Somos a favor do porte de livros!
Somos a favor da economia verde!
E vamos dar voz aos nossos índios!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Uma tragédia em muitos níveis



A tragédia de Brumadinho em Minas Gerais entra em nossas vidas de forma única.
Além do vivido ou imaginado em diferentes situações no Brasil, desta vez 
uma gama desmedida de horror e lama invade tudo e precisa se inscrever.
São cenas que surgem do chão entre o barro e os detritos, e, sem palavras, 
nos trazem um grito calado. 
Ali havia uma cidade pequena que até então vivia de forma tranquila.
Quantos artesão estarão submersos?
Quantas mulheres não conseguirão contar suas histórias às próximas gerações?
Quantos animais e peixes foram mortos, inesperadamente, neste cenário de horror e
insanidade?
E os gritos de dor de quem perdeu um ou mais ente querido? E as crianças que 
foram engolidas nesse tsunami de lama?
E o rio e as árvores ao redor? E a poluição desmedida?
E as águas de outros rios próximos?
E, (...)?

sábado, 26 de janeiro de 2019

Homenagem aos amigos mineiros

Com as rimas e o lamento de nosso poeta Carlos Drummond de Andrade transcrevo os versos:
(recebi de uma amiga por whatsApp o poema "Lira Itabirana" escrito em 1984, que partilho
com os leitores)


I
O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.

II
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!

III
A dívida interna
A dívida externa
A dívida eterna.

IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Em 25.01.2019: Tragédia ambiental

É muito doloroso e inadmissível que mais uma barragem tenha se rompido
em Minas Gerais, agora em Brumadinho. A Empresa responsável já 
admite que estão desaparecidas mais de 200 pessoas ou muito mais 
segundo consigo pensar, a partir das informações que recolho em
mais de um canal de TV. Divulgam que 182 pessoas já foram resgatadas 
com vida.
A pergunta que permanece é: Por que precisamos tanto de barragens 
perigosas para conter restos de minério de ferro? Se não é possível 
garantir a segurança de tais locais que colocam tantas vidas em risco, 
não podemos admitir que tais localidades funcionem!
Um mar de lama, novamente.


Em viagem pela Itália

                                           Veneza (foto feita por mim em 2018)


          
Roma, 2017

                                         Assis, 2016 (desta viagem nasceu o livro Assis de Francisco/
                                         Francisco de Assis, 7Letras)
                                         
Padova, 2015 (desta viagem nasceu Oito noites em Veneza)

Em 2013 viajei até a Sicília pela primeira vez. Rodamos de 
carro algumas cidades e escrevi poemas. Muitos poemas. O grande 
Etna habitou meu imaginário por longos dias. Do quarto do hotel 
em Taormina conseguia vê-lo descansando. As comidas, os pistaches 
e  o tiramisu, assim como as cerejas vendidas na rua são inigualáveis. 
As cores  de Palermo se mesclam nas ruas perturbadas de roupas 
dependuradas em pequenas varandas, onde o véu de nosso olhar se fixa 
e não consegue parar de conferir: a intimidade dando o ar da graça!
 
     *
                                 
Taormino,
Siracuso,
Saio do lugar.
Repito Leminski inversamente

(nem Paris nem Nova York
Sicília) !                           

Fragmento do livro Outonos, p. 134

                                             Roma, 2012

Florença, 1996

Em Florença, os palácios e igrejas erguem suas torres mudas.
Sustentam o nosso olhar como se fossem raízes de árvores. A 
arte a e a vida florescem em troncos arquitetados durante muitas
décadas. Todo o tempo em que estive nessa cidade italiana 
perambulei entre os meus antepassados.  (fragmento do Livro
das Areias, p. 21)

No início da década de noventa, viajei a Roma e algumas outras cidades 
da Itália com familiares e amigos. A viagem foi um misto de diversão e tensão, 
pois fui roubada em Milão (passaporte, máquina fotográfica, agasalho, etc). 
O fato em si causou desconforto e trouxe preocupações e providências 
inesperadas. Mas, a Itália estava lá para ser desfrutada com dias magníficos
em um época ainda sem muitas turbulências. E, era Copa do Mundo de 1990!

Florença, 1984
Nesta viagem escrevi cartas e postais a amigos e parentes. Comprei 
livros de poemas e papeis de carta diferentes. Em Pompéia adquiri um 
papiro e presentei meu irmão na volta com este raro objeto de arte.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Em diálogo com Virginia Woolf



Uma manhã dentro de casa. Estou ainda debruçada na leitura do livro de Virginia Woolf. Palmo a palmo desvendo detalhes desta voz que ressoa e se estende sobre si mesma. Seguro as delicadezas que nascem no texto.
A escritora ainda jovem, aos 27 anos, enquanto viajava pela Itália pela primeira vez, escreveu rostos distintos inesquecíveis e atmosferas impostas pelos hábitos da vida nas pensões simples em almoços ou chás aos quais se entregou com intenso interesse, além das cidades de Perúgia, Siena e Florença de telhados “manchados de castanho” e “persianas verdes”, com primaveras e outonos se deixando desenhar pelo olhar.
Não escondo o meu sorriso. Algumas vezes faço anotações discretas a lápis na margem do texto de Virginia. Longas frases correm no papel fixando a mão da escritora por um tempo longo, cumprindo um desejo que, também, conheço e que me agrada como estilo.
Já estive nestas mesmas cidades italianas quando tinha 33 anos, na década de oitenta, e lembro bem que carregava uma máquina fotográfica recém comprada. Na feira de Perúgia, pensei clicar o rosto de uma senhora idosa, mas não o fiz. Ali estavam as marcas do tempo mais definidas que havia visto até então. Os vincos dobravam-se uns sobre os outros em ângulos retos. Os ruídos das vozes multiplicavam as cores italianas dos vestuários em muitas gamas felizes. Penso que era a primavera de 1984.
As lembranças revolvem a mente de forma rápida. Meu pai subia e descia as pequenas ruas desvendando tudo, e nos esquecia no caminho. Caminhei lenta como faço até hoje em viagem pela Itália. Sinto que passo a fazer parte da paisagem muito rapidamente. Já voltei a estas cidades duas outras vezes. As cenas não são tão diferentes assim. As cores continuam lá. As mulheres idosas mostram seus vincos sem pudor algum. As cores dos vestidos são festivas. Mas, os homens não usam mais seus trajes escuros nem portam chapéus.

Rio, 23 de janeiro de 2019.



terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 2019


Começo a escrever neste calor barulhento que não me deixa esquecê-lo.
Nunca desejei tanto por dias de chuva fina e constante, não só eu como as árvores
do jardim ainda verde mas com as folhas já muito amareladas, pálidas de calor.
Neste verão de dias sérios, em meio aos quarenta graus, me indago sobre o novo governo
que não toma conhecimento dos problemas do desmatamento da Amazônia, e esconde
questões ambientais e ecológicas tão graves. Com as prioridades invertidas e na
contramão do mundo não pretende cuidar das nossas terras que sofrem desamparadas.
A realidade do país segue padrões descerebrados, e sofro ao ler que estes homens
que defendem armas e pesticidas livremente - parecem personagens de histórias em
quadrinhos (de Tio Patinhas a Irmãos Metralha, sem a graça dos desenhos animados
da Disney) - ainda brigam e mentem.
Calor, calor em demasia. Homens destemperados.
Continuamos a ver algo sujo circulando sem o clamor das ruas.
As árvores da cidade sofrem tanto quanto este corpo que procura reflexões mais densas.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

No verão de 2019


No tempo e fora do tempo

A sílaba no raio não esconde sua paragem. Na água corro os lábios e o corpo 
na paisagem varre o mar e o verso. O barro rabisca sua forma na praia de 
outras escrituras. A harmonia do denso conhece o céu e a solidão dos dias.
No final de uma jornada alcanço o recolhimento como abrigo; 
o que me move na letra não se separa do silêncio. 
Enlaçado ao tempo está o corpo além do que se escreve e grita.
A mão corre as histórias junto às árvores e às pedras. Nos dedos saboreio 
quase tudo; a língua-mãe dita os vocábulos e o braço se prolonga 
entre folhas e abelhas.



segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Notas do Caderno Peixe

Eu não vi  nenhum rei italiano virar pastor. Nem vejo o céu com harpas e corais.
Vejo os mortais em luta por desejos egoístas. E o avanço da ciência 
na direção do que virá. Eu vi os Beatles tocarem ao vivo. E a lua cor de 
sangue no céu do Arpoador. Vejo o mundo aprisionado ao calor!
Ao som dos ventos quentes da África cantou o fogo em Portugal e Espanha.
Plânctons e peixes comem microplásticos nos mares do mundo. E o calor só
aumenta. No Rio de Janeiro faz 40 graus neste verão de 2019
(e alguns homens acreditam que podem mudar a história)!

domingo, 13 de janeiro de 2019

Em viagem com Virginia Woolf


Comprei no Porto, na livraria Lello, o livro Viagens Virginia Woolf com Seleção, Tradução e Notas de Jorge Vaz de Carvalho. Saiu pela Relógio D’Água em setembro de 2018. Estou, desde que cheguei de volta ao calor carioca, vivendo momentos de leitura únicos.
Reconheço em Virginia um gosto por viagens que me habita também desde a adolescência. Viajar, anotar e pensar o visível e o não visível dando margem à escrita são maneiras de viver e criar o mundo ao redor de forma viva e inventiva.
No momento, me debruço sobre as viagens à Grécia que não conheço ainda. Em 1906 a escritora viajou pela primeira vez às terras gregas, onde voltou em 1932. Nesta primeira vez, chegaram de barco em Patras depois de atravessar a França e a Itália “de comboio”. As mais de vinte e cinco páginas exploradas nos escritos pela Grécia detalham as surpresas que a jovem mulher vivia com entusiasmo em muitas delicadas e sutis observações. Sobre Olímpia e Corinto escreveu:                   

Mas era tudo muito claro, ordenado e grego, detecta-se uma certa austeridade na paisagem, apesar de toda a sua graça. Não consigo lançar mão de outras palavras a não ser as que surgem esta noite em primeiro lugar e é particularmente inútil enfatizar uma imagem perfeita com adjetivos inapropriados. Posso dizer que isto é escrito em Corinto, e um grupo de mulheres plangentes está a cantar por baixo da minha janela. Lamentam a queda da nação, alguma desgraça privada, ou estão simplesmente a festejar o novo restaurante que foi inaugurado esta tarde com fogos-de-artifício?
                                                                                   p. 61
  
Sobre Patras observou que:

Patras, como a maioria dos portos marítimos, é cosmopolita e muito loquaz.   Vimos homens de saia e polainas, todavia. Turcos, albaneses e montenegrinos espalhavam-se no meio de uma multidão rotineira. Mas, ao anoitecer, tendo ouvido, entretanto, uma lamuriosa canção grega cujas palavras interpretámos liberalmente -, partimos para Olímpia (...)
                                                        p.58


Em Virginia a música grega, em situações distintas, nos dá uma dimensão nova das descobertas vividas nesta época.
Rio, quarenta graus à sombra. A literatura sempre um alento à alma em tempos duros e de tanta ignorância circulando.

                                                                             Verão, 13 de janeiro de 2019.


       




terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O céu de Coimbra no Natal de 2018


Fotos de José Eduardo Barros em 24.12.2018



                                          E, neste dia, fui toda azul!
Quase não havia turistas na cidade, afinal era Natal.
Almoçamos muito bacalhau à moda local e andamos pelas ruas subindo e descendo degraus, e ladeiras desenhadas de muitas formas. Os poucos brasileiros encontrados eram jovens em viagens de férias.
O azul de Portugal nunca foi tão azul como nestes céus, ou no profundo da noite da cidade do Porto
para onde fomos em seguida.
Assistimos a missa na igreja que cantava sua festa portuguesa rodeados de fiéis. No altar à nossa frente estava o corpo da Rainha Isabel, a nomeada Rainha Santa.
Apenas um único português nos estendeu a mão. E, foi suficiente.
Coimbra vibra de estudantes de muitas paragens, mas nesta época do ano eles costumam partir.
Alguns brasileiros permanecem, em geral nós os encontramos trabalhando nas bibliotecas da Universidade. Em meio às histórias, já muito ficcionadas ao longo dos anos, repousam livros mágicos e importantes.
Dois pianos negros estavam parados no lugar que lhes foi dado ocupar por merecerem; entre os livros. Com certeza ali soam as músicas dos anjos e dos dedos delicados que saboreiam as terras e os bosques dos sons dos homens.

                                                                            Rio de Janeiro, 8.01.2019

No firmamento



Estrelas duras brilham e ofuscam cometas
Riscam raios o astro rei
Alto no céu chuvas-luzes passam rápido

Nuvens passeiam planetas na imaginação
Sombras sonham e se superam
Reveem o dia e ampliam a própria luz

Na esfera maior constelações de estrelas
Magias de nuvens no movimento do porvir
Largo espaço aberto aos sonhos

Mãos constroem novos desenhos
As linhas estrelas fluem no firmamento
Histórias de luz e escuridão


                                                                     (para meu avô Augusto Lins)

Rio, 7 de janeiro de 2019.

sábado, 5 de janeiro de 2019

As pedras do céu

As pedras roladas redondas acolchoam o chão. Nosso chão.
As de lá e as de cá. Nas pedras somamos sabores duros.
As pedras e o céu de muito azul. Azul escuro. Azul-azul.

Há na terra, na nossa terra, uma língua cantada de forma distinta.
Há nas sílabas uma separação. E uma mistura de odores e cores.
A terra grande coberta por um céu imenso acomoda as diferenças.

Pedras pontudas pontuam...
Os tons de hoje não são mais os mesmos
e somos muitos embaixo de um céu desigual.

As pedras do céu nos confortam por ora,
não lamentamos nada.
Andamos no baile dos homens misturados às horas.


Rio de Janeiro, 5 de janeiro de 2019.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Ruínas e Museu Arqueológico do Carmo



                                                              Efígie de um Rei. Séc.XIII





A Janela Manuelina no fundo. Séc.XVI
    Comento ainda que o espaço da Sacristia, 
escondido atrás da Loja, guarda
          altos armários de livros para os pesquisadores.
                         
                                                  Fotos noturnas, em 2 de janeiro de 2018, feitas por
                                                  José Eduardo Barros.
                                                   

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Com Amália Rodrigues em Lisboa - janeiro de 2019


Memórias de Amália Rodrigues cantando no Rio de Janeiro no final da década de sessenta!
Na adolescência ouvia minha mãe cantar fados, e ensaiava algumas estrofes cantando junto: Nem as paredes confesso:

Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça,
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça
(...)

[refrão]
De quem eu gosto
nem as paredes confesso
E até aposto
Que não gosto de ninguém
Podes sorrir
Podes mentir
Podes chorar também
De quem eu gosto
nem às paredes confesso



terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Livraria Sá da Costa - Lisboa




Impressionante livraria; livros raros!
No dia primeiro de janeiro estava aberta aos nossos olhos curiosos e atentos.
       Consegui adquirir um livro especial que me ajudará na escrita de um novo projeto.