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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

domingo, 27 de agosto de 2017

Restos

Escrevo e penso...

1.
Um passo a mais. Na caminhada olho o mundo ao redor.
Há náufragos em toda parte. Crianças boiam nas águas doces.
Restos de tudo se mesclam aos sacos plásticos.
Homens não cumprem mais as leis.
Ninguém se importa.

2.
Um passo a menos.
Volto da caminhada e não leio mais os jornais.
Nada interessa.
Penso em escrever as guerras, a fome
e este descaso sem vencimento.

3.
Domingo. Silêncio.
Os sons dos pássaros insistem
em trazer a vida.
Acordam um sentido quase
adormecido.


4.
Leio. Walter Benjamim me desperta.
A poesia me sacode.
O alimento maior é o sol
a água
e o azul infinito!

5.
Fazer e savoir faire
(aprender e ensinar).
Ouvir as ondas do mar.
Respirar o cheiro das matas depois da chuva.
Proteger o Amazonas!

6.
Não desmatar!
As árvores, as mães da natureza estão por lá!
Escrevo e penso estes homens-restos
a serem banidos
enquanto aguardo o ar puro chegar.



Em 27 de agosto de 2017


Veneza, 2015





Restos de um caderno de viagem: Veneza

A viagem transcorria leve não fosse o vento frio da noite um embaraço.
Mas, o colorido das roupas e das pessoas aumentava com os agasalhos 
colados ao corpo se incorporando às caminhadas. Algumas mulheres
russas usavam agasalhos com pelos. As chinesas circulavam com
shorts jeans e meias brancas ou coloridas. As italianas vestiam roupas 
elegantes e sapatos  de salto. 
Perto da Piazza San Marco há lojas de grife: Prado, Louis Vuitton e outras.
Algumas obras nas ruas estreitam as passagens. Os operários usam luvas   
negras de lã. Trabalham sem parar. Os vaporettos andam rápido desviando 
das gôndolas e das lanchas-taxi e de passeio. Há muito trânsito aquático 
em algumas horas do dia. Jovens tomam sorvete caminhando. Os sinos
tocam! As pontes ficam lotadas. Um engarrafamento humano se apresenta, 
principalmente nas pontes da Accademia e de Rialto.
O bairro de Rialto parece a rua da Alfândega no Rio de Janeiro.
Dezenas de tendas, barracas e lojinhas se somam e se amontoam. Estão 
autorizadas a vender de tudo um pouco. Alguns chineses já se incorporam 
ao cenário das lojas. E poucos africanos vendem bolsas fake que custam 
1/10 do valor das lojas. Eles ainda se vestem  com roupas de algodão 
colorido à moda africana.


Abril de 2015.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Poema em exercício

1.
Faz frio no Rio.
Um frio intenso arde entre os ossos nas costas.
A mulher está sob a marquise da esquina.
O cão felpudo e sem banho agasalha.
Pouco importa. Chove.
O arrepio maior é de fome. A cachaça engana.
O mundo ao redor gira.
Não há mais as lembranças de
ontem. Na rua ruídos atordoam.
Os homens passam. Vida sem cor.


2.
Em Brasília os homens correm em torno do Poder.
Nem se percebem fantasmas. Fantoches de si mesmos.
Nada importa na cena conhecida.
O drama dos outros homens é ficção para os homens sem medida.
A cor e o sabor de ontem se desfazem.
Os homens passam. A vida anda.
A paciência vem em consolo de aprendizado difícil.
Uma responsabilidade a cada dia e a reflexão
(em exercício) desmontam o cenário rarefeito.
Faz frio no Rio.




Mês de agosto de 2017.

O passeio da onça (poema)


Calma. Elegante.
Vestida de pele estampada.
A onça ao longo da estrada
estreita –    
rodeada de floresta –

atravessou oblíqua e paciente
(em frente do automóvel.)
Um olhar de luz refletiu o farol.
Não se virou nem olhou
uma segunda vez. Desfilou.

A família assombrada.
O passeio daquela noite
tornou-se lenda:
repetida e permeada 
às histórias de meu pai.  




Rio, 1 de setembro de 2014.

PS. escrito a partir de um fato verídico vivido na infância em Manaus.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Natureza em movimento - no lago do Jardim Botânico do Rio

                                                         Flor de Lótus
                                                             Vitória-Régia
                                           Fotos de José Eduardo Barros

terça-feira, 15 de agosto de 2017

THE LEGEND PLAYS SCHUBERT

THE LEGEND PLAYS SCHUBERT

https://youtu.be/L2IF2yFuXIw

Clara, a maravilhosa pianista! Clara Haskil toca Schubert

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Caderno de anotações - Berlim, junho de 2011

Cheiros, texturas. Arquitetura.
Desde as pedras no chão à beira do rio Spree
com seus pássaros e jovens de bicicletas caminhamos
até alcançarmos os museus de pedra na ilha dos museus
Lá dentro, segredos do mundo antigo:
gregos e assírios
O silêncio caminhou ao lado, e os nossos olhos giraram
ou se fixaram nas formas que tomavam as paredes altas
Do lado de fora dos museus
(outra vez, a vida):
os trilhos dos trens
os turistas
as obras que abriam ruídos
Canteiros de obras
caminhões e andaimes
- amarelos -
confundiram as formas do antigo
e do contemporâneo.

27.06.2011


"Femme se coiffant" - 1906 - Picasso

O que pensaria Picasso olhando a sua amante se penteando
pela manhã?
A escultura se mostra incompleta.
Os olhos fechados e os cabelos longos

"Portrait de Lorette" -1917 - Henri Matisse
Recolho em pesquisa na internet:
Matisse painted her as a flirtatious Spanish señorita in a lace mantilla, a turbaned inhabitant of a Turkish harem and a Parisian cocotte.

Dizem que pintou a italiana Lorette umas cinquenta vezes, em Paris e em Nice.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

sem título

ontem as nuvens sopraram no frio da madrugada
e os homens buscaram em silêncio alcançar o pensamento

as horas traçaram a direção do múltiplo
e poucos se firmaram no horizonte próximo

os passos os alimentos as raízes as vozes os cheiros
a natureza sem voz pede clemência

no universo distante não há ouvidos suficientes
(o que vinga é o supérfluo o banal o excesso)

a tudo meu amigo seremos atentos
ousados e sérios

no horizonte perto
vemos os pássaros as flores o vento

e no passo desta manhã
onde o sol rompe o intervalo

carrega-se de esperança
o que pode vir a ser








quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Qual a saída para o Rio?

Nem sempre a saída para um rio é o mar. Embora, seja sabido que o rio gosta de correr para o mar. As pernas ou os braços de um rio se movem em direções inesperadas a partir da nascente. Às vezes, o rio deságua em outro rio e se torna mais forte e caudaloso caminhando sua majestade, abrindo as suas margens para novos ângulos da natureza, que providencia e fortalece a vida animal com a água que distribui, que se estabelece ao redor dos homens de forma natural.
O rio Capibaribe do poeta João Cabral de Melo Neto, agora, corre até mesmo nas veias de bailarinos musculosos que o construíram no espetáculo Um cão sem plumas de Débora Colker. Vibrante espetáculo: belo, poético, forte. Espesso no sentido cabralino. Inesquecível!

“Porque é muito mais espessa
 a vida que se desdobra
em mais vida
como uma fruta
é mais espessa
que sua flor;
como a árvore
é mais espessa
que sua semente;
como a flor
é mais espessa
que sua árvore,
etc. etc.”
                   (Versos de O cão sem plumas de João Cabral )

No entanto, a questão que convido o leitor a pensar é muito densa.  Em um momento de tanta violência na cena carioca, quando temos que conviver com mais armas espalhadas pela cidade, suspensas em ombros jovens que chegaram de longe para ajudar a nos dar uma trégua, nestes conflitos extremos e sem limites que a vida carioca nos abre todos os dias, com um número enorme de mortes sem sentido em um cenário de guerrilhas, como podemos pensar e administrar a violência sem a violência? Pois administrar a violência com violência é manter tudo igual. É colocar panos quentes, ou melhor, soprar o fogo da fogueira. Deixar crescer a ignorância da violência de nossa população é ser mais ignorante que a ignorância. É ficar cego, e manter paralisado o espírito criativo do cidadão.
A saída para o nosso sofrimento está nos braços de todos nós. Em nossas pernas. Nos movimentos que – juntos – podemos alcançar para ajudar a mudar o nosso Rio. Educação e arte! Um olhar mais digno e diferenciado que alcance os menos favorecidos. Programas voltados para humanizar e harmonizar a sociedade. Um pensamento mais humano ajuda ao homem em sua caminhada. Amplia sua visão crítica, e o auxilia a sair da miséria da mente que pensa pequeno. Leitura para todos! Bibliotecas ambulantes!
O novo “Projeto Ruas” que circula na cidade é um exemplo de caminho. Outros projetos precisam nascer. Pensem grande! Nós somos maiores que a Economia. Somos a Ciência, a Filosofia! Somos o Direito.
Somos Literatura e Arte!
Somos Música!
Teatro, Dança!
Somos Poesia!
Corpo e Espírito!
Somos a vida que, de fato, se desdobra!


                                                                                   S.R

                                                                                                 Rio de Janeiro, 2 de agosto de 2017.