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sábado, 18 de agosto de 2018

Sobre Tradução: Nioque de Francis Ponge

Um estudioso do latim ou do grego poderia desdobrar também, nesse estudo,
o possível e impossível da linguagem poética, mas, o que vai me interessar de
maneira mais simples, nas observações recolhidas no Littré, seria esse tempo
de mudanças no idioma originado do latim. Se a língua francesa permaneceu,
até o século quatorze ou quinze, com a marca materna de um latim que obrigava 
à declinação, ela participou menos do luxo da ousadia e de sonoridades ricas que 
abordaram as línguas italiana e espanhola ao se separarem do latim. A língua 
francesa ficou mais perto de sua musa, "une muse plus sévère", mantendo, na 
poesia, seus traços.

(...)

De certo ponto de vista, a tradução nos fornece reflexões sobre a clareza da 
língua, o que o texto original, em geral, deixa mais encoberto. Com os espaçamentos 
e as ressonâncias reduzindo o que dificulta a circulação do sentido no texto, o tradutor 
encontra - ao traduzir o novo e o inesperado, não só nos sentidos múltiplos, mas
também nas palavras de dicionário que precisam ser escolhidas, (uma entre outras) 
em se tratando de Ponge - a beleza material do texto com os encadeamentos ou 
pausas, que comparecem na elegância da língua e do ritmo.



(Posfácio: "Francis Ponge, uma temporada em Les Fleury" Lumme editor - Faperj.
p.141, 143) 

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