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DEZ ANOS DEPOIS

FLASHBACK Café Letrado

Alcione Araújo e Augusto Boal no Café Letrado.

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Augusto Boal no Café Letrado

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Jean-Marie Gleize e Michel Deguy. Café Letrado 2007.

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Laure Limongi no Café Letrado 2008

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Laure Limongi e Marcio André

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Claudia Roquette Pinto e Marco Lucchesi (com Paloma Vidal e Solange Rebuzzi)

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Café Letrado 2001: Pedro Garcia e Armando Freitas Filho

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Café Letrado Pequeno histórico: Creio que foi durante o ano de 2000 que inventei o Café Letrado. Visualizei-o como um “espaço” para leituras e conversas sobre o fazer poético. Pensei-o enquanto um lugar sem lugar (pois poderia acontecer em espaços outros que não os acadêmicos: livrarias, bibliotecas, etc.); um espaço, no qual os escritores e poetas convidados pudessem conversar e dizer de sua obra, dizer deste lavoro (com as delícias, as manias e/ou as tensões fazendo parte dos comentários ouvidos pelos leitores e também pelos poetas presentes). Diferente das conferências e das palestras, que os escritores em geral fazem nas universidades e em auditórios, o Café Letrado proporcionaria, à maneira de Maurice Blanchot, uma conversa infinita, ou seja, uma conversa com a escrita (que seria regada a café e biscoito). Os primeiros encontros do Café Letrado no Rio de Janeiro aconteceram na livraria ContraCapa no bairro do Leblon. Os organizadores convidavam dois escritores a cada vez para leit...

Henri Deluy e Régis Bonvicino (Foto de Rafael Viegas)

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Jorge Viveiros de Castro e Heitor Ferraz

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                                Na foto, feita na Mediateca, estão (à esquerda e de frente) o poeta                                  Heitor Ferraz, o editor da 7Letras Jorge Viveiros de Castro, e os                                                             organizadores do evento Solange Rebuzzi e José Eduardo Barros.                                 

Michel Collot e Jean-Marie Gleize em 2007, Rio de Janeiro.

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Antonio Cícero e Eucanãa Ferraz

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Carlito Azevedo e Paulo Henriques Brito

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Café Letrado na livraria ContraCapa, 2001.

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Silviano Santiago no Café Letrado de Diamantina.

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Poema para uma gata Aos animais é dada a morte bem cedo. Aos gatos que escovamos e observamos os olhos se fecharem, aos cães, pequeninos, os que carregamos como a um filho, damos banho, alimento, proteção. Na vida, os bichos nos acompanham. Gemem, comem. Dormem. E nos observam. Andam junto ao assoalho. Conhecem os cheiros, as sombras. Os olhos vazam nossos ossos. Saboreiam intimidades. Duque gostava das torradas que meu pai lhe lançava todas as tardes. Coringa corria solto nas noites quentes de Manaus até a casa silenciar. Quando um animal morre, enterra-se. Na escrita um pêlo se instala. E na história da Gata Mostarda, que escovávamos quase todos os dias, um cão de raça pequenina e amiga surge rente ao chão. Sentada no Limbo a observar de bem longe, ela bebe em silêncio nossos segredos íntimos. Quando somos gata, não somos cão. Os olhos vazam nossos olhos. Gemem. Comem. Dormem. Perseguem cheiros. Quando somos cão, não somos gata.

A gata Mostarda

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LAURE LIMONGI O azul da inclinação O joelho está flexionado a fim de dispor o corpo na vertical da fechadura. O corpo carrega a chave mas não deseja abrir, ainda. A mão contém a chave acariciando-a enquanto o olho se abandona à tristeza. Enquanto o olho claro perfura, a sobrancelha contra o metal gelado, examina sem sucesso, o olho no limite de sua percepção só poderá voltar à ação. Talvez. A mão esquerda está posta aberta, contra a madeira da porta que é uma madeira lisa. A parede do corredor olha a cena. O cheiro conhecido dos cabelos seduziu e murmura com o movimento da cabeça sem saber muito bem se e o quê fazer. Com um não-sei-quê de selvagem e perdido. Com um não-sei-quê de já morto. O vestido está amarrotado de tocar o solo, levando o peso da personagem leve de coração pesado. O vestido chia da respiração ofegante da curiosidade e do medo. A parede do corredor se emociona. Há carroças e móveis, borda...
Laure Limongi Rio/São Paulo Encontrei Laure Limongi pela primeira vez, dentro da Mediateca da Maison de France do Rio de Janeiro, um pouco antes do encontro Café Letrado – poesia & arte que coordeno ao lado de José Eduardo Barros. Encontrei-a, pela segunda vez, para um café e um passeio no Instituto Moreira Salles. Desta vez, conversamos sobre muitas coisas deste momento crítico do mundo: violências nas cidades e periferias do Rio e de Paris, Excessos em tudo ao redor (de ruídos, de carros, de celulares – aliás, onde vamos colocá-los depois? –, de lixo, etc,.) Nós duas descobrimos alguns detalhes nas imagens das fotos antigas de um Rio de Janeiro em preto e branco, a partir do olhar do fotógrafo Augusto Malta. Fotos que expostas revelam as influências francesas, que a cidade do Rio de Janeiro sofreu nos primeiros tempos de seu crescimento, no inicio do século XX. Rimos das mulheres, pequeninas, nas imagens das fotografias e, tão vestidas – com saias sobre saias – chapéus e babados....