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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Rio de Janeiro blue

                                             Foto feita por mim em setembro de 2018

Texto de 27 de setembro de 2018


Só as metáforas dão conta da tarefa

Para que servem as metáforas quando o mundo ao redor se encontra de cabeça para baixo? Metáfora é uma figura de linguagem. Do latim “meta” significa algo, “phora” significa sem sentido. Então, algo sem sentido ou que até pode abrir mais de um sentido aparece no texto e pode surgir assim, de repente. Quando os pensamentos somam trabalho demais, ela aparece e busca dar conta do recado.
As metáforas podem vir de qualquer lugar, e afetam o sentido que elas desviam. Nas margens à nossa frente ou com o que nos circunda somos sempre levados a repensar. As metáforas necessitam alguma lógica. Há um ritmo e uma textura de texto a ser perseguidos senão corremos o risco de sair da harmonia da linguagem e partir para um mau gosto sem limites.
Às vezes, as metáforas não são usadas. Tudo fica concreto demais. E isso é o que temos assistido nas campanhas eleitorais deste ano sem igual. Famílias de políticos alinhavam campanhas de extremo mau gosto. Uma linhagem sem pensamento nem harmonia se mostra a todo instante. Algo tão inesperado até mesmo para  os outros políticos; os que já os conheciam de momentos ingratos da caminhada.
Na confusão de cambalhotas há as fake news para confundir mais ainda. Parece que abrimos as comportas de um não saber NADA, e de forma tal que há pouco a fazer. Um espaço bizarro surgiu à nossa frente.
Repito o verso relembrado por uma amiga, recentemente, rememorando Manuel Bandeira: “Vou-me embora pra Pasárgada”

                 (e, lá, quero dormir aos pés da poesia!)



                                                                          


sábado, 22 de setembro de 2018

sábado, 15 de setembro de 2018

A força das mulheres de nosso tempo



As mulheres de nosso tempo vivem o mundo com mais liberdade, com mais liberdade que nossas mães e nossas avós. As décadas de sessenta e setenta foram fundamentais na singularidade de nossas caminhadas. Exigimos direitos iguais aos dos homens no trabalho, apesar das inúmeras diferenças que ainda temos que administrar. A velocidade com que as mudanças de comportamento nos foram apresentadas cobraram muito de nós todas. A disponibilidade de tempo que temos para pensar o mundo não é muito grande, visto os excessos que nos rodeiam. Vivemos atordoadas diante das cenas violentas endereçadas principalmente às mulheres, e, em todas as classes sociais. 
Hoje, pretendo lançar meu olhar ao universo feminino. Nomeado em estudos de psicanálise, o tema “o feminino” permeia debates sérios e importantes. O sentido não é o de uma garantia no mundo das mulheres, pois a experiência feminina não é alcançada só por elas nem por todas elas; pode ser vivida também pelos homens. Diz sempre de uma falta; uma falta que nos chega enquanto seres vivos inseridos no que já é faltoso, desde o início de nossa chegada ao mundo. Nascemos incompletos. E, lutamos muito ao longo de nosso crescer para adquirir as possibilidades de lidar com o que nos falta.
Porém, não são estas as diretrizes que me levam a pensar nessa questão tão densa teoricamente. Mas, o momento brasileiro. E as eleições presidenciais acirradas pelos discursos “machos” e díspares de alguns. Discursos, por vezes, “medonhos” (para usar uma expressão do mundo da violência). O termo pode ser encontrado em escritos até mesmo da literatura infantil, no entanto, também, pode permear conversas que possam vir a adjetivar alguém.
Reflito: quem são as mulheres que desejam votar em A., B. e ou em C. para Presidente da República? Será que o comportamento de submissão e alienação de algumas delas ainda as leva a ter motivos para um voto em B., por exemplo? Contudo, o voto feminino em C. também acirra a disputa. Ambos  têm chances de ir para o segundo turno, de acordo com algumas pesquisas e, ambos, são candidatos que falam de forma incisiva e buscam convencer mantendo argumentos mais radicais. Silenciosamente indago aos meus botões: porque as mulheres resistem tanto em votar em uma mulher?  
O machismo ainda é grande entre nós. Todavia, a força feminina tem sua legitimidade. As mulheres que trabalham e lutam muito são inúmeras, mas parece que ainda estamos vivendo sob pressões que emanam da Ditatura. E, essas forças nos encobrem de muitas formas. Podem ser sentidas no comportamento de muitas de nós, e de muitos de nós também. Quando lemos e escutamos que alguns jornalistas não podem expressar seus votos claramente, nem tampouco podem fazer a defesa de um candidato parece que estamos ouvindo precisamente um certo silêncio herdado da ditadura.
Depois de um passado traumático advém um tempo de silêncio. A historiadora e psicanalista francesa Elizabeth Roudinesco afirmou isto no Chile, recentemente. As palavras e sempre as palavras nos servem de aliadas na compreensão de nossa marcha histórica. Aqui no Brasil estamos continuamente firmando a nossa Democracia, mas já estamos vendo a ameaça do fascismo nos rodeando. Precisamos proteger a nossa jovem Democracia!  
As mulheres podem somar força reflexiva e apoiar um candidato ou candidata, que nos diga algo voltado ao nosso momento de mundo. Ou seja, algo mais perto de nossas lutas de crescimento no Brasil, e enquanto pessoas no mundo, sempre podemos – nós, mulheres - lutar por um mundo aberto e humano voltado cada vez mais às diferenças de raças, de credos, de hábitos persistindo na direção da proteção da biodiversidade. 
Não queremos andar para trás. Temos uma história, afinal, recente de Ditadura no país. Precisamos caminhar fiés ao legado do que já alcançamos!
                                                                                     

                                                                             Rio de Janeiro, 13 - 15 de setembro de 2018.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Fragmento do livro Quase sem palavras

De olho nas sombras, penso que de vazio em vazio segue em ritmo próprio o mundo, então...
não estará em mim, este vazio?
Hoje recomeça meu tempo de exílio. Havia tentado sair dele indo morar com Doris, mas sentia-
me tão estrangeiro. Ficou impossível. Resolvi estudar de novo. Li sem parar. Matriculei-me
num curso de filosofia na Sorbonne.
Naquela semana sua mãe lhe enviou um livrinho de poemas, com algumas palavras em um pequeno bilhete: Meu filho, estes poemas poderiam ter sido escritos por você. É sua geração falando destes anos calados que estamos vivendo. Um beijo de sua mãe.
Curioso que nem assinava. "26 poetas hoje" chegou às suas mãos em 1978.

                                   Aquela tarde

                     Disseram-me que ele morrera na véspera.
                     Fora preso, torturado. Morreu no hospital do exército.
                     O enterro seria naquela tarde.
                     (Um padre escolheu o lugar de tribuno
                     Parecia que ia falar. Não falou.
                     A mãe e a irmã choravam.)
                                                      Francisco Alvim


Alex chorou. Chorou o amigo morto. Chorou o filho, fruto deste tempo,
chorou os anos de desesperança. Depois caiu no sol buscando sair das cavernas.


(p. 96)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Muito perto da barbárie


Não vou rodear. Vou direto ao ponto:
Faz tempo que digo e repito, aos parentes e amigos, que estamos caminhando em direção à barbárie. E não é apenas em função das dezenas de violências que assistimos diariamente nos canais de tv: assaltos, atropelamentos, arrombamentos, assassinatos e todos os tipos de violência (física e psíquica) vividos pelas mulheres dentro de ônibus, e mesmo dentro de casa. Mas, também, pelo que escutamos ao redor, com naturalidade, e até nas frases ouvidas de viés: o ser humano perdeu o respeito pelo próximo!
O que temos visto e vivido - de alguns anos para cá - se espalha como praga no jardim. Parece natural, mas não é. Desde os hábitos de festas excessivas e adoecidas pelo excesso de álcool misturado aos já nomeados “doces” ou “balas”, que circulam facilmente entre muitos jovens, até às falas e aos comportamentos compartidos com os pais dos jovens. Acho que muitos sabem que no Rio de Janeiro, na classe média, as festas de 15 anos costumam ter ambulância na porta. Sim, naturalmente! E, ninguém estranha.
Em um grau distinto, mas também nada natural do ponto de vista da saúde psíquica, temos convivido com uma quantidade de carros blindados, que são fabricados e usados pelas famílias de classe média alta que podem comprá-los. Muito estranho! Parece que gostamos de apagar o fogo pelas bordas, sem ir ao que causa o incêndio.
Sem mudar de assunto, mas alterando um pouco a rota, vale dizer que, ao longo de décadas, estamos falando muito de violência, mas não estamos cuidando de nossos jovens e crianças, não estamos dando escolas o suficiente. Não estamos dando livros o suficiente, etc. O que é igual a alimentar o que pode vir a ser destrutivo depois. O que existe de mais humano em nós precisa ser cuidado com pensamentos de harmonia e educação. O amor tem que ser compartilhado na educação ao próximo. Sim, e muito mais que isto: nós, humanos, somos capazes de mudar se formos cuidados respeitosamente.
Parece que a política de nosso país se perdeu. De uma maneira geral, estamos à deriva. Somos corpos humanos e caminhamos quase sem pensamento crítico. A campanha política que assistimos e o fato violento do último dia só nos dão a comprovação de nossos equívocos. Há um vazio do pensamento. Preocupados com os índices do ibope, etc., as tvs não conseguem comentar os deslizes e a violência dos próprios candidatos. Repito: violência gera violência. Atenção às falas dos candidatos à Presidência. Alguns chegam às raias da loucura, sem metáfora.


 Rio de Janeiro, 7 de setembro de 2018

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Fragmento do livro: Quase sem palavras

a janela está aberta. O outono se inicia com as folhas das castanheiras avermelhando o verão. Os porteiros da rua juntam em montes as folhas. Arranham o chão em barulhos de vassoura e cimento. A louca senhora da redondeza trabalha sua rotina compulsiva: varre, varre, varre. O que varre esta senhora? Inicia de repente no canto do muro, sem parar fica horas sem fim varrendo o mesmo espaço. Uma folha é uma folha arrastada pelo vento, molhada da aurora. Nem sempre corre no chão. Para de repente e logo recomeça. Leva montes de folhas em qualquer direção, subitamente desiste. Não há como penetrar os caminhos do absurdo. Enrolada na manta verde do sofá da sala, respiro a impaciência do lugar onde me encontro. Vou até a cozinha, preparo uma massa para o almoço, com decisão. A mulher que varre os sonhos habita minha mente, em voltas e voltas. Afinal, o que varre esta mulher? 

OBS: 
recolho em uma página da internet o início do livro Quase sem palavras que escrevi e publiquei em 2011.
Estranho a forma como está apresentado. Mas, agora, o livro pertence ao mundo... Viva!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

INCÊNDIO no Museu da Quinta da Boa Vista




Ontem, o fogo tomou conta dos acervos de nosso Patrimônio Histórico, cultural e científico em algumas horas. Ainda não temos como determinar a extensão dos danos causados a todos nós, brasileiros, que amamos o nosso país e a nossa história. A ciência está de luto assim como os historiadores, os antropólogos, os museólogos, os biólogos, os professores e os estudantes de mestrado e doutorado dos cursos que aconteciam há muitas décadas dentro do Museu da Quinta da Boa Vista. Estamos todos de luto!
Lamento, profundamente, que tal fato tenha ocorrido no ano da comemoração dos 200 anos do Museu Nacional. Frequentei este espaço na infância e na adolescência, sempre acompanhada das explicações de meu pai para os fatos da história dos reis de Portugal, assim como para os fósseis e as múmias que nos intrigavam tanto. Ontem à noite, não consegui desgrudar os olhos das labaredas, que levaram uma parte importantíssima do nosso patrimônio, e destruíram a arquitetura de um prédio, também, histórico.
Não havia água suficiente. Não havia uma orquestração entre os bombeiros para um tal nível de catástrofe. Assistimos paralisados sofrendo junto ao corpo docente deste Museu – Escola. Hoje, os jornais comentam, os políticos de Brasília falam. Porém, o que se confirma neste drama que vivemos, agora, é a dificuldade de conseguir orçamento para as Universidades, os Museus e as Bibliotecas que estão tendo que se manter - ao longo de décadas - no descaso de vários Governos Federais.

Rio de Janeiro, 3 de setembro de 2018

domingo, 2 de setembro de 2018

É preciso aprender a pensar


"A educação é o ponto em que decidimos 

se amamos o mundo o bastante para 

assumirmos a responsabilidade por ele".                                                 Hannah Arendt                               


Nos dias de hoje no Brasil, que se sustenta cheio de impropriedades e dificuldades básicas, é preciso aprender a pensar. É urgente dividir o pensamento entre amigos, parentes, colegas e todos os que nos rodeiam.
Posso citar autores, pensadores e até políticos de alguns países europeus para dizer o básico: vivemos tempos muito difíceis. Mas, não vou me prender a isto. Prefiro dizer que a grande maioria do nosso povo, que pensa pequeno ou não aprendeu a pensar quer solucionar os problemas mais urgentes com medidas violentas e pensando que uma política feita sem bases humanitárias daria conta das questões mais básicas da segurança e da fome geradas pelo desemprego e pelas desigualdades.
O assunto poderia vir a ser o foco de minhas preocupações neste ano de eleições. No entanto, desvio o pensamento para o grande susto deste momento, ou seja, a possibilidade de nosso país vir a ter um presidente alimentado de ódio e de ganância de mais ódio.
A primavera se aproxima e, hoje cedo, escutei um filhote de bem-te-vi cantando na janela do quarto sustentando-se no aparelho de ar condicionado. Tranquilamente, olhava ao redor como se estivesse escolhendo para onde iria seguir seu voo. De fato, sempre estamos diante de uma escolha mesmo se ela for forçada. “A bolsa ou a vida” nos indagou Jacques Lacan em seus ensinamentos. 
  

                                                          Rio de Janeiro, 2 de setembro de 2018




sábado, 1 de setembro de 2018

Veneza de pintores e escritores

    
                                           Antiga casa do pintor Tintoretto em Cannaregio
                                           Ele viveu em Veneza assim como Ticiano,
                                           que chegou acompanhado do irmão mais velho, 
                                           aos nove anos e viveu ali até quase 90 anos. 
                                           Ticiano foi professor de Tintoretto quando este era 
                                           bem  jovem, mas dizem que ele logo percebeu que estava 
                                          diante de um pintor e não de um aprendiz.

                                         
Obra de Tintoretto em Cannaregio na igreja Madona dell´Orto  
Ticiano na Galeria Accademia. A obra "Apresentação de Maria
no Templo" foi fonte de inspiração a Tintoretto.

                                          Homenagem a Brodsky, poeta russo que viveu nos EUA
                                       
Joseph Brodsky foi a Veneza muitas vezes, e todas no inverno.
Sempre nas cinco semanas de férias da universidade na qual
dava suas aulas. Ele não morreu em Veneza, embora assim
o desejasse. Morreu na grande Nova York, longe das águas
de Veneza, águas de rugas e ondulações nas quais via se 
projetar "um novo punhado de tempo".

p.61 Fragmento do livro Oito noites em Veneza

O poeta e pensador André Suarès viveu na França e viajou algumas vezes a pé para 
a Itália. Seus livros sobre estas viagens são um testemunho poético de seu tempo. 
Ajudou a organizar a biblioteca Jacques Doucet em Paris, aquela que, hoje, está 
localizada em frente ao Panthéon.
Viveu de 1868 a 1948. Faleceu em 7 de setembro de 1948.
Escreveu Le voyage du condottière/ A viagem do aventureiro entre muitos outros.