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Mostrando postagens de setembro, 2024

Versos soltos

Na porta do mundo  bate o tempo destemido. Soam sob meus pés  descalços  ecos.  Labaredas vivas assombradas assanham árvores e raízes.  Cinzas. Aroma de fumaça e pó.  & Não me entristeço. Os cabelos se cobrem de branco. Pérolas.  Os pés saboreiam belas idades. Os ausentes sopram: a noite é densa. Há palavras a aprender. E poemas a dizer. Rolam lágrimas quentes. Ásperas, secas.                 O poema passa. Mas os navios continuam a partir. E o cais parece sempre dividido. Mutilações e escombros cobrem nossas manhãs. Simplesmente. O terror se inscreve. Rio, 30 de setembro de 2024.

Nota do dia:

 Enquanto alguns países europeus, os EUA e Israel afirmam estar ganhando a guerra contra o terrorismo, o que vemos traduz-se como falta de sensibilidade total e arrogância desmedida, porque nunca se viu tanta morte em tão pouco tempo no caso de Gaza, nem um deslocamento de parte da população do Líbano tão grande. Assim, que o que parece vitória é da ordem do caos e da barbárie. O que presenciamos desde 9 de outubro continua sendo o mesmo: destruição e destruição e mortes.

Paciência

Vestida de tecidos antigos valiosos. E tingida de tempo. Vermelha ou azulada de gestos ela dança sem véus.  A face nua e os cabelos volumosos ao vento. Ela dança de pés elevados. Olhos límpidos e amendoados. Não dorme sobre  o susto da noite nem no frio da mentira. Paciência purificada. A sílaba solta acentuada  e formada (não  só) de vogais. Na nuvem poesia  guarda seu segredo. A palavra lavrada não se perde no fogo. Antes bem antes e com o verbo veloz, ela, por amor não se cala. O corpo coberto de memória. A terra ferida. Nos braços a força  das entranhas. Verde visão de mundo. * A escrita dos dedos no branco deserto sem água onde a luz alcança  estrelas lançadas no solo. * Nos incêndios plantados  sobram letras vivas. 

Hoje é sábado

Pergunta do dia: Quem 'autoriza' Israel a agir e matar tantos civis em tantos países, nesta sequência insana que estamos assistindo há meses? Aqueles que se involvem estão participando. Atenção, Brasil! (Não comprar armas de Israel) Não em meu nome! Repito os judeus de Nova York. Impossível viver em paz diante destes conflitos violentos cheios de horrores. Primavera de fumaça em várias partes do mundo, 2024

Homenagem

O caro poeta Armando Freitas Filho partiu! Deixo aqui o nosso abraço aos familiares e amigos mais próximos. Eu o conheci bastante. Foi nosso convidado no Café Letrado junto com Pedro Garcia, e o ouvi outras vezes, inclusive na Escola Letra Freudiana onde contou histórias interessantes demais. Temos muitos de seus livros e guardo uma recordação bonita da maneira peculiar que possuia de dizer seus versos. Chegamos a passar um ano novo juntos na casa de Vera Lins, na Urca, olhando os fogos e o mar e as estrelas! E demos os três pulinhos na virada do ano, porque ele insistia que daria sorte.  Viva a vida, meu caro Armando!  Rio de Janeiro e de poetas, primavera de 2024

É muito estranho

Ontem, escutei no noticiário alemão transmitido para o Brasil em língua espanhola (DW canal 206) a jornalista de Israel afirmar que lá em Israel circula a notícia que a invasão que eles realizam no sul do Líbano é uma invasão preventiva. Ou seja, eles matam e invadem e destroem com explicações cruéis como esta. Nunca ouvi nada assim. Aqui no Brasil a medicina é preventiva. A barbárie é assassina. * Em momentos da história onde a inversão de valores se instala, e os países fortes calam, é preciso gritar: chega de mentiras e mortes! * Rio de primavera, 2024

Três palavras ou mais

A Natureza destruída. A Guerra,  palavra sem silêncio.  Digo e repito: não é humano destruir. Homens de agora: Ação. Árvores, folhas e pétalas juntas no fogo. As estações nos atravessam. Bombardeios e fugas, nuvens e mentiras passam pássaros e  drones... Passam rápido  homens-bomba.  Ventanias. Passam perto  estrelas  raparigas e niños. * Ainda durmo atenta aos fatos alvoroços e clarões.  Ainda e sem pressa amanhece.

Pequena reflexão

1 De acordo com os fatos apavorantes que acontecem no mundo temos que pensar em uma solução para as guerras. Pensar uma regra que freie a força das vendas de armas. Além do horror que se instala nas invasões bárbaras que presenciamos, impossíveis até mesmo de acompanhar, é necessário barrar esta política cada vez mais insana.  E somos os representantes de um humanismo que se desmonta diante de nós a cada dia. 2 De acordo com os noticiários internacionais comandados por mentes pagas para blefar e esconder e mentir quase sempre, temos que construir um pensamento crítico e sensível capaz de olhar e ver, capaz de ouvir e analisar.  Somos os seres humanos ainda capazes de falar e pensar a nossa cultura e a nossa natureza. Somos aqueles que valorizam as diferenças humanas. 3 De acordo com os nossos pares, os humanistas que se encontram em todos os lugares do mundo, e ainda somos muitos, é necessário questionar, reivindicar,  lutar e fazer  a diferença.  Somos capazes ...

Primavera, mais uma vez!

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  Amigos, Eu os convido a plantar árvores,    flores e paz!

Ahmed planta tomates em Rafah

 Primavera chegando no Brasil e a voz de Ahmed, com oito anos, nos ensina a plantar a paz. Hoje cedo vi e ouvi a beleza desta gravação feita em junho de 2024. Ajplusfrancais nos presenteia repetindo a gravação de Ahmed. Planto sementes de tomates, diz o menino. E nascem tomates. Às vezes, eles morrem mas planto outra vez. Não sei se Ahmed ainda vive. Mas sua voz ressoa alto. É preciso plantar! * Primavera, 2024

Viagens de outras décadas

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Em Buenos Aires em 1995, foto do José Eduardo (durante a temporada de nossa  lua de mel).  Em viagem pela Itália no início da década de oitenta.  Foto de meu pai em Roma. Fragmentos desta viagem participam do Livro das areias, Lumme editor. 2012 Em Cerisy, Colóquio Internacional Francis Ponge quando entreguei em mãos a Mme Armande Ponge o livro Traduzir, testemunhar Francis Ponge. Lumme, 2014 (foto do Zé Eduardo) São diferentes os fios que constroem a escrita. São os fios da memória que se impõem de repente. Em 2005, durante doutorado sanduíche em Paris. Foto do casal em Caen de minha irmã, Regina.  Temporada de múltiplas experiências que se tornaram livros: Estrangeira, e O idioma pedra de João Cabral,  2010. Ambos 7letras.

Em silêncio

As contas que faço hoje não são mais as do mundo financeiro. O que somo agora é de outra ordem. Gosto de contar o tempo de trabalho que realizei: mais de cinquenta anos na clínica com psicologia e psicanálise ( fora as experiências de estágios e os trabalhos de caridade). Assim, também, olho com alegria para o número de livros que escrevi e publiquei, e já são trinta se contarmos o próximo, que virá em outubro. E as telas pintadas que somam cinquenta, fora os trabalhos de colagens e os cadernos-colagens-escritas. Do alto de meus setenta e três anos realizei estudos diversos e trabalhei de muitas maneiras, inclusive no corpo editorial de revistas e jornais literários ou de psicanálise.  Neste múltiplo movimento de ler e escrever, estudar e transmitir ainda dei aulas e supervisões. E faria tudo outra vez, e faria mais ainda. Em silêncio somo o tempo que trabalhei ganhando experiência. Escolinha de surdos, Escolinha de arte, Creches, e Hospital de Pediatria. As traduções de poesia são...

Nota do final do dia

Quem planta o caos colhe o caos.  Quem planta a guerra  se enfraquece dia a dia. Estamos todos traumatizados com os políticos assassinos de nosso tempo.

Histórias

A manhã acorda sombras  da noite escura. Algumas têm nomes. A ínfima marca vem cheia de rostos. E vem lenta a cada jornada. * A voz do jardim é rouca. E soa entre ruídos de pássaros.  * Nas dobras do lençol  o abandono. * Geme longe da lua a ausência. * Alguém a cada instante usa a arma e abre fogo. Alguém foge da própria sombra. Enquanto isso, crianças se vestem de cinzas.

Carta aberta ao nosso presidente

 Caro presidente Lula, Sinto-me no direito de escrever a você, primeiro por ser sua eleitora desde jovem. E, ainda, por acreditar que homens que lutam pelos outros homens merecem nosso respeito, carinho e gratidão.  Vivemos dias difíceis no mundo, e dias especialmente difíceis em nosso país.  Imagino e acompanho a luta que seu governo vem travando para conseguir ser ouvido e respeitado. Constato que um país grande como o nosso, e tão danificado pelo governo anterior, continua respirando os danos plantados por mãos insanas e gananciosas ao extremo. Percebo os senadores e os deputados que andam na contramão de seu governo dificultando sempre. Também, lamento que os políticos da Extrema-Direita continuem atuando contra o seu governo. A extrema-direita é um problema sério para o mundo. É preciso ser lúcido.  Venho em meu nome, e em nome de muitos de seus eleitores pedir que você seja firme e que os tiranos e os gananciosos sejam punidos. Todos eles,  mesmo os senhor...

Um grito

 É preciso salvar nossas florestas!!!

Assunto do dia: guerras criminosas e ações criminosas

A guerra da Rússia contra a Ucrânia é criminosa. Assim como as guerras, invasões bárbaras do Estado de Israel contra Gaza, Líbano e Cisjordânia são genocídios.  A guerra calada do governo iemenita, com apoio da Arábia Saudita e contra seu próprio povo, também é criminosa. Assistimos ao atraso da humanidade acontecendo em ações como estas. Outras tantas ocorrem em países africanos. Li, hoje, que vinte e quatro dos cinquenta e quatro países africanos vivem em guerra civil ou conflitos armados. Estranho mundo o nosso. Estranhos,  principalmente, são os homens criminosos e gananciosos de nosso tempo! Atrás destes violentos acontecimentos andam as vendas de armas. Alguém tem dúvida? Dentro e fora destas séries violentas correm aqueles que vendem e compram armas. As políticas que se desviam de olhar os homens e a Natureza, tão castigados e destruídos ao longo destes atos insanos, só pensam em lucro. *** Intervalo de inverno Um grão de areia Ínfimo Um traço  O sol vivo O ar pesa...

Nem tudo perdi

Já perdi muito em noites mal dormidas. Com os pensamentos soterrando o presente, às vezes sinto-me de volta aos sonhos do  passado.  A vida multiplicada. Infinitas manhãs.  Sem ilusões. * Quando a tarde se prolonga a espera se escreve. Um sussurro  e o silêncio do sono. A face antiga guardada. O vento canta olhares alados.  **

Amigos, escrevo e penso:

O momento não é de sentir vergonha nem tristeza. Mas de reivindicar. Digo isto porque alguns homens não sabem sequer o que é um assédio.  É preciso ensinar de muitas formas que as mulheres precisam ser respeitadas. Não só aqui, pois em várias partes do mundo ainda persistem atos e palavras que não levam em conta o lugar de uma mulher. A lei nestes momentos também ensina, conforme estamos vendo acontecer até no STF. São situações ímpares. E distintas. Ambas acontecem aqui, perto de nós. E confirmam que a lei precisa ser usada para nos proteger. ** Em todo caso, acrescento que tristeza e vergonha temos sentido em muitos momentos, nestes dias difíceis que nos envolvem. Contudo, diante de um assédio ou mais de um devemos exigir e reivindicar o direito das mulheres, sempre. Direito à liberdade e direito à igualdade! **

Diário fotográfico

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Nas paredes da casa nascem jardins. Árvores, flores, nuvens e barcos. Respiro poesia. (E hoje é sábado)!

De tudo um pouco

 Caros leitores amigos, Tomei conhecimento de que os rios "voadores" do Amazonas, agora, carregam fumaça tóxica. Neste momento de mundo com tantos acontecimentos graves ainda chegam notícias trágicas como esta. Impossível prever o próximo verão. Mas, podemos acreditar que não será nada fácil.  Rio de setembro com poucos pássaros ao redor, 2024

Pinturas vibram

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                        A mão em obra...                        desdobra-se                       cor.                       O traço-dedo-braço                        árvore,                       flor.

Diário de setembro começando

Retomo minha autobiografia nos cadernos. Mastigo os dias vividos. Entre pinturas em cores fortes e nuvens altas, ligeiras, daqui pra frente, as linhas a escrever serão voltadas aos fatos vividos narrados de forma um pouco ficcional. E guardo espaço às cores que vibram nas pontas dos pincéis. E à "escuta" que corre entre paredes brancas. * Envelhecer devagar Nem sempre no sentido imaginado Guardando os lábios fechados  Ler o já vivido No jogo rápido do viver A linha mestra mostra O sol solo e sentido Rio de setembro, 2024.

Jornal Banquete homenageia Paulo Leminski

Homenagem a Paulo Leminski Amigos, estou participando desta bonita homenagem. Desfrutem clicando no link acima.