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Mostrando postagens de abril, 2025

Perguntas sem respostas

 Amigos, Há algumas décadas atrás, escutei no divã de meu consultório uma pergunta rara: "Quanto vale um juiz?" De lá para cá tenho escutado barbaridades de todo lado, quando o assunto envolve políticos e empresários.  O show de Lady Gaga na praia de Copacabana me espanta de muitas formas. Não acho a menor graça em megashows, e já faz tempo que não gasto tempo nem dinheiro com nada parecido. Nem mesmo para tomar uma coca-cola. Simples assim. Mas, podemos pensar um pouco. Quem ganha com um megashow no Rio de Janeiro? Entre os holofotes e o público na nossa cidade há muito espaço para divagações.  Entre a senhora que ganha milhões e qualquer um de nós há um intervalo grande demais. Não vou chegar em lugar algum com tantos devaneios, mas darei visão ao meu espanto, cada vez maior, com o mundo empresarial tão enfiado na política de nossos dias e sempre buscando o lucro. Ainda não tenho a resposta para a pergunta bizarra de quanto vale um juiz, no entanto a ficção nos auxilia ...

Avencas & livros

Um bordado de folhas se debruça e enche de verde pedras do muro. Pequeninas e não redondas  folhas seguram  o grão da vida. Parecem buscar luz. No instante seguinte, abrem os braços os raminhos que lindamente nos entregam tanta harmonia. Alguns minutos deste dia  encantados restam. E somos entre os vasos verdes  de folhas e flores distintas  os dedos modestos  que aprendem a olhar a água e  a luz. * O ritmo novo dos pés sublinham inversos caminhos. Objetos se deslocam entre  livros de arte e o tempo. Páginas abertas nos aproximam. Ainda lemos poesia em voz alta. (Sim, cada vez mais alto...) São nove horas. Manhã de abril chuvosa.  O relógio geme  em badaladas propagadas  destes tempos ásperos. 

Pinturas de abril

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                       Lua de abril Entardecer  Nota Sobre 'o élan vital' de Bergson ainda podemos constatar que a arte abre caminhos inusitados pois a vida não pode ser pensada apenas de forma prática; a intuição importa. Não é só o mistério do dia e "a pulsão inicial" criadora imprevisível que atravessa a matéria e engendra as formas do vivente. (Em tradução livre) É também a vida que engendra a arte e o pensamento se liberta. Rio, 28 de abril de 2025

Domingo

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  Silêncio E Misericórdia!                  Acima: Obra do artista carioca Athos Bulcão que trabalhou em Brasília na Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, projetada por Oscar Niemyer. 

Crítica do final do dia

 Afinal, meus caros O que faziam no Vaticano tantos hipócritas? Buscavam fazer a paz? Ou  a 'negociavam'? Difícil de ver. E acreditar se tornou mais difícil ainda. (As cenas que vimos na TV francesa nos atordoaram: cadeiras e olhares em lugares estranhos.) Faltou algum nível de sinceridade, ou, mais sutilmente, podemos dizer que aqueles homens estão desacreditados. Ou ainda, que governam e fazem 'semblant' de tudo para conseguir alcançar mais poder. Circulando de roupa escura, cochichando, dando as mãos pareciam mesmo ser os pares bizarros de nosso mundo. My God! Como podem ter autorizado tanta matança? Rio de Janeiro que continua lindo, 2025

Hoje é sábado de despedidas

A cidade de Roma está lotada. Somamos multidões. Alguns rezam e outros observam calados. Somam a fé e o desejo pela paz.  Somam gestos e olhares. O papa Francisco partiu sereno. Cumpriu sua missão. A cerimônia fica na memória. A história contará fatos desta história.  A mão invisível  traça caminhos e as imagens no espelho do viver alcançam sonhos livres. * Abril florescendo. Paisagem silenciosa. Rio de abril e de Roma, 2025

Circuito de um rio

Era um rio largo e de pedras claras          que corriam, sem querer cair não sucumbiam. Na direção serena alcançando outros braços de rio voavam de tempos em tempos. Árvores ao redor cresciam e  as mãos estendidas doavam um pouco de vento.  Era um rio manso. Era um rio. Era... mas não é  Mais! Rio de um tempo difícil, 2025.

Alguns homens ensinam

Há homens que nascem e morrem e aprendem tão pouco. Repetem. Insistem na repetição. Tropeçam.  Há os que trabalham incessantemente e falam muito. Gastam energia demais. Há os que plantam árvores e possuem o gosto das raízes nas mãos.  Homens intensos e abruptos passam com o vento. Vendaval. Homens suaves observam nuvens e insetos. Dão as mãos.  Homens densos mergulham pensamentos em textos. Escrevem, rabiscam. Há homens que plantam palavras. E gestos delicados. Homens e mulheres em evolução se misturam. A arte maior é viver e amar. Há os que somam na arte sempre. E a arte os soma também. Criar. Escrever e ler a vida de todos nós.  Grãos de arroz, areia, café.  Grãos de mostarda. Alguns homens ensinam até com o olhar. Rio de abril partindo, 2025

E Franciscus saiu da vida com suavidade

 Sim, saiu com classe o nosso querido Papa Francisco! Sempre nos ensinando a viver, agora, ele ensinou, também, a partir! Enfrentando a vida com um só pulmão, sorrindo muito, agradecendo sempre, lutando pelos mais necessitados à maneira de Francisco de Assis de quem era fervoroso seguidor, o argentino Jorge Mario Bergoglio, um homem simples e de muita fé abraçou a humanidade durante seu Pontificado em Roma. Permaneceremos com o tom de sua voz, com seus gestos e abraços, com sua seriedade crítica para os políticos ambiciosos e violentos.  Permaneceremos com as palavras que foram ditas no dia da Páscoa, em 20 de abril de 2025. Afinal, ele partiu no nomeado Dia do Angelous! Assim é chamada a Segunda-feira depois do domingo de Páscoa: dia do Anjo! Rio de abril se desdobrando, 2025

Papa Francisco partiu!

 Amigos,  Ontem assisti pela tv italiana, comovida, a benção do Papa na sacada do Vaticano. Domingo da Ressurreição de Cristo. Exclamei em voz alta: ele está prestes a partir! Só não imaginei que seria na manhã do dia seguinte. Viva o Papa Francisco! Um homem muito importante em suas ações e sua fé, neste momento do mundo! Deixou registrado seus desejos de mudanças para a Igreja até mesmo para o próprio funeral. Será sepultado na Igreja Santa Maria Maggiori, no Centro de Roma. E a vida cristã continuará perseguindo os princípios da fraternidade e da paz. Agradecemos sua dedicação e suas palavras ao longo da caminhada! Realizou mudanças importantes na Igreja! A igreja, conforme ele nos ensinou,"é madre". A igreja é mãe! Rio de Janeiro, 21 de abril de 2025. Repito palavras do Papa: " Não renunciar mais à felicidade, porque a vida é um espetáculo incrível. " (Em tradução livre) E os sinos da Notre Dame de Paris soaram 88 vezes nesta manhã de abril...

Sonata de pássaros

Distintos pios recheando o amanhecer. Domingo de Páscoa! Café da manhã  e pensamentos esparsos. No Alto Leblon escuta-se silêncio. Coloridos vasos na janela. Orquídeas rosas violetas, banhos de luz. Os dedos curvos acontecem. O olhar longo fixado: Madona do leite. (O cuzquenho nos alcança   inesperadamente!) Rio de abril se renovando, 2025 * Nas linhas deste dia Onde o dia se refaz abandono-me. E as palavras não tremem.  O horizonte grande abre o que se acende. A cidade sofrida é única.  O mar longe e os nomes próprios  transcritos: pedras entre areias. A boca de cada um de nós vibra com os dedos desenhando versos. O vento bate de lado.  Vento levando areias. Estremeço. Mãos e corpo.

Escuto Daniel Arasse

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  Diário  E meu Diário se mescla aos registros fotografados. Voilà! Ontem, escutei a France Culture nos podcats de Daniel Arasse sobre seis séculos de pintura. Ouvi dois dos dez registros. E descobri que o pequeno objeto adquirido por mim em Roma, no ano de 2013, uma reprodução da pintura A Anunciação de Fra Angelico contém a representação não só da anunciação feita pelo Anjo Gabriel como da encarnação. É impressionante ouvi-lo falando de pintura. Detalhes explicativos sobre cores, proporção, enquadramento tomam outros tamanhos. Preciso misturar às horas do meu dia a beleza da arte. Não é suportável viver no real das notícias mergulhadas no horror de nosso tempo. Trouxe de Roma naquela viagem, duas representações de A Anunciação de Fra Angelico. Uma delas presenteei uma amiga a quem, naquele ano, estava acompanhando o trabalho em supervisões semanais. A outra permaneceu ao meu lado. Hoje, ela adquire outro tamanho. Rio de abril desdobrado, 2025 Foto de nossos livros adquiridos...

A fotografia de nossos dias

O que acontece nestes dias de abril na Câmara dos Deputados em Brasília traduz o que é a nossa política por lá.  Não há respeito pela vida humana nem palavras sinceras da parte de alguns políticos. Mais parecem homens que não cresceram. Deviam andar de calças curtas pois, assim, mostrariam mesmo o que são.  A ironia não dá conta do que vemos acontecer nas ações destes senhores irresponsáveis, que pensam poder decidir o que bem querem sem pensar no que fazem. Lamentamos, imensamente, estes dias tristes que presenciamos. E esperamos que o Brasil reaja às injustiças, e não ceda na questão da Anistia! Sem anistia! Por Glauber sempre! Rio de abril indignado, 2025

Leio Daniel Arasse

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                           Prisão de Jesus, Giotto 1304- 1306. Pádua. Capela Scrovegni Capa : Adão e Eva expulsos do paraíso.  FLORENÇA, Capela Brancacci. Magnífica leitura para estes dias que antecedem a Páscoa.  Uma beleza de imagens e textos. Título do livro: L'homme en perspective Les primitifs d'Italie 2008, Éditions Hazan, Paris. 

Viagens ao longo da vida

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Em Nova York aos 39 anos.                  (Foto de uma amiga) Aos quarenta anos em Petrópolis (Foto de Marcelo) dias depois de ter publicado o primeiro livro Contornos, 1991. Aos quarenta e dois anos em Itaipava (Foto do José Eduardo) Em Lisboa, sempre comprando livros e pesquisando, aos sessenta e sete anos (Foto de José Eduardo) Em Roma, pela primeira vez, aos trinta e quatro anos (Foto de meu pai) Na Normandia durante o Colóquio Internacional Francis Ponge, aos sessenta e quatro anos. (Foto de José Eduardo) Em Brasília depois de ter visitado a Biblioteca do Senado, aos setenta e dois anos (Foto de José Eduardo) No Porto, depois de conhecer a livraria Lello, aos sessenta e sete anos (Foto de José Eduardo) Em Veneza aos setenta e três anos, durante a Bienal de Arte (Foto de José Eduardo) Em Diamantina, durante O festival de inverno da UFMG, aos cinquenta e um anos (Foto de José Eduardo) Livros e leituras, viagens e descobertas em encontros ...

Domenica

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Volto ao meu livro Oito noites em Veneza. E desejo viajar a Veneza todas as vezes que ainda for possível! Sigo meus dias habitada das belezas da Itália. Roma e Veneza. Verona e Mantova. Siena e Assis.

Sábado com poesia

Na boca e na língua,  no alto da cabeça.  Nos lábios e dentes guardada nos braços  e na ponta dos dedos. Entre as páginas dos livros  ainda a ler. Poesia, amiga e amante dos sábados vigentes. Rio de abril aberto, 2025.

O mundo oscila/ Le monde bascule

Vivemos dias difíceis e cruéis. Não sou eu a dizer, mas constato. Minha voz de escritora vem sublinhando há tempos algumas questões graves que vivemos. O mundo está em processo de mudança. Neste momento vemos as regras sendo dadas pelo governo americano, com o dedo da tecnologia desejando dominar tudo. E ainda vemos o poder político e militar russo assumindo lugares e territórios e, por vezes,  banalizando a guerra. A morte não importa mais a ninguém.  As questões sociais que as guerras levantam são bárbaras com um mundo violento e cheio de "terroristas" plantados por alguns governos dominantes, que mudam suas regras sempre. São muitas as ameaças para a nossa democracia. É preciso pensar seriamente as regras que se impõem a todos nós alterando nossos dias. Estamos vendo um certo caos se instalar inclusive na economia. É preciso reconhecer o estado palestino, urgentemente! É preciso reconhecer os imigrantes respeitando-os. As múltiplas gerações de estrangeiros no mundo guardam...

À noite reflito:

Onde vamos parar com este senhor D. T. ? Um americano que preside um país que entrou em uma montanha russa e parece gostar de brincar de destruição. A questão é séria demais.  * E o mundo estarrecido olha.  E nos abismamos. O respeito humano está fora de questão! Rio de abril sem abrigo, 2025

Escrevo este outono de abril

Escrevo a casa, a cidade e o mar. O relógio aguarda a manhã correr. O tempo é amigo da esperança. Em vão segura os minutos antes  que o pêndulo soe e abra seus mistérios.  Ruas vazias de gente.  Ondas descansam areias. Névoas no ar. Navios brincam relâmpagos no horizonte. No traço cinza um barco acorda o motor. Batem asas as brancas e ágeis gaivotas.  Escrevo este outono de abril molhado enquanto ondas crescem. Remexendo objetos e livros linhas de memórias deslizam.  Letras traços guardo contra o vento. A boca aflora fácil. 

E hoje é sábado

Chuva e vento na janela  de madrugada.  O dia nasce silencioso. Eu me movo lenta.  Amanheço. Lagarta estremeço fora do casulo. Sobre um oceano de chuvas  flutua a manhã.  * Uma flor respira. Lívida. * Na tela de sombras minhas veias altas empalidecendo. Um céu sem nuvens.                         Rio de abril, 2025

Poesia em tempos diversos

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OUTONOS montagem incompleta 7letras, 2014  Livro das areias, Lumme editor. 2012 Gradiva verão, Lumme editor. 2013 O riso do inverno, 7letras. 2018 Livro das marés, 7Letras. 2023 Alguns de meus últimos livros de poesia. Viva a literatura!

Dias de abril

Correm quentes os dias de abril. Enquanto roupas frescas escorregam nas                                                                       costas, os pés descalços  procurando areias frias sonham conchas e  peixes. Um pulo e um mergulho; o mar logo ali. Longes dias adolescentes.  A gota de sal aberta ainda traga o sabor do vento. *

Primeiro de abril

Hoje, desfrutamos da notícia divulgada ontem sobre a candidata da Extrema-Direita francesa, Marine Le Pen. Tornou-se inelegível por alguns anos. Com pena a cumprir, etc. Foi condenada no Tribunal de Bruxelas. E não é "primeiro de abril!" É vero! Comemoramos! O mundo continua dando suas voltas... Às vezes, surpreendentemente encontra o ritmo. E comemoramos!