Somos a favor do porte de livros!
Somos a favor da economia verde!
E vamos dar voz aos nossos índios!

sábado, 28 de abril de 2018

Museu Oscar Niemeyer em Curitiba




                                         Versos de Cecília Meireles e ilustração de Vieira da Silva
                                           Texto de Guimarães Rosa. Ilustração de Djanira.

                                           

                                           Pintura de Tomie Ohtake



quinta-feira, 26 de abril de 2018

A Universidade de Paris3 vive tempos estranhos


Paris3: Centre de Recherche sur les pays lusophones

Frequentei em tempos distintos e de maneiras diversas a Universidade de Paris3, a famosa, a bela e querida Sorbonne, tão permeada de História e fatos dignos de serem relatados em livro.
 Neste momento de mundo, com as mudanças que se impõem aos estudantes e professores que vivem em Paris, acompanho de longe uma grande mudança imposta às Universidades da França. Não vou entrar na questão por considerá-la muito particular. Mas, posso sempre fazer algumas considerações. Afinal, a Universidade da Sorbonne - Paris3, no setor onde se encontra uma bela Biblioteca Lusófona, e ainda uma sala de estudos e reuniões, além de espaços diversos (sala dos professores), etc., onde há muitas décadas muitos se dedicaram ao estudo da língua portuguesa (Portugal, Brasil e Países Africanos de língua portuguesa) está em vias de ser desmontada.
Com grande constrangimento me despeço deste espaço de cultura, ensino e pesquisa. A tristeza não me toma o pensamento, pois permaneço agradecida a tudo que fiz, aprendi e vivi lá: palestras com pessoas diversas e de culturas literárias distintas, que somaram ao meu aprendizado um saber inesperado e belo; encontros com escritores brasileiros e estudantes franceses, portugueses e brasileiros em sua maioria, embora alguns estudantes africanos também tenham comparecido, e o acesso a livros e computadores da biblioteca para as pesquisas necessárias.
Escutei rumores estranhos sobre a saída dos lusófonos de lá. Alguns dizem que tudo será ocupado com trabalho administrativo. Mas, desmontar uma biblioteca não é qualquer coisa.
Outros dizem em voz baixa que vão usar as instalações do prédio para hospedagem (?).
O fato é que os boatos correm...
Não havia até final de março nenhuma explicação plausível.
Está fazendo 50 anos desde maio 1968.
Nunca uma decisão deste porte foi tomada.
Tempos estranhos os nossos!


Rio de Janeiro, 26 de abril de 2018


quarta-feira, 25 de abril de 2018

Amantes de livros



O olhar atravessa estantes múltiplas e multiplicadas. O entusiasmo se faz nítido. Olhar. Tocar. Encontrar o livro procurado. Decidir comprá-lo ou não.
Na livraria Compagnie que fica bem perto da Sorbonne, no final de março deste ano, fui interrompida em minhas pesquisas livreiras pela fuga de um homem que saía correndo com livros na mão sem pagar por eles. Na sequência, assistimos a decisão do jovem da caixa de segui-lo e conseguir, depois de muito correr, ter dois livros de volta. O suposto ladrão-leitor deixou os livros no chão... e, continuou fugindo de seu perseguidor que voltou satisfeito para seu trabalho trazendo os livros consigo.
O assunto não durou muito. Os comentários sobre o fato se restringiram aos dois vendedores. Mas, a cena permaneceu na minha cabeça por ser uma repetição, pois há quase três anos assisti a mesma cena na mesma livraria. Talvez, até vivida pelos mesmos personagens.  Quem sabe até o tal homem seja um frequentador da livraria, e amante de livros que não compra, mas furta quando consegue fazê-lo.
Comentamos ao longo do café que tomamos na sequência do dia, que o homem nem tão jovem procede da mesma maneira sempre. Entra, desce as escadas da livraria, olha revistas, escolhe os livros e sobe como se fosse pagá-los. Mas, ao chegar no andar de cima, olha em torno e corre em direção à porta. Como um raio desaparece nas brumas da esquina próxima.
Montar a cena deste dia não me dá trabalho. Nas duas vezes que a assistimos estávamos em posições estratégicas, ou seja: eu em pé no andar de cima escolhendo livros e José, no andar de baixo, olhando as revistas literárias que ficam por lá. Ambos vimos o tal amante excêntrico de livros nas duas vezes.
O assunto se esgotaria rápido, mas o nosso interesse pelos livros não. Nesta mesma tarde, fomos até a Biblioteca Nacional da França em meio a uma chuva fina e um vento gelado.  Alcançamos as escadas de acesso firmando o guarda-chuva próximo ao corpo, com os braços sustentando também casacos grossos. As escadas nos deram a direção da porta de entrada. Olhamos livros belos na livraria que se encontra neste espaço raro. Comprei um caderno e um livro relembrando o tal amante de livros, que deixara livros no chão ao ser perseguido pelo jovem vendedor da livraria da rue des écoles.
O olhar de um colecionador leitor de livros pode ser acompanhado de movimentos impensados, nada comedidos e até mesmo infratores. Um belo personagem se apresenta neste homem alto e magro que se veste de calça jeans e uma camisa qualquer, e, que coleciona, inclusive, livros roubados escolhidos em gestos rápidos e paixões desmedidas.




Rio de Janeiro, 25 de abril de 2018.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Jardim da Cité Universitaire de Paris - primavera de 2018

                                                              A caminho da Biblioteca Central
                                                              da Cidade Universitária, Paris



sábado, 21 de abril de 2018

Van Gogh em Vicenza na primavera de 2018

Em Vicenza, fomos ver Van Gogh tra il grano e il cielo, na Basilica Palladiana, quase nos últimos dias desta colorida e instigante exposição.
Rodeados de italianos, que vinham das cidades próximas desfrutamos a pintura de Van Gogh desde seu início com desenhos imperfeitos, onde faltava a técnica dos estudos acadêmicos, conforme escutei nas explicações de uma italiana ao seu grupo de estudantes.
A caminhada do pintor está permeada de cartas ou de comentários críticos sobre, especialmente, a luz em sua obra.
Acompanhamos o movimento dos corpos, que debruçados sobre a terra plantavam batatas ou cuidavam da terra simplesmente.
O gesto
           o corpo
                      as mãos
                      os detalhes dos pés
                      (em sapatos holandeses)
As mulheres costurando
as mãos cozinhando
os dedos íntimos
os rostos sérios
o olhar firme
o corpo do trabalho fadigado
As tarefas da vida se impondo rápidas
As janelas e as cores fortes
- as 7 cores -
saboreiam o arco-íris de um viver intenso.



quinta-feira, 19 de abril de 2018

Poema


Corpo estrangeiro

Não posso deixar de registrar este frio
Respiro-o sem querer
Invade os olhos o nariz e a face
Reduz a caminhada
Sinto-me mais velha Sem querer
Os agasalhos pesam
As botas verdes pesam toneladas nos pés

Lágrimas quase pingos de gelo
Saltam desastradas dos olhos pequeninos
Ainda é cinza esta primavera-inverno
Pássaros urgem entre nuvens gordas
Dia 20 de março de 2018 Faz -1 degré
Ainda neva? Alguns jovens correm Agasalhos negros
Ruas geladas em Paris Respingadas de branco

Alguns homens perambulam Cantos das calçadas
Negros pardos brancos Se mexem Vivos panos rotos
Salvar o planeta é a ordem do dia
Os homens em correntes-de-mãos-dadas
Cada passo sinaliza um olhar
Cada gesto expande uma voz estrangeira
A língua-mãe marca o espaço do corpo

Não posso deixar de registrar este entorno
Não posso deixar de registrar este
Não posso deixar de registrar
Não posso deixar de
Não posso deixar
Não posso
Não.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Rio de Janeiro, 18 de abril de 2018

Na volta ao Rio no dia 12 de abril desfrutamos de um voo da Air France duas vezes cancelado.
Greves sem explicações nos atropelaram. Greves francesas.
Um boeing gigante atravessou os mares de forma quase silenciosa.
Não fosse o vai e vem dos passageiros que, neste voo, falavam baixo e se moviam pouco
podíamos pensar que tudo fazia parte de uma ficção.
No aeroporto as filas nos davam a direção. E, estranhamente, não foi preciso pegar o trem
junto com os chineses como em outros momentos, e, que nos levava para o fim do mundo de um enorme aeroporto antes do embarque.
Rapidamente, estávamos diante do portão de n. 41 (?). Embarque.
Porém, nada ou quase nada a comer se encontrava ao redor.
Apenas, uma lanchonete do tipo americana caso subíssemos um andar de elevador.
Inacreditável o número de lojas de primeira linha. Vazias.
Falava-se 4 ou 5 línguas a bordo, inclusive o português.
Conseguimos dormir um pouco. Sim, e, por incrível que pareça, o cansaço nos levou aos bons sonhos.
Não fez frio dentro desta gigantesca aeronave.
A nave de Noé voou durante mais de onze horas, e, imagino que tenha trazido em seu ventre animais domésticos. 

terça-feira, 10 de abril de 2018

Anotações


Crônica veneziana

Quando os homens do mundo não se olharem mais com estranheza, a humanidade caminhará mais tranquila.
Cuidar das águas dos rios e dos mares.
Plantar alimentos sem respirar agrotóxicos.
Mudar os políticos econômicos encarcerados no dinheiro e poluindo o mundo com pensamentos de interesses financeiros apenas.
Humanidade- irmã
Diversas línguas escutei  no café da manhã:
Africanos falavam em ritmo forte
O casal italiano jovem brigava
O casal alemão se assustava com os ruídos
Nós sorríamos entre-os-olhos
O casal inglês idoso silenciou seu sotaque alto
A jovem chinesa empurrou o pão com a mão apressada
E, tudo continuou como antes quando o casal que brigava se retirou de repente...
Deixaram um par de óculos escuros sobre a mesa. 

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Passo. Passagem.

Meus antepassados saíram de San Benedetto Po em 1877 porque havia muita fome ao redor do Rio Po. A pobreza se instalara naquela região. Mesmo Mantova sofria.
Na Páscoa o passo, o caminho e o passeio nos levaram em torno das histórias dos antigos.
Passo. Passagem.
Páscoa.
 As ruas são de pedras redondas.
A imigração é o tema do mundo . Os sírios se movem. Os africanos se movem. Mas,  antes, os italianos se moveram. A direção é a da bandeira da esperança. A passagem dos imigrantes é a de caminhar em direção ao sol.


domingo, 1 de abril de 2018

Verona por um dia

                                                              Castelo de Verona, Castelvecchio
                                                              Santa Catarina de Alexandria

                                                                 Basílica de São Zeno