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Mostrando postagens de fevereiro, 2019

Insanidade geral às vésperas do Carnaval de 2019

O calor deste verão não dá trégua. Mas, não é a temperatura que mais preocupa. Há nas Américas um clima de insanidade lastimável. Alimentado pelo terrível presidente americano, já conhecido por suas medidas nada lúcidas, o Brasil de Bolsonaro parece querer o samba da violência quando prega justo o contrário.  Homens pouco preparados afirmam, em nome dos brasileiros, ser a favor da  construção do muro que separa EUA e México; questão indecente que causa vergonha e ruídos indesejáveis, quando todos sabemos que nosso tempo agora é para dar as mãos aos países que são nossos aliados, e nunca mais construir muros!

Dia Nacional do Imigrante Italiano

A lei nº 11.687, de 2 de junho de 2008, instituiu  oficialmente  o Dia Nacional do Imigrante Italiano no calendário de  todo  o território brasileiro. A escolha do dia 21 de fevereiro é uma homenagem à expedição de Pietro Tabacchi ao  Espírito Santo , em 1874. Viva! Com alegria, confirmo a data a partir de um whatsapp recebido de uma prima irmã. De fato, o Sr Pietro Tabacchi ajudou muitos imigrantes recém chegados no  Estado  do Espírito  Santo  no início da imigração italiana. Recolhi em livros pesquisados ao longo do ano passado, que este senhor não só os recebia em abrigos construídos próximos dos locais onde chegavam (por embarcações pequenas) como empregava os que desejassem trabalhar em suas terras. Os meus chegaram em 1877. Um casal ainda jovem que veio em busca de uma vida solar.

Leio Freud novamente

Começo a ler, esta tarde, o livro As cidades de Freud .  Itinerários, emblemas e horizontes de um viajante  de Giancarlo Ricci, editora Zahar, 2005. Tradução de Eliana Aguiar, e revisão técnica de Marco Antonio Coutinho Jorge a quem também agradeço. A afirmativa apresentada no primeiro capítulo nos dá uma direção: "De início é a encruzilhada". Passearei pelo século passado com o entusiasmo de sempre. Os itinerários de Freud são sempre atuais. Mas, devo lembrar: "o inconsciente não se deixa trair."  O sentido continuará sendo buscar o desenho do "mapa do pensamento" de um viajante peculiar que tanto nos ensinou, testemunhando e "interrogando o mal estar de nossa época" conforme afirma o psicanalista italiano Giancarlo Ricci, na orelha do livro.  Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 2019

Pela manhã: recomeçar

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Poema desta manhã nebulosa

O dia a chuva o sono as marés e o vento Claridade triste insiste na manhã Palavras e desenhos se soltam dos cadernos A chuva a lama as árvores lavadas O vento na janela bate para entrar O sono arde nos olhos As mãos costuram um café forte O dia não traz os grilos nem os pássaros As marés e o vento soltos longe Ruídos se mostram devagar Não ligamos mais o rádio nem a tv Um dia e outro mais: “vida que segue” ... (e mostra a sua largura perto dos que partem rápido demais)                                                                                   ...

Homenagem a Ricardo Boechat

Lastimamos muito a morte do grande jornalista Ricardo Boechat. O meu jornalista preferido, sempre tão verdadeiro e incansável na tarefa de transmitir e criticar os fatos políticos, as tragédias, e os dramas cotidianos. (...) Obrigada, Boechat, pela dignidade jornalística!

Poesia na chuva

Entre os dedos saboreamos o vento Que nos chega ao ventre quente ou faminto Algumas vezes tempestades alcançam terras longínquas E nossos músculos amargam um sabor sem sabor algum Quando as chuvas cessam deixam ver a a algazarra Que a natureza não previa Árvores caídas e raízes naufragadas Entre restos de resíduos humanos O lixo não nomeável vai e vem A bordo destas letras que o alcançam No campo de mãos abertas Sinto a natureza transbordar em agonia Sorvo com a boca o sofrimento do mundo Que pode ser de água ou de fogo (em demasia) (poema do livro O riso do inverno )

Cascais, Portugal

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Abro alguns parêntesis neste blog, como quem abre janelas ou portas, para deixar passar um pouco de nossas viagens em ângulos inusitados e clicados pelas lentes de José Eduardo ou por mim. Nota: a luz de inverno sobrevoava os espaços e brilhava um azul de muitas aquarelas, que tecia as cenas. Andamos quase sempre em direção ao mar. Mas, havia obras de arte em muitos espaços, abertos ou não.

Poema

A casa é o dia onde repouso e respiro em meio aos móveis de madeira e às paredes  brancas desassombradas. Janelas grandes recebem as árvores como visitas.  E a água no pote de barro é fresca recolhida na boca seca de hora em hora. Nos pés sandálias rasas alcançam as manhãs junto à brisa marinha pedregosa.  O corpo segura seus anseios sugando dia a dia o vento e o mel. Outras mãos  me presenteiam; abelhas distraídas e nuvens gordas. Cenários de cinema em  lente grande angular ou em close comparecem. Não tento firmá-los. Deixo  fluir livre o peito e o olhar. Ando de lá pra cá, nesta casa de paredes brancas, - às vezes -  assombrada. Rio, 4 de fevereiro de 2019.      

Verão de 41°

É difícil seguir o curso da caminhada neste verão de 41° e, ainda, conseguir espaço para escrever. Do lado de fora, as tragédias e os horrores são um chamamento nas tvs e redes sociais. O mar de lama traz as necessidades mais urgentes de nosso país para dentro de nossas casas. E a política faz parte dos assuntos que precisam ser revistos por todos nós, pois não podemos nos calar e assistir ao que se mostra em pleno século XXI, como se fosse natural; homens que nos representam tomam posições inadmissíveis para manipular o Senado e as decisões que se fazem urgentes. Até bem recentemente, o foco estava em um dos filhos do atual presidente: um foco quase desfocado, ou melhor, que teríamos dificuldade de ver se não fosse a lente de aumento que nos foi ofertada e que não deixa dúvidas. Mais um horror de nosso mundo carioca. Tudo bem, as praias são lindas, mas não são suficientes pois estão até mesmo poluídas em sua orla quase toda. Ou vocês não sabem? O carnaval vai chegar, mas trar...

Uma homenagem a Virginia Woolf

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Virginia em sua casa em Lewes, perto de Londres, onde gostava de receber amigos. Foto do arquivo da Harvard Library disponibilizado aos seus leitores. Agradecemos! https://iiif.lib.harvard.edu/manifests/view/drs:17948758$3i

Aos Bombeiros de Brumadinho

algumas palavras ligeiras de agradecimento pelo esforço continuado e incansável nesta tarefa impossível. Procurar, escavar o barro e encontrar ou não os nossos irmãos, ali, soterrados. Suportar no próprio corpo um cansaço desmedido. Guardar silêncio nas imagens que falam por si. Nossos olhares, todos os dias, buscam acompanhar os gestos destes homens nessa tarefa impossível (no intervalo - entre o corpo morto e os pedaços, fragmentos e lama – ainda escavam!) A eles a nossa gratidão e respeito!                                     Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2019

Recebi esta manhã pelo correio.

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