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Mostrando postagens de junho, 2021

Diário, 30 de junho de 2021

Sinais  1. Não darei nenhum passo fora da porta  da casa, e não respondo pelos insanos  que nos constrangem em todos os momentos. Lá fora corre de tudo e muito mais. Ainda e sempre os homens mentem e roubam enquanto a manhã carioca esfria o chão de nossas vidas no canto sem ardil: sinais de um tempo surdo e doente e duro, enquanto as mulheres cuidam e arrumam a vida difícil a casa limpa a  comida sobre a mesa e a cama muda enquanto a garganta grita alto : chega.  

Poesia de qualquer lugar

As horas andam como se fossem um rio cheio de histórias lindas   Vestidas de roupas poucas as horas do meu dia gostam de brincar Aqui onde o brilho chega e os meus pés se apoiam guardo os segredos Muitas praias andam comigo e as águas perfumadas de peixes  coloridos chegam por perto Poesia de mãos dadas  abra os dias deste inverno  infectado e sopre de qualquer lugar...

Diário, 29.06.2021

  Piove...piove... Na madrugada fria, lembrei: hoje é dia de Frei Luiz. Guardados os dias de um tempo em que conheci a história  deste homem, que viveu em Petrópolis e a tantos ajudou,  guardadas estão as horas de experiências raras. * A cidade e o país ainda padecem de covid.19 Somos seres estranhos quando estamos frágeis. Os quartos, as salas não sossegam. E andam conosco nossos estranhamentos mais sutis. * Neste país onde alguns homens usufruem do poder sem ética, quando os abismos nos convocam a pensar de forma séria, somos a pergunta que se ergue no clarão: "os responsáveis serão, de fato,  responsabilizados?" Quem estendeu no chão as mentiras vociferando com os dentes afiados e deslizando pelas ruas do país todos os meses mostrando os dentes à vontade precisa ser responsabilizado. Estamos de luto.  Mas ele não.  E, repito: ele não!

Mais um

Variações Risco pingo giz na trama de um mistério: pétala de flor

Diário, 28.06.2021

Na linha do horizonte há algum equilíbrio? Imaginária é a linha do meridiano. O nojo é difícil de sentir. * Lutaremos sempre com palavras  e inteligência sensível. O sol em chamas nos sustentará. * Braços e árvores fazem parte de nossa luta porque os momentos são vitais. As mentiras tombam no chão... 

Nota noturna

 Morre o jornalista Artur Xexéo no Rio de Janeiro.

Diário, 27.06.2021

A noite delicada se estende sob nossos pés No escuro guarda-se a luz do dia seguinte E os relógios mostram as horas cindidas na ilegibilidade deste mundo                                                            para Paul Celan

Diário, 26.06.2021

 Caros leitores, Relembro que hoje, a partir das 19 horas, estaremos com o apoio da Editora 7Letras divulgando nossos trabalhos (José Eduardo e eu) nos livros: Paul Celan e Gisèle Celan Lestrange: uma correspondência de amor e sombras  e Diário de um tempo indeterminado Será uma alegria tê-los conosco, neste momento de leituras e conversas on line. Até mais tarde! Segue o link:   https://bit.ly/35HFOLO  

Diário, 25.06.2021

 Paisagem Às vezes parece que o dia escorre rápido Podia ser uma outra cena Distendida na página que corre Sobre os fios de meus cabelos soltos Mas nessa descoberta estranha Sinto medo e me protejo Quase de forma vaga Como a bruma desta manhã (Fragmento do livro novo Diário de um tempo indeterminado , p. 134)

Diário, 23 de junho de 2021

Um diário é um fio contínuo do sentir e do pensar, alors: Um circo de horrores continua circulando em Brasília e arredores. Entre ameaças e mentiras as histórias se constroem, rapidamente. Sai Salles. UFA!  Mas, atenção, os eleitos parecem sempre estar na contramão.  Contramão do mundo e do pensamento contemporâneo. As luzes se acendem e se apagam. aos pouco confirmam-se os horrores que esclarecem até o porquê de tantas fake news.  (onde há fumaça há fogo, diziam os antigos) E hoje é dia de São João!

Divulgação dos novos livros

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 Caros leitores e amigos, estaremos no sábado próximo on line realizando leituras dos novos livros e conversando um pouco com vocês. Será um prazer tê-los conosco. Até lá! Segue o link:   https://bit.ly/35HFOLO   * Chers amis, on sera on line par zoom dans le prochain samedi et on va faire quelques lectures (en portugais, bien sûre)  des nouveaux livres. Ce sera un vrai plaîsir de vous rencontrer. À bientôt!

Poesia sobre a casa

A minha casa corre comigo de um canto a outro entre janelas abertas  e portas a se abrir. Corre entre meus dedos a casa que se escreve lenta e tem um perfume de  jasmim ou de alecrim. Sob a sombra da tarde penetra uma quietude estranha quando já foi feito muito. Quando as mãos cansam de agir e os pés sobre o leito pedem um afago por mim. E é ainda no final da tarde mansa que respiro e leio leio e penso mais ligeiro, porque a noite virá nos abraçar em um sono nem sempre quieto guiado pelo vento frio invernal. Devaneios e sonhos avançam com a força bruta do dia de tantas notícias tristes,  bizarramente tristes. (E bocas abertas clamam querendo comer). Rio, 22.06.2021

Diário da manhã

Ainda a matutar a questão de ontem: Em qual espelho se olha o Ministro da Comunicação? (porque a jornalista, claramente, se olha em um espelho feminino e humanista!) Rio de Janeiro, 22.06.2021

Diário, 21.06.2021

 Nota noturna Incrível ouvir um Ministro da Comunição dizer que há dois espelhos: - você olha para um (se dirigindo a jornalista que o entrevistava) e "eu"   para outro. Difícil de analisar. Talvez, Narciso pudesse nos ajudar!

Inverno no Rio outra vez

Dias frios e madrugadas geladas. Dói nos ossos e na alma. Dói um país desmontado por desmandos de um governo insano. Demasiado insano. Nossas mãos somadas ainda não se somam tantas a ponto de interromper este percurso louco? Dias doidos, doídos. Loucos.  A minha vida e a tua entregues nestas sílabas corroídas de misérias e abandonos desenfreados. O espaço que a escrita traça se coloca a cada minuto. Em tudo que vejo e escrevo está gravado muito deste tempo infame.                                                                    Rio de Janeiro, 21.06.2021

Poesia do final do dia

Uma palavra ou mais  Uma só palavra não diz o dia que sopra na garganta e suspira sem o verde e o azul O pé cansado no limite do peso que a língua afina e afia não fala a água que as crianças  precisam beber Dias de sol sem sol Dias lisos de solos difíceis Sonhos não sonhados Fome e frio  Rio, 20.06.2021

Mais de 500 mil mortes no Brasil

Nota triste  Lastimamos imensamente o que acontece no Brasil durante esta pandemia. Milhares de pessoas adoeceram e ainda adoecem. Estamos tristes e solidários com as famílias que perderam pessoas queridas e amigas. * FORA Bolsonaro! Somamos força e voz ao grito que ressoa: FORA Bolsonaro!

Diário, 19.06.2021

 Poesia livre Com as estrelas as árvores e o vento as crianças se animam e nos ensinam: travessuras de luz e movimento Ousadias da boca e do ventre      Pássaros rasgam o final do outono e borboletas amarelas  giram em circuitos   de nosso Jardim Botânico * A boca que devora é mesma que sorri * Na textura do quarto no escuro dos lábios mansos meus olhos escutam muito do mundo     

Viva Maria Bethânia!

Sonho meu...sonho meu... onde está quem mora longe... Cantemos! *

Diário, 18.06.2021

 Seria um sonho Seria um 'sonho' se não fosse verdade Que o dia e a brisa fria sobre as folhas Gritem o horror desmedido - Que nos invade não só nos gestos Sem princípios de homens insensatos - perdidos?

Diário, 17.06.2021

Anotações: Hoje faz um pouco de frio (19 ou 20 graus já traz o tom invernal para a nossa cidade). E já choveu bastante. O cinza se instala nas paredes deste dia. *

Diário, 16.06.2021

Leio e leio e leio Sophia. Sophia de Mello Breyner Andresen. Sophia imensa. Linda. Nua nos versos que atravessam o mar, correm ao vento e bebem nos jardins das cigarras  onde sapos e grilos enfeitam o chão. Nos gestos inquietos de Sophia aprendo  dos sonhos e nas "pausas brancas dos poemas".   

Ainda nesta manhã de junho

1. Junto a este Rio, que escorre cheio de vírus e virulências, seguimos levando as sombras de um passado recente. Não eram assim tão febris as nossas manhãs, nem o medo juntava nossas passadas. Ao nascer do sol abria-se, também, a esperança de palavras e gestos, escutas e silêncios, perfumes e beijos.  2. Os animais de estimação, os mais companheiros sonhavam por perto. As portas bem gastas de tantos manuseios não gemiam nem acumulavam tanto pó. As panelas cheiravam  alto com o sabor do riso e das mãos.   3. A minha vida de junho não acontece na rua. Olho e espero. O ouvido conversa com a visão e pede sigilo. 4. Não me perguntem muito mais. Ainda nesta manhã de junho escuto pássaros. E a dor das perdas não deixa muito espaço.  Rio de Janeiro, 15.06.2021  

Diário, 15.06.2021

E foi para o céu das árvores o poeta de Belém do Pará E foi para o céu de Andara...

Nota noturna

 Soubemos agora que faleceu o poeta paraense  Vicente Franz Cecim.

Poesia

 Soneto para Kathlen Romeo   Kathlen morreu de repente em meio a um tiroteio No auge da confusão sua avó se jogou no chão Buscando cobrir com o próprio corpo o de sua neta, grávida Mas Kathlen já tinha partido dali: ávida   Um instante depois a cidade do Rio de Janeiro Abriu seu lamento aos mortos em tiroteios Mulheres e crianças não se salvam nestes dias São frutos colhidos por balas vazias   Selvagens, loucos, confusos fuzis Não embalam nosso céu Somos nós a gritar alto contra o breu   Os governos insanos devastam tanto Em meio a caminhada sem encanto De um tempo sem cor sem nada     Rio de Janeiro, 14.06.2021

Diário, 13.06.2021

Hoje é dia de Santo Antônio Nunca fui ligada aos dias santos; as datas comemoradas na igreja. Na época do colégio - ainda em Manaus - estas datas eram, principalmente,  vividas nas festas juninas e, assim, se misturavam com as danças, as canjicas, as  cocadas, etc.  Os dias frios, alguns anos depois, trouxeram a dança das quadrilhas cariocas com a fogueira  acessa assando milho verde ou batata doce. O calor do fogo no encontro com familiares  e amigos nas famosas festas de São João no sítio dos tios Iara e Fausto, meus tios festeiros, deixou saudades!  Hoje é dia de Santo Antônio me disse José, logo cedo. Ele sempre tão atento às datas. Vivemos dias duros. Estamos contaminados de tudo: mentiras se misturam ao vírus e o  saldo é apavorante demais. Santo Antônio, São João e São Pedro precisam ser festejados em preces e podem muito bem orar por todos nós!

Diário, 12 de junho de 2021

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Em casa durante a pandemia, 2021                                                        Namorados há quase três décadas!                                                                                                           Em Buenos Aires, 2002                                            Paris, 2005                                              Minas Gerais, 1996 ...

Nota noturna

  A morte de Kathlen Romeo não será em vão!

Diário, 11.06.2021

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Os livros novos chegaram nesta tarde chuvosa.  Diário de um tempo indeterminado. Solange Rebuzzi e Paul Celan e Gisèle Celan-Lestrange: Uma correspondência de amor e sombras. José Eduardo Barros Seguramos os exemplares com delicadeza.  Examinamos tudo: capa, fotos, a textura do papel, o texto de abertura, das orelhas, etc,.  Esta é uma casa de livros e letras. A alegria é imensa!                                                                 Foto de capa de José Eduardo Barros                                                                Formato 15.5 x 23 cm; 160p.

Diário, 10.06.2021

Com os livros novos chegando da gráfica (ainda esta semana), a harpa da alegria toca entre nós!   * Uma cena nova sem ensaio se instala. O papel que desempenho é firme leve e alegre.   O ritmo da respiração e as paredes da casa  comemoram: somos dois a escrever...

Diário, 9.06.2021

Os mistérios deste mundo sempre ininteligível. Uma noite cheia de chuva forte. Ontem, escrevi e li tanto que não consegui chegar ao blog. Às vezes, escrevo a mão. Notas rápidas ou versos ligeiros que chegam com a respiração.  Podei plantas. Recebi surpresas pelo whatsapp. Atendi.  * Poesia Inesperadamente, sorri. Os gestos de antes se tornaram vivos. Os sonhos acordaram palavras em caminhos de muros e de heras. Caminhamos entre passarinhos  no verde muito verde e lilás. (Um mundo mais inteiro desejamos.)    

Diário, 7.06.2021

Um dia e mais um. Os amigos estão sendo vacinados.  Alguns parentes, também. Os mais jovens aguardam a vez.  Nunca imaginamos viver uma tragédia assim. !!! Alguns idosos morrem entre uma vacina e outra, e, há os morrem mesmo depois das duas doses. A cidade sofre com os hospitais lotados, mas as praias continuam cheias. E muitos bares também. Está difícil viver na cidade do Rio de Janeiro em tempos de pandemia.

Livro feito a mão

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  Vestes e vestígios , poema e livro de 2002.

Diário, 6.06.2021

 Poesia de um dia solar                                                                   A tua casa habita entre o silêncio e o dia.                                                                                                António Ramos Rosa Respirar respirar com as folhas das mangueiras que participam da tarefa matutina entre o corpo que acorda e o rosto que sorri Caminhar suave e lento e na luz azul que se desenha ao largo deslizar a mão em um horizonte flexível que avança mas não desaparece O pão no prato dividido e a curva do braço sustenta e ondula a xícara de café Acordar ...

Diário

Nos jardins de outros dias  Alamedas livres para os pés e o pensamento. Tudo parece igual mas não é.  O corpo leve saboreia o vento nos cabelos. Uma borboleta yellow pousa perto e finge que não me vê: olhos acessos brilham na luz Areias, perfumes e águas silenciosas. Aonde e quando? As casas não são mais as casa de ontem nem os gestos nem as ruas. A saudade e o medo se misturam.

No Dia Mundial do Meio Ambiente

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 Uma homenagem ao nosso Jardim Botânico - R.J. Fotos clicadas no dia 2.06.2021 por José Eduardo Barros

Diário, 4.06.2021

Amanhece com os ruídos de sempre. Muitas obras ao redor. Preciso me concentrar. Tarefas me chamam. Agendo alguns compromissos depois do café da amanhã. Não me perco. Quero escrever e os cadernos se abrem. Ontem, colei letras no final do dia. A palavra Trêmula  se impôs. Diante de mim está o dia. Caminho alguns passos firmes. * A casa é a mesma de paredes brancas. Os sustos são outros. E a cada momento que me surpreendo, reviro fatos do passado. Sei que preciso caminhar. Às vezes, dou duzentos passos e deslizo  no silêncio. Mas, na quarta-feira dei mais de três mil. * As letras não são iguais nem os sinais dados pela natureza, ou as expressões de rosto de uma pessoa em momentos de tristeza ou alegria intensa. Amanhã vamos caminhar novamente. Um outono assim nunca se viu. Os dias tristes deste mês de junho desdobrados em medo de mais mortes e contaminações por toda parte. * Enquanto o vento silencia e a noite avança, a escuridão de todo um país segue assustando.  Há algum s...

Nota soturna

É tudo muito estranho (e nem vou comentar). Não, não vou. * Que políticos são estes? Insanos. Macabros. Sórdidos. Cruéis. * Falemos de política?   Discussões vãs.  Nunca imaginamos nada disto. * Ontem ou hoje as rodas de conversa giram  p e r p l e x a s.                                         (à noite em 3.06.2021)

Diário, 3.06.2021

 Oração da manhã Será um dia de sol que se escreve e um rumor de línguas... Que as águas claras possam surgir. Peço pouco e peço tanto: Que sejam dias cálidos e se dobrem sobre nossos pés as raízes  os ramos e os frutos; caminhos longos de um devir.

Nota noturna

 Uma salva de palmas para a Dra. Luana Araújo! Uma mulher que bem representa as cientistas de nosso país: estudiosa, séria e que sabe pensar. *  E já temos quase 95 mil pessoas adoecendo por dia de covid no Brasil.  * Bolsonaro atordoa o país trazendo a Copa América pra cá. Procura desviar o foco do que importa: investigações sobre seus filhos e ministros.

Poesia da árvore

A árvore no lugar de sempre - no chão do amor, onde nossos pés tantas vezes pisam. Minha árvore cresce no jardim dos sonhos. Alimenta-se de vento e chuva. Cavalga crespa as tempestades de verão. Perde-se no inverno  nua e despudorada. Árvore minha  de garganta e tronco rosados. Não chora os cortes nem os ninhos que partem. Resoluta volta verde de face forte e repolhuda. Cresce de novo os braços na terra que lhe aquece. Rio de Janeiro, 2.06.2021

Diário, 1.06.2021

Nota matutina: Não está frio nem chuvoso.  Observo o mês de junho começar como se fosse um rio que passa.  De início, as águas são pequenas. Correm devagar.  Prometem crescer bastante mais adiante, quando tudo ficar bem mais complicado  diante das decisões estranhas que estão sendo tomadas.  O cifrão dita as regras aos homens bizarros & sem limites.  Não estaremos a salvo do bombardeio de vírus que já se anuncia entre os chutes e os gols. * SOMOS  contra a Copa América no Brasil!!! E queremos vacinas para o povo brasileiro! *