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Mostrando postagens de janeiro, 2021

31.01.2021 - Virginia Woolf

 Terminei de ler Um esboço do passado de Virginia Woolf, publicado postumamente.  Sigo habitada de algumas cenas descritas com grande emoção, justamente as que trazem  o passado revisitado. O delicado livro da editora NÓS é costurado com linha lilás e tem capa rosa. Os textos foram escritos de 1939 a 1940, e compilados pela pesquisadora Jeanne Schulkind  (Woolf Virginia. Moments of Being . New York: Harcourt, 1986). Com as fantasias da infância dando direção ao escrito, Virginia estabelece com o leitor um  diálogo íntimo; abre alguns segredos bem guardados. Somos convidados a entrar em seu  quarto, e partilhamos das conversas com seus irmãos assim como do chá da tarde ou das  caminhadas feitas com seu pai. Passamos a conhecer a vida de uma família da classe média  alta daquela época, quando a "sociedade ainda era vitoriana." Na apresentação do livro, a tradutora Ana Carolina Mesquita nos diz que "é a memória que nos  permite construir signif...

Rio, 30.01.2021

Poesia Quem quer entrar pela porta da sala? Há alguém escondido atrás da porta? Lua cheia de janeiro.  De olhos bem abertos permaneço de pé  na moldura da janela espreito o que acontece no céu. Mastigo castanhas de caju com sal diante dos absurdos do país. O calor consome as horas e os dramas. Onde dormem mendigos - (caixas de papelão) - o cansaço e a fome trafegam.  Um cão felpudo esconde filigranas da noite.  No caos de nossa jornada esperamos os próximos meses com fé.  Outono - venha sobre todos nós no giro dos ponteiros dos relógios.    (escrito e revisto)

Ri, 29.01.2021

 Aqui Em um país de árvores, tucanos e samambaias Índios e floresta amazônica Os homens ribeirinhos plantam mandioca  E comem farinha que amassam com peixe Nos manguezais a pesca é outra Caranguejos circulam na lama Siris nas areias do mar se misturam Às algas frescas de verdes transparências No concreto das cidades  Os homens travam lutas corpo a corpo A selva é de outra natureza Faltam alimentos e sobra escravidão Aqui a vida tem mil humores As cores correm entre os dedos Mulheres ganham espaço e sonham Mas o vírus covid-19 assombra, mata  E desmonta o mundo econômico de um só golpe Não há medidas protetoras  Aqui, antes que seja trop tard É preciso escancarar os olhos 

Rio, 28.01.2021

 Nostalgias Quem alimenta este momento obscuro e triste onde as mortes se somam no dia a dia de forma inesperada e à margem, na poeira do cansaço e do silêncio? Que lugar parece protegido mas não é, porque as nuances da manhã na nostalgia dos abraços  são movimentos de perigo. As dobras de um vestido uma sandália alta vermelha e o frágil corpo: princípio e fim de uma saudade.   Quem saberá se é possível esquecer a dor que respira agora? Caminham conosco ruídos e gestos destes tempos duros demais.

Que Governo é esse?

 Escrevo ainda tomada pela indignação da notícia da Folha de S.Paulo: Cito: Governo corta benefícios fiscais para pesquisa científica e atinge projetos de Butantan e Fiocruz na pandemia. (...) O governo Jair Bolsonaro cortou 68,9% da cota de importação de  equipamentos e insumos destinados à pesquisa científica. A medida afeta principalmente as ações desenvolvidas pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz no combate à pandemia da covid-19.  Nem consigo acreditar, mas, novamente, confirmam-se os "monstros" que estão a frente deste governo Bolsonaro. Onde vamos parar? My God ! Nada vezes Nada explica tal decisão. E o nosso Congresso continua "paradinho da silva". Esperando o quê? Por muito menos, devo relembrar, vocês retiraram a Sra. Dilma Roussef. E, na época, souberam armar muito bem... Assistimos há tempos a um desmando assassino no Ministério da Saúde.  Em Manaus a população morre em qualquer lugar. O vírus mais potente está sendo espalhado e já corre entre nós. O M...

Rio, 26.01.2021

  Leio devagar e caminho com a leitura para o final do livro de Virgínia  Woolf  Um esboço do passado, com tradução de Ana Carolina Mesquita. Com este texto autobiográfico, às vezes retorno a Manaus de minha infância quase inteiramente. Rabisco algumas linhas de uma autobiografia ainda  embrionária. * Espelhos Não são claros os espelhos de nosso tempo Os olhos embaçados do mundo apagam algumas dores Não refletem  a real condição dos homens Sob a luz de um vírus que trafega no interior de nossos corpos sobe à tona desigualdades de todas as espécies Imóveis e com pupilas dilatadas os animais farejam dias estranhos embora as plantas respirem melhor sem poluição  Somos nós os responsáveis pelo desastre humanitário 

Em defesa de nossos índios e nossas florestas!

Leitor, clique no link abaixo para ver o texto publicado na França. A magnífica foto de Fernando Frazão do nosso Cacique Raoni é digna de prêmio. Mas, a dignidade e coragem de nossos caciques são indiscutíveis. Vale a leitura! https://lareleveetlapeste.fr/bresil-les-chefs-autochtones-raoni-et-almir-portent-plainte-contre-bolsonaro-pour-crimes-contre-lhumanite/?fbclid=IwAR02f1WzMIki70x3r2JTyqwYOkmPtkzfxw2f2_HVguCEq99pt8ceUnNbq2c Traduzo livremente um pedaço do texto: O Presidente brasileiro aliás não escondeu nunca suas intenções. Desde sua campanha  presidencial, já propunha suprimir as proteções das terras autóctones, garantidas na  constituição do país, afim de abrir as reservas amazônicas e tribais à agroindústria, às minas  e a outras atividades industriais. Le Président brésilien n’a d’ailleurs jamais caché ses intentions. Dès sa campagne   présidentielle, il proposait déjà de supprimer les protections des terres autochtones, garanties dans la constitution du pa...

Caminhando

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Foto da semana passada                                                                 (Final do Leblon) Rio, 24.01.2021 Neste verão, mesmo com a pandemia, precisamos sair para caminhar um pouco, tomar sol e respirar perto do mar. As máscaras e o álcool gel, agora, são parceiros. O espanto continua sendo ver nas areias uma grande quantidade de  pessoas aglomeradas. A alienação dos homens é preocupante demais. Alguns ainda caminham pelas ruas sem máscaras, tagarelando sem parar. Contudo, nada se compara com a quantidade de mensagens contraditórias  e/ou ambivalentes que circulam entre nós desde o inicio da pandemia,  a partir de março de 2020. Não só não temos até hoje uma clareza nas decisões de nosso governo como escutamos as mentiras deslavadas dos ministros que habitam em torno do Presidente da República. Vivemo...

Livraria Timbre: uma homenagem

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                                            Com amigas psicanalistas comemorando comigo!                                           Lançamento:  Livro das areias.  Lumme editor, 2012                                                                                        Com os editores da 7Letras Jorge e Isadora                                                 Familiares prestigiando (tios, cunhada e sogra)       ...

Rio, 22.02.2021

Viver Renovo a vida de um instante ávido perfume Renovo o corpo nuvem e vento sacrifício e dor Renovo os dias na boca do mundo um silêncio raro Renovação de hálito Um sopro longo  cálido e constante...

21.01.2021

Começo a leitura de O labirinto da Saudade de Eduardo Lourenço.  Tinta - da - china Brasil, 2016 Importante texto para que possamos entender Portugal. Publicado pela primeira vez em 1978  (Portugal). Agora faz-se luz para nos ajudar a pensar os desdobramentos da história de Portugal  e da nossa história, que participou desta "essência dos Descobrimentos".  * Neste exato momento, em pleno século XXI, com tantas situações no Brasil e no  mundo pedindo mudanças, pois assistimos ao avanço desmedido de uma pandemia que   exige pensamento, somos a lentidão e o drama que não alcançam decisões urgentes.  Em que tipo de (des)governo vivemos? Somos herdeiros de uma forma de pensar lusitana que comparece sempre incorporada ao espírito com um aspecto crítico saudável, felizmente. Porém, também somos, e já faz algum tempo, herdeiros de um modo de viver e habitar americano, digo: um modo  low profile de vida que nos foi entrando pelos poros devagar, e, s...

20.01.2021

  Os E.U.A  só tem a ganhar com o novo presidente eleito. Joseph Biden e Kamala Harris merecem todo o nosso respeito. O discurso humanista de Biden feito hoje nos trouxe fôlego.   Vida longa ao novo Governo Americano! The sun is shining !

Rio, 19.01.2021

Ritmos novos  O dia alto quase não respira Faz calor e a vida pouco risonha procura abrir caminhos menos bestiais Árvores, montanhas Cristo Redentor Um campo de vozes braços sem abraços em baixa rotação Não trago só notícias tristes Na terra quente e úmida procuro a mão que soma em lâmpadas acesas Quero um dia de sol sem ignorância * O que posso dizer, caminho novo de rosto indagador Um riso raro rápido Os dedos ágeis demais Nos meus passos delicados sempre dentro de casa as palavras procuram somar no texto que nasce um risco letra esperança

Dona Tartaruga e o sapo sapeca

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                                                             Chegou em minhas mãos finalmente!                                                              Viva!

Rio, 18.01.2021

Uma salva de palmas para os nossos cientistas! As situações mais estranhas vão se explicando aos poucos, nas nuances das falas dos políticos. Quanta loucura: desmandos e indiferenças. Porém, as vacinas do Instituto Butantan começam a circular.  Aguardamos também as da Fundação Oswaldo Cruz, em breve. Estamos gratos! * Agora a palavra dança na página branca Recortada e incerta passeia leve (Vá Vacine-se!) *

Rio, 16.01.2021

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                                              Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro                                              Fotos minhas em 15.01.2021 * Nota de incredulidade Já ouvimos declarações em reuniões presidências decidindo "abrir a porteira" durante  a pandemia mais pesada do século vivida aqui e ao redor do mundo. Parece que não  levamos a sério as palavras do ministro do Meio Ambiente, o mais "fora de lugar" da história,  cruel na lealdade cega a um governo capaz de atos perversos.  Um governo que também liberou o uso de agrotóxicos no país, o porte de armas de  fogo, o desmatamento de nossas florestas sem controle. Manifestações enlouquecidas de  seus seguidores nos assombraram, e inúmeras ameaças a jornalist...

Nos horizontes do mundo e ao nosso redor

    Diante desta pandemia devastadora e mortífera, os homens lúcidos e de  línguas  distintas - ao redor do mundo - se indagam, diariamente, sobre  as providências mais  urgentes a tomar para conseguir ter os cuidados  necessários e proteger a si próprio,  aos  seus familiares e amigos e a sua nação. E dando prioridade à vida sempre, na multiplicidade e na constância das  Pesquisas  Científicas, seguem aprendendo e compreendendo as urgências  em meio à confusão  e ao  sofrimento deste momento tão difícil. Construímos e vivemos há algum tempo em uma sociedade voltada para  o divertimento  e o  gozo. Quase não há espaço para o silêncio e a reflexão.  Os inúmeros ruídos do mundo  são,  hoje, uma espécie de torrente de torpor  barulhenta e desagradável, que desgasta os  sentidos humanos: excessos de  tudo, e uma aceleração irracional e desmembrada. No entanto, depois de...

Por onde andamos

 Eis aqui a terra brasileira sofrida diante da barbárie que reúne a todos nós sob o véu do desmando  A quem evocar? Nosso destino poderia ser  mais brando assim como a natureza  precisaria ser mais poupada Quando penso ter atravessado o mais difícil uma onda de alienação e loucura procura se acomodar e emergem palavras toscas  (em uma certa parte do país) Mas ainda assim na manhã  faço os alimentos básicos repito gestos ao redor  de paredes brancas Há nas coisas que toco  um ar de disponibilidade que a clareza procura atravessar  com novos sabores Surpreendida me recolho entre as coisas que plantei  Diante de tempos tão estranhos só me resta olhar com olhos úmidos  a terra onde nasci                                                                         ...

Rio de Janeiro, 12.01.2021

No corpo a corpo com a vida Difícil viver a vida deste momento Difícil respirar o ar denso ao redor  Somos nossos pés e nossos antepassados A visão do instante maior - longo e imponderável - abre feridas que prolongam as súplicas As mãos procuram os abraços As palavras dizem ou silenciam a impossibilidade deste momento que se impõe

Rio, 11.01.2021

 Os dias nos protegem dentro de casa Com o exercício da paciência participando de nossos dias e fazendo parte da respiração conseguimos sair do tempo enclausurado pelos ponteiros do  relógio.  Entre a semente e a flor há um tempo de espera necessário e útil.  A escuta exige silêncio interior assim como a paciência. Ambas são aprendizados construtivos nestes dias vividos dentro de casa. *

Haikai

Na noite acordada  de sonhos sombras insônias o fio do pensar

Manhã de 10.01.2021

Perfumes e histórias Manhã perfumada derrama  a vida quente de janeiro Um bando de periquitos assanham e assombram a mangueira repolhuda Em verdes tons diversos se misturam  De longe persisto  Acalmo a dor das ausências e digo em oração o quanto custa encher a terra de diversos perfumes humanos O cheiro das mangas cresce Os gritos também crescem Aromas vivos são doces nos jardins entre os canteiros abertos na escuta    *

Lendo entre amigos

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                                                   Foto da década de noventa. A leitura entre amigos e para alguns amigos sempre me entusiasmou. Nesta época,  a leitura era feita depois do café da manhã com alguns poemas ou textos inéditos.  Considero que estes encontros nos marcaram para sempre. Sim, até hoje recebo livros lindos de presente destes amigos fiés.  As palavras que permaneciam conosco depois testemunhavam algo da vida reconciliada  com a graça!  O convite costumava ser bem simples: Venha tomar o café da manhã conosco e, depois,  farei algumas leituras de um livro inédito!  Estes encontros se tornaram maiores com o tempo, e passaram a acontecer à noite. Com mais  amigos presentes ganharam um ar de reunião festiva. Às vezes, tomávamos um pouco de  vinho, mas nem sempre. As conversas corriam soltas carre...

Rio de Janeiro, 8.01.2021

 Não é um poema                           é uma fragilidade nascida entre os dedos e conservada na sombra das manhãs  deste verão Não é um fragmento e nem se mantém                                  no alto da montanha entre as nuvens brancas que nascem e se esticam no céu claro O caminho não me aparece durante o café da manhã sob o gole de água fresca e nem saboreio o tempo do corpo encalorado É a frase no ritmo do peito que cresce lenta na marcha do piso respingado de folhas secas que tombam das plantas na janela O caminho e as sombras se instalam agora entre o sopro e a lâmpada da sala acesa com o pulso rápido          em movimento O dia respira com as pálpebras Ainda dói a noite da terra que enterra seus defuntos * Sob as sílabas sobram  os dias sem destino certo!         ...

"E agora, José?"

Estamos diante de um momento de mundo completamente cruel e desumano. Não é só a covid-19 que nos assusta e invade os dias e as noites, mas também as atitudes de  alguns homens que ocupam posições de poder e agem perversamente diante dos países que  governam.  O atual Presidente dos EUA - com sua crueldade perfeita - fez uso de palavras de ordem e  mentiras durante todo o seu governo nos últimos quatro anos. Não sou só eu que reconheço  o fato, mas pensadores, estudiosos, escritores e jornalistas ao redor do mundo. E, suas ações e  gestos ainda serviram de modelo ao nosso presidente tão insano e mentiroso quanto ele.  E agora? Agora o mundo sofre indignado. Agora, "a festa acabou". Ele "está sem discurso," perdeu a eleição, o bonde da história, e o riso murchou. O mundo o critica. Tudo ficou feio  no meio do frio de mortes e indecências que a violência gerou. Agora, é sair de fininho. Fechar a boca pra não precisar sair antes da hora. E Viva a Dem...

Um passeio pelas praias cariocas

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                                                  As fotos são minhas feitas no celular:                                                    Leblon e Urca  

Escrevo:

Penso em uma vida totalmente dedicada à escrita. Ontem, escrevi mais uma historinha infantil.  Faço pesquisas para um livro novo e caminho muito lentamente.  Organizo um estudo on line sobre Francis Ponge . E, me alegro com as notícias de um novo livro - em fase de montagem - na editora 7Letras. Os dias se sucedem.  Estou de férias do trabalho da vida toda: a escuta psicanalítica.  Preciso silenciar de vez em quando. Voilà ! Penso nas mulheres que viveram as Guerras e perderam tudo.  Penso em Anna Akhmátova. Penso nos lutos que precisou viver. Penso em Virginia Woolf e suas delicadezas literárias. Rio, 6.01.2021

Diário

 Rio, 1.01.2021 O espaço se abre e renascemos de qualquer verde  e da terra imensa  à nossa frente. No chão os pés saltam  inúmeros e incalculáveis e obscenos obstáculos. Ensaio danças neste teto  aberto de esperanças.  * Que palavra abrirá um caminho sem lágrimas, nestes dias difíceis a cada passo que damos? * Com o calor misturado ao espanto diante de homens sem máscaras  e sem escrúpulos, que palavra pode expressar o que mais tememos? (Diante da fome, da morte e da dor de tantos  que palavra - luz se fará sob nossos pés?)   * A boca sem saliva,  a palavra ressecada e áspera sulca no dia o mais intenso: a verve de pedra e sal entre ervas verdes na insistência da memória.