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Mostrando postagens de janeiro, 2019

Uma tragédia em muitos níveis

A tragédia de Brumadinho em Minas Gerais entra em nossas vidas de forma única. Além do vivido ou imaginado em diferentes situações no Brasil, desta vez  uma gama  desmedida de horror e lama invade tudo e precisa se inscrever. São cenas que surgem do chão entre o barro e os detritos, e, sem palavras,  nos trazem um  grito calado.  Ali havia uma cidade pequena que até então vivia de forma tranquila. Quantos artesão estarão submersos? Quantas mulheres não conseguirão contar suas histórias às próximas gerações? Quantos animais e peixes foram mortos, inesperadamente, neste cenário de horror e insanidade? E os gritos de dor de quem perdeu um ou mais ente querido? E as crianças que  foram  engolidas nesse tsunami de lama? E o rio e as árvores ao redor? E a poluição desmedida? E as águas de outros rios próximos? E, (...)?

Homenagem aos amigos mineiros

Com as rimas e o lamento de nosso poeta Carlos Drummond de Andrade transcrevo os versos: (recebi de uma amiga por whatsApp o poema "Lira Itabirana" escrito em 1984, que partilho com os leitores) I O Rio? É doce. A Vale? Amarga. Ai, antes fosse Mais leve a carga. II Entre estatais E multinacionais, Quantos ais! III A dívida interna A dívida externa A dívida eterna. IV Quantas toneladas exportamos De ferro? Quantas lágrimas disfarçamos Sem berro?

Em 25.01.2019: Tragédia ambiental

É muito doloroso e inadmissível que mais uma barragem tenha se rompido em Minas Gerais, agora em Brumadinho. A Empresa responsável já  admite que estão desaparecidas mais de 200 pessoas ou muito mais  segundo consigo pensar, a partir das informações que recolho em mais de um canal de TV. Divulgam que 182 pessoas já foram resgatadas  com vida. A pergunta que permanece é: Por que precisamos tanto de barragens  perigosas para conter restos de minério de ferro? Se não é possível  garantir a segurança de tais locais que colocam tantas vidas em risco,  não podemos admitir que tais localidades funcionem! Um mar de lama, novamente.

Em viagem pela Itália

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                                            Veneza (foto feita por mim em 2018)            Roma, 2017                                          Assis, 2016 (desta viagem nasceu o livro Assis de Francisco/                                          Francisco de Assis, 7Letras)                                           Padova, 2015 (desta viagem nasceu Oito noites em Veneza) Em 2013 viajei até a Sicília pela primeira vez. Rodamos de  carro algumas cidades e escrevi poemas. Muitos poemas. O grande  Etna ...

Em diálogo com Virginia Woolf

Uma manhã dentro de casa. Estou ainda debruçada na leitura do livro de Virginia Woolf. Palmo a palmo desvendo detalhes desta voz que ressoa e se estende sobre si mesma. Seguro as delicadezas que nascem no texto. A escritora ainda jovem, aos 27 anos, enquanto viajava pela Itália pela primeira vez, escreveu rostos distintos inesquecíveis e atmosferas impostas pelos hábitos da vida nas pensões simples em almoços ou chás aos quais se entregou com intenso interesse, além das cidades de Perúgia, Siena e Florença de telhados “manchados de castanho” e “persianas verdes”, com primaveras e outonos se deixando desenhar pelo olhar. Não escondo o meu sorriso. Algumas vezes faço anotações discretas a lápis na margem do texto de Virginia. Longas frases correm no papel fixando a mão da escritora por um tempo longo, cumprindo um desejo que, também, conheço e que me agrada como estilo. Já estive nestas mesmas cidades italianas quando tinha 33 anos, na década de oitenta, e lembro bem que carre...

Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 2019

Começo a escrever neste calor barulhento que não me deixa esquecê-lo. Nunca desejei tanto por dias de chuva fina e constante, não só eu como as árvores do jardim ainda verde mas com as folhas já muito amareladas, pálidas de calor. Neste verão de dias sérios, em meio aos quarenta graus, me indago sobre o novo governo que não toma conhecimento dos problemas do desmatamento da Amazônia, e esconde questões ambientais e ecológicas tão graves. Com as prioridades invertidas e na contramão do mundo não pretende cuidar das nossas terras que sofrem desamparadas. A realidade do país segue padrões descerebrados, e sofro ao ler que estes homens que defendem armas e pesticidas livremente - parecem personagens de histórias em quadrinhos (de Tio Patinhas a Irmãos Metralha, sem a graça dos desenhos animados da Disney) - ainda brigam e mentem. Calor, calor em demasia. Homens destemperados. Continuamos a ver algo sujo circulando sem o clamor das ruas. As árvores da cidade so...

No verão de 2019

No tempo e fora do tempo A sílaba no raio não esconde sua paragem. Na água corro os lábios e o corpo  na paisagem varre o mar e o verso. O barro rabisca sua forma na praia de  outras escrituras.  A harmonia do denso conhece o céu e a solidão dos dias. No final de uma jornada  alcanço o recolhimento como abrigo;  o que me move  na letra não se separa do silêncio.  Enlaçado ao tempo está o corpo além do que se escreve e grita. A mão corre as histórias junto às árvores e às pedras. Nos dedos saboreio  quase tudo;  a língua-mãe dita os vocábulos e o braço se prolonga  entre folhas e abelhas.

Notas do Caderno Peixe

Eu não vi  nenhum rei italiano virar pastor. Nem vejo o céu com harpas e corais. Vejo os mortais em luta por desejos egoístas. E o avanço da ciência  na direção do que virá. Eu vi os Beatles tocarem ao vivo. E a lua cor de  sangue no céu do Arpoador. Vejo o mundo aprisionado ao calor! Ao som dos ventos quentes da África cantou o fogo em Portugal e Espanha. Plânctons e peixes comem microplásticos nos mares do mundo. E o calor só aumenta. No Rio de Janeiro faz 40 graus neste verão de 2019 (e alguns homens acreditam que podem mudar a história)!

Em viagem com Virginia Woolf

Comprei no Porto, na livraria Lello, o livro Viagens Virginia Woolf com Seleção, Tradução e Notas de Jorge Vaz de Carvalho. Saiu pela Relógio D’Água em setembro de 2018. Estou, desde que cheguei de volta ao calor carioca, vivendo momentos de leitura únicos. Reconheço em Virginia um gosto por viagens que me habita também desde a adolescência. Viajar, anotar e pensar o visível e o não visível dando margem à escrita são maneiras de viver e criar o mundo ao redor de forma viva e inventiva. No momento, me debruço sobre as viagens à Grécia que não conheço ainda. Em 1906 a escritora viajou pela primeira vez às terras gregas, onde voltou em 1932. Nesta primeira vez, chegaram de barco em Patras depois de atravessar a França e a Itália “de comboio”. As mais de vinte e cinco páginas exploradas nos escritos pela Grécia detalham as surpresas que a jovem mulher vivia com entusiasmo em muitas delicadas e sutis observações. Sobre Olímpia e Corinto escreveu:           ...

Notas tomadas em Biblioteca

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Notas sobre o poeta Paul Celan

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O céu de Coimbra no Natal de 2018

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Fotos de José Eduardo Barros em 24.12.2018                                           E, neste dia, fui toda azul! Quase não havia turistas na cidade, afinal era Natal. Almoçamos muito bacalhau à moda local e andamos pelas ruas subindo e descendo degraus, e ladeiras desenhadas de muitas formas. Os poucos brasileiros encontrados eram jovens em viagens de férias. O azul de Portugal nunca foi tão azul como nestes céus, ou no profundo da noite da cidade do Porto para onde fomos em seguida. Assistimos a missa na igreja que cantava sua festa portuguesa rodeados de fiéis. No altar à nossa frente estava o corpo da Rainha Isabel, a nomeada Rainha Santa. Apenas um único português nos estendeu a mão. E, foi suficiente. Coimbra vibra de estudantes de muitas paragens, mas nesta época do ano eles costumam partir. Alguns brasileiros permanecem, em geral nós os encontra...

No firmamento

Estrelas duras brilham e ofuscam cometas Riscam raios o astro rei Alto no céu chuvas-luzes passam rápido Nuvens passeiam planetas na imaginação Sombras sonham e se superam Reveem o dia e ampliam a própria luz Na esfera maior constelações de estrelas Magias de nuvens no movimento do porvir Largo espaço aberto aos sonhos Mãos constroem novos desenhos As linhas estrelas fluem no firmamento Histórias de luz e escuridão                                                                      (para meu avô Augusto Lins) Rio, 7 de janeiro de 2019.

As pedras do céu

As pedras roladas redondas acolchoam o chão. Nosso chão. As de lá e as de cá. Nas pedras somamos sabores duros. As pedras e o céu de muito azul. Azul escuro. Azul-azul . Há na terra, na nossa terra, uma língua cantada de forma distinta. Há nas sílabas uma separação. E uma mistura de odores e cores. A terra grande coberta por um céu imenso acomoda as diferenças. Pedras pontudas pontuam... Os tons de hoje não são mais os mesmos e somos muitos embaixo de um céu desigual. As pedras do céu nos confortam por ora, não lamentamos nada. Andamos no baile dos homens misturados às horas. Rio de Janeiro, 5 de janeiro de 2019.

Ruínas e Museu Arqueológico do Carmo

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                                                              Efígie de um Rei. Séc.XIII A Janela Manuelina no fundo. Séc.XVI     Comento ainda que o espaço da Sacristia,  escondido atrás da Loja, guarda           altos armários de livros para os pesquisadores.                                                                             Fotos noturnas, em 2 de janeiro de 2018, feitas por                                                   José Eduardo...

Com Amália Rodrigues em Lisboa - janeiro de 2019

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Memórias de Amália Rodrigues cantando no Rio de Janeiro no final da década de sessenta! Na adolescência ouvia minha mãe cantar fados, e ensaiava algumas estrofes cantando junto: Nem as paredes confesso: Não queiras gostar de mim Sem que eu te peça, Nem me dês nada que ao fim Eu não mereça (...) [refrão] De quem eu gosto nem as paredes confesso E até aposto Que não gosto de ninguém Podes sorrir Podes mentir Podes chorar também De quem eu gosto nem às paredes confesso

Livraria Sá da Costa - Lisboa

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Impressionante livraria; livros raros! No dia primeiro de janeiro estava aberta aos nossos olhos curiosos e atentos.        Consegui adquirir um livro especial que me ajudará na escrita de um novo projeto. www.sadacosta.com