domingo, 18 de junho de 2017

Letra Aberta de Herberto Helder

Leio Letra Aberta de Herberto Helder. Porto Editora, 2015
Um livro comprado em Lisboa no bairro do Chiado. 
Os versos são frutos de “uma escolha realizada pela viúva do poeta”, Olga Lima, no momento do primeiro aniversário de sua morte.  
Cito:

a morte é sempre estranha:
  morre-se todos os dias
  e enquanto se morre pede-se uma esmola para matar a fome de outra vida,”
                                                                                                                              (p.25)

Alguns poemas manuscritos comparecem ao lado dos poemas impressos. Sem títulos.

“que nunca por nunca estas linhas tivessem um ar acabado,
  quisera apenas que uma urgência das coisas
  as reclamasse, uma veemência,
  uma potência das coisas,
  e aí acabasse a sua breve música"
                                                      (p.55)

Os versos correm fluidos.
E os leitores, nomeados em algum momento “leitores inimigos”, nós podemos ser atingidos por um “quente choro” com as perguntas, inúmeras, assim como as afirmações inesperadas.

um nome que me digas ou me não digas duas vezes
 em dois abismos de sono, esse nome
 faz-se carne no mais âmago de mim mesmo,
 esse nome trabalha-me,
 é igual ao segredo: pão,"                                         
                                               (p.39)

Aqui, ouso dizer: um livro imperdível, especialmente aos poetas!
Sim, um trabalho com a letra em linhas verticais, en abîme,
com o pensamento maduro do poeta; o que nos dá ânimo, alegria, e sentimento de gratidão.


                                                                                              S.R.

Rio, 18.06.2017

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