Somos a favor do porte de livros!
Somos a favor da economia verde!
E vamos dar voz aos nossos índios!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Nota de repúdio

Depois de ver na tv as palavras de nosso atual presidente convocando a população brasileira para uma manifestação contra as instituições democráticas, considero que temos motivos suficientes para afirmar a complicação séria onde ele se meteu.
O tal senhor continua sem saber a posição onde se encontra. Às vezes, parece um menino que brinca com o Poder. Rodeado por pessoas que se dizem íntimas, precisaria receber melhores conselhos. No mínimo, precisaria saber que não se brinca com fogo.

A chegada do corona vírus ao Brasil já traz preocupações sérias demais para os próximos meses. Não precisamos de nenhum outro assunto incendiário!


Rio, verão de 2020

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Nem samba nem folia



Enquanto vivemos um momento de grave preocupação com a disseminação do Coronavírus no mundo, assistimos mudos e quase sem tomar conhecimento aqui no Brasil, onde praticamente não se fala sobre o assunto, o que está acontecendo com os sírios.
São milhares de mulheres e crianças as principais vítimas da guerra desumana, que ao longo de muitos anos destruiu praticamente tudo no país onde moravam; a Síria. Elas vagam por terras vazias, em caminhadas intermináveis, procurando salvar as próprias vidas e a de seus filhos.
Para quem quiser tomar conhecimento, transcrevo os dados do Wikipédia:
Os refugiados da Guerra Civil Síria ou refugiados sírios são cidadãos e residentes permanentes da República Árabe da Síria, que fugiram de seu país de origem por conta dos conflitos causados pela Guerra Civil Síria em 2011 e buscaram em outras partes do mundo um local seguro longe desses problemas que podem levar riscos a vida de sua família, (...) passam por longas caminhadas, tendo que encarar desertos, matas e marés, (...) e, em muitos casos acabam naufragando (...). A Turquia foi o país que mais recebeu os refugiados, (...). A partir de 2015 muitos foram para a Europa, sendo o principal destino a Alemanha.
Desde 2011 a guerra já matou mais de 500 mil pessoas (dados do Observatório Sírio de Direitos Humanos), metade das quais se acredita serem civis. Bombardeios estão destruindo cidades populosas e, necessidades básicas, como alimentação e cuidados médicos, estão escassas.

Os números são assustadores! Famílias inteiras estão sendo massacradas, bombardeadas. Tudo me faz pensar que o mundo não se importa.
Os jornalistas gostam de comentar o sobe e desce das bolsas de valores. Agora, até o Corona vírus influencia esta gangorra invisível! Que lástima!
Não há possibilidade para a vida do homem civilizado se não for abrindo espaço para salvar a vida daqueles que estão sendo destruídos. Os mais fortes podem tomar medidas éticas para proteger os mais necessitados.
Neste terça-feira de Carnaval, na cidade do Rio de Janeiro, não consigo deixar de pensar nestas vítimas. São mulheres e crianças que famintas e geladas caminham sem parar - deixando um rastro de solidão - em nosso mundo tão incivilizado, tão violento e excessivo.
A folia destes dias de samba e álcool nas ruas da cidade pode até trazer alegria para alguns poucos. Mas, estamos lançados neste mundo cheio de violências.

Rio, 25 de fevereiro de 2020

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Bologna- Itália, 2016







Eu continuo a caminhar entre as pedras e cores das ruas das cidades italianas
O corpo ágil avança                as pedras rosadas e gastas não se movem
as nuvens brincam dispersas                                sem subverter o poema



A boca escreve sílabas
palavras e pedras
mas a mão no espaço aberto
bem deserto
encontra o rosto de um relógio



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Poema em ritmo de barro



A água é cor de barro nas torneiras do Rio:
água com gosto de barro nos filtros da cidade

Escovar os dentes na água barrenta do Rio;
Carnaval com o calor sabor de barro

O álcool ferve na cabeça dos foliões
E não deixa esquecer o momento louco da cidade

Feijão com caldo de barro
Café com gosto de barro

O banho de chuveiro tem cheiro de barro
O cabelo está naturalmente armado de barro

Rosto lavado de barro antes de dormir
Mãos ensaboadas no barro antes das refeições


(Receita de verão carioca!)


Rio, 21.02.2020


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Na Normandia, Cerisy - 2015





                                                       
                                             


                                                   




Escrevo:

Entre as névoas de um final de verão de 2015 conhecemos a Normandia. Mais precisamente, o castelo de Cerisy-la-Salle; o centro cultural de Cerisy. Chovia fino quando chegamos de carro quase ao mesmo tempo que o poeta Jean-Marie Gleize e sua esposa Joëlle.
Vivemos dias superbes entre poetas, artistas, professores e estudiosos da obra de Francis Ponge, além de convivermos, também, com dois de seus familiares: a filha Armande e um de seus netos. 
A semana aconteceu em cenário organizado principalmente para apresentações de textos e leituras, embora alguns acontecimentos inesperados também surgissem. Fomos visitar a Abadia de Ardenne ali perto, e todos desfrutamos de um almoço delicioso.
Na hora das refeições em Cerisy, o sino soava convidando-nos a sentar e degustar os sabores da culinária local com o queijo, o vinho e a sidra da região. Mesas longas e baixas de madeira nos acomodavam e a língua francesa acolchoava as conversas em muitas direções. Porém, escutávamos também o inglês, o português, o japonês e o alemão.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Em 15 de janeiro de 2020 escrevi:



A vida sugere momentos novos. Outros livros. Brancas páginas respiram letras vibrantes nesta tarde quente. Trabalho e escuto. Leio e escrevo. Saboreio a água pura de poemas amigos.
:


Na leveza de cada frase a raiz dos nomes
A terra brota ciclos de folhas de todos os verdes 
A pele é quente embrulhada nas paredes da sala 
A língua mãe não deixa faltar o silêncio




Em 16 de fevereiro revejo e acrescento restos do dia em versos:

Neblinas soltas no espaço envolvem
cigarras e flores da manhã sedenta
O latido de um cão atravessa longe
o verso incerto que não morre nunca
Percorro a rua da memória focada em outro dia
Leve mão ligada à letra se faz presente
Vogais soam bem próximo ao dedo indicador
Na tecla presa aos tons baixos
sussurro algo inaudível
(arrasto a folha do poema no chão do Rio)






sábado, 15 de fevereiro de 2020

Texto do dia 15.02.2020

Gosto de andar invisível pelas ruas do bairro onde moro.
Repito a frase a José, meu companheiro de caminhada.
Gosto de sentir o passo leve e o olhar afiado. Gosto de pensar o que vejo.
Vou lendo as ruas, as sujeiras enfiadas nos caminhos dos pés, os olhares perdidos de alguns cães que levam seus passeadores pela coleira, os gestos loucos de homens insanos ao celular, e os gritos parados no ar. 

Babás carregam crianças em carrinhos elegantes pelas ruas do bairro, meio perdidas na tarefa de ocupar de sol o dia destas crianças sem a presença dos pais!
Gosto de andar invisível pelas ruas da cidade onde descubro cafés, livrarias, cinemas, etc. 
Escuto ruídos e restos de conversas soltas: retalhos desta política torta na voz de alguns passantes.
Escuto sobre o sobe-e-desce do dólar ou os detalhes das viagens - quaisquer - na voz de mulheres jovens que voltam de uma rotina de exercícios diários, e tagarelam qualquer coisa. 

Entre o meu olhar e o do próximo sigo lendo as entrelinhas da vida desta cidade.
Gosto de caminhar como pluma, e desde muito jovem descobri a maneira de esvaziar a mente. Respiro no horizonte azul e no compasso dos pés. 
Olho as nuvens que se juntam. Rasgam um cenário inesperado todos os instantes. 
Gosto de observar as areias das praias ocupadas pelo movimento de corpos suados.
Gosto das bicicletas que trafegam em tantas direções.

As solas gastas dos que passam apressados se ocupam das tarefas rotineiras. Trabalham e trabalham. 
Idosos acompanhados de bengalas. Homens e mulheres compram pão além de água mineral. Circulam também. Curvados na tarefa de comprar água pura, onde esta cidade - cravada de abandono - nos deixou.






   

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Flash back: leituras diversas

                                                       Em 2019 leituras dos livros O riso do inverno 
                                                       e A coruja e o fogo para um grupo de amigos
                                                    Em casa lendo material inédito no Natal
                                                    de 2012 para familiares e amigos
                                                   Lendo a tradução de Nioque antes da primavera 
                                                   de Francis Ponge na UFSC em 2013, Florianópolis
   
           Lendo Assis de Francisco|Francisco 
de Assis no Café Envídia em 2017, RJ

No Café Letrado lendo poemas de Laure Limongi em 2008
na Mediateca da Maison de France do RJ

Em S.P. em 2011 lendo fragmentos do Livro 
das Areias no evento Recital da Caixa Preta

            Em B.H. na UFMG em 2002, durante o doutorado, lendo 
poemas do livro Pó de Borboleta

             Na SPCRJ no final do ano de 1991 lendo 
    poemas do primeiro livro Contornos

      Em 1995 lendo poemas inéditos em 
   evento de poesia no Rio de Janeiro

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Algumas notas tomadas em 11 de fevereiro de 2020



1.
Nada a dizer sobre a política no Brasil. Se fosse me estender na questão precisaria me deter em tantos aspectos chocantes e insanos que nem vale a pena. Deixo a tarefa para os cientistas políticos, os filósofos e os jornalistas com pensamento crítico e experientes em análises sérias. Porém, tudo a dizer como cidadã brasileira vivendo em um país onde a política que nos governa fala, distorce e esconde os fatos mais esdrúxulos realizados pelo Governo atual.

2.
Todos os dias sofremos com os gestos e as palavras de um presidente sem postura nem compostura. Às vezes, parece um pesadelo interminável. Outras vezes é semelhante a um reality show de muito mau gosto: uma cópia horrível do atual presidente americano. O “personagem” surge com frequência em nossa frente quando menos esperamos, embora não desejemos vê-lo, muito menos  ouvi-lo porque nunca tem nada interessante a dizer. Onde estudou este tal personagem de nossa história? O que será que leu durante a vida (eu me pergunto silenciosa).

3.
Cultura e leitura são fundamentais! E, aqui, estou falando em aprender a pensar. Sim, o mundo avança e se desenvolve com a arte e a literatura dando, inclusive, a direção aos homens. A ciência confirma seus avanços em estudos sérios e pesquisas. E, os homens de muitos credos ou os ateus reconhecem que a arte e a literatura são fundamentais. Assim, também pensam os cientistas, os historiadores, e os demais sujeitos de nosso tempo quando aprenderam ou foram buscar aprender com os livros e a arte em geral. Viva o cinema, o teatro, as artes plásticas, a música!

4.
Isto não é um panfleto!
(Lembremos Foucault)!



domingo, 9 de fevereiro de 2020

Apresentação de meus livros na Universidade Sorbonne Nouvelle - Paris3

                                               

                                         Fotos feitas do lado de dentro do prédio em Paris3






sábado, 8 de fevereiro de 2020

Cidade Universitária de Paris em 2018


A entrada principal da Cité Universitaire de Paris
fica diante da saída do metrô RER do outro lado da rua.

                                             A Maison principal onde fica a Biblioteca Central


                                               Maison do Japão

                                                 O Teatro da Cité







A Maison do Canadá ao fundo





Chegamos no dia 13 de março na Maison do Brasil.
Ainda estava bem frio, e poucos dias depois nevou.
Ao mesmo tempo a primavera começava a surgir em 
flores vivas. Em seguida, apresentei meu texto
e os livros mais recentes na Sorbonne Nouvelle, Paris3. 
O evento aconteceu na Biblioteca Lusófona. 
Uma grande alegria!