sábado, 30 de junho de 2018

Teatro Olímpico de Vicenza, Itália






 Fotos de abril de 2018

Nota:
visitamos este belo teatro em uma tarde muito fria com  chuviscos finos e vento invernal.
Do lado de dentro, alguns jovens alunos escutavam a fala de um professor de teatro italiano, que silenciou sua oratória tão logo entramos. 
Os ruídos dos degraus de madeira não se harmonizaram com a nossa respiração ofegante. 
Permanecemos próximos a um japonês, que era o outro único visitante, nesta tarde gelada no impressionante teatro que nos abre um céu de nuvens acima de todas as outras surpresas.


quinta-feira, 28 de junho de 2018

Nota: Copa do Mundo 2018

Comento, muito rapidamente, que ontem o técnico Tite deu um show:
inteligência e sensibilidade.
Valeu ouvir a entrevista que concedeu na Rússia aos jornalistas brasileiros e internacionais.
Parabéns!

sábado, 23 de junho de 2018

E.U.A. : nossos "não" irmãos?

Os graves incidentes ocorridos com a política americana nos escandalizam no dia a dia. Atitudes nada humanitárias têm sido tomadas neste novo Governo Americano. No entanto, nunca esperamos constatar o que estamos vendo acontecer com as crianças latino-americanas e mexicanas; o que estamos vendo ser noticiado agora. Quantas crianças estarão envolvidas nestes atos bárbaros, que separaram mães e filhos tão pequenos, em nome de uma política ridícula e que tem chocado o mundo inteiro?
Estamos longe de resolver a questão humana da liberdade de ir e vir, que foi sonhadamente apresentada ao mundo há tantas décadas. Agora, o que vemos é o mundo financeiro ditando as regras da Democracia.
Não fosse a minha experiência com a clínica psicanalítica, atendendo e ouvindo crianças e pais durante muitas décadas, eu não ousaria dizer uma palavra sequer sobre estes fatos tão terríveis. Mas, minha prática me autoriza a escrever, desta vez, com a clínica me dando a direção. 
Sabemos por estudos feitos até mesmo nos EUA, que não se deve separar pais e filhos, principalmente, na primeira infância. Os danos causados por uma separação precoce são ou podem vir a ser traumáticos e difíceis de "calar", pois farão parte de uma vida inteira. Então, pergunto: como é possível uma Nação - dita desenvolvida - tomar uma decisão de tal porte sem ouvir os responsáveis pelos Direitos Humanos ? Isto sem falar em questões mais densas ainda, ou seja, os direitos maternos, direitos primeiros; os que toda criança tem de ser cuidada por seus pais. 
Atenção, liguem o sinal de alerta, pois o mundo está caminhando na contra-mão de nossa humanidade!  
Nossos "não" irmãos parecem trabalhar na calada da noite, e agindo de forma muito estranha se autorizam atos bárbaros! 

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O que os jogos desta Copa nos ensinam

Muito mais que o previsto, os jogos da Copa do Mundo de Futebol na Rússia apresentam uma multiplicidade de comportamentos novos que saboreamos aos poucos.
No Brasil, aprendemos a ouvir a transmissão de jogos e comentários feitos por mulheres que, de forma distinta dos homens, nos fazem sorrir pelas delicadezas. Eu diria até que festejamos os sotaques nordestinos!
Nos estádios, os senegaleses assim como os japoneses dão um show de cidadania ajudando a limpar os detritos deixados pelas suas torcidas.
Nossos jogadores apresentam uma calma e uma harmonia rara, e, comparecem, ao mesmo tempo, com a emoção à flor da pele. Lindo de ver!
Não fossem os machista brasileiros de plantão que envergonharam a nossa Nação, teríamos muito mais a festejar hoje!

O mundo mudou e assim também os comportamentos humanos devem vibrar e aproveitar de todas as sutilezas ao longo desta Copa na Rússia.






Rio de Janeiro, 22 de junho de 2018.

domingo, 10 de junho de 2018

Reflexões e leituras em Susan Sontag

No fio do discurso de Susan Sontag, restabelecendo a linhagem da questão "Porquê a Guerra?" no livro Olhando o Sofrimento dos Outros/  Regarding the Pain of Others na pergunta que também foi feita a Freud e a Einstein em 1932, depois da primeira Guerra Mundial e antes da Segunda, estão colocados os paradigmas que passaram a circular entre nós. Susan Sontag os recupera para pensar as muitas guerras, todas as que vieram depois, as pequenas e as múltiplas que nos causam horror sempre, mas um horror que não parece ser suficiente para encerrar a questão.
Virgínia Woolf se perguntou na época "como podemos nós evitar a guerra?" e desdobrou seu pensamento no livro Os Três Guinéus, sempre pertinente, sobretudo se partimos do "nós" onde estamos implicados. Afinal, continuamos a assistir nas telas dos noticiários às imagens que nos causam sofrimentos e seguimos fazendo nossas tarefas diárias distanciados dos horrores transmitidos. 
Na época de Woolf, as fotografias terríveis traduziam os horrores das guerras e, em geral, "falavam por  si próprias." Na época de Sontag, a nossa época, as imagens montam uma narrativa mais explícita. Os inúmeros civis que morrem e ao mesmo tempo têm suas casas destruídas podem nos causar espanto e indignação mas podem, também, servir a algum princípio nada humanitário muitas vezes, por exemplo, político. Para os políticos a prioridade é, em geral, aprovar o que pretendem na sequência de seus interesses, e até mesmo "fazer" a guerra como vimos que aconteceu, recentemente, no Iraque.
À distância o sofrimentos dos outros tem um teor diferente.
Neste momento, acontecem coisas terríveis ao nosso redor no Rio de Janeiro. Mata-se e morre-se.
Algumas destas mortes nem são noticiadas, sequer fotografadas apesar da existência dos celulares. 
A insanidade da guerra nos habita?
Estamos vivendo rodeados de homens armados na nomeada guerra contra o tráfico.
Além disto, parece-me que muitos homens seguem a vida sem olhar em torno. 
Assistir aos jogos da Copa do Mundo pode até trazer um sopro de energia, mas precisamos pensar sobre o nosso Tempo!

sábado, 9 de junho de 2018

Mantova e San Benedetto

Chegar em Mantova e, com o coração batendo forte seguir, logo em seguida, para San Benedetto Po.
A via de acesso nos apresentava um trajeto ao longo do rio Pó, e algumas pequenas pontes com semáforos determinavam a baixa velocidade exigida. Meus olhos não declinaram de olhar tudo ao redor. Desde árvores descabeladas pelo inverno rigoroso que findava até o tom meio dourado da terra nas plantações entre os pontos verdes.  
No sábado, a cidade vazia de pedestres se preparava para mais uma Páscoa, que já acontecia entre os familiares dentro de suas casas ou nos restaurantes.
Fomos direto ao Cemitério e entramos em um espaço cuidado e limpo, com uma harmonia reconhecida e,imediatamente, vislumbrei um senhor italiano de bicicleta que me pareceu ser o homem que cuidava das almas por ali. Poucas palavras foram ditas por mim: um sobrenome, e, ele me apontou a direção a seguir falando quase um dialeto inteiramente desconhecido. Sorri silenciosamente e agradeci, pois milagrosamente entendi tudo. 
Meus passos rápidos determinaram o percurso e me deparei com o já sabido e, também, imaginado: estavam lá os Rebuzzi. Não só eles, mas os Pedrazzoli ali por perto e os Negri.
Não fosse a fome e o cansaço da viagem, pois vínhamos de Veneza e não havíamos comido até este momento nada, teríamos ficado a procurar outras famílias conhecidas que partiram de San Benedetto e de Mantova e, hoje, vivem no Estado do Espírito Santo no Brasil.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Um poema inédito, mais uma vez


CADERNO,

Deslizam em minhas mãos as linhas desta manhã. Sou e não sou uma rosa. A luz ofusca. Recupero nas linhas verdes do caderno – entre o branco dos intervalos – a caligrafia da cidade. Letras informes. Alinhavo vogais. Alimento o direito de vagar nos pensamentos. O ar penetra nas narinas e sopra um tule de vento: asas de um monólogo. Folhas ainda úmidas escondem os lábios entreabertos do dia. A mão recebe o ritmo. A letra abre e fecha a respiração.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Livros, bons amigos

Comprei, ontem, em um sebo de Ipanema dois livros. De maneira irresistível brilhavam na vitrine da loja. Olhando o Sofrimento dos Outros de Susan Sontag, editado em Portugal pela Quetzal, já está esgotado. E, Henry James de On Provence da editora inglesa Herperus, com 80 páginas, quase parece um livro de bolso. Desde então, ambos caminham comigo pela casa. Espero conseguir deixá-los em algum lugar especial, em breve.
Impressionante o efeito de um bom livro em nossas vidas. 
Deixo aqui nesta nota o meu agradecimento aos poucos e bons sebos que ainda nos rodeiam!

domingo, 3 de junho de 2018

Grafar a luz : fotografar





                                     

                                                Fotos feitas no final do inverno de 2018, na Cidade Universitária de Paris por José Eduardo Barros

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Por que nos lamentamos tanto?

O lamento é um tipo de choro sem lágrimas. Circula em toda parte. 
Muito antes de Freud se interessar em pesquisar e analisar as histerias de seu tempo, no século XIX, já circulavam as mulheres que se lamentavam. Porém, os homens de nossa época também se lamentam.
Hoje, com o desmonte diário das políticas que visam o bem estar de seu povo, pois o interesse é principalmente voltado para o lucro, assistimos a um cenário de lamentações. Difícil mesmo é fazer uma análise mais duradoura, que possa nos ajudar a mudar roteiros. Não os roteiros de viagens ou de programas e divertimentos banais que só adiam os nossos problemas, embora nos deem, e por algum tempo, um sopro de descanso das constantes e cansativas notícias e decisões que nos encobrem de lamentos.
Repito não mais em verso: quero de volta as estações do ano, e muito mais que isto quero de volta os dias de alegrias genuínas, pois éramos felizes e sabíamos, como costumava dizer meu pai, em décadas passadas. 
A população do mundo cresceu muito e a nossa cresceu sobretudo sem orientação e estudo. Cresceu emparelhada nas grandes cidades com o engano de que aqui se viveria melhor. Que lástima tudo isso! Descortina-se cada vez mais os malefícios de governos seguidos sem organização e nem pensamento de políticas de educação e saúde pública. Uma espécie de abismo se mostra agora.   


Rio de Janeiro, 1 de junho de 2018.