segunda-feira, 20 de março de 2017

Outonos

No outono,

desejos tomam posse da mais profunda
                                              [respiração
e alguns gestos carregam o mais distante de
                                       [nossa humanidade
(grega, judaica, cristã)?
Fixados nas pedras, os movimentos marcam
                                                [uma memória
sensorial muito antiga.




Fragmento de poema do livro Outonos, p.147
7Letras, 2014




*


OUTONO de 2014

Não há folhas douradas pelas ruas.
O calor não arrefeceu.
Não foram cuidados os hospitais que necessitam de recursos.
Não foram presos os homens que roubaram a Nação, não todos.
Não há dinheiro para fazer a conservação do convento Santo Antônio.
Não há limites para os assassinatos de um cidadão qualquer.

O Rio de Janeiro ferve na loucura e na insensatez.
Os cadáveres são desovados nos rios... e nos mares.

Não há sentimento de culpa.
Não há pedidos de desculpa.
Não há vergonha nem reflexão.
Não há petróleo no AR.
Não há buracos tapados nas ruas da cidade.
Não há transportes público suficiente.
Não há planos de saúde dignos.
Não há escolas para todos.

O Rio de Janeiro ferve :
loucura
insensatez.




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