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Mostrando postagens de novembro, 2021

Diário, 30.11.2021

 Nota diurna: O Natal de 2021 se aproxima e caminho lento. Não me apresso.  As pesquisas sobre a variante ômicron correm. Trafegam continentes abertos. Seguimos as letras do alfabeto grego aprendendo sobre a humanidade e muito mais.

Rio, 28.11.2021

 Diário, domingo Corpo bordado Caminho mais facilmente. Duas diferentes formas de cruz andam comigo. Joelho justo. Pés no chão sempre. Mãos cirurgiãs; linhas negras em pontos leves. Bordados no joelho.

A cidade em soluços

 Procuro as luzes da cidade Mulheres cantando seus rebolados Com praias cheias de samba Com sinos de igrejas batendo E o brilho denso do sol de sábado Restaurantes nas calçadas Procuro dias de verões intensos Bicicletas tênis andarilhos nas ruas do bairro Bermudas chapéus apressados Mas a cidade soluça quase sem direção Na tarde de um futebol afobado Só e sem sossego A paz não se instala Tortas ruas Procuro silêncios acender Dentro de casa * É goool do Flamengo! * Um lindo jogo! * Lágrimas nas ruas da cidade...

Rio, 27.11.2021

 Diário, Mais um susto. Um pesadelo. Série de pesadelos. Desequilíbrio governamental. Ao mesmo tempo uma política de destruição.  O país vive seu pior momento. Mentiras.  Desmoronamentos. Garimpo ilegal autorizado. Bandalheira geral. Armados até os dentes  os homens se comportam como bestas. O ouro brilha nos olhos. No rio Madeira  naufraga-se em mercúrio.   Peixes e povos ribeirinhos morrerão.   Nada importa. Empresários da morte  investem em máquinas que dragam: areias e  abandonos. A notícia da barbárie instalada assusta. Aterroriza.  Tempos tristes. Insanos. Bárbaros.  Tempos sem democracia. 

Rio de Janeiro, 25.11.2021

 Diário,  Um caminho Uma caminhada Registros dos dias Epifanias * Paredes brancas  E pé direito alto Espaços largos Madeira escura no chão  Portas e janelas abertas Olhos bem apertados Em permanente espera Uma página a se escrever Rascunho do que já foi Nas sombras súbitas 

Rio de Janeiro, 24.11.2021

 Diário, Rio de Janeiro: Com ruas e avenidas atropeladas Com vestidos longos e sandálias havaianas  Com silêncios tristes e árvores arrancadas Com águas sujas & peixes e sacos plásticos  Com mortos e com recém-nascidos Com relógios de fusos horários distintos  Com homens inativos e mulheres  desempregad@s Com mãos suplicantes  Com poemas Sem máscaras  Sem escolas suficientes para as crianças  Sem moradias adequadas  Sem quase nada: Sem auxílios  Sem... Sem..  Para Sophia de Mello Bryner

Antes da tarde começar

 Mandei dizer ao vento para soprar longe Sem alvoroço o barco atrás das nuvens levou o temor para fora das cidades Não vi mais a cor do hospital nem as paredes  frias nem as ruas tristes de ladeiras e pedras Quando o vento voltou a soprar as janelas não tinham as mesmas cenas Aqueles dias recortados de surpresas estranhas e noites mal dormidas não  se mostraram com o rosto redondo quando chegaram perto de mim

Diário, 22.11.2021

 Dentro de casa 1 Há sempre a paciência a ser exercida No frio da manhã  Sinto os ossos se acomodarem No vento desta espera 2 Devagar na tarde larga E no baile dos pequenos passos Sou a mansidão das coisas paradas 3 Qual a brisa que sopra e se recolhe Sou - dentro de casa - estátua  Mármore Pintura

Diário, 21.11.2021

 Escrevo: O mundo respira mal e suspira sôfrego. Estamos vendo o covid retornar em alguns países europeus. O ar volta a ameaçar com o contágio do vírus. Na Holanda, alguns cidadãos de forma enlouquecida lutam contra o lockdown e assim também se dá na Suíça. O Natal será difícil.  O pensamento racional e crítico fraqueja. A negação aumenta no mundo. Por aqui, o mais bizarro se alastra na política de destruição.  A nossa preocupação deste momento é manter a floresta em pé e os índios vivos. Além de sustentar a ciência e a consciência negra. Os mais poderosos parecem não se implicar com nada, como sempre. Muitos políticos que estão no poder se misturam com a destruição de tudo. Até a história querem desmontar. A eles só interessa a soja, o gado e o dólar. Enquanto o mar avança, alguns ecossistemas estão ameaçados.  No Amazonas cortam sumaúmas centenárias.  * O mais grave, agora, é que morrem homens e mulheres na fronteira com a Polônia.  São emigrantes que não...

Movimentos brandos e rápidos

 Aviões passam altos ruídos  A cidade acorda perto do mar O silêncio retorna ao solo Onde piso com ossos vivos Através das letras Por onde escrevo na tarde fria Correm amarelas ou douradas  (Flores pouco lembradas: Acácias indecifráveis) Entre as páginas abertas  O silêncio passa sucessivos nomes Poetas de antes Pedras perdas perdão  Daqui ou de mais longe ainda Quando o enigma das horas Deixa ver no relógio da parede O tempo parado. Frio Os traços tensos e sucessivos De tantos abandonos  Multiplicados suplícios Nos corpos onde agora vemos a fome São tantos no presente instante

Rio, 20.11.2021

 Diário,  As paredes sonham. Aqui dentro, somamos. Quase não há ruídos. Amanhece lento. (E me movo com suavidade.  Reaprendo movimentos.) * Não é verão  Os dias ainda não são de verão  nem o mundo conturbado aprendeu o quanto é trabalhoso cuidar. Há o tempo da festa e da euforia e há os dias silenciosos  de quietude estranha. * O corpo tem seu próprio tamanho e piedade. O corpo é familiar às estrelas. * Aprendo um pouco do amanhecer. Mas há o que me escapa entre os dedos. * Sou e não sou só o que fui. Flui muito rápido a luz. * O poema aprende e reconhece onde está a palavra. Eu me encontro quieta entre o povo de minha terra. * A memória não se perde. As palmas das mãos acendem  Palmares...

Diário, 19.11.2021

 Meus caros, Hoje é sexta-feira e amanhã é sábado. O mês de dezembro se aproxima rápido. E o verão estará mais uma vez entre nós dentro de algumas semanas. Assim, seguem os dias, os lamentos e as doces esperanças. Não é sempre que se assiste, em anos pandêmicos como os que estamos vivenciando ainda, tantas mentiras e tantos desmandos. A pressa para viver as festas se faz urgente. Mas vamos com calma. Há muita coisa para acontecer antes da virada do ano. Quando 2022 chegar... Estaremos prontos para lutar pelo próximo governante de nossa nação? Saberemos avaliar bem o que não queremos repetir? 2022 será longo. Um ano difícil, certamente. * Obs importante: Não posso deixar de comentar as palavras do ministro Paulo Guedes: ..."...ATÉ HOJE NÃO SEI POLITICAMENTE ONDE ESTOU, GOSTO MESMO É DE ECONOMIA." UM PAVOR! ONDE ESTAMOS SE ESTE HOMEM ESTÁ A FRENTE DE UM MINISTÉRIO? (E só sublinho o fato com uma exclamação porque é totalmente bizarro).
 Meus caros amigos, Podemos voltar a sonhar! De mãos dadas com a Europa, que pensa o  mundo e o homem, podemos, de novo, acreditar que será possível!

Diário, 18.11.2021

 Recostada no sofá de veludo verde observo as linhas do passado. Entre parênteses  há alguns segredos em voz baixa.

À tarde

 Enquanto as pernas repousam em descanso justo, as mãos trabalham e o pensamento vibra. Nascem versos. Poesia, Permeie as arestas do meu dia enquanto as pernas guardam afetos movimentos temores Enquanto a luz através da cortina sente  o que meus olhos não alcançam 

Rio de Janeiro, 17.11.2021

 Diário: Escutei, ontem, bem cedo: "Aqui tem muita luz". A seguir: " Bons sonhos". Permaneci sedada por mais de uma hora? Acordei da anestesia com as mãos de uma mulher tocando as minhas. E vi que havia terminado a artroscopia. Voltei ao quarto da Clínica.  Encontrei o olhar de José. E me lembrei em seguida: sou uma escritora!

Diário, 15.11.2021

 A noite acende perfumes e dores Os vasos floridos do anoitecer limpam o meu  olhar. Respiro dores. Lá fora os grilos sacodem   as asas intensamente.  O mundo nada simples se acomoda. A aurora  desenhará o dia seguinte. Os minutos intensos a  se inventar. As cigarras se esconderam...

Diário, 14.11.2021

 Domingo azul Tons e texturas da manhã. Muito silêncio. Pequenas arrumações depois do café e antes do poema. Cozinhar arroz integral. Azeite e sal. Primeiro, molhar a roseira que floriu. Um tom  rosa. Escrever teclando leve. Corrigir as inocências. O pulso é o mesmo na página.   Alguns suspiros permeiam notícias do dia. Livros aguardam em cima da mesa. Palavras e fotos antigas pedem o meu olhar em pb. Parecem vir visitar o pensamento. Rompem  espaços. E no azul do passado encontro bocas ausentes. Rostos mais jovens: crianças sorrindo beijos. Em praias limpas e praças que sumiram balançam memórias e sonhos. Veleiro vento em mar azul Pousa a âncora  no fundo escuro 

Na voz do excesso

Como um imã talvez, os excessos humanos se multiplicam e atraem. Na voz do excesso somam-se o lixo e o luxo.  A miséria humana tanto quanto os gritos respira e morre asfixiada na outra ponta desta estrada. A fome não revela sua sombra. A palavra não diz tudo. Nem a voz.   .

Diário, 13. 11. 2021

 Manhãs frias de novembro As mãos somadas simplesmente  Os olhos limpos sempre Sim, nos clarões falamos sobre  O que importa  A borboleta azulada em voo raso Banha meu rosto  Traduz-se na importância que é  Esse amor ainda  Finca a vida verde livre Entre páginas do livro  Sim,  somos água e fogo Personagens de outrora: areia e vento Letras guardadas mitos pensamento De poemas somos

Diário, 12.11. 2021

 Um mínimo O gesto interrompido Até breve ou adeus?

Diário, 11.11.2012

 E no poema No poema ficou o inesperado do instante O intenso e o raro Que se escreve e não para nunca *

Poesia ao vento sul

Memória larga como o mar memória lenta aberta memória de vendaval Quando menina eu guardava o frio dentro do bolso E mais adiante  descalça emergi em tempos de vela e vento Espalhei pelos cabelos o frio  na voz de muitas águas Memória lenta  onde me ergo em dias de vendaval

Diário, 9 de novembro de 2021

 Correm os minutos do dia Meus joelhos não têm pressa. O dia é cinza na manhã do Leblon.  Alguns gritos avançam entre paredes altas e o vaso de lavanda começa a florir. Cada dia é mais um dia sem regresso  e as saudades andam tontas ao meu redor. 

Fome louca

 A fome ronda A fome rouca não tem voz Todos temos fome de mais mas alguns não têm coisa alguma Separados estão porque se deitam no nevoeiro da vida miserável * E entre nós os dias passam em gestos e dores de perdas imensas Quanto mais lamentamos mais as sílabas saem estranhas entre os dedos nas paisagens que já foram outras Quando quase tudo era pouco embora muito * A escrita flui fácil Difícil é dizer a hora de angústia quando nas ruas da cidade a sombra não modula mais nada * Somos o quê neste burburinho solto no vai e vem   de corpos famintos? Temperos correm nas panelas e se arrumam nas mãos Correm sempre mais ligeiros De leve sigo o vapor (Perdi o apetite)

Quando as janelas se abrem

 Quando as janelas se abrem  os olhos padecem ao ver E não querem absorver tantas ausências  quando a fome se mostra nas calçadas  Os olhos guardam imagens doídas E a voz grave da fome de quem não come e nada come Em meio a fraqueza dos ossos eis que os olhos secos Nem lamentam Gemem baixo Enquanto as mãos suplicantes Pedem esquecidas  P e d e m

O fim de muitas coisas ao mesmo tempo

 Desdobrando questões (E pensando além de meus botões): De fato, estamos ficando entalados . Jamais vimos nada igual. E precisamos ser rápidos, porque a desmoralização de tudo anda a galope... Ainda não entendi o porquê de tanta conversa com pessoas sem caráter.   É preciso ação.  Medidas restritivas. Punições em vários níveis.  Respeito. Eu grito  Tu gritas Nós gritamos E gritam os jovens do mundo E gritam as árvores cortadas  Os bois vendidos sem tratamento algum Os famintos Os miseráveis  Os cientistas Os homens sérios  As mulheres maltratadas  Os índios  Gritamos todos juntos Chega de Bolsonaro e de seu governo podre!

Diário, 8.11.2021

 Nota É dramático e triste demais a forma como o nosso governo desrespeita a ciência e os cientistas. Agradecemos muitíssimo aos nossos importantes cientistas, que estão sendo tão maltratados durante esta pandemia sem igual. É horrível ver o Presidente da República se autopromover sem mérito algum. Parece piada de péssimo gosto!

Nota de final do dia

 O jornal português noticiou agora, com imagens que estão circulando no mundo, como o Brasil faz o transporte do gado vendido no Amazonas de forma irregular. Os fazendeiros afirmam que estão alimentando o mundo. Porém as imagens são de uma violência absurda.  E os brasileiros precisam vê-las. É cada vez mais cruel e aterrorizante o que acontece no Amazonas . Os nossos jornais precisam mostrar o estado do Pará onde foram feitas as imagens. O gado ilegal vendido a preço de ouro.  PS Material da skynews 

Diário, 7.11.2021

 Domingo azul Em meio aos perigos e devaneios A paisagem abriu um percurso único  As evidências inundaram espaços  Aqui quando tal acontece Perdem-se as direções possíveis  Rumores se confundem com notícias  Ruídos loucos deslizam entre aviões que tombam E os mortos sem nome nem fortunas Um fluxo ininterrupto de horrores Saem e vibram ainda A língua insana soa Em praias praças palanques Nas margens inaudíveis somos Um grito alto no infinito

Parabéns, parabéns!

 Ana Luísa Amaral, poeta portuguesa, recebeu o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero- americana das mãos da própria Rainha Sofia, em Salamanca. Seu belo discurso nos encheu de alegria! 

Rio, 6.11.2021

 Uma grande salva de palmas para a ministra Rosa Weber ! * E la nave va... *

Diário, 5.11.2021

 Janelas de qualquer lugar Da janela do carro vejo a rua passar rapidamente.  Trêmula vejo a velocidade dos instantes e das bicicletas que giram entre nós silenciosas. Ruas barulhentas de vozes e gritos. Lixos abundantes. Gemidos alcançados nas janelas do amanhecer. Recolhida reconheço da vida louca um pouco de todos nós. * Perto muito perto Um dia ainda se verá que não foi tudo em vão. Todos os horrores e todos estes dias duros demais escrevem a história que inventamos  quando não sabíamos tudo isto que agora vemos. De todas as certezas que nos contornam entre as mentiras que a terra um dia cobrirá sairá de nossa pátria  a força com muitos endereços. E todo este sofrimento que enfrentamos juntos perto muito perto de cada um de nós sobreviverá no amor ao homem de inúmeras raças e credos: Homem que não nasceu em vão.                                            ...

Rio de Janeiro, 4.11.2021

 De mãos dadas com as índias de nossa nação  Continuamos ligadas nas mulheres terra. Lindas. Mansas. Guerreiras. As índias do Brasil  nos representam.

Poesia de mãos dadas

             Para Alice Pataxó  Ela veio em nome dos povos indígenas  Com o verbo justo  e a causa grande demais. Enorme Carrega a força da terra redonda  E nas penas azuis das araras pulsa e canta o cocar de Alice O rosto sério. Os olhos limpos traduzem a luta de gerações  Alice não habita no país das maravilhas Alice vive o pesadelo de seu povo que não é respeitado  A ganância e a mentira  andam juntas na nossa costa  Alice vestida de juventude  sonha e viaja pela primeira vez  ao outro pedaço do mundo. Ela pede Alice Pataxó pertence à nossa terra. Efêmera  Ela fala a língua dos Pataxós

Diário, 3.11.2021

 Recomeço  Um sabiá sábio anima a manhã  ... Sopra os minutos do dia ... Leva alguma esperança aos ouvintes ... Eleva o som de seu canto ... Alto altíssimo divino

Nota triste

 Faleceu, ontem, o grande pianista brasileiro  Nelson Freire  Perdemos o nosso tão querido e talentoso  músico  Eu choro  ... Nós choramos É muito triste perder Nelson Freire agora!

Rio de Janeiro, 2 de novembro de 2021

Imagem
 Quando morreu minha mãe  (...) senti meus pés  como árvore  que buscavam  raízes profundas no solo ainda virgem da manhã PS poema escrito em 2000. Publicado no livro Outonos

Rio de Janeiro, 1 de novembro de 2021

 Mentiras e devaneios  A leitura de um discurso não traduz os atos de  um governo. Por aqui há garimpo ilegal. Desmatamentos. Desrespeito à população.  Fome e desemprego. Desmonte da cultura e da educação.  E muito blá-blá-blá... * Nota: 1. Enquanto acontece o G20, o presidente da República do Brasil na Itália dá seus shows rodeado de uma comitiva completamente sem noção, que só nos envergonha. Falo de seus digníssimos "seguranças".  Não entendemos o porquê de tanta violência.   * 2. Repito: Sim, "estamos cavando as nossas próprias sepulturas!" Palavras do secretário-geral da ONU na COP 26. Afinal, 7 anos ainda até o Brasil parar o desmatamento, meus caros, não será possível. Já estaremos diante de uma devastação completa.   3. O amanhã é agora! E a questão é séria demais!