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Mostrando postagens de junho, 2010

Colagem Inverno

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Inverno no Rio de Janeiro Estou quase dormindo? Não. Creio que não. Mas quando você tiver a minha idade, caro(a) leitor(a), verá que o mundo está habitado de coisas estranhas. Felizmente, não só de coisas estranhas. Devo dizer que se construo um monólogo neste dia que anuncia um inverno carioca, não estarei longe do frio que senti em alguns outros momentos de minha vida. Em Mauá, na década de oitenta, eu costumava andar pela casa carregando um saco de água quente, bem próximo ao corpo, para aquecer as minhas faltas. Na década de sessenta, em seu final, eu morava em Washington e vivia perto do sonho americano, no qual confesso nunca ter conseguido entrar. O frio e a neve me acompanharam durante mais de três meses. Costumo dizer que fiquei com o gosto gelado de um pisão que levei em N.Y, em uma avenida qualquer, pois, de fato, o meu dedão direito e a meia de lã ensanguentada refletiram um frio a menos 20 e os pés completamente adormecidos dentro de uma bota de couro negra. O frio no Rio,...

O idioma pedra de João Cabral

O poeta João Cabral de Melo Neto construiu, ao longo de sua obra, uma poética mineral. São versos, metrificados ou não, que contam muito da vida do Nordeste com seu povo e seus hábitos. A sua linguagem – aqui nomeada “idioma pedra”, alimentada na memória de uma infância vivida em meio às canas e às usinas de açúcar, em Recife, com a seca e a fome dando direção à mão que escreve – traduz um Brasil singular. Alguns de seus poemas como “Morte e Vida Severina”, considerado um Auto de Natal pernambucano, e “O Cão Sem Plumas” ou “O Rio”, empreendem uma viagem na escrita que nos levam a querer ler poesia brasileira, pois o aprendizado se dá com as narrativas de costumes e de geografias várias. Tal empreitada avança com as palavras de pedra, caroço, osso, faca, deserto, entre outras, para identificar na língua um “escrever em nordestino”. O poeta...(leia mais na página da editora Perspectiva)