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Editora: http://ediçõessol.com.br

Livros, luz e luar

Brancos livros.  Pobres. Raros. Um raio atravessa o céu sem nuvens e sem estrelas. Páginas abertas perto do mar. Traços. C a l i g r a f i a s. Ligeiras letras sinais. Cicatrizes. E banham o espaço do corpo de palavras. A cor percorre os dedos bem estendidos. Nuvens altas. Chuviscos. Mais um raio. Luz clarão.  Ao sabor do sol  o pulso arde o poema. Um só momento lento. Dentro de casa e perto da janela restam sombras. Na madrugada a lua compareceu. Desapareceu mansa linda luz (no suspiro da boca).

Ontem e agora

 Envolvida na feitura de um novo livro e escolhendo e decidindo os detalhes importantes deste artefato, não consegui ver televisão. Qualquer notícia me abalava. Assim, fechei os olhos aos horrores das filmagens que mostravam o desabamento de parte das montanhas no Tibet, com aquele mar de lama e gelo carregando tudo no caminho. A única imagem que fixei foi no Instagram, com um grande elefante - calmo o suficiente - entrando na enxurrada pera salvar um homem.  Um único homem. E aquele enorme e belo elefante alimentou a minha noite de esperança.  * Não consegui nem mesmo ver a entrevista do querido Lula na tv Globo. O único candidato possível para este momento de mundo, devo dizer e repetir! Não adianta desviar o assunto e trazer fatos que a mídia gosta de ouvir... Fofocas e intrigas deixem para as novelas, por favor. Vamos ouvir os projetos do Lula e aplaudir o que já conseguiu construir neste Brasil, já tão maltratado! * Lula é o nosso elefante. Grande, corajoso e belo!

Ah, agora, sim

Ah, agora sim, nasce uma pequena editora em minhas mãos.  Sim, nasce do aprendizado de fazer livros no movimento da escrita. Um a um. Árvores ao vento e o papel reciclado ou não. Na folha do tempo os lábios soletram: o ar a calma o chão. Chuva miúda na página  aberta. Lugar de letras perto do mar. Marca  onde ardem os dedos da mão.  Rio chegando à primavera, 2026

À noite

(Escrevo e penso) Faz frio Nuvens acomodam poeiras Estrelas desaparecem. *

Domingo de leituras e música

 Escrevo Leio, uma vez ou outra, os Evangelhos Apócrifos na tradução do português Frederico Lourenço. Livro que adquirimos no Brasil. A vida da menina Maria, a filha de Ana e Joaquim, chega perto devagar. Talvez na terceira hora, talvez.. E ela foi apresentada ao Templo aos três anos. Tintoretto e Ticiano pintaram a cena impressionante que já vimos algumas vezes em Veneza (Ticiano na Galeria Accademia). No sonho de uma palavra revelada por um anjo a José a história continua. E de fatos em fatos, palavras de mistério e fé traçam o enredo humanista que nos alcança nos séculos que chegam até nós.  As mãos de Maria se misturam ao sorriso. Pura verdade, pura. E ela foi entregue a José assim.  Ave Maria. Ave! * Fabrizio De André canta e escreve esta história em 1970. ... "Salve Maria, agora que és mulher. Salve as mulheres como ti, Maria.  Mulheres um dia para um novo amor.  Mulheres um dia e depois mães para sempre." .... Rio de agosto, 2026

Um sábado só

Sozinha no sábado  ela sonha. E acorda ainda só. O olho vê  e o ouvido ouve. Atravessa caminhos...

Sobre sonhos

Detalhes de nossos dias, por vezes, se misturam em nossos sonhos. Em geral, compõem a paisagem ou mudam de roupa e não se apresentam, exatamente, como foram. São os nomeados 'restos diurnos'. Já me ocupei do tema em estudos e leituras ou mesmo em sessões de análise.  Agora, devo acrescentar que fazer valer um sonho tornando-o realidade é uma outra coisa. Não um sonho noturno, mas um sonho tradutor de um desejo. Realizo um de meus sonhos aos setenta e cinco anos. É estranho e é leve ao mesmo tempo. E sigo persistindo no ato de realizar um sonho antigo. Acreditem: é muito bom!