Versos soltos
Na porta do mundo bate o tempo destemido. Soam sob meus pés descalços ecos. Labaredas vivas assombradas assanham árvores e raízes. Cinzas. Aroma de fumaça e pó. & Não me entristeço. Os cabelos se cobrem de branco. Pérolas. Os pés saboreiam belas idades. Os ausentes sopram: a noite é densa. Há palavras a aprender. E poemas a dizer. Rolam lágrimas quentes. Ásperas, secas. O poema passa. Mas os navios continuam a partir. E o cais parece sempre dividido. Mutilações e escombros cobrem nossas manhãs. Simplesmente. O terror se inscreve. Rio, 30 de setembro de 2024.