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Mostrando postagens com o rótulo 2002. Parte de um texto apresentado na Bienal do Livro no Ceará

João Cabral, a letra e o silêncio

Consideremos, hoje, o poema “Os Três Mal Amados” que vai nos servir de suporte na reflexão de algumas questões. Mais precisamente a questão da letra, e do “impossível” que aqui se enlaça com a questão do amor: o amor como impossível. O poema que foi escrito, em 1943, glosando estrofe de Carlos Drummond de Andrade no poema “Quadrilha”: “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili...” se apresenta em três vozes distintas em um certo monólogo sobre o amor, ou melhor com as trinta e três falas poéticas que, em movimentos de aproximação e recuo, confirmam a impossibilidade da relação – ou, a ‘não relação sexual’. Quanto à técnica, encontramos a simultaneidade e a repetição dos versos cabralinos, na forma como ele gosta e costuma desdobrar a linguagem descritiva na sua lógica de composição. Revelando que a repetição se faz cada vez de forma nova, e que os “mesmos sintagmas dispostos em ordens diferentes” podem extrair informações novas no texto....