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Somos a favor da economia verde!
E vamos dar voz aos nossos índios!

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Veneza: um mapa a ser desenhado









Os caminhos e as pontes de Veneza se cruzam de 
muitas maneiras. Freud escreveu à noiva, Martha, 
em 1895: "Você não vai receber muitas descrições. 
Não me é possível fazê-lo por causa da embriaguêz 
que Veneza provoca."
Nas águas doces ou salgadas, entre as pedras e as madeiras,
a escrita dos sonhos convoca o nosso pensar. Freud estava
correto em sua avaliação primeira. Impossível descrever
Veneza. É a cidade que se inscreve em nosso psiquismo.

Fotos minhas e de José Eduardo Barros, 2018

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Poema da casa conhecida



Na miragem da manhã senti entre as brumas a casa
Ainda tenho pressa na caminhada
E a matéria dos dias pode ser escrita ou cantada
Através dos espíritos na música dos sabiás
O que mais importa é a prece que se possa dizer ao mar
A nossa casa ainda tem o idioma conhecido
Nos dias e noites que nos seguem o inverno traduz
A vida construída nos livros em leituras e nas paredes alvas
A tela de um poeta pinta de azul o recanto desta sala
E a cadeira alta de palhinha foi até o quarto
Segura roupas, gestos, perfumes
Nesta casa de paredes alvas as janelas têm permissão  
Olham em torno de um passado



Rio de Janeiro, 26 de julho de 2019





domingo, 21 de julho de 2019

Aquele abraço - Gilberto Gil



Aquele abraço ao Gil, a quem agradeço muito por letras, músicas e shows

imperdíveis ao longo de décadas!

Chico Buarque e Mílton Nascimento O Que Será Que Será?



Nossa história nossos músicos!


A luta continua...


Ontem, aconteceu a abertura da exposição “A luta Yanomami” no IMS do Rio 
com fotos impressionantes de Claudia Andujar. No final da tarde, o espaço da 
Casa da Marquês de São Vicente na Gávea estava lotado. Nem todos 
conseguiram senha para assistir a conversa que se deu ali na Abertura 
desta exposição com a presença da fotógrafa, do líder indígena Davi 
Yanomami e do curador.
A divulgação via e-mail convidava:
O IMS Rio inaugura a exposição da fotógrafa e ativista Claudia Andujar. 
Com curadoria de Thyago Nogueira, a mostra reúne centenas de fotografias, 
desenhos, uma instalação audiovisual, além de livros e documentos que 
traçam um panorama da dedicação de Andujar aos Yanomami. 

Mas, a fila para adquirir uma daquelas cem senhas distribuídas se fez
enorme desde uma hora antes do previsto. Assim, que consegui ver 
a exposição e encontrei amigos e parentes, mas não assisti ao encontro 
pois não foi possível estar em mais de um lugar ao mesmo tempo!

Rio, 21 de julho de 2019




sexta-feira, 19 de julho de 2019

Exposições

1.

O inverno carioca sopra ventos frios que nos alcançam em meio ao calor de duas belas
exposições tão coloridas quanto revigorantes. Ontem, a Casa Roberto Marinho apresentou
“Djanira a memória de seu povo” ocupando o térreo do bonito casarão no bairro do Cosme
Velho e, no segundo andar abriu o nosso olhar para as obras de artistas “Estrangeiros na
Coleção Roberto Marinho”. Tudo conforme o figurino e na elegante concentração dos
convidados que se espalharam até nos jardins.
A noite de lua e o vinho deram o tom às conversas animadas, mas me concentrei,
principalmente, em ver e rever obras de tempos diversos de Djanira, “a artista que surgiu
no cenário da arte brasileira no ano de 1940”. Circulei entre as paredes brancas buscando
observar detalhes da nossa história ali revelados, embora alguns convidados também
compusessem o cenário da noite junto às litogravuras aquareladas de Jean-Baptiste
Debret, que esteve no Brasil desenhando o inimaginável da vida dos senhores e dos
escravos daquela época; viajando “como integrante da Missão Artística Francesa de 1816”.
Detive-me nos traços e nas cores em harmonia na composição das muitas telas (até mesmo
em algumas molduras) e, depois, nas esculturas que surgiram aos nossos pés:
Krajcberg e Weissmann.        


Rio de Janeiro, 19 de julho de 2019


2.

Fotos de José Eduardo Barros

Djanira

Filippo de Pisis

Martin Bradley

Pierre Soulages

Franz Weissmann

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Recanto


No detalhe: os livros de Haroldo de Campos, Umberto Eco e Francisco dos Santos

Inverno no Leblon




Versos de Emmanuel Moses: 
"La mer des années, avec leur hautes vagues et leurs abîmes".


                                        Fotos de José Eduardo Barros em 17 de julho de 2019

sábado, 13 de julho de 2019

Fagner, Zé Ramalho - A Terceira Lâmina (Ao Vivo)

Anotações em 13.07.2019

Pelas calçadas da praia do Leblon escutei o rosto tensionado do cantor Fagner. Início de semana e um grande músico havia partido; João Gilberto. A seguir, no final de semana avistei o poeta Armando Freitas Filho caminhando nas calçadas da Urca absorvido no ritmo do pensamento. Estas notas apressadas não visam notificar apenas o tempo. São atravessadas, também, pela música das ondas do mar e pelas pedras que desenham o entorno da cidade do Rio de Janeiro. 

No azul da Urca






sexta-feira, 12 de julho de 2019

Poema do livro: O riso do inverno

Para onde caminha o poeta?

2.

A solidão dos tempos. Uma breve presença da memória.
Nas mãos só teclas e letras alcançam o espaço.
Um rio sujo e sem direção atravessa nossos caminhos.
Quase totalmente vazias as ruas padecem.
Falam de um novo momento que se anuncia tímido.
Ao poeta é dada a constatação do escuro.


Ainda e sempre é preciso dizer as horas e as manhãs.
Se um pedinte esticar as mãos não esqueça de abençoá-lo.
Traduz-se o descaso com muitas nuances.
Traduz-se a fome em camadas. Finas e fundas.
Não se traduz a corrupção. Ela amarga na boca seca.
No horizonte o riso de poucos. Minguados.


Caminha o poeta claustrofóbico.
Caminha lento. Trôpego.
Procura o verde das árvores. Suas letras mancas quase se perdem.
Pedras da cidade. Clama o poeta pelo verde
e o amarelo. Estrelas tontas da fuligem
contaminam o nosso horizonte sem lua.


(pg.48)