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Mostrando postagens de janeiro, 2024

Instantes

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          No Jardim Botânico do RJ, verão de 2022 ou 2023 Comemoro ter terminado a escrita de mais um livro. Depois de quase cinco anos de leituras, pesquisas e dedicação encontro o ponto final deste trabalho. E o Livro da Rainha nascerá, depois das inúmeras revisões, possivelmente no segundo semestre deste ano. Viva! Atravessamos juntos cirurgias e problemas de saúde. Ufa!

Final de janeiro chegando

Os dias correm imperfeitos.  Padecemos do calor, dos vírus e da insanidade humana. A escrita dos poetas diz a respiração e vibra ao vento. A pedra é pedra E o caminho nasce no corpo  O inseto qualquer um Palpita perto O poema rente ao chão  Ardente de desejo Surpreende E na página clara sopram Sílabas imagens ternuras

À noite,

Comento, simplesmente, que o que está acontecendo em Gaza com a invasão do exército de Israel é da ordem de um traumatismo completo. Não somente pela violência do ato, que se desdobra interminavelmente como pela falta de respeito aos princípios humanitários.  Mulheres, crianças, idosos e profissionais da saúde são tratados como inimigos ferozes.

Hoje é sábado

Uma alegria imensa começar a leitura do livro de Armande Ponge Pour une vie de mon père. Tome III Rétrospective, 1940-1942 Série Études sur Francis Ponge Dirigée par Jean-Marie Gleize  Classiques Garnier, Paris 2022 Et voilà! Merci, chère Armande! * Leio com dedicação e, de imediato, sou remetida à correspondência de Sigmund Freud para Martha Bernays que conheço de outro momento de minha vida quando estava diante de estudos de psicanálise.  Sempre fui leitora de cartas. Agora, desfruto da correspondência de Ponge com Odette sua querida esposa e, também, com sua mãe e alguns poetas amigos durante o ano de 1940, ou seja, durante a Segunda Guerra Mundial no tempo onde ele foi nomeado "soldado" Ponge; "le soldat Ponge est nommé"! São muitas as nuances a recolher destes textos, aqui publicados, recuperando uma parte da vida do poeta, quando sua escrita estava ainda se firmando. Assim como os dias transbordavam aflições, a troca epistolar guardava um lugar importantíssimo...

O Real avassalador em Gaza

 Repito palavras do diretor geral da OMS. O Sr. TEDROS Adhanom: Estou com dificuldade para falar porque a situação está além das palavras. * Há uma crueldade avassaladora instalada contra os palestinos que vivem em Gaza. Difícil compreender e mais difícil ainda explicar. Vivemos dias assustadores.  Mulheres e crianças continuam sendo assassinadas e desalojadas de suas moradias com explicações banais e indecorosas A vida destruída sem artifícios.  Parem este genocídio. O mundo lúcido não os apoiará nunca! Nem perdoará! *

Tarde chuvosa e rabiscada

A manhã correu entre os dedos. Pintando telas de árvores coloridas não sinto o tempo. O azul e o branco passam perto entre os múltiplos sinais de alegria. O poema sem métrica brilha na tarde escura. O olhar tudo vê. Soma e anota. Às vezes e sem querer, olhares se cruzam. (As fotos em pb & etc respiram por perto). Ele fotografa rápido. E não se afasta do tema. Lê nas paredes os séculos.  É na luz que o poema emerge. Um amanhã azul se   prolongará nas praias que conheço.  * Ao homem amado não ordeno nada. E sempre mais longe miro o horizonte como se a noite,  única  nos presenteasse a cada dia.

Manhã aberta

A tela em cores e cortes. A cidade lavada de chuvas frias. Tempo sem demora.  Sem cessar acesso as telas claras pelos cantos. O que dizer do luxo e do horror dos excessos? Desfigurados de ganância. Homens cruéis.  Pretexto pra tudo. Passo ligeiro às cores e aos pastéis.  Toco os pincéis.  Arrumo o rumo. A sílaba rápida não se separa de mim. Persigo cores.

A bordo do Clementina e depois

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                                                  Leituras e reflexões a bordo do Clementina                                         Pesquisas inesgotáveis *  Nas dobras de meus cabelos  um fio ou outro.  Solto. A foto de costas preenchendo novos ângulos  carrega o olhar do outro em outro tempo: a vida reinventada.

Durante

Durante tardes noites madrugadas e amanhãs O sol do verão ou do inverno Carrega junto a lua e as estrelas O futuro de todos nós  Durante tempos de guerra e destruição  As mãos inflamadas de violência em tantas línguas  Trabalham contra a humanidade Nuvens pesadas se arrastam Durante o  século XXI  As marés gemem bombas e navios Os restos sem respostas Os mortos à toa Na toada desumana e tenebrosa Onde alguns homens se enfiaram Durante a marcha dos dias Seguem ácidos estes dias  De calor no Rio Durante a luta travada Entre bestas de cabeças  Enfiadas nas ganâncias do mundo  E os homens ditos normais Durante os dias em que a visão clareia O mundo sem cor assusta demais O fundo bem fundo Dos oceanos e rios Deixa ver luzes raras Durante instantes O oxigênio necessário sopra

Hoje é domingo

Escrevi estas muitas notas encaloradas, durante um período de tempo não tão curto quanto gostaria,  padecendo de covid 19. Um tempo que nos obrigou ao recolhimento, pois o isolamento se fez necessário e os cuidados com o corpo e a mente pediam urgência.  Durante mais de uma semana, arrumei e rearrumei os objetos em novos espaços. Poeticamente, construí textos que partiram sem deixar rastro. Dormi e acordei em tempos diversos do dia e da noite. Bebi água e agradeci ter água para beber à vontade. Observei detalhes em algumas telas que se espalham coloridas pelas paredes: Jose de Dome, Heitor dos Prazeres, Carlos Leite, Martha Barros e Patricia Sada. Reconfigurei histórias de algumas amizades antigas com as artistas plásticas Daisy Xavier (década de 80), Lena Bernstein (década de 90) & Teresa Coelho César (algumas décadas) em jantares onde brindamos à vida. Todas elas vestem as paredes desta casa! Sem esquecer, claro, a pintura do poeta José Paulo Moreira da Fonseca com suas ...

A arte que me envolve

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 Algumas pinturas realizadas nos últimos dois meses. O detalhe do pequenino Movimentos entre outros objetos recolhidos em caminhadas. E a foto feita por mim no final da praia do Leblon, às 6hs.15 em janeiro de 2024. E sigo e persisto no caminho de árvores e letras Embrulhada em cadernos de  notas Rascunhos e textos em andamento na tela clara Encoberta por esta paisagem de mar e céu  Horizonte linha onde respiro longamente Nuvens cachos brancos de algodão  Perfume de maresia Pássaros soltos sobrevoam Movimentos e abraços asas No mundo das palavras

Isso

Isso que está diante de todos nós e deixamos correr solto. Isso que os homens sabem que destrói e fazem. Isso de fazer a guerra, em pleno século XXI com argumentos falsos e mentirosos. Isso de desejar matar o próximo bem próximo, o seu vizinho. Isso que não é aquilo. Isso vai acabar por nos destruir a todos. Essa megalomania, esse autoritarismo indecente, essa barbárie compartilhada e autorizada. Rio escaldante onde sufocamos mais a cada dia, 2024.

Ufa!

O calor continua disforme. Como baixar a temperatura do corpo dentro de casa se não suporto permanecer no ar condicionado o tempo todo. Respirar na janela, e tomar vários banhos ao longo do dia só de água? O ritmo tartaruga continua habitando meus passos. Trinta ou quarenta graus dá no mesmo. Ou seja, uma sensação estranha de desprazer. * Alimentos leves. Frutas. Água & mais água.  Chás... Nem relógio nem anéis cobrem a pele do meu corpo. Respirar livremente.  Ufa! Vestidos de algodão. Pareôs enrolados na cintura. E só.  * Enquanto os loucos governantes do mundo continuam a fazer as guerras. (Aumentando a poluição do mundo e matando indiscriminadamente até árvores e pássaros)!

Calores do tempo

De brasa e de churrasqueira Calor verão  Asfalto que ferve Areias varridas de calor Calorias que se banham no mar A pele ardida reclama Estas praias inteiras espumando o calor * A palavra no deserto cresce Preciso me envolver na leve espiral do dia * E aqui se abre a porta desta escrita A linha sensível e clara Respiração de paciência  Ardente procura do verde E da voragem Tempo sem tempo * Seguem-se imagens  E mais imagens  A nua pontuação do tempo * Quando nada na noite acontece  O único centro é móvel  Na teia inimaginável e viva

O verão se arrasta

 Estou em ritmo tartaruga! Lentidão... Conto os dias para o verão acabar, mas ele mal  começou.  Há vírus espalhados nas esquinas. É difícil  respirar. Escutei outro dia que no Ceará o verão não  termina. Antigamente, o verão chegava e crescia entre  sonhos.  Antigamente, não é hoje.

Um calor estranho

Um cão ou outro late do lado de fora. São quase 19hs desta terça-feira de janeiro. 2024. Os vizinhos estão mudos. E os ruídos dos noticiários nas tvs da cidade não me incomodam. Não vazam  paredes. Não ecoam. Leio livros, apenas bons livros. Desisti de ver tv. Hoje, fez um calor esquisito e não senti a brisa do mar. Tem um bafo quente em cima da cidade.  Durante a manhã senti minha pressão subir. E foi pela primeira vez que percebi os efeitos do calor na minha pressão. - Valha-me Deus!  A expressão reconhecidamente antiga, desde os galegos da idade média, fica recuperada neste momento  de meu texto. Lembro bem de usá-la na infância. Depois, ficou esquecida. Guardada em uma gaveta do  passado.  Em meio ao burburinho deste verão horrível retorna.

Organizar & organizar

Encontro dificuldade em organizar meu próximo livro. Tenho textos demais escritos e anotações por toda parte. Ao mesmo tempo, penso que só preciso seguir o tema escolhido e já definido no título. Mas, não é bem assim. Conforme sabemos, posso começar e não seguir nenhuma linha cronológica e, muito menos me preocupar com o fim. A escrita segue um movimento que se monta em um certo caminho no texto, e te leva por trilhas inesperadas. Assim que a palavra organizar cai por terra. Talvez, eu devesse pensar em um outro vocábulo mais aberto, mais sinuoso, mais árido. Sem esquecer o prazer, certamente! *

Domingo chuvoso e quente

Diário, 14 de janeiro de 2024  Ontem, escrevi um pouco pela manhã. Entrei no fluxo linguageiro de minha autobiografia, onde vou e volto menos do que gostaria. Depois, caminhei ao livro novo fazendo releituras e recortes. Chove no Rio de Janeiro neste janeiro exageradamente quente. Esta noite, acordamos com a chuva forte que batia nas folhas das mangueiras carregadas de mangas cor-de-rosa. No último final de semana do ano de 2023, as mangas fizeram a festa dos dois jovens jardineiros do prédio que sentados à sombra somavam risos e fotos aos seus celulares sem se importar com ninguém.  Descascavam as mangas com as mãos e comiam uma atrás da outra. Da janela de meu quarto assisti a cena relembrando momentos de minha infância em Manaus. Em nossa casa em Manaus, duas mangueiras enormes coloriam nossos dias de mangas cheirosas; as nomeadas manga rosa. Recém caídas na grama eram a nossa alegria. E, as colhíamos ainda mornas e bem frescas.  Seu Eduardo, o nosso jardineiro, varria...

Hoje é sábado

Difícil ver tudo o que vejo: nenhuma igualdade entre os homens. E um calor infinito.  Uma febre de calor e ganância.  A mulher forte e guerreira não cede. Mais forte que a luta de todo dia, uma cabeça amável e um corpo de nervuras.  Elegância negra.  Elegância parda, indígena ou palestina.  Mulher esperança. Mulher cachoeira.  A tua boca só soma. Teu corpo pedra ou água, mormaço e lua  em abraços acordados passeia árvores.  E a tua voz de olhos marejados  conta dias e noites de intensidades. * O direito de viver espaços inteiros de sol e nuvens. O direito de dizer palavras vivas. * Poeira areia fadiga. Que venham ventos sobre  os sonhos da poeta. Que sejam dias de sombras e manhãs muito azuis. Que vibrem os nomes  e as bandeiras singulares. *

Nota reflexiva

Não é possível calar neste instante tão cheio de inverdades e versões escandalosas e posições equivocadas e dramaticamente autoritárias de jornais e tvs, que defendem o sionismo de Israel. Não é possível silenciar ao ver alguns atacarem a posição leal de nosso governo (com o presidente Lula da Silva) ao se comprometer com o povo palestino, e, claramente se unir aos movimentos humanitários do mundo e aos judeus que são contrários à posição genocida de Israel. Não tentem mudar a História. Não tentem destruir a ética do homem. Todos estamos vendo com os olhos da consciência o que está sendo feito em Gaza.

A casa e a praia

E caminhei nas calçadas do Leblon.  O azul do céu e o branco das nuvens se  enrolaram em meus cabelos prateados.  E experimentei mover livremente os braços.  Não havia vento.  O espaço desta manhã entre o horizonte e o  asfalto saltou em minhas mãos.  Livre escrevo versos livres. E vejo o horizonte rachado.

Amanhecer

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        Amanhecer de esperança. Palestina livre! Os pássaros escrevem no azul. O Dois Irmãos silencioso tudo vê do alto.   Verão de 2024

Escrever o calor

Estou lenta. Meus braços ardem de calor. Adio o momento da escrita. Quero escrever mas resisto. Leio e caminho dentro de casa. Respiro calmamente. O copo d'água ao lado é companheiro. O livro novo aguarda. O calor ferve meus ossos. Se eu insistir um pouco mais, sei que conseguirei. Preciso rever pedaços do livro. E ler inteiro tudo de novo. Ler em voz alta. Sentir o fluxo e o ritmo. O calor me atrapalha... (Estou descalça. Até meus pés reclamam!) Rio, verão infernal de 2024.

Abra a cortina e respira

Na folhagem do dia respire, longamente. Caminhe na sombra de olhos abertos. A pedra no chão brilha. Na areia perto do tronco as palavras mudam de lugar. O dia acordou o corpo cedo. Energia verde e quente. Calor exasperado.  A boca desenha letras. * Este dia quase deserto não apaga a solidão  renovada. * O país aguarda Um verão. Mais um verão. A parede entre o calor e a cor sopra e treme. Digo ao próximo - ao mais próximo, estes dias duros de guerras e abandonos não foram plantados por nós.  * Nada nos separa da via láctea.  Nem as nuvens nem a rua cheia de ruídos.  Onde nasce a árvore  respiro. No escuro da noite, na chama ardente contra o céu  ou no sono solto  a sílaba voa. Rio, janeiro de 2024

Série Árvores

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                 Algumas de minhas últimas pinturas.

BRASIL, 8 de janeiro de 2024

Dia de relembrar que por pouco, muito pouco não fomos parar nas mãos da Ditadura outra vez. E viva a Democracia! Mas, atenção meus caros pois ainda há os senhores da Extrema-Direita circulando por aí.  Ainda há ministro 'vaselina' afirmando o inaceitável. Ainda há senadores e deputados defendendo o indefensável.  A ignorância e a crueldade imperaram e causaram estragos terríveis no último governo. Ainda estamos às voltas com a hipocrisia que vigorou naquele tempo.  Ainda é ainda... (Advérbio de tempo. E é importante respeitar!) Há muita construção e trabalho pela frente. E é preciso agir com coragem. Vamos cuidar da nossa Democracia e da nossa História!

E morrem em Gaza

Todos os dias e todas as noites morrem Crianças e bebês  E morrem avós e mães e pais e médicos  E jornalistas e mais jornalistas Morrem assassinados pelo exército de Israel. Já são bem mais de vinte e dois mil mortos ... E morrem por nada.  Apenas, porque são  Palestinos! Pelo vento e pelo fogo Pela água salgada do mar Pela nossa humanidade manchada de sangue Somos todos palestinos Esperando e continuando a esperar Que nos seja dado de volta o direito À vida * O sol continua a brilhar E alguns homens estão apodrecidos

Cacique Raoni

Eu vi o cacique Raoni na tv Francesa. Agora, eu o ouvi falando aos franceses. Ele disse:  Eu sou cacique mas, também, sou xamã. Eu sonho. E me preocupo pelo futuro das florestas e dos rios.  Sou próximo ao Lula e ele está fazendo muito. Mas, ainda há influências negativas  bolsonaristas na Câmara e no Senado. Alguns  querem nos destruir. Sempre pergunto ao Lula: você vai mesmo proteger as nossas terras? Precisamos ouvir a força de Raoni. A força de  seu pensamento. 

Primeiro domingo de janeiro

E vamos continuar vivenciando esta devastação em Gaza? Até quando? Precisamos gritar bem alto que não suportamos este genocídio, meus caros! Já sabemos que não há relação direta e lúcida com o fato do Hamas ter invadido e ter levado reféns e ter matado alguns habitantes de Israel no dia 7 de outubro de 2023. Sabemos, porque é absurdamente desproporcional o que o exército de Netanyahu faz ou ordena que façam na Faixa de Gaza e ao redor. É criminoso o que estamos presenciando. Stop War!

Hoje é sábado

Mão no veio (in)visível Escrita terra na ansiosa página aberta Respiração ardente respirando o mundo folha a folha a cada esquina na violenta voragem verde musgo muro sem margem Tempo que o olhar não vê.

Flashback (diário fotográfico)

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                                                Guarapari, Esp. Santo 2017. Praia do morro ?,                                                   foto de meu irmão Henrique.                                                     Final do Leblon, Rio de Janeiro 2019 A memória não acalma  habita a solidão dos dias - sem ponto nem vírgula - (plena de interrogação)! Diário de um tempo indeterminado, p.188                                                              ...

Rio, 4 de janeiro de 2024

 Diário, Organizo os próximos meses de minha escrita, naturalmente. Em janeiro, fevereiro e março quero concluir o próximo livro:  Livro da Rainha . Depois, estarei durante um mês de férias viajando para terras distantes. Terras desejadas sempre. Na volta, cuidarei um pouco de tudo: arrumações domésticas e trabalho. Então, farei a última revisão do livro novo, antes de entregar a um amigo para participar, também, deste livro. Nestas voltas, entre leituras e escritas caminho mais um pouco. E, gosto de observar as mudanças de expressão que caminham comigo no meu rosto. Novos vincos dão notícias das preocupações. E os sustos vincam lugares distintos que surgem inesperadamente, ou, até desesperadamente, na minha expressão.  

Notas:

 Leio e escrevo. Escrevo e leio. Li, ontem, Armande Ponge. Pour une vie de mon père . Tomo III. Li algumas cartas e bilhetes escritos durante a guerra na correspondência trocada entre Odette e Ponge. Era o ano de 1940. E algumas cartas longas entre Ponge e seu amigo Gabriel Audisio. Ponge contava ao amigo sobre o livro novo: Le carnet du bois de pins. Aliás, um livro que gosto muito. É muito lindo entrar nesta intimidade das cartas escritas por um poeta. Adoro rever momentos vividos partilhados em confiança.  Hoje, retomei Virginia Woolf. Diário III. O ano de 1924 abre o texto. E, aos poucos, vou construindo esta época na Inglaterra e cruzando com as informações de Ponge poucos anos depois. Ambos viveram a Segunda Guerra Mundial. Ambos ensinam sobre o horror e a violência das guerras.  Nunca imaginei viver e ver (em cenas de tv) imagens horríveis e tanta destruição como vemos hoje. Os escritores testemunham o real. Não encobrem nada.

Bom dia

Bom dia às mãos que afagam. Em dispersão no mundo                                            rua e corpo feridos em toda parte. Onde arde a dor a boca grita. Redonda e rasgada                                  a terra gira. A pedra o vento o mar a mão rugosa escreve. A humanidade é uma  só.  Bom dia aos pés que caminham.