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Editora: http://ediçõessol.com.br

Mudança climática e mais ainda

O calor tudo derrete.  Atenção: até mesmo o coração padece. Um verão escaldante antes tão aguardado nas praias e nas noites cariocas, agora, nos enche de temor. Pés descalços nas areias do mar. Água de coco,  um mergulho ou mais de um. Sem vento algum. Um sufoco de calor. O mundo europeu não suporta  quarenta graus à sombra. Itália, Espanha e França suam os cabelos das florestas. Incêndios desmedidos. E as montanhas de picos brancos  derretem até as rochas que nascem negras. Um alvoroço e muitas pesquisas. O perigo ronda os Alpes.... Mudanças sabidas.  Mas desviadas das discussões.  Decisões são adiadas.  Aquecimento nas águas dos oceanos. Sofrem homens e animais. A terra padece: aquece demais. Plantas e plantações secam. Os rios descem. As nuvens trazem os temporais. Picos de calor. Arrepios. A pele do corpo respira mal. E idosos e crianças são mais atingidos.  Água, água! Muitos goles mais. Nas grandes montanhas do Nepal  até mesmo os monge...

Aconteceu na região do Nepal

Chuva,  chuviscos. Ciscos d'água,  temporal. Inundação. Pingos escorrem água ligeira e se misturam no mundo no gelo, no barro, nas árvores.  Muitos pingos grossos somam  lama no chão. Ondas de lama crescem. Acumulam força e carregam tudo ao redor os grossos pingos.... Chuva e vento. Raios. Trovão. Gelo derretido. Um monte de pedras deslocam. Os homens impotentes mal conseguem correr. Elefantes grandes líderes inteligentes sustentam o que podem: crianças, homens e animais. O que vimos desaparece. As águas das montanhas levaram vilarejos, vales e regiões  no sul do Himalaia.  Montanhas de casas e pontes  subitamente morrem. E mais de mil e duzentas crianças  foram salvas, sim, subindo a trilha  íngreme  da montanha guiadas por  um único professor.

Livros, luz e luar

Brancos livros.  Pobres. Raros. Um raio atravessa o céu sem nuvens e sem estrelas. Páginas abertas perto do mar. Traços. C a l i g r a f i a s. Ligeiras letras sinais. Cicatrizes. E banham o espaço do corpo de palavras. A cor percorre os dedos bem estendidos. Nuvens altas. Chuviscos. Mais um raio. Luz clarão.  Ao sabor do sol  o pulso arde o poema. Um só momento lento. Dentro de casa e perto da janela restam sombras. Na madrugada a lua compareceu. Desapareceu mansa linda luz (no suspiro da boca).

Ontem e agora

 Envolvida na feitura de um novo livro e escolhendo e decidindo os detalhes importantes deste artefato, não consegui ver televisão. Qualquer notícia me abalava. Assim, fechei os olhos aos horrores das filmagens que mostravam o desabamento de parte das montanhas no Tibet, com aquele mar de lama e gelo carregando tudo no caminho. A única imagem que fixei foi no Instagram, com um grande elefante - calmo o suficiente - entrando na enxurrada pera salvar um homem.  Um único homem. E aquele enorme e belo elefante alimentou a minha noite de esperança.  * Não consegui nem mesmo ver a entrevista do querido Lula na tv Globo. O único candidato possível para este momento de mundo, devo dizer e repetir! Não adianta desviar o assunto e trazer fatos que a mídia gosta de ouvir... Fofocas e intrigas deixem para as novelas, por favor. Vamos ouvir os projetos do Lula e aplaudir o que já conseguiu construir neste Brasil, já tão maltratado! * Lula é o nosso elefante. Grande, corajoso e belo!

Ah, agora, sim

Ah, agora sim, nasce uma pequena editora em minhas mãos.  Sim, nasce do aprendizado de fazer livros no movimento da escrita. Um a um. Árvores ao vento e o papel reciclado ou não. Na folha do tempo os lábios soletram: o ar a calma o chão. Chuva miúda na página  aberta. Lugar de letras perto do mar. Marca  onde ardem os dedos da mão.  Rio chegando à primavera, 2026

À noite

(Escrevo e penso) Faz frio Nuvens acomodam poeiras Estrelas desaparecem. *

Domingo de leituras e música

 Escrevo Leio, uma vez ou outra, os Evangelhos Apócrifos na tradução do português Frederico Lourenço. Livro que adquirimos no Brasil. A vida da menina Maria, a filha de Ana e Joaquim, chega perto devagar. Talvez na terceira hora, talvez.. E ela foi apresentada ao Templo aos três anos. Tintoretto e Ticiano pintaram a cena impressionante que já vimos algumas vezes em Veneza (Ticiano na Galeria Accademia). No sonho de uma palavra revelada por um anjo a José a história continua. E de fatos em fatos, palavras de mistério e fé traçam o enredo humanista que nos alcança nos séculos que chegam até nós.  As mãos de Maria se misturam ao sorriso. Pura verdade, pura. E ela foi entregue a José assim.  Ave Maria. Ave! * Fabrizio De André canta e escreve esta história em 1970. ... "Salve Maria, agora que és mulher. Salve as mulheres como ti, Maria.  Mulheres um dia para um novo amor.  Mulheres um dia e depois mães para sempre." .... Rio de agosto, 2026