Escrever a mão
Cavar a letra na página e desenhar as pernas e o corpo da letra que caminham com a escrita, e, a cada vez, como se fosse parte da intimidade mais guardada; aquela desvendada na infância, trabalhar com esforço e esmero. Quando desenhei minhas primeiras letras no papel acompanhava-me uma alegria genuína. A mão forçava a delicadeza. Os traços subiam e desciam obedecendo algum ideal procurado fora da margem do papel. A letra de outro? Ou a letra imaginada perfeita? Pouco importa. A vontade e o entusiasmo carregavam a marca da repetição. Cadernos de caligrafias. Frases prontas e ligeiras, as primeiras: Vivi viu a uva . Frase jamais esquecida, embora sem sentido especial. Vogais e consoantes repetidas. A consoante V soando forte unia as vogais. A folha nascida da árvore recebia a mão pequena da menina. Depois, a única repetição foi o desejo da escrita. Escrita a mão. Mesmo quando escrevo nas teclas negras, vislumbro os desenhos e as bordas das letras que surge...