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Mostrando postagens de junho, 2020

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Poemas de final de junho 1. As horas desmaiam. Os minutos estabelecem com o dia um acordo sinistro: Não nos olharemos mais enquanto o poema forçar passagem sem dizer o que deseja! Não me reconheces? Nem mesmo sabes o instante da nuvem - jovem e distante - que diz a aurora. A voz de um dizer “adeus” se estabelece quando a algo renuncias. O dia passo todo contigo. Ainda assim estás tão longe. Corres junto com os ponteiros e só nos encontramos em ligeiros e fugazes momentos a cada quarto de hora. O poema vai chegando mais perto Acordou solto na voz rouca da manhã. Os ponteiros do relógio observam o dever cumprido. Dançam juntos o baile da vida. 2. Fui ao mar e aprendi tanto Entrar devagarinho Cair na espuma doce dos braços salgados Dos mergulhos fundos Deixar o ar sair pelas narinas abertas Ao longo de um interminável tempo 3. Os muros quase sempre brancos As calçadas com buracos Os pés subindo ...

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Rio, 30.06.2020 Os dias voam Sem sair de casa não conto mais os meses. As notícias da OMS assustam. Dizem: Sorry , mas ainda vai piorar! O nosso país parece um filme de ficção de gosto bizarro. É cruel, sim, beaucoup ! Nas muitas línguas faltam paroles, paroles, paroles. Há que dizer o esdrúxulo e perceber as malandragens nos vícios da política. Ficar com indigestão de tanta mentira unida sem traço de união. Sentir a dor de um tiempo de ignorâncias que se impõe na ganância (mas não só)!

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Rio, 29.06.2020 Amigos, Creio que foi em 2013, quando estivemos em Roma, que José realizou esta foto. O gesto do abraço firmado entre  os apóstolos Pedro e Paulo está aqui registrado. Segundo dizem, eles se encontraram e se abraçaram algum tempo antes de serem mortos e martirizados em Roma.

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Rio, 29.06.2020 Leitor, Não esqueceremos mais estes tempos rudes, primários e indecorosos! São tantos os impropérios... Ontem, ficamos sabemos pelo prefeito de Manaus que, em alguns lugares do interior do Estado, a população ainda enterra seus mortos no fundo do quintal. Não há, portanto, condição de saber ao certo o número de mortos por covid 19 no Amazonas. E morrem agora, sobretudo, muitos índios vítimas do vírus. Estive, em 1980, no Vale do Jauaperi. Participei de um passeio com pescaria nesta região do Amazonas, que fica alguns dias acima de Manaus. Na ocasião, o grupo de parentes e amigos permaneceu embarcado durante dez dias. Percorremos algumas regiões ribeirinhas e pescamos quando chegamos no lago onde a pesca era permitida.  A viagem, inesquecível para todos nós, deixou em mim um gosto de natureza viva e de cores misturadas a sabores únicos. Só comemos peixes e sopas de peixe, além da farinha torrada pelos índios e da mandioca trazida a bordo pelos caboclos. ...

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Rio, 28.06.2020 Dobrei os dedos da página em branco Um livro acompanhou meu movimento A boca firme procurou o gole de café Dobrei as pernas em ângulo reto e o dia deste domingo em silêncio fez do exílio um pormenor * Às vezes furiosa bebo os raios de sol da manhã Procuro nas sombras árvores conhecidas e destilo suaves macias e douradas letras abelhas besouros zangões em fios de seda e a sede de um dia soletra domingo  * Nesta ponta do bairro a certeza não se parece com nada. Quero deixar estes dias e caminhar sobre as folhas da rua. Os músculos a trabalhar sem destino e na força da língua os braços soltos deixar dançar o corpo do texto. Os pés sem acento nem vírgula à espera de um milagre. * Não há sinais nem parâmetros nem justiça o corpo do povo sofre sem lugar e o espaço do poema perde seu traço * Desaparece a manhã entre as sombras Perdemos os raios de sol As sandálias do lado de fora à espera não passeiam mais... * Não...

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Rio, 27.06.2020 Nesta hora da manhã quando a madrugada já nos deixou Os diferentes cantos dos pássaros chegam mais perto E aqui de onde escrevo posso deixar o dia se alargar A janela muito aberta respira bem longe dos ruídos Os homens dormem O sábado ressoa dentro de um país comido pelo vírus São muitas as esperas É nesta hora onde tudo vibra suave Que os desejos se purificam *

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Ainda em 26.06.2020 Boa noite! Caro Leitor, Não sei se alguém viu a homenagem feita pelo presidente do Brasil aos mortos por covid 19. Eu acabei de ver pela tv Portuguesa. E senti muita vergonha. Na cena, de muito mau gosto, vi o presidente sentado em sua mesa preferida com o ministro Paulo Guedes mudo ao seu lado, e uma sanfona tocando a "Ave Maria" ao fundo. My God! Já temos mais de 56 mil mortes de covid. A situação é gravíssima. Não há palavras para expressar tanta dor! Porém, uma cena desta... ninguém merece!

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Rio, 26.06.2020 Mais uma semana de confinamento: Na janela o ângulo duro desta espera Nada fácil A tarde amplia o branco Não sei mais se é passado No presente o instante não é sabido O corpo disponível aguarda Os amigos em recortes de notícias Falam por whatsApp Uma menina de máscara listadinha Visita de longe os avós na garagem Gestos de adeus Na garupa da bicicleta de sua mãe Beijinhos correm rápido Em ondas sucessivas se espalham * Parabéns, Gilberto Gil! E, "aquele abraço"!

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Rio, 25.06.2020 Uma nuvem de gafanhotos se aproxima do Brasil (...) e, depois, se afasta! * Mãos de dedos leves passeiam sua força folhagem ardente chama que pede água na sede destes dias intensos que pedem aos braços que pedem ao corpo e nos músculos das pernas sustentam os pés de veias de muitas cores  Guardadas as devidas medidas o dia flutua entre dentes  A boca segura a direção das palavras e as sombras penetram o espírito da letra árida ou virulenta As esquinas não dizem o dia o vírus vira no vento na direção da praia; mergulha no mar Nem só os gafanhotos assanhados trafegam...                    

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Rio, 24.06.2020 Leitor, De água e de vento são estas páginas escritas (nunca mais ao relento)! Há coisas estranhas acontecendo. No pensamento quase sem espaço, o olhar não se acomoda. Ruídos e murmúrios de homens e mulheres fugitivos. Sem alma, sem medo do erro e sem culpa. Os sinais estão invertidos. As fugas acalentadas. Os homens riem de si próprios. O vento tudo leva? A água não lava tudo, já sabemos. O vírus avança e a manhã de junho segue aguardando seus mortos. *

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Rio, 23.06.2020 Desaparecem os rostos conhecidos. Restam os retratos. Na roda girante a vida aguarda a casa silencia os objetos mudam de lugar. O palco se estabelece escuro. Recatada a vida pede espaço. * Quem sou eu sem o rosto e os olhos que me aguardam todas as manhãs?

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Rio, 22.06.2020 Mais um dia: rego a roseira, observo as violetas e o vaso da flor de maio dependurada (este ano as flores vieram com vagar)! Leio as mensagens do celular. Parece que está tudo bem. A casa continua sua história em torno de nós... Segunda-feira. Recomeço. Recomeço sem começo.

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Rio, 21.06.2020 Caminho de casa Guardo no peito alguns caminhos: as velhas e urdidas ladeiras de Vitória no esforço infantil de chegar rápido à casa de meus avós Cidade Alta cercada de construções de cores desbotadas O sino da Catedral e o rosto risonho de vovô Lins Volto a casa de Manaus durante os sonhos: ainda encontro as mangueiras e os pés de pitanga As lembranças quentes do verão inominável vivido no tempo do olhar de minha mãe - entre a cachorra Suzy dorminhoca - e as piquiras soltas Parti e regresso agora As palavras saem quase roucas; ficaram mais velhas as primeiras impressões O inverno começa na cidade carioca onde habito em meio a pandemia que não nos poupa Abrimos e fechamos as portas e as janelas não se aquietam São dias sôfregos de desejos de viver Um povo cansado de notícias estranhas A mesa posta no domingo abriga o sonho de outros domingos!

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Rio, 20.06.2020 Livros ao redor Entre os livros que andam nesta casa, onde - às vezes - até mesmo tropeçamos, alguns nos olham mais de perto. Não são só os que caminham conosco do quarto para a sala ou em direção inversa. Uns olham nos nossos olhos. Outros olham as  paredes da casa e escolhem seus lugares. Depois, acomodados continuam nos fixando com a força da carne da palavra, a força da pedra e das palavras de pedra. Ou, ainda, na correnteza das águas que corre nas veias dos versos e no corpo do texto que nos atravessa, e não nos deixa mais. Essa matéria composta de sensíveis imagens e ideias de outros espaços e tempos mergulha nos recantos desta casa e no seu chão. Filtra raios de luz da manhã. Parece  dizer o mundo atravessado pela noite em nuances ocultas, graves, agudas. Pertence às  árvores mais velhas e aos homens ao mesmo tempo. Nossas mãos recolhem ali frases  e letras que habitam paisagens; raízes de movimentos ao redor de no...

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Rio, 19.06.2020 Caros leitores, vivemos Tempos Bizarros! No Brasil enquanto a covid-19 avança sem trégua, com mais de 1.200 mortos constatados em um só dia fora os que não conseguem ser listados, o Ministério da Saúde não existe para os cidadãos brasileiros, e o Governo Federal não fala sobre o assunto mais grave do momento: o vírus que mata.  Estamos vivendo dentro de um sistema enlouquecido literalmente, com ações e reações políticas atordoadas acontecendo a todo instante, e, onde constatamos um movimento de alguns políticos procurando vantagens e ganhos inescrupulosos.   Os homens envolvidos mais de perto com o nosso atual presidente perdem as máscaras, e a face antes oculta que aparece é assustadora demais. São Tempos Bizarros! Uma quadrilha surge sem nuances na cena de nossos dias! * Atrás das paredes Entre as cenas da cidade há um fio que escorre estranho. As mortes não param nem os pensamentos vivos. Os muros murmuram na noite... (futebol d...

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Rio, 18.06.2020 A casa geme o dia que abastece a alma de tremores lúcidos Quando a tarde chegar não se iluda Às vezes não se sustenta a flor por muito tempo A leveza surge inesperada No sopro se traduz também o medo Clara e sensível carrega a memória outros instantes Alguns acordes de beleza suavizam Ruídos do lado de fora O mar mais longe segura a esperança agora * Nota triste de hoje: Faleceu, aos 85 anos, em 22 de maio o poeta e tradutor Fernando Py. Foi tradutor da obra Em busca do tempo perdido de Proust. Morreu de insuficiência respiratória. Coronavírus? 

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Rio, 17.06.2020 Amanhece. Faz um pouco de frio. O inverno chega mais perto de todos nós. Paisagem Às vezes parece que o dia escorre rápido Podia ser uma outra cena Distendida na página que corre Sobre os fios de meus cabelos soltos Mas nessa descoberta estranha Sinto medo e me protejo Quase de forma vaga Como a bruma desta manhã * Nota triste: Soube hoje, que faleceu aos 65 anos, no dia 10 de maio, de corona vírus o poeta Marcus Vinícius Quiroga. Que lástima! Triste demais! Foi parceiro da equipe do jornal Poesia Viva ! Poeta dedicado pertencente ao Pen Clube e à Academia Carioca de Letras.

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Rio, 16.06.2020 Tomei café da manhã, varri a cozinha e coloquei roupa para lavar na máquina. Corri um pouco com os outros afazeres básicos, pois queria sentar-me para escrever. Mãos Escrevo as mãos que seguram os dias — Sustos do anoitecer sem sonhos — Mãos longas de veias azuis suplicantes Irrequietas buscam os livros Imploram mudanças calmas Brotam flores nos silêncios... * Escrevo, é preciso agradecer. Agradecer às manhãs de luz embaçadas ainda em um futuro a surgir adiante Só e próxima a ele observo o estranho mundo em movimento A fruta no prato sob a mesa descansa sua doçura Os mortos do dia 16 de junho não surgiram de todo * Um silêncio se faz sombra na casa branca O frio não chegou Não perguntem nada Aguardem os dias ainda a nascer

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Rio, 15.06.2020 O dia está nublado e o país, também. São tantos os desmandos e os impropérios! O vírus covid-19 continua entre nós circulando sem controle algum. Às vezes, chego a pensar que ficaremos "guardados" dentro de casa para sempre! As imagens na tv nos mostram outros países do mundo vivendo, delicadamente, a abertura de suas portas. Aqui, a delicadeza foi para outros espaços. A sensatez também! Chove e a água lava os campos abertos. Correm rios de incerteza... * A vida presente em todos nós No aprendizado diário detalhes tênues O trabalho com as palavras conduz os atos A água e as areias dialogam ? Árvores de troncos altos ampliam o olhar Janelas guardam distâncias espessas Os passos brandos de sapatos gastos Negros e brancos se entreolham dentro Respiro, respiro e penso Idosos e crianças vivem a brincar entre si O sol vivo abre espaços de alvoroços Os muitos possíveis acariciados no caminho Carícias da chuva e do vento no muro do jardim ...

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Rio, 14.06.2020                                                                Abertura do livro novo                                                                                                                               A capa sob a luz da manhã

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Rio, 13.06.2020 Hoje é sábado. Acordei cedo e ouvi ruídos de automóveis. Um pouco depois, lembrei: é dia de Santo Antônio! O movimento da mente, rapidamente, me levou a Padova na véspera deste dia em 2015. A igreja vazia e os monges em oração se preparavam para mais um dia de festa. Havia paz no recinto pouco iluminado. E havia Luz! * Na minha infância havia festa junina, também, no dia de Santo Antônio. Os três santos comemorados no mês de junho eram a alegria da criançada:  Santo Antônio (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 29). Na rua havia sempre uma fogueira bem alta onde assávamos batata doce, além de milho verde. Mas a dança da quadrilha só acontecia na Escola, ao lado da Igreja.   Nestes dias de festa em Manaus armavam muitas barraquinhas com bandeiras coloridas  que ajudávamos a recortar. A cor e a dança se misturavam com a música da sanfona. E a luz das pequenas lanterninhas coloriam todo o céu... 

Maria Bethânia lê sermão de Padre Antônio Vieira sobre Santo Antônio

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 Muito obrigada!

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Rio, 12.06.2020 Para dizer o dia e a estrela na aridez do agora a palavra navega a praia distante azul com fios dourados Areias de outros outonos no vento de algum mergulho frio O corpo guardado no abraço de fogo quente na bondade do rosto a barba molhada de sal respinga nos lábios Para dizer um dia distante nas areias finas a mão e a boca respiram juntas *

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Rio 11.06.2020 A pergunta que não cala: Quem mandou matar Marielle? * E a pergunta que nos move, em um nível mais aprofundado e íntimo: O que nos salva?

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Rio, 10.06.2020 É longa a noite em que murmuro no silêncio os versos do poema a escrever. Nas mãos guardo o momento em descanso a folha tem sede de letras lábios. Onde quase não se mostram os olhos míopes tocam outros acordes. Um anel na mesa ao lado corre junto com a lembrança no branco pérola suave círculo de luz. Outra vez, o movimento de um piscar e livres as mãos tocam o lápis; anotações rápidas se entregam à meia-noite - quase em sonho. * Nota: É muito triste o que acontece no Brasil. São 1300 mortes nas últimas 24hs. E a cidade do Rio de Janeiro parece enlouquecida. Sem comentários! Urgente: Rodrigo Maia tem razão: a MP "lançada" pelo governo, hoje, visando atingir as Universidades do País é inconstitucional!

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Rio, 9.06.2020 Carta aos amigos Que tantos tenham morrido em tão pouco tempo são notícias diárias nem tão longínquas porém difíceis demais! Na manhã desta terça-feira, enquanto alguns fazem aniversário outros se despedem no alvoroço da tristeza. Um viver nos aguarda pelos cantos sem saber bem o que tem a dizer. A casa de cada um de nós é a âncora - suporta o peso dos mares revoltos e dos ventos loucos - Os jardins podem ser regados pelo olhar de nuvens altas. Na tristeza e na desesperança destes dias tristes de um viver estranho demais podemos ler e reler; memórias de atos vividos. Podemos, meus caros, encontrar nos versos do chão onde pisamos a história de nossas casas e de nossa pátria. Os frutos que nos animam os dias de um verão a vir ainda existem. Distantes dos abraços, a voz toca as flores tímidas que brotam. E a mão saturada das tarefas domésticas repousa no livro. Somos agora enormes galhos de árvores de ramos e raízes quase sem perfume. As rosas nos...

Agora - Adão Ventura

Agora É hora de amolar a foice e cortar o pescoço do cão. — Não deixar que ele rosne nos quintais da África. É hora de sair do gueto/eito senzala e vir para a sala — nosso lugar é junto ao Sol. PS: Conheci o poeta Adão Ventura em 2002. Ele foi um de nossos convidados no "Café Letrado" de Belo Horizonte junto com o escritor Sebastião Nunes. Um encontro animado também pela escritora Lucia Castello Branco.

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Rio, 8.06.2020 O nosso grande poeta simbolista Cruz e Souza escreveu este belíssimo soneto, que transcrevo agora: Acrobata da Dor Gargalha, ri, num riso de tormenta, como um palhaço, que desengonçado, nervosos, ri, num riso absurdo, inflado de uma ironia e de uma dor violenta. Da gargalhada atroz, sanguinolenta, agita os guizos, e convulsionado Salta, gavroche, salta clown, varado pelo estertor dessa agonia lenta... Pedem-te bis e um bis não te despreza! Vamos! reteza os músculos, reteza nessas macabras piruetas d'aço... E embora caias sobre o chão, fremente, afogado em teu sangue estuoso e quente, ri! Coração, tristíssimo palhaço. Publicado no livro Broquéis , 1893. * Escrevo simplesmente   : Manhãs longínquas despertam. Nossos dias abrem nebulosas esfinges. Gestos impensados, palavras roucas. Aguardamos. Talvez seja possível, talvez! Um homem morre sem ar no canto da calçada. Sufoca. Não grita. Gritamos nós por ele, por eles nada mais ...

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SOMOS a FAVOR da DEMOCRACIA! SOMOS CONTRA o FASCISMO! SOMOS A FAVOR da EDUCAÇÃO! SOMOS CONTRA o RACISMO! SOMOS HUMANISTAS!                                                                   Rio, 7.06.2020

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Rio, 6.06.2020 No contexto mais saudável, recupero, aqui, o que ouvi na tv francesa esta semana. Sim, a saída para o homem nos próximos anos será colocar em prática uma política que leve em conta a economia verde! * Importante: 1. Em Manaus: As imagens e a matéria feita pelo jornalista Stuart em Manaus são fortíssimas. A tv portuguesa as transmitiu na noite de hoje : Os amazonenses morrem em casa, e são retirados em caixões de madeira e transportados  em caminhões frigoríficos direto para o cemitério onde são enterrados, um pouco depois. As covas são valas enormes abertas por escavadeiras que, também, trabalham fechando-as. Alguns poucos familiares estão presentes neste momento final de despedida. Nas cruzes simples de madeira os familiares escrevem os nomes das pessoas que estão sendo enterradas ali. 2. No Rio de Janeiro: O governador do estado autoriza a abertura de restaurantes, lojas e shoppings na sequência do desejo de um presidente ...

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Rio, 5.06.2020 Dia Mundial do Meio Ambiente                                            Foto feita no Jardim Botânico do RJ

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Rio, 5.06.2020 Eis aqui mais um dia difícil neste país! Quantas vergonhas temos sentido! * A casa contém o dia e guarda as horas dobradas sobre si mesmas A névoa encobre a manhã de janelas abertas; ausência de passos Sombrio é o corredor não mais lugar de passagem Espelhos na parede deixam ver as sombras das árvores lá fora Não há qualquer barulho na vizinhança Os passarinhos brincam no alto da manhã Um dia cinza circula E procura o brilho de antigamente Em meus ombros gastos Deixo viver a espera "Das ondas sobre a areia"                                                (para Sophia de Mello Breyner Andresen) * Notas: Anunciado o fato de sermos o país com o índice mais alto de contaminação por dia, isto se torna a questão alarmante de hoje! Uma em cada quatro pessoas que morrem no mundo é brasileira! Alguns índios da região de Mato Gross...

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Rio, 4.06.2020 Notas: As duras manhãs de junho. O covid-19 invade ruas e pequenas vias da cidade do Rio de Janeiro, bem perto de nós. No espaço mais frio deste dia, posso afirmar que todos temem o que pode vir a ser ainda esta pandemia sem direção. Nos EUA, a Democracia dá uma aula de juventude que pensa e age a favor da lei: "Vidas Negras Importam"/ " Black Lives Matter " Abre ao mundo, mesmo com covid, a possibilidade da mudança de direção. Afinal, somos nós - o povo de qualquer nação - que escolhemos a linha, o caminho e a caminhada. Quando comecei a escrever meu último livro A bordo do Clementina e depois  não sabia que a escrita deste texto me colocaria diante dos surtos de febre amarela primeiro e da gripe espanhola um pouco depois, porque os vírus já viviam entre os meus antepassados, aqui, no Brasil. Muitos morreram chegando ao nosso país naquele tempo de tantas dificuldades. * No Sul desta casa – se estendo o braço direito na direçã...

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Rio, 3.06.2020 A solidariedade é um arco-íris! * A tarde acontece, também, com o "trabalho da escuta", e os dias seguem um rumo ainda a ser definido.

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Rio, 2.06.2020 O dia começa, e fico sabendo por uma amiga que o livro A bordo do Clementina e depois já está sendo anunciado e vendido pela Amazon. Mas, também é vendido direto na editora 7Letras https://www.7letras.com.br/a-bordo-do-clementina-e-depois.html * As manhãs continuam azuis. O frio abranda um pouco pedindo agasalhos leves. Relembro Walter Benjamin no livro Rua de mão única:  a delicadeza do gesto. Abrir uma gaveta e sentir a memória da lã entre os dedos não mais da infância. * Tocar o calor guardado na cor rosa ou vermelha. Agasalhos de outras décadas. Uma mistura sincera de amor E aquela promessa antiga (Sussurrada na noite fria). A noite abre seus olhos longos Pestanas finas. Abre suas vestes suaves Verdes rosas roxas. A noite sonha com olhos úmidos Na solidão do espaço entre paredes brancas Eu te encontro.

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Rio, 1.06.2020 Um outro mês começa. Já estamos em casa direto desde 13 de março. Quase três meses. Mas, assim mesmo teremos que permanecer dentro de casa. A cidade do Rio de Janeiro tem um índice altíssimo de contaminação e mortes. Muitíssimo mais alto do que está sendo dito na mídia. Possivelmente, cinco vezes  mais ou mesmo sete vezes mais. Os números que estão sendo divulgados são incorretos porque não se consegue fechar uma conta mais fiel ao que está acontecendo por aqui. * Voltemos ao dia de ontem nos EUA. Um domingo especial. Dia 31.05.2020 Vimos direto pela tv as imagens fortes e sensíveis da população, principalmente os mais jovens, caminhando nas ruas das cidades americanas carregando cartazes, gritando palavras de ordem e até, em alguns momentos, se ajoelhando diante de policiais que faziam a guarda da manifestação. Nunca vimos nada igual. As palavras ouvidas repetiam as últimas palavras de um homem negro sendo sufocado e morrendo no canto de uma r...