Somos a favor do porte de livros!
Somos a favor da economia verde!
E vamos dar voz aos nossos índios!

sábado, 31 de agosto de 2019

ENQUANTO



Enquanto os homens discutem assuntos banais a nossa floresta queima!
As Nações do mundo vociferaram, mas nada aconteceu nesta urgência primeira que não foi olhada de forma forte o suficiente para sanar o mal que nos acontece; os homens deste nosso tempo gostam de olhar o próprio umbigo (se quisermos usar uma expressão mais banal)!
A humanidade padece de seus próprios atos. E já houve momentos piores. De Sigmund Freud a Hannah Arendt, tão lidos e admirados, e ainda - em um caminho pouco aclamado aqui no Brasil - temos os textos do escritor alemão Stefan Zweig que nos chamam a refletir sobre a urgência dos perigos de atos realizados contra a própria humanidade.
Enquanto isto as tvs alardeiam o Nada de forma tão inconsequente. Noticiários gostam de falar de economia, e do sobe e desce da bolsa de valores e do dólar. Enquanto o nosso mundo deixa queimar a floresta, enquanto os gastos com as pesquisas de nosso país são sucateados e até os jovens pesquisadores perdem suas “bolsas de iniciação científica”, enquanto a educação caminha sem rumo, enquanto o índice de assaltos nunca foi tão alto, enquanto não se fala de arte e literatura em canal aberto, enquanto os homens ricos do país não financiam a saúde, enquanto os jogadores de futebol são as estrelas que brilham, enquanto... “o vazio” toma conta de tudo.
E me lembro de um tempo de muitas esperanças, de mais harmonia e menos mentiras a céu aberto, enquanto os peixes nos alimentavam de forma sadia sem os sacos plásticos vazados em seus intestinos nem os borbulhantes vasilhames de plástico inundando os nossos oceanos.
Aqui mesmo, ao meu redor, já vivi dias de alegria com as praias limpas o suficiente para um mergulho no final de semana. Enquanto penso, o sol chama lá fora os mais desavisados que caminham buscando praias poluídas e cerveja sem pensar em mais nada.

Rio de Janeiro, 31 de agosto de 2019


sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Homenagem a Jorge de Sena




Aviso de porta de livraria


Não leiam delicados este livro,
sobretudo os heróis do palavrão doméstico,
as ninfas machas, as vestais do puro,
os que andam aos pulinhos num pé só,
com as duas castas mãos uma atrás e outra adiante,
enquanto com a terceira vão tapando a boca
dos que andam com dois pés sem medo das palavras.



E quem de amor não sabe fuja dele:
qualquer amor desde o da carne àquele
que só de si se move, não movido
de prêmio vil, mais alto e quase eterno.
De amor e de poesia e de ter pátria
aqui se trata: que a ralé não passe
este limiar sagrado e não se atreva
a encher de ratos este espaço livre
onde se morre em dignidade humana
a dor de haver nascido em Portugal
sem mais remédio que trazê-lo n'alma.
                                                                 

 
                                                     25/1/1972

Poema do livro Jorge de Sena: Ressonâncias e Cinquenta Poemas. 7Letras, 2006

Homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen






25 de abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Revolução

Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta

Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício

Como a voz do mar
Interior de um povo

Como página em branco
Onde o poema emerge

Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação


               27 de abril de 1974


Poemas da Obra poética, Tinta da China. Brasil, 2018

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Vergonha


Agora, sim, quando uma parte do país treme e se entristece. Agora, sim, quando algumas mulheres se envergonham mais, é, sim, quando nos vemos frente ao fogo no Amazonas em labaredas que não escondem o que nos atravessa: um luto pelas ações contínuas de um governo que não se respeita, sequer respeitará os demais!

Árvores do Jardim Botânico de nossa cidade




                                                         Fotos de Jose Eduardo Barros

Poema de agosto




O corpo da pedra é verde e musgo. É cinza e preto. É vazio e quente no toque das mãos frias.  E é sem perfume. A pedra que cobre o campo e o vale se mistura ao azul noturno. E pode ser molhada de sal a pedra do mar onde piso cuidadosa e rápida desde menina. O corpo da pedra não está morto. Recua e avança junto ao vento que lhe lambe as tranças de areia fina.






domingo, 25 de agosto de 2019

Sem título


Está pegando fogo

O humanismo no mundo está reduzido a quase nada. E isto se mostra na política tanto quanto nos costumes. Se nossos jovens não leem filosofia nem literatura, se buscam o efêmero na diversão e no álcool perdemos em algum momento o fio da história que nos transcende e nos ilumina como homens atentos ao homem e não apenas ligados à economia e ao ócio, após divertimentos, cada vez mais, excêntricos e violentos.

Preghiamo/ oremos nos disse o Papa Francisco neste domingo. Só mesmo rezando, reflito recolhida neste momento em que escrevo. O cenário do mundo não nos anima. Ao contrário, estamos tristes e sendo, constantemente, confrontados a governantes sem ética nem moral que tomam medidas descabidas e que mentem descaradamente enquanto agem formando um cenário televisivo nunca visto.
O Amazonas arde em chamas. Inimaginável! Não são apenas as áreas filmadas que acendem as labaredas que queimam, mas é o nosso horizonte mais próximo que se perde neste incêndio também criminoso.

                                                                                                             S.R.
                                                                                                             Rio, 25 de agosto de 2019.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Destruição, queimadas, agrotóxicos, etc, etc




Momento único no mundo: os movimentos que acontecem agora em vários países traduzem o perigo que o governo brasileiro representa, neste momento, para a Natureza. Bolsonaro não participa do mundo lúcido de jovens e adultos que não aceitam mais a destruição das árvores e a liberação dos agrotóxicos, etc, sempre com o mesmo argumento, já falido, de que o Governo defende o crescimento da economia.

Um homem despreparado e “alucinado” não pode dar conta da função que ocupa. Seu discurso o incrimina e suas ações confirmam o fato!
Finalmente, o mundo acorda!

Acorda Brasil!


Rio, 23.08.2019

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Agosto


Rio de Janeiro é algazarra de carnaval
Música e samba no pé diante do varal

Rio de Janeiro é tiro pra cima pra baixo e pra todo lado
E o governador comemora mais um pela polícia fuzilado

Rio de Janeiro triste com a chuva que invade terras e casas
Um monte de gente séria e sem dar conta das misérias

Rio de tantos gastos impensados e montes de lixos jogados
A bordo dos mares antes navegados no luxo ignorado

De janeiro a agosto muito desmando nos governos
E comandantes e governantes saboreiam a esmo  




Rio de Janeiro, 21 de agosto de 2019

domingo, 11 de agosto de 2019

Um dia cheio de saudades...


Poema inédito escrito em 1994

                                                              Poema escrito dentro do livro
                                                              de Walt Whitman Folhas das folhas
                                                              de relva. Prefácio "Folhas da relva"
                                                              de Paulo Leminski, Brasiliense, 1983.

Simone Cristicchi Emozioni

Praia do Flamengo - a caminho do MAM


                                          Dois momentos. Fotos feitas por mim.

                                                 

sábado, 10 de agosto de 2019

Força aos imigrantes

                                                               Poema do livro: O riso do inverno

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

domingo, 4 de agosto de 2019

Poema


A Groenlândia derrete
Dedos brancos
Profundezas do mar
Barbas gris emergem
Abismos gelados
Misturam o azul
Restam blocos altos
Ossos de pedras negras
Bordados de algas
Desaparecidos
Tons diversos balançam
Peixes piscam
Pescadores observam
Raios de ozônio
Redes de náilon vazias
Oceanos sobem
Derrete a Groenlândia





PS. este poema me chega soprado pelo frio deste domingo invernal carioca.
Rio, 04.08.2019

Cadernos (folhas)