quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Qual a saída para o Rio?

Nem sempre a saída para um rio é o mar. Embora, seja sabido que o rio gosta de correr para o mar. As pernas ou os braços de um rio se movem em direções inesperadas a partir da nascente. Às vezes, o rio deságua em outro rio e se torna mais forte e caudaloso caminhando sua majestade, abrindo as suas margens para novos ângulos da natureza, que providencia e fortalece a vida animal com a água que distribui, que se estabelece ao redor dos homens de forma natural.
O rio Capibaribe do poeta João Cabral de Melo Neto, agora, corre até mesmo nas veias de bailarinos musculosos que o construíram no espetáculo Um cão sem plumas de Débora Colker. Vibrante espetáculo: belo, poético, forte. Espesso no sentido cabralino. Inesquecível!

“Porque é muito mais espessa
 a vida que se desdobra
em mais vida
como uma fruta
é mais espessa
que sua flor;
como a árvore
é mais espessa
que sua semente;
como a flor
é mais espessa
que sua árvore,
etc. etc.”
                   (Versos de O cão sem plumas de João Cabral )

No entanto, a questão que convido o leitor a pensar é muito densa.  Em um momento de tanta violência na cena carioca, quando temos que conviver com mais armas espalhadas pela cidade, suspensas em ombros jovens que chegaram de longe para ajudar a nos dar uma trégua, nestes conflitos extremos e sem limites que a vida carioca nos abre todos os dias, com um número enorme de mortes sem sentido em um cenário de guerrilhas, como podemos pensar e administrar a violência sem a violência? Pois administrar a violência com violência é manter tudo igual. É colocar panos quentes, ou melhor, soprar o fogo da fogueira. Deixar crescer a ignorância da violência de nossa população é ser mais ignorante que a ignorância. É ficar cego, e manter paralisado o espírito criativo do cidadão.
A saída para o nosso sofrimento está nos braços de todos nós. Em nossas pernas. Nos movimentos que – juntos – podemos alcançar para ajudar a mudar o nosso Rio. Educação e arte! Um olhar mais digno e diferenciado que alcance os menos favorecidos. Programas voltados para humanizar e harmonizar a sociedade. Um pensamento mais humano ajuda ao homem em sua caminhada. Amplia sua visão crítica, e o auxilia a sair da miséria da mente que pensa pequeno. Leitura para todos! Bibliotecas ambulantes!
O novo “Projeto Ruas” que circula na cidade é um exemplo de caminho. Outros projetos precisam nascer. Pensem grande! Nós somos maiores que a Economia. Somos a Ciência, a Filosofia! Somos o Direito.
Somos Literatura e Arte!
Somos Música!
Teatro, Dança!
Somos Poesia!
Corpo e Espírito!
Somos a vida que, de fato, se desdobra!


                                                                                   S.R

                                                                                                 Rio de Janeiro, 2 de agosto de 2017. 

3 comentários:

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  2. Querida Solange,
    Hoje, deparei-me com uma barricada de carros sucateados vigiada por bandidos. O motorista do UBER, displicente de sua responsabilidade moral, com uso de palavras baixas, assustou-me ainda mais. Chegando, recebo a notícia de um ônibus da instituição, similar ao que utilizo todos os dias, assaltado. Mês passado, um policial empunhando uma escopeta pediu 400,00 de propina. Recupero o equilíbrio, rezo, medido. Que sejamos firmes, atentos. Se Deus permitir desdobrando a vida através da paciência e olhar fraterno. Beijo grande. Tarde serena.

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  3. Luís, meu caro
    Alguns de nós estão vivendo situações assustadoras, impensadas em outros momentos de nossas vidas. Você tem um trabalho de pesquisa sério e importante. Estou chocada.
    Sejamos firmes e atentos em muitos sentidos!
    Um abraço fraterno,
    Solange

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