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Mostrando postagens de março, 2013
Rememorando: Café letrado na Mediateca (2007 e 2008)
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Os convidados: o poeta Régis Bonvicino e o cineasta Bebeto Abrantes. Poetas e amigos entre o público presente. O poeta Heitor Ferraz (a esquerda) e o editor Jorge Viveiros da 7Letras José Eduardo Barros, o poeta Bonvicino (ao centro) e Solange (organizadora do evento) O poeta Jean-Marie Gleize, o tradutor (ao centro) e o poeta Michel Deguy. A poeta e editora Laure Limongi. O...
Poema do livro Estrangeira
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No metrô O homem de olhar oblíquo não dissimula nada. O inverno havia terminado em Paris. As flores nos canteiros dos parques davam sinais de claridade. Os jardineiros habituados em plantá-las agem rápido, e vestem nossos olhares. No vagão do metrô, um senhor de alguma idade e nenhum banho incomoda imenso. Os passageiros descem tropeçando na primeira estação tão logo a porta se abre. Alguns jovens destemidos tapam o nariz ao entrar. Ninguém fica impune neste vagão de metrô. O cheiro de um homem invade narinas, olhos, bocas... Ele veste calças rasgadas de tecido grosso, o suficiente. Na mistura dos cheiros exala o suor antigo. Um raro odor brota de seu corpo imenso. Na língua estrangeira expressa palavras roucas, e diz que é um homem que não faz mal a ninguém. (Ainda pude perceber a cor das unhas). O homem de olhar oblíquo nada dissimula? OBS: Publicado pela primeira vez no Portal Cronópios, e, depois no livro Estrangeira ...
Convite para apresentação do livro de Francis Ponge
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Poema do livro "Estrangeira"
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Quatro momentos com variações 1. Era o que lhe restava: a mesma dor de cabeça de sempre e os pés encharcados. Saiu. Ao voltar, retornou pelo caminho oposto ao que costuma fazer com frequência. Na calçada, bem próximo ao restaurante da esquina, mulheres. Sentadas. Em bandos. Não são ciganas. As saias sujas e as pernas expostas deixam ver a pele picada de insetos. Procurou escapar. Atravessou a rua pelo canto da calçada em diagonal. Uma enorme poça d’água se interpôs. Os carros colados uns aos outros. Quase não conseguiu espaço para o corpo que precisava chegar ao outro lado da calçada. 2. Pensou em Mariana que encontrara há pouco. Um sorriso sem manchas. Não estampava nada na face. Próximo ao olho direito persiste um vinco. É uma prega funda. (Tal qual a da saia que usávamos no colégio na década de sessenta.) Não posso perguntar nada. Mas os ruídos do comércio naquele bairro inventam uma força no corpo. 3. Nem bem se arrumou, depois do banho da manhã, começou a...
Luz-farol
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A pequenina luz piscava. Entre o sono e o acordar suspirei, afinal, eu não estava em alto mar. E não era um farol! Aliviada, percebi o vaga-lume que voava intermitente pelas paredes de meu quarto. Uauá do tupi. Pirilampo do grego. Aquele que leva ou conduz o fogo, o calor. Do latim lampyride. No verão sobrevive um ano ou mais. O caga-lume riscou o vazio da janela.
Anselm Kiefer
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Livro com Asas de Anselm Kiefer Anselm Kiefer Buch mit Flügeln (Book with Wings) , 1992-94 Lead, steel, and tin Collection of the Modern Art Museum of Fort Worth, Museum purchase, Sid W. Richardson Foundation Endowment Fund © Anselm Kiefer Source: http://www.sfmoma.org/exhib_events/exhibitions/234#ixzz2NBEcdjuF San Francisco Museum of Modern Art O trabalho de Kiefer sob inspiração de alguns versos do poeta de língua alemã Paul Celan recupera - em fragmentos - as histórias contadas pelos judeus, sobreviventes de Auschwitz. São os "cabelos de cinza de Sulamita" ou "os cabelos de ouro de Margarete", soltos em algumas telas de Kiefer, que trazem a referência evocada em versos de Celan, nos quais a poesia “testemunha a presença do humano – à majestade do absurdo”. [1] [1] CELAN, Paul. O Meridiano . Op. Cit. p. 46.
Mulheres
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Aquela mulher de rosa brinca de boneca e faz de conta que é mulher. A mulher de verde - os olhos míopes- da janela deixa escapar os sonhos. Aquela mulher de vermelho salto alto um vaga-lume pisca. A mulher de cinza olhos pretos desistiu. Outras tantas douradas ou brancas negras, azuis, adoradas venenosas e amarelas, De seda ou bordada mulher rasgada. Mulher, infinitas. Publicado na Antologia Poesia Viva em 1995.
Homenagens à mulheres especiais
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Lou Andreas-Salomé, nasceu em São Petersburgo em 1831. Escritora e psicanalista. Conviveu com Freud com quem tem correspondências trocadas. Amou e foi amada por Rilke e Nietzsche. Dizem que Tausk e, até mesmo, Wagner sucumbiram ao seu encanto e à alegria de viver. Casou-se duas vezes. Morreu aos 75 anos. "Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento, cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. (...) O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo por si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser: é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe." (foto do site www.biografy.com - Anna Freud biografy) Anna Freud, na...
Cecília Meireles - homenagem pelo dia internacional da mulher!
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Motivo Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, — não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: — mais nada. Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira. Cecília Meireles Nasceu em 1901 na cidade do Rio de Janeiro e morreu em 1964. Casou-se duas vezes. Fundou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, em 1934. Devo dizer que com Cecília vivi momentos únicos de leituras sensíveis ainda na minha adolescência. PS. o recorte da imagem com as fotos múltiplas foi retirado da internet.
Grândola Vila Morena - Homenagem a Portugal em suas inúmeras manifestações no dia de hoje
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