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quinta-feira, 19 de julho de 2018

Poema do próximo livro já a caminho...


RELÓGIO

As horas das manhãs de domingo ao redor.
O relógio oito recomeça.
Bate o tempo das ruas.
Os pés inchados anunciam a seca.
A chuva e o sol não se misturam:
infância em Manaus.
Os homens trabalham no verão
nas plantações de abacaxi.
Descansam no embalo da rede.
Mascam tabaco.
Os poetas do norte e nordeste
examinam o verso a cada romaria.
O pranto lhes chega de repente.
E embora os olhos pisquem
não dão conta da maré cheia.
À margem do rio Negro
a areia é alva.
O relógio bate sete horas.
A boca sem segredos sente angústia.
Mais de sessenta anos.
Enfrenta a esperança.
Revê espaços da infância
(os pés cansados de correr na grama
e um copo d’água engolido de uma só vez!)



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