ARLES, cidade do sul da França Em outubro de 2010, a pequena Arles é povoada de folhas de outono. Poucos, muito poucos turistas. Frio e vento e algumas chuvas bem fortes. A editora Actes Sud ocupa um belo espaço junto ao rio Rhône. As pedras grandes, pequenas e mínimas dizem do homem e do trabalho dos homens. Operários refazem as ruínas romanas do Théâtre Antique. O chão guarda as ranhuras e os fragmentos deixados ao largo; cinzas do tempo. Algumas mulheres tricotam roupas de bebê. Outras abrem janelas e portas de seus ateliês deixando ver as mãos que torcem ou pintam o barro. Na feira, estirada do outro lado do rio, correm as distintas línguas pronunciadas em tom mais baixo. Não há alvoroço. Mesmo a ovelha, que serve de refúgio a um cidadão desempregado, não bale. Van Gogh habitou por ali. Pintou, caminhou, comeu, dormiu. Sofreu. Em 1888, pintou a tela que nomeou: Quarto em Arles. O quarto da “casa amarela”, onde ele viveu nesta época, foi pintado mais de um...