu a cena em voz alta, com as minhas palavras, como a memorizar algo que desconhecia.
Uma sensibilidade como poucas. Partiu o nosso escritor das intimidades. Da humanidade mais guardada.
Aqui, o meu agradecimento pelo seu bonito trabalho!

 Rio de Janeiro, 30 de março de 2017


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