Meus poemas são versos em diálogo com o universo. São brancos, curtos ou longos, plenos de verdes árvores e azuis ou rubros de rios e marés, onde braços e mãos tocam a terra fresca, os peixes, as algas. Vestem-se de cinza, de cinzas de repente, e andam tristes pelas ruas da cidade. Não costumam usar os decassílabos. Embora, às vezes, façam um ar arrumadinho de soneto onde o tom da métrica aparece tranquilo nas rimas que nascem à vontade. Meus poemas gostam de vibrar as assonâncias e as dores do mundo, enquanto reverberam desigualdades no plural dos jardins humanos. Meus poemas berram o horror de nosso tempo. E assim, também, o fazem com a boca ardente e feminina diante da beleza do mundo. Gritamos juntos. Gememos. Amamos e nos desiludimos. Sentimos na pele do verso, na raiz das palavras, nas paredes da casa, nos encontros verbais e consonantais o giro do tempo. Saboreamos a língua materna nas nuances e nos silêncios das pontuações: Gramática da carne. Gosto (di)versos de mel &...