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Mostrando postagens de dezembro, 2016

Poema inédito

Escrevo uma página branca Uma página clara Sem pudor Escrevo com a dor de um dia De misérias e faltas inúmeras ao redor Escrevo hoje no final dos tempos De um tempo surdo Escrevo Sem me distrair e sem padecer demais Apenas escrevo com a brisa que não sopra Sem as árvores de outrora escrevo Ainda na falta de humanidade Buscando a solidariedade São puras as razões desta escrita São impróprias as suas delicadezas E marginal plural o contexto Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2016

Oito noites em Veneza chega a Veneza

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                                                                             O livro nas mãos da italiana Maria, que estuda e                                            lê português. Viva! 

Flash back: fragmento de texto já publicado

Escrever... o quê? E por quê ? A partir de nossa escrita percebemos nossas mudanças? A mão assim como o pé envelhece. A escrita pode permanecer firme. Eretas as letras cavalgam. Abrem trilhas.  Mudam caminhos .          “As palavras são mais velhas que nós e o texto não tem idade. ”                                                                              (Edmond Jabès) Mãos se enfurecem não se abandonam viajam com o corpo de alto a baixo. Degolam. Formam a linha e os encantamentos da g...

Flash back: lançamentos de livros

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                                         Com o poeta Antonio Carlos Secchin no lançamento e leitura                                          de O sonho da Gaivota  Lumme editor, 2015 no                                                            Café Envídia Leblon,                                                                               Com o marido no lançamento de Gradiva verão ,  Lumme editor, 2013 no Café Envíd...

Escrito em 20.12.2016

Dentro do corpo corre o vento de nossa alma irmã de outros homens. A viagem o sangue faz circular nas vibrações variadas e instáveis ao redor. Somos velhas narrativas a procurar o tom que persevera no infinito. Um dia. Uma década. Uma vida. Várias... Feliz Natal a todos!

Mujeres palestinas e isralíes marchan para exigir la paz

Mujeres palestinas e isralíes marchan para exigir la paz : La Marcha de la Esperanza exigi

Verão outra vez

Nasce a manhã Azul Nenhuma nuvem A bruma não esconde verdades Insistimos em rever o passado Um ano interminável Nos caminhos do texto O pensamento se estende O visível e o invisível Não se encontram Mas o horizonte está lá A verdade anda lenta Festejada na esperança Com um olhar infantil A música e a magia da música No movimento das árvores   Outra vez procuramos a paz Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 2016.

Poesia inédita

crianças órfãs vagam ruas da Síria; labirintos pedras nuas olhos vagos olhos vastos escuro dia nuvens de poeira palavras poucas roucas fumaça e fogo tudo é sombra cinzas nos corpos crianças órfãs roupas ralas poeira e chão Rio de Janeiro, na madrugada de 17 de dezembro de 2016.

POEMA

E xercício                                 1. É com angústia que o poeta espera a escrita se inscrever, mas não somente. Diante da folha em branco ou da tela clara de um computador habilita-se o jogo das palavras no vazio que brilha. Um jogo onde as palavras inserem-se – em sua materialidade – como se cada uma delas fosse mesmo um objeto, uma espécie de pião (conforme comentou Picasso sobre os poemas de Francis Ponge), que se movimenta e gira entre os dedos da mão, sem cessar. Experimentamos construir na escrita alguns tantos objetos, com palavras pensamos pelas esquinas dos versos buscando o tempo que arrisca no chão (d e s t e r r i t o r i a l i z a d o) ou no céu - folha - de - papel visualizar o dia, a loucura, a morte? Assim na folha nua ou na tela-água, palavras fluem e resistem e se autorizam... ...

De cabeça pra baixo

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A Síria nos causa indignação! Nunca vimos nada igual. Ou já vimos e esquecemos? Metáfora do mundo: de cabeça pra baixo! Crianças - quase loucas - andam em meio aos escombros. Não há sequer um refúgio onde se abrigar. As bombas explodem e devastam cidades inteiras. Falta tudo. Roupas, alimentos, água. E uma palavra amiga. Não há voz nem sussurro de esperança! Síria, sim, metáfora do mundo! Sem abrigo nem salvação digna. Homens selvagens dominam as Nações. Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 2016. Imagem reproduzida do jornal Le Monde  on line de hoje.

Na língua materna

1. Imagine a solidão de um estrangeiro. Um árabe. Um chinês. Um norueguês. Qualquer um. Um país. Um lugar. Qualquer. Os olhos. As mãos. Um café. Um canadense. Um brasileiro. Um alemão. Um. Qualquer lugar. (... e aqui não se fala inglês!) 2. Um árabe procura um café. Está tudo fechado. Um alemão deseja um interlocutor. A francesa se queixa do calor. E o norueguês não encontra o caminho de casa. As praias estão poluídas. O diálogo não se faz, embora a mímica ajude. Copa do mundo? Onde? Quando? Começou. Vai começar. Acabou. Talvez, a hospitalidade seja o fruto da resistência! 3. Nenhum oceano a ver, apenas um mar negro de óleo! Pássaros enlameados: negro petróleo. No movimento do tempo não vejo nada claro. Em solidão... os homens. Qualquer um. Um. PS. poema do livro Outonos [montagem incompleta]

Kazım Koyuncu - Bu Hayat Böylemi Olur (Seyduna Türküleri )

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Hermann Hesse e Jacques Le Goff revisitados

Nas férias que passei na Itália, este ano, comprei em uma livraria francesa o livro  François d'Assise  Hermann Hesse, na tradução do alemão por Jean-Louis Schlegel; um livro lançado pela Éditions Salvador em 2015.   Hesse reuniu neste livro Franz von Assisi , publicado em 1988 na Alemanha, três textos: uma narrativa pessoal e lírica que nomeou Vida de são Francisco / Vie de saint François, uma   ficção sobre um episódio vivido por Francisco aos doze anos, e uma tradução alemã das Fioretti. em francês, La couronne de fleurs de saint Françoise d'Assise.  O livro ainda tem um estudo de Fritz Wagner, que nos possibilita a compreensão do lugar dado por Hesse a Francisco de Assis. Recentemente, também, descobri o livro São Francisco de Assis escrito por Jacques Le Goff, o importante historiador de nosso tempo. Publicado pela Record, na tradução de Marcos de Castro em 2015. Cito Le Goff: "Sempre fui fascinado por São Francisco, um dos mais impressionante...

Morre Ferreira Gullar aos 86 anos

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O grande poeta do Maranhão partiu, no final desta primavera carioca de 2016! Em meio às tensões e aos desencantos causados pela corrupção desvairada na política brasileira, e com o sofrimento vivido por todos nós depois do acidente de avião que matou jogadores e jornalistas, no qual problemas de conduta sinalizam o quanto somos falhos, nos despedimos do importante poeta brasileiro que soube como poucos escrever a nossa humanidade! A ele também devemos dar uma salva de palmas!!!