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Mostrando postagens de janeiro, 2022

Diário, 30.01.2022

 Por que a guerra? Por que o presidente Biden não muda a direção  de sua fala? Por que K. Harris não diz nada? Quais os interesses financeiros que norteiam  este momento? Por que os governantes das grandes potências  precisam fazer guerras? * Por que Moro não tem nenhum escrúpulo ao  declarar quanto ganhou em dólares nos EUA depois de toda Lava-jato? Por que ainda não dão voz a Lula? Por que o Congresso abafou todos os pedidos de  impeachment do atual presidente? Por que o Brasil andou pra trás durante este  governo tão cruel? Por que um governo de Extrema direita ainda é  respeitado neste país? A quem interessa tudo isso? Perguntas de um domingo silencioso.

Diário, 29.01.2022

Verão covid, outra vez Pela manhã, temperatura um pouco mais amena. Um brisa marinha me alcança surpreendentemente na janela da sala. Perfume fresco. Vizinhos menos barulhentos depois do surto de covid que chegou por aqui. Muitos adoeceram. Forte ou fraco o vírus sempre assusta, ao menos um pouco. Não consigo mais olhar o rosto do presidente da nação. Faz tempo!  Verão covid não impede praias cheias, exageradamente cheias. A crônica matutina, as arrumações na casa, a comida a ser degustada e os pensamentos desacelerados compõem o enquadre desta manhã. * Escrevo e leio. A escuta é parceira. Leituras cruzadas enchem o meu espírito.

Diário, 28.01.2022

Neste momento  Ao passar por uma pequena cidade iluminada pela lua onde o tempo parece perdido as crianças já estão recolhidas nos leitos e quase não se escuta ruídos Os cães nas portas das casas farejam de olhos semicerrados Alguns homens conversam recostados nas paredes desbotadas Os chapéus já foram deixados de lado - E neste momento os olhos úmidos encontram a vida

Diário, 27.01.2022

 Vivemos dias de covid e ganância. Mistura bombástica. Ao redor, perto bem perto, as praias lotadas. Um calor desmedido. Insuportável mesmo à sombra. Aos setenta anos só gosto de praias calmas e totalmente limpas; coisa rara em nossos dias. O último mergulho foi no final do ano de 2018. Assustador não é só a propagação do vírus, mas a propagação da pressa entre jovens e adultos jovens de nosso tempo. Já escutei declarações de alguns jovens afirmando que o covid está atrapalhando a vida durante a juventude, pois a juventude passa. Que alegria perceber que não desfruto deste ritmo. Talvez, seja a alegria maior do meu envelhecer. Não tenho pressa... Ao acordar faço alguns exercícios, que me ajudam a acordar de fato. Um bom café ordena os pensamentos devagar. Não são só os preparativos para enfrentar o dia e os compromissos do dia que são, neste momento, compartilhados. Surgem na mente memórias breves e que se montam, rapidamente, e desaparecem fazendo as cores da manhã mais humanas. G...

Rio de Janeiro, 25.01.2022

Diário, Em segredo Alguns partem na hora, e outros (me parece) bem depois da hora. Que horas são? Hoje, neste janeiro estranho e calorento abro um pouco as janelas da casa. Os monstros que nos rodeiam ainda estão por aí.  E não estão na penumbra. Circulam em altos poderes. Os tempos pandêmicos cruéis e abastecidos Foram bem soprados pelos homens muito indignos. Eles partirão. Através do mesmo terror que sopram. Embalados pela fúria dos anjos.

Diário:

Um calor enorme me impede de escrever tanto quanto eu gostaria. Continuamos a viver dias di- fíceis e insanos. Meus joelhos se movem bem, depois de dois meses da cirurgia de menisco. Ufa! * para Jorge de Sena Enquanto aguardamos novos tempos, lemos e estudamos. Trabalhamos muito. Criticamos tudo.  Quando há trinta e um anos comecei a publicar... só pensei em escrever poemas. A prosa chegou perto junto com o texto ensaístico. E veio pra ficar.  Não há silêncio nem crítica que me faça ficar quieta. Escrevo, escrevo. Estou fora das patotas e das antologias. A escrita em português do Brasil caminha embalada por leituras de todos os tempos. Poetas, filósofos, santos e ateus da França e da América Latina partilham comigo a busca na caravana onde não sou camelo nem cão! * Sigamos  

Rio, 24.01.2022

Sem título  A mão escreve na luz do ocaso O olho observa a vida que gira Há espaços abertos ao longo do caminho A minha mão e a tua movem os dias  Reinventam o verde dentro de casa   No muro da rua entre plantas e árvores pronuncio o mais calado e lanço algumas sílabas no chão Palavras recuperam o fôlego fora da violência da cidade Pedem espaço e paz A mão o traço a letra juntos e sedentos O corpo e a língua  não se misturam na insanidade

Poesia

  Vulcão: Um olhar e uma voz sem pausa breve (...) A terra treme no oceano distante Geme o mar em seu entorno A língua abre no céu poeira e lama Um muro de água caminha e o ruído é ouvido do outro lado do oceano

Diário fotográfico

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                                              Fotos de José Eduardo no Jardim Botânico do R.J.                                              (clicadas ontem)

Rio de Janeiro, 23.01.2022

 A vida transfigurada  Um passeio a pé em plena pandemia  (ômicron)! O jardim transfigurado. Difícil ver rostos cobertos ou não. Eu não esperava encontrar o mesmo verde a transcender as flores. Nunca mais um jardim a céu aberto, simplesmente? Depois do caos, novamente, atravessamos andamos e nos viramos  com o vírus se espalhando. Alguns entre nós viram as costas para a ciência. O brilho do mais visível se confunde com o real, frente a frente.   * Andar nas alamedas de pequenas pedras redondas. Quem vem vindo de longe não me olha. Ninguém se cumprimenta. Olhos fugazes. Temores lúcidos. As pedras do chão brilhantes. O azul distante. Flores em movimento: safiras rosas. * E aquilo que nunca havia sido sequer imaginado. Nem sonhado. É fato.

Diário

 Na origem do nome Elza que é uma variante de Elsa está o diminutivo de Elisabete. Elisabete tem origem no nome hebraico  Elishebba. O nome guarda ainda a presença de Deus "El". * Hoje é sábado!

Rio de Janeiro, 22.01.2022

 Nota preocupante: É triste o que acontece hoje no mundo. Não consigo comentar.  * Atrocidades pra todo lado.

Rio, 21.01.2022

 Faleceu, ontem, a grande Elza Soares. Faleceu avisando aos familiares que ia morrer. Da mesma maneira, faleceu minha mãe  que, também, chamava-se Elza.  * Silêncio  * E uma salva de palmas!

Rio, 19.01.2022

 Amigos, A vida está mais trabalhosa. Notícias boas ganham tons Inesperados. Certamente, aprendemos com os amigos  queridos. * Diário,  Um pouco de escuridão e muitas dúvidas.  Um fio de luz invade paredes e portas.  Um pouco estranhos continuam os dias.  * É por aqui que andam espaços e gestos. * Somos os exilados de nossa cidade? Andamos ao redor das esquinas olhando crianças e idosos sentados no chão. 

Diário:

 Rio, 18.01.2022 Ontem foi um dia difícil. Vários famiares com covid. (Adultos e idosos. Todos vacinados). * Hoje faleceu a querida psicanalista Maria Yvonne Accioly Lins. (Vivi belos momentos de supervisão com ela no início da década de noventa). Estudávamos D. Winnicott em leituras vivas. Obrigada, Yvonne!

Rio de Janeiro, 17.01.2022

Filme antigo Eu me lembro bem daquele dia de festa. Tão alegre e rodeado de música,  estando tão longe ainda possui tanta nobreza. E existia um certo mistério naquela festa de beleza rara, onde os atores éramos nós. São tantos os recortes da memória. Dançamos pouco. Sorrimos demais. As fotos em pb fixadas no álbum bem guardado encontram descanso na gaveta. * Diz-me em silêncio e de forma singela o quanto somos o que se antecipa. Diz-me e responderei com o olhar,  acalmada com os movimentos diários que se estendem pelas horas das manhãs.

Diário fotográfico

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 No detalhe ao fundo: A pintura de José Paulo Moreira da Fonseca  e na parede um trabalho de Lena Bergstein.  (Foto clicada por mim)

Rio de Janeiro, 16.01.2022

 Amanheço: Domingo Um domingo qualquer. E a vacinação das crianças começa.  Poucas crianças.  Poucas vacinas.  Nas telas de TV cientistas avisam: é preciso  vacinar! Nosso insano governo desgovernado, de olhar  vago e vazio se esconde, lá, onde habita. Não diz  nada de coisa alguma. * No chão de madeiras corridas, ali colocadas há quase cinquenta anos, sobre o  móvel perto da parede  vive a pintura de José Paulo  Moreira da Fonseca. A assinatura discretamente  se mostra. Um pouco desbotada. O poeta pintor  em pinceladas suaves desenhava suas portas  abertas ao mar. * Na crônica da cidade, depois de mais de dois  anos de covid  ainda há quem desconfie das vacinas. Os hospitais cada vez mais lotados avisam: os não vacinados têm mais chance de morrer. * Depois de tudo nos perguntaremos sobre esta  tsunami de covid? Depois que encontraram a carcaça de um dragão marinho no Reino Unido, ainda podemos  duvidar...

No final da tarde:

Diário,  Um fio de batom  nos lábios frios porque hoje é sábado. A máscara cobre o sorriso  e mãos ágeis se protegem. De quê? Talvez seja mesmo um momento sem esperança. E escrevo rápido: procuro sair da sombra. * Estranho mundo. Pleno de palavras chulas. * O vento sopra. Abelhas resistem. Pássaros extenuados. Cada vez mais raros. * Palavras nulas. Observo. Persisto. Grito. Ainda tenho muito a dizer. O país guarda ternuras e quase naufragado espera esperando devagar. Na boca de meu povo não vejo senão a fome. Desmedida.

Rio, 15.01.2022

 Respirar...respirar... * "(porque hoje é sábado)" * Agápê

Diário, 14.01.2022

 Morrem casas em Ouro Preto                    Para Carlos Drummond de Andrade Bem vestidas ou pobrezinhas elas partem em meio à chuva levadas pelo pó do barro. Molhadas de antigamente. E partem as casas sem versos nem documentação.  Saudosas.   Casas cantadas por Drummond. Desdentadas desaparecem. Em nuvem: telhados e chão  centenários. Rendas portais pedrarias no piso em cor. Correm homens e fios de vozes. Vestidos moças algodão. Chora o povo mineiro em vão.

Alguma dúvida?

Na tarde do Leblon,  nem sempre nascem dúvidas. Algumas certezas ainda conseguem  brotar. Nas vias de ervas verdes  e árvores altas gostam de cantar os pássaros. Homens varrem calçadas de máscaras. Mas não mais assoviam. Nas noite do Leblon, jovens jogam fora suas máscaras. Preferem beber com a boca aberta e os olhos mirando qualquer lugar. As mãos abraçam e beijam. Soluços são para outra hora. Alguma dúvida chega perto mas a noite esconde. Na madrugada do Leblon, bêbados e sonados alguns jovem colocam a mão na boca. Sem pressa de voltar para casa atravessam o muro do limite. Não se dispersam. Falam e amam muito. E tudo recomeça.  

Diário, 13.01.2022

 As águas altas dos rios Em Minas Gerais chove sem parar. Ou quase. Árvores casas famílias naufragam. E animais brotam em meio à correnteza. No Rio de Janeiro em janeiro a variante invade variados corpos: paredes e casas e jardins (homens e animais) O rio por aqui é covid.19. Sem endereço certo e sem vertigem voa nos espaços fechados e abertos.

Tudo incerto

O movimento imenso do sol não faz sombra na noite  Incerta é a nuvem alta iluminada No vento quente um sopro    árido E a manhã meio sem jeito nítida e chuvosa imóvel e inundada carrega no rio Doce  animais vivos de olhos    acessos Bois e vacas nadam no barro vermelho das inundações quentes Tudo incerto. Vagam vacas no rio vermelho No barro quente não mugem as vacas Nem os bois Perdidos no silêncio das águas no espaço    sem vento Levados qual barcos    sem leme nossos bois flutuam em vivo desamparo

Diário, 12.01.2022

 Algumas preocupações nos constrangem. Vivemos dias difíceis.  Parentes e amigos se recuperam devagar da variante ômicron.  Um gole de café quentinho e algumas novidades correm sobre a mesa. As paredes escutam...

Diário, 11.01.2022

Em algum momento da vida, pensei poder me ver com os olhos do mundo. Olhos grandes e diversos. Olhos de muitas línguas.  Por vezes, acreditei que carregava no corpo um pouco dos estranhos desejos de tantas raças, e até mesmo acreditei que conhecia os homens de nosso século. Ao menos um pouco. Percebo, agora, que desconheço tanto quanto pensava conhecer. Ou seja, desconheço quase tudo.  Estranhezas me acompanham. E no medo encontro refúgio.  São tempos bem estranhos os que vivemos. * Quem pensaria ou ousaria sublinhar: O homem de agora anda Com as mãos vazias Pensando que o mundo vai acabar A pressa insana pressa Não resiste Os movimentos do corpo soletram  Angústia  Diário, minhas mãos fabricam linhas  E o coração sôfrego promete muito mais

À noite

 Acordem meus caros, O apagão de dados é proposital! E alguns de nossos amigos e parentes  vacinados pegaram a ômicrom seriamente... Alors... Muito cuidado é pouco. As pessoas ficam boas e precisam ser examinadas, porque não se sabe se há sequelas!

Rio de Janeiro, 10.01.2022

 Diário,  Janeiro avança faminto. Procuro delicadezas. * Um poema não se encontra ao acaso. Nasce e respira entre letras vagas,  ocasos e detalhes. Quase sempre num sopro. * Vestida pela brisa da manhã  a frase anda vazia. Distinta de meus vestidos que soltos em cabides trafegam pesados. Alguns mais antigos navegam em sonhos.  Carregam o cansaço de viver só ali perdidos entre cores paradas e amassadas destes dias de pandemia. * Femininas formas  Sapatos novos ou gastos acompanham um andar agasalhado. Pés descalços respiram a nobreza da forma. * Diário,  sim, traduza os dias deste século XXI.  Quando nos perdemos entre mentiras e abandonos. Quando a guerra é desejo de poderosos. Quando a fome rodeia homens sem sapatos.

Rio de Janeiro, 9.01.2022

 Um domingo chuvoso. O Diário pede linhas a se escrever e a mão  soletra perguntas.  Somos as dúvidas que circulam para  cima e para os lados. Dúvidas que nos  envolvem. * O acidente grave ocorrido sobre as águas em  Minas Gerais,  já repetido em imagens televisivas exaustivamente, nos deixa chocados com os detalhes:  gritos,  olhares assustados e alienação.  Sabemos a importância da repetição.  Sim, desde  Freud e Lacan. Sabemos o quanto a repetição  procura fazer a sua inscrição em nosso  psiquismo. E, sabemos ainda com as afirmações  de Derrida que " a repetição sempre protege,  por neutralizar, distanciando um traumatismo,  e isso é  verdade em relação à repetição das  imagens televisionadas".  Elas suspendem o efeito do choque, da tragédia. * Assim, a pergunta deste Diário em obra, a  pergunta deste domingo é bem ingênua.  Onde estamos com a cabeça neste momento da  pa...

Diário, hoje é sábado!

 Poesia do agora   Chuvas sem trovões. Palavras procuram dizer o opaco. O dia finda e a noite abre enigmas. Na horizontal ou na vertical o mais visível causa estranheza. Aqui brilha o silêncio da respiração. Crianças aguardam decisões vitais. Inocentes crianças. Nem sempre guardadas pelos pais. Crescem entre cuidados diversos ou morrem no abandono. Sopros de vida. Palpitações. E o cheiro de descobertas grandes. Nas praias os pés pequenos gostam de correr.   Todo poema volta a bater os pés. Ondas grandes resistem. Ondas e nuvens. Agora, do outro lado do oceano: chuvas, nevascas, inundações. Sílabas em repetição circulam.   O olhar se volta e encontra aladas crianças inocentes.     Rio, 7 e 8 de janeiro de 2022

Poesia:

E como quem viaja ligeiro Nascem estas linhas em versos E se escrevem na harpa de meus dedos   Crianças aguardam   Neste país onde mulheres respiram e se submetem Atravessadas por palavras toscas Onde mãos caladas suportam mais do que deviam   Aqui deste lugar de sacrifício Levanto minha voz e grito: Basta   Como se fossemos um trovão no espaço aberto Como se tudo e todos nos ouvissem Basta   Em nome de Maria e de Ana e de outras tantas mais Basta As crianças são nosso futuro   João, Antonio e João Pedro São todos eles que esperam Basta   De cinco ou sete anos O instante nos une por inteiro Vacinas, agora

Rio de Janeiro, 7.01.2022

 A chuva e a harpa Correm lentos pingos nas folhas mangueiras Molham pensamentos e o duro chão  Acordam a manhã  Os dedos tocam teclas negras E a claridade rápida respinga O som de uma harpa longe soa Entre a tristeza e a mão  um dia antigo: cadeiras leves de palhinha Uma senhora de pé tinge a tarde de sinfonia entre amigos * Somos - a chuva e eu - um pouco estranhos Os pingos insistem irados E depois batem cada vez mais  Meus ouvidos acordados passeiam  alamedas raras Era o ano de 1996 Talvez. E fazia frio Ouvíamos Bach? Os movimentos mansos   Gordos sons enchiam todos os espaços  A senhora idosa tocava  Aplaudíamos  (a chuva toca harpa)...

Diário, 6.01.2022

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 Amigos,  Os dias, os sustos e a pandemia continuam em torno de nós. Janeiro de 2022 nos traz a variante ômicron. Com os amigos queridos sustentamos os momentos mais delicados. E seguimos. Não temos mais o hábito das correspondências com escritas na folha de papel e a mão.  No entanto,  cobrimos nossos dias de notícias rápidas e escritas telegráficas trocadas em WhatsApps ou por e-mails  curtos. A vida segue em linhas tortuosas.  Os amigos são nossas fontes de energia. Várias situações nunca  pensadas nos ligam a outros momentos de nossa história.  Sejamos lúcidos.  Feliz 2022! * A foto é um registro. A obra As mil e uma noites  ganhei, no meu aniversário de 40 anos, de Edna Soter. E a escultura, um incrível trabalho de Zélia Vilar, adquiri um pouco antes. 

Chegou: Cahiers Francis Ponge

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 Sous la direction de Benoît Auclerc et Pauline Flepp. Classiques Garnier. 2021, n.4. Viva! Leitura feita em seguida. Em tradução livre: "Uma outra passagem do rascunho da carta de 12 de setembro de 1943, finalmente remodelada na versão definitiva, e neste contexto interessante. Ponge havia de início escrito: " adoro - é por essa mesma razão que estou contente, satanicamente satisfeito - que sua reação tenha sido tão violenta."" P. 72 Fragmento de texto de P. Flepp e C. Koskas comentando a carta de F. Ponge a A. Camus com quem Ponge mantinha uma correspondência intensa e, às vezes, conflituosa. O título "Amizades "interessadas"?" já nos conecta com a questão abordada. Camus e Ponge se desencontravam em aspectos curiosos. E as pesquisadoras recolhem significantes distintos para marcar a questão.  Alguns outros subtítulos dão os movimentos deste capítulo intitulado: "Morais e retóricas da amizade na correspondência de Francis Ponge" * J. ...

Poesia no mel

Abelha rainha De porte majestoso anda e voa na colmeia rodeada de abelhinhas, a rainha Uma marca nas costas e asas largas traduzem o poder nunca ignorado: procriação  Não tem pressa a abelha rainha; força da natureza De destino delicado florado dia e noite trabalha zumzumzum Os zumbidos comunicam O mellis tecido marcha na colmeia. E sobe e desce degraus Ela passeia a geleia real Dedos antenados nunca atados, ágeis, brincam no mel

Diário, 5.01.2022

 Ainda sobre abelhas Vocês sabiam que as abelhas são responsáveis por mais de 50% da polinização de nossas  plantações ao redor do mundo? Alguns afirmam que chega a 70%. Se as abelhas começam a desaparecer, teremos sérios problemas de alimentação.  Os agrotóxicos cada vez mais utilizados no Brasil são os grandes responsáveis por isto.  Insetos e abelhas estão sendo destruídos por agrotóxicos  sempre mais potentes e venenosos. Assistimos e consentimos que os grandes laboratórios nos envenenem. Geração após geração.  Dia após dia. As plantações passam a ser um deserto de pássaros e abelhas nas monoculturas. Tudo isso confirma os tempos difíceis que as populações do mundo terão pela frente.

Diário

Nota de final do dia: Faz tempo que sabemos, que os governantes sacrificam a população em nome da economia. Porém, agora, o sacrifício é cada vez maior. E tem o risco de colocar a vida de nossas crianças em jogo, durante esta pandemia  interminável.  Não é possível que continuem insistindo no mesmo ponto, e, que alguns continuem fingindo que acreditam no que está sendo dito. Não há controle algum da variante que se  multiplica na estratosfera. Basta olharmos em volta e olharmos o mundo. As crianças precisam ser protegidas agora! Basta de mentiras! Na França estão vacinando as crianças e ainda adiantando a segunda dose das vacinas delas! * Ainda comento um pouco mais. O governo brasileiro não prioriza vacinar a sua população porque não prioriza a sua população.  A prioridade deste governo vai na contramão dos direitos humanos adquiridos.  Ou seja, é mais do que só negacionismo ou uma atitude política!

Diário, 4.01.2022

 Escrever, escrever O poema nasce Corre escorre Respiro * Abelhas e zangões Um rumor de vento e árvores em alvoroço. Crescem no movimento abelhas que trabalham e zangões  palpitantes. No corpo a corpo se movem. O poema é tecido de mel. De voos e de desejo. Todo poema é um ciclo. Um corpo de palavras sinceras na mínima forma do olhar. As palavras clamam palavras. O verbo justo.  A força da terra.  O tronco e o inseto. Abelhas vivas procriam. Abelhas clamam vida.

Rio de Janeiro, 3.01.2022

 Homens de nosso tempo A mão pendurada segura a linha  do horizonte. Fina e longa linha. Quase desaparecida em meio aos burburinhos soltos no ar. O ar parado aguarda. A mão se debruça no horizonte e procura o traço.  Respiro com o corpo todo. Nesta luz tênue da manhã  quase cega continuo a respirar. A língua e os dentes pedem com muita força.  As árvores ardem de calor. Ou no frio intenso a neve branca se mistura às cinzas: casas telhados lágrimas.  Não são as imagens que nos chocam. São os homens.  Insanos e tristes. Vulneráveis sempre. Com as mãos sobre o rosto enlouquecido. Eles praguejam contra si próprios. 

Poesia: pássaro no ar

 A força breve leve confia  Sim, somos água e luz  E a poesia traz aos olhos vivos As cores da floresta  Soprá-la. Inflá-la Respirar o vento E renovar o ar * Canta o verdadeiro verde papagaio Em nome do amor que escreve movimentos Na praia de rios e areias douradas * Voos rosados diante do sol No horizonte azul cantam o mar Andorinhas negras * Contemplo o mundo Nesta passagem de ano Espaços breves e alegrias Um ponto de interrogação aberto Nas cordas vocais de cientistas * Estranhamente Carecem os homens de argumentos Troncos de árvores arrancados e  casas  destruídas: incêndios ou inundações  * A terra flutua azul A boca sopra sol O chão estrelas

Rio de Janeiro, 2.01.2022

 Diário  Na França exige-se o uso de máscaras nas  crianças.  Há quase 220 mil casos de covid por dia. O jornal italiano da Rai, nesta manhã,   apresenta o mundo assustado com a força do  contágio. As máscaras são obrigatórias. Há poucas farmácias, hoje, abertas e realizando  o teste rápido na população.  Medidas necessárias neste momento. Em Israel detecta-se a "flurona". A dupla  infecção de covid e influenza. Felizmente, algo raro. * Por aqui, dormimos... Acorda, Brasil! Já temos vizinhos doentes, e tomei  conhecimento de famílias inteiras  contaminadas depois do Natal.

Rio de Janeiro, 1.01.2022

 Como se fora um começo  Onde é que se constrói o começo? Será na água fria que corre aqui neste dia em  branco a se fazer? Será no rosto cheio de marcas que me olha  lento? O gesto se faz corpo e espaço  onde os passos são  ligeiros? Aqui tão perto da porta o pulso bate surdo. As mãos salpicadas de força  ainda carregam sonhos e pesadelos. * A madeira a lama e as paredes da casa voaram junto ao rio inundado. Na Bahia homens e mulheres de mãos dadas soletram juntos a cidade desnudada. * Um poema começa rápido. Na errância do barro. Na fenda viva. Vive um começo.