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Mostrando postagens de outubro, 2020

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 Rio, 31.10.2020 Nevermore Trump!

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 Rio,30.10.2020 Piove, piove... Alguns livros retornam às minhas mãos durante esta pandemia interminável. Marco Lucchesi em Merediano celeste & Bestiário (com um autógrafo em italiano). Record, 2006  e Ungaretti 37 Poesie . Mondadori Editore, 1996 que comprei neste mesmo ano.    Aquele azul           quase invisível reclama  outro mais fundo        e impronunciável                             Marco Lucchesi, p.81   Mattina Santa Maria La Longa il 26 gennaio 1917 M' illumino d'immenso                                    Ungaretti, p. 26 * Luz quebrada da tarde                         sol ausente                         chuva de si...

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 Rio, 29.10.2020 Caros leitores, as manhãs ainda nos assombram: covid, incêndios, tentativa de desmonte do SUS, etc,. O incêndio no Hospital de Bonsucesso no Rio de Janeiro trouxe uma realidade estranha  para os nossos pés. As imagens de um hospital sendo esvaziado durante um incêndio  são assustadoras. Assim, como os incêndios nas florestas com os animais sendo queimados  vivos e correndo em meio às chamas. Na semana passada um incêndio em Vitória acabou de forma trágica com a morte do  pequenino Pablo, que inalou muita fumaça.  Os Tempos difíceis nos aproximam das tragédias. Atenção! * A vida pede passagem Quando a paisagem da rua se esvazia os personagens não somam mais a força necessária De um lado são os telhados tristes imóveis  em níveis distintos e de alcances obscuros  No centro da cena a casa cheia de vida  apaga as luzes durante a noite e abre as janelas  A vida pede com os lábios bem abertos  

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 Rio, 28.10.2020 A mesa limpa, sem poeira. Os livros espalhados ao redor. O pensamento solto. As mãos nas teclas suavemente procuram letras; um mínimo gesto. Justamente, este que mostra o pensamento na raiz. Ainda é primavera por aqui. O trabalho acontece em ritmo novo. Nos intervalos escrevo e leio. Limpo e arrumo. Cozinho e passo as roupas lavadas. As ideias surgem em relâmpagos. Ontem, li um texto de Pauline Flepp, que conheci na Normandia durante o Colóquio  Francis Ponge. A aventura de Ponge neste tempo em que trabalhou no jornal Action (um jornal com periodicidade semanal, e que nasceu na clandestinidade durante a  Resistência francesa) está ali descrita em detalhes.  Suponho que, hoje, nos interesse ressaltar que Ponge se dedicou especialmente a deixar nascer ali, durante dois anos (de 1944 a 1946), tempo em que dirigiu o Action, textos mais  jornalísticos e menos literários. Também por isso acabou deixando o jornal. Necessitava  de tempo para escrev...

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 Rio, 27.10.2020 As montanhas De repente, entrei na montanha mais próxima e escutei o canto de cigarras: alto e uníssono. Cigarras leves vibram juntas. À esquerda no lugar onde o Sol gosta de desaparecer em fogo e o mar se transforma em espelho, depois de tanto caminhar entre as ondas na areia, fixei por algum tempo o que não estava visível. Quase esqueci o corpo. Ali - parada - havia uma mulher ficando idosa aos poucos.

Milton Nascimento e Mercedes Sosa (TV Globo, 1987)

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Feliz aniversário

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  Tempos abertos Vivemos tempos abertos! A expressão na qual me debruço, agora, está comigo há dias. Não encontro nem em sonhos a certeza dos caminhos. No entanto, estabeleço com  o mundo, neste ano de 2020, um diálogo de perguntas que vão se transformando aos poucos em considerações definitivas. Sim, o aberto do pensamento está diante de nós agora.  Sim, podemos vir a transformar o nosso futuro se assim o desejarmos.  Sim, os homens podem escolher melhores homens para dirigir seus países.  Sim, podemos reivindicar mudanças nas estruturas de políticas públicas.  Sim, as mulheres precisam comparecer às urnas para lutar por seus direitos. Sim, a educação terá que ser a grande prioridade no Brasil.  Crianças educadas com literatura, teatro e música crescem mais independentes e com  pensamento crítico. Sim, vamos dizer "não" aos brutos e aos mentirosos em qualquer lugar do mundo.   Sim, os homens sérios têm condições de reverter este caminho...

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 Ainda em 25.10.2020 Uma ilusão na sombra? Um aroma de lírio fresco longe O muro gasto alardeia folhas verdes O poema reclama a folha branca e a escrita sussurra na tela brilho Entre o dia e a ilusão  um amanhã Imagens de sombras descabeladas e os passos de nossos antepassados na terra ardente de contato: rumores bravios nas pedras das ruas manifestações mascaradas homens selvagens não se assemelham e em distintas línguas falam à toa Traços de ontem se perdem Discursos angustiados se montam Flores nascem suaves no vaso branco sob o peitoril  de janelas abertas no Leblon  

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 Rio, 25.10.2020 Meus caros, pela manhã, um pouco depois de tomar café com tranquilidade, ligamos a tv para ver o noticiário internacional. Hoje, assistimos o jornal espanhol. O clima de uma segunda onda de covid-19 se instala em vários países europeus, e, as providências são tomadas pelos dirigentes das Nações  visando proteger os cidadãos. Na Espanha temem não ter leitos hospitalares  suficientes a partir de novembro assim como na França. Alguns jovens se  revoltam. Os donos de restaurantes se preocupam até mesmo na Suiça alemã. Muitos não sabem como irão conseguir manter seus estabelecimentos e os salários de seus empregados. Enquanto isso, aguardamos a derrota de Trump que mantém um discurso louco e nada articulado, bem à moda de nosso atual presidente e seus ministros.  Ou seja, homens sem estudo nem leitura que sustentam um pensamento banal, perigoso e pleno de mentiras!   * Nota: Assistam o programa português: "Governo sombra" sempre às sextas-feiras...

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 Rio, 24.10.2020 Caro leitor, No dia 24 de outubro de 1877, o navio Clementina chegou no porto de Vitória trazendo mais de uma centena de italianos que embarcaram em Gênova. Entre as inúmeras famílias estavam meus antepassados, tanto os Rebuzzi como os Negri, que pisaram em solo brasileiro juntos. Viva!

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 Rio, 23.10.2020 Alguns goles de chá na manhã  limpam o organismo enquanto escrevo... * O lugar do azul e do vento desarruma folhas verdes Um jardim cresce  e árvores plantadas  inesperadamente onde quase ninguém percebe disseminam a brisa da manhã: pitangas romãs amoras e araçás Escutei que um jardim é onde repousa a luz  e o silêncio * Nas linhas de meu corpo secreto palavras e orações Flores e pétalas sublinham os gestos mansos Acaso a claridade pede licença pra entrar?  * Os lugares às vezes não têm bordas guardam os perigos por pura insistência

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 Rio, 22.10.2020 A renda do mar  - espuma das águas -  reflete a luz. A imagem clara e salgada sempre aberta no seu momento final alcança a areia.  Em anáguas frias e finas: superfícies de pernas e braços nus de tons vivos e gestos alvoroçados exibem um pudor celestial. Quem sabe abrem a voz rouca  dos ruídos distantes; animais marinhos que borbulham qual riso de criança na brisa marinha e abundante. 

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 Rio, 21.10.2020 Janelas e portas abertas ao infinito (...)

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 Rio, 20.10.2020 Sem título                                                  (... as actividades práticas do silêncio)                                                                       Maria Gabriela Llansol 1. Dá um passo, e encontra o último beijo   ou o abraço dado ao pai na despedida. Perto da porta do hospital o olhar sustentava o momento solitário; pendurado no silêncio.  2. Ninguém viu além de nós dois. Os passos dados nos instantes seguintes - no eterno movimento da separação - foram guardados e separados por uma porta. 3. As mãos no ar soltas o peito ardendo e os olhos voltados dentro dos olhos: um no outro. Guardados... 4. ... o poema escreve a dor humana e ativid...

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 Rio, 19.10.2020                                                               para António Ramos Rosa O olhar não tão vazio vê o espaço que está à sua frente  e muito mais: tudo o que alcança na prática da escuta ou no silêncio desta manhã de segunda-feira. O horror de um horizonte ferido do outro lado do oceano e amigos que respiram com dificuldades.  A angústia maltrata os homens e o alívio às vezes demora demais a chegar. O olhar procura ver e quase vê. Os dias de promessas que não chegam. A mão atravessada pela dor. Mas o que olha este olhar daqui de tão longe? As palavras se superam e escrevem os sofrimentos. O não visível. O acúmulo das dúvidas. As nuvens avançam no azul e choram gotas grandes: rostos e lágrimas somam-se à chuva. Como procurar a luz sem se deixar fascinar? A cena está distante mas quase podemos v...

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 Rio, 18.10.2020 Apoio as mulheres dos EUA: FORA TRUMP! * Chega de tantos machistas governando países importantes ao redor do mundo. Não vamos mais tolerar alguns homens que se portam como se fossem seres superiores. Homens que não têm cultura nem educação para estar à frente de um  país! *                                                          para Sophia de Mello Breyner O dia brilha mas o sol está do lado de fora. Não é possível colher flores E sem sair de casa sobrevivo com as delicadezas De vasos azuis que espalho no caminho  Em móveis brancos cobertos de livros. Talvez por onde leio poemas em dias de chuva Como se fossem flores ao vento que as mãos recolhem. * Nota: Que beleza ouvir o Guinga tocando violão e cantando seus 70 anos. Músicas sempre dele e letras de amigos: o maravilhoso Aldir Blanc,  Paulo César Pinheir...

Diário - publico novamente em 17.10.2020

Poema inédito, em final de julho de 2014 + De novo/ again and again Poema em Gaza ou no Rio de Janeiro    1. Sonho acordado Ou pesadelo: Sonhei ou vi na tevê? Nem sei ao certo. No incerto da imagem se misturam O choro das mães de inúmeras  Crianças pequenas cobertas em sangue E algodão e o sono  para sempre: Presente desta guerra sem destino. 2. Pesadelo. Li no jornal de todo dia ou Escutei na Band? Morre-se mais no Brasil: - 3 vezes mais Que na Faixa de Gaza! 3. Mais perto do delírio: A realidade aponta A falta de  Humanidade Afiada na arma que dispara. Hoje, dia 29 de julho de 2014.  Até ontem, morreram mais de mil pessoas em Gaza em 20 dias de combate. *** De novo/again anda again: Poema em Gaza ou no Rio de Janeiro Sonho acordado ou pesadelo? No incerto da imagem o choro das mães de inúmeras crianças pequenas cobertas em sangue e algodão e o sono  para sempre: presente   desta guerra sem destino. Pesadelo. Morre-se mais no Brasil: 3 vezes mais...

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 Rio, 16.10.2020 Carta aos amigos, Não sei que mundo teremos no futuro. Meus caros, precisamos ser lúcidos! Da noite para o dia, o mundo mudou e tudo girou em uma direção distinta da que a humanidade  estava acostumada. Os hábitos instalados em um grupo grande de pessoas mais citadinas não  podem mais acontecer, naturalmente. Somos nós os responsáveis por toda esta mudança  agora, tão necessária para a vida continuar existindo. Não adianta negar este tempo presente  nem espernear como uma criança pequena. As decisões sobre o mundo que queremos ter  estão em nossas mãos. Precisamos ser responsáveis, administrando nossas atitudes todos os  dias. Nós somos a raça humana em pleno século XXI. Somos nossos hábitos e nossos pensamentos.  Todos os dias tomamos decisões, e devemos responder com palavras que pedem justiça além  de liberdade de pensamento. Acontece que muitos estão morrendo ao longo desta pandemia, que já me parece interminável. Acontec...

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 Rio, 15.10.2020 A sombra é filha do sol * Sombras             sombrinhas                              assombrações * De tudo muito ao redor do sol Diário de um tempo assustador Assoberbado de horrores   

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 Rio, 14.10.2020 Com a palavra os dias - ainda necessários - a viver.

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 Rio, 13.10.2020 Portas da casa A casa amanhece O brilho do sol é lá fora Debatemos qualquer coisa Nos risos dos mal-entendidos E os barulhos no play do prédio vizinho Com as ginásticas esticando a vida Assombram as tardes Qual armários de guardados antigos A casa e o quarto de portas abertas Plenos de ausências  A sala coberta de verde: plantas e flores Os passos lentos sob a luz da lua  

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 Rio,12.10.2020 Com os dias correndo soltos, mais um dia ... Talvez uma palavra sobre o caderno desenhada possa trazer a luz da manhã  Talvez... as nuvens embrulhadas no azul inundem este dia claro de esperança Aceso na lâmpada do sorriso de milhares de crianças... talvez, possamos dar às palavras e aos atos o mais necessário: o brilho do amor

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 Rio 11.10.2020 Amigos, Partilho com vocês o texto escrito por Karla Patrícia Holanda Martins sobre o livro A bordo do Clementina e depois.  Foi  publicado ontem no www.entrelivresethistoires.blogspot.com Para ler a resenha clique no link abaixo: https://entrelivresethistoires.blogspot.com/    * Diário,  Comento que foi pela escrita que conheci Karla Patrícia em 1992. Na época, eu trabalhava na Comissão editorial dos Cadernos de Psicanálise da Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro. Seu texto chegou até a equipe que selecionava o que seria publicado a cada semestre. Nos conhecemos, pessoalmente, na noite do lançamento da Revista. Conversamos um pouco. Alguns anos depois, nos encontramos estudando psicanálise na  Escola Letra Freudiana. Ambas trabalhando, também, na Clínica com crianças. E nossos interesses literários nos aproximaram mais. Firmamos uma amizade consolidada entre os estudos da psicanálise,  a literatura, os livros, o Ce...

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 Rio,10.10.2020 Escrevo nesta manhã de sábado : Durante esta pandemia, que atravessamos com vagar, no Brasil já morreram quase 150 mil pessoas. Estamos no século XXI, e, ainda assim padecemos de um vírus avassalador que desmonta nossas arrogâncias e "superioridades".  No entanto, o negacionismo nos assombra! Circula pra todo lado. A Encíclica Papal ensina:  Fratelli Tutti !

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 Rio, 9.10.2020 Sílabas guardadas Esta dispersão da rua  e do corpo a boca não acalma e a língua sem limites deixa arder  Na falta dos abraços surgem feridas  em superfícies desenhadas  e apagadas em seguida A pele do rosto é quente O sopro da alma leve valoriza cada frase A tua e a minha boca juntas nas palavras persistem Braços unidos: ardor de mar   

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 Escuto de um jardim                                    "Certos pássaros são flamas."                                                                      Marguerite Yourcenar Entre as paisagens deste jardim quase todo verde há troncos de árvores crespas e agarradas ao solo  de onde absorvem a água. Pertencem, com certeza, ao mundo das formas graves que se erguem em pé. Ontem e hoje, imagens de árvores e flores nascendo, crescendo, germinando cores e folhas de distintos tamanhos me comovem. Nos jardins construídos pelas mãos humanas, em  cujos cenários percebe-se a dança da vida alvoroçada, percebe-se, também, a alma que rodeia certas espécies admiráveis tanto quanto loucas, pois o olhar dos  homens e suas ...

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 Rio, 8.10.2020 A água é o rio  que escorre seus lamentos  e vergado sob o peso da fome de tantos  corre em muitas direções  * Sempre houve quem roubasse e não se arrependesse Até de mim mesma já roubaram conselhos e palavras que se perderam Não me roubem a voz nem o grito de ousadia Quando fico calada - assim mesmo - falo e escrevo  * Descubro que as anotações podem se confundir com os versos. Elas podem incluir o passado e o presente. Antes do pô do sol vislumbro o dia

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 Rio, 7.10.2020 No giro do mundo um pouco de tudo: Mais uma vez a voz de meu pai  me presenteia e o sonho é claro; sem idade. * O som da orquestra soava e o balé alcançou gestos novos. Mas não foi um sonho.  * Sob a janela a noite é vaga. Os pássaros da noite gritam. * Nesta manhã procuro os ramos das árvores verdes. Quieta permaneço quieta.

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 Rio, 6.10.2020  Nota do dia: O mundo não dorme tranquilo enquanto aguarda as pesquisas avançarem na busca  de uma solução ao coronavírus. Ontem, tomei conhecimento que o vírus da hepatite  C foi descoberto, porém ainda não existe vacina para ele. E, já há tratamento para a  doença. Que bom!  Porém, na entrevista com diversos cientistas, inclusive portugueses, foi dito que a  vacina para o coronavírus, possivelmente, só será administrada a nível mundial e  seguro em 2024. Alors... Vamos precisar exercitar a paciência em nível internacional. Ou seja, a pressa, onde  estamos sendo lançados em função da economia e da urgência do mundo financeiro que faz girar a vida até agora, não é suficiente para dar conta das demais exigências  que a vacina, a distribuição, o acompanhamento dos efeitos colaterais (caso existam),  e as doses (possivelmente mais de uma), etc... exigirão do mundo da ciência. Nós teremos que nos proteger muito ainda e e...

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 Rio, 5.10.2020 Nota matutina Sinto falta de caminhar pelas calçadas de meu bairro sem temor. Escolher tomar um café e conversar, tranquilamente. A cidade e suas calçadas - tortas e sujas - nos fazem falta. Vivemos rodeados de água e de pedras: a Lagoa e o mar influenciam nosso humor: gaivotas, andorinhas e ninhos espalhados pelos recantos escondidos. Bicicletas e andarilhos que passeiam por qualquer lugar. A estética desta cidade não anda de mãos dadas com a ética! * Em intervalo Neste lugar                    o corpo corre solto, vislumbra o passado                    e separado da natureza amplia o sentido da solidão. Não posso e não quero escrever o dia nublado de angústia. Os nomes que padecem sem destino e as multidões famintas: nomes vazios. Se, de repente,                      as mãos se tornam azuis ou vermelhas   ...

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 Rio, 4 de outubro de 2020 Amigos, Enquanto a Itália celebra o dia de seu protetor Francisco de Assis, a Espanha se fecha, novamente, na luta contra o coronavírus e os EUA aguardam notícias da saúde de seu presidente a cada minuto, aqui, vivemos um dia atrás do outro seguindo a nossa própria luta contra a corrupção deslavada,  que corre solta e corrói tudo junto com o covid 19. Sigamos... * - Uma vida por vezes estranha demais... Antes vivíamos cheios de "capas" e, agora, no confinamento fomos retirando uma após a outra. Estamos ficando, literalmente, diante de nós mesmos.  À moda de Francisco de Assis nos resta olhar ao redor, e,  observar os pássaros e as flores. Insisto que devemos cuidar da Mãe natureza!

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 Ainda em 3.10.2020 Aqui nesta praia distante não há somente o horizonte: espaço de liberdade Aqui as nuvens me parecem lúcidas  A areia brilha na noite escura e as mãos dos homens sonham Neste país por vezes desfigurado os dias sofrem e respiram Os corpos cansados se lançam em tarefas desmedidas  Mulheres lutam pela vida de seus filhos na terra maltratada  que tomba Árvore nua onde está tua cria?

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 Cidade de Assis na Itália Fotos de José Eduardo Barros      

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 Rio, 3.10.2020   O Papa Francisco hoje está em Assis, na cidade de Francisco! Com certeza, por lá, fará bonitas orações!                             Circulam pequenos grupos de franciscanos entre os                              moradores destas ladeiras altas e inclinadas em abusos                              de ângulos agudos.                                               Sandálias de couro de tiras marrons                                              Os pés escondidos pelos hábitos               ...

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 Rio, 2.10.2020 A luz da tarde encobre detalhes Janelas e portas sem vencedores A paz do vento nos promete mais clareza O meu amor é grande e muito além dos muros

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                                                 Merci, merci!                                                 C'est magnifique! Rio, 1 de outubro de 2020 Chegou ontem, no final do dia, um exemplar do Cahiers Francis Ponge em minhas mãos. Desta vez, sob a direção de Benoît Auclerc e Pauline Flepp. Congratulations! Editado por Classiques Garnier, Paris. 2019 * Nota: Sim, é com prazer que comunico aos amigos do Grupo Ponge que, retomarei meu texto da tradução de Nioque e, ao mesmo tempo, minhas reflexões sobre Traduzir, testemunhar  Francis Ponge para conversar on line com alunos da Universidade de Juiz de Fora, que trabalham com a língua francesa. * Que dizer de um aperto de mão? Dar à mulher o lugar do sossego e ouvir palavras calmas e lei...