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Mostrando postagens de maio, 2024

Neste outono

1 Haverá neste outono vozes e tumbas. Haverá lágrimas quentes. Restos de conversas e  pão e leite derramados. Outono sem chão.  2 Hoje não é sábado  e o mar leva longe o final de maio. 3 Histórias se embrulham  em relatos trágicos.  Histórias e mentiras no ciclo dos caminhos do passado. Hoje não é sábado.  *** Poema do pão  O leite e o pão  faltando na mesa. A casa sem paredes. A pátria partida. Lamentar? A alma sem palavras. O corpo sem gestos. O solo sem jardins. O chão frio é seco. Os pombos onde estão? O algodão colorido e as mãos.  Os poetas no vento se elevam. Palavras migalhas ao chão.  As crianças no último céu. 

Simples assim

Mahmud nasceu em 13 de março de 1941. Primeiro, sua família perdeu a casa onde ele morava com seus muitos irmãos na terra da Galiléia.  O tempo por lá é contado por perdas. O tempo acontece entre mortes e assentamentos. Há mortes por toda parte. Examente como hoje, na Palestina, há o povo e os senhores opressores.  Mahmud Darwich era um poeta. Procurou caminhos. Conversou com árvores e sonhos. Ainda hoje seus sonhos habitam casas da Palestina. Espíritos bons passeiam entre as rochas e o mar. E violinos tocam melodias aos mortos. Não sei ainda que histórias contaremos às crianças do futuro. Nasci em 13 de março de 1951. O tempo não me pertence. Estes versos, sim. São versos que não esquecem. * Uma rosa do passado habita meu peito. Por este Rio, em 30 de maio de 2024.

Poesia da noite

              "Cada palavra é uma mulher                 vigiando, à porta, o retorno do eco."                                             Mahmud Darwich Cada pérola é um rosto. E seus pés fazem parte do jardim. Cada palavra abre nuvens. E em torno do céu se abrem estrelas e sorrisos de crianças. Imagens e sonhos comparecem nas festas de despedida.  Nem sempre de sonhos é feito o dia. Alguns dias são de pesadelos bem estranhos. Não rabisque os sonhos ainda a sonhar. Rio de maio e de absurdos, 2024

Nota do dia

Homens monstruosos destroem Gaza! Homens monstruosos autorizam a destruição da Palestina! Estes homens, todos eles, não merecem o  nosso respeito. Em final de maio de 2024 * Mais e mais bombardeios acontecem na  Banda de Gaza. Inadmissível. Cruel. E merece punição.  O mundo precisa reagir urgentemente.  *  A Espanha reconhece o Estado Palestino,  claro. Assim como a Irlanda. E a Noruega. * A quem interessa esta onda de violência no mundo? * Quem lucra com a nomeada guerra de  Gaza? * Os países que fabricam armas não desejam a paz no mundo! Eles inclusive fabricam as versões mentirosas que circulam na mídia internacional, conforme todos sabemos! *

Na linha do vento

Não importava, e não importa muito se a chuva se derrama sobre o mar  profundo,  se o rio corre junto ao leito e se as mãos saboreiam as plantações.  Alguns homens pensam que podem mudar  tudo. E alterando o leito dos rios  ou derramando toxinas no solo, eles,  que já são inúmeros desejam  silenciar a natureza. Mas na linha do vento, no brilho do céu  e nos sapatos  dos agricultores a terra se distingue. Em silêncio ou com trovões seu brilho arde. O que pode ser pior ainda em meio a esta guerra de Gaza, onde tantos abandonos e mortes estão lançados nos caminhos? Um poema emerge e se escreve  neste deserto qual lâmpada acesa longe. Tarde bem tarde, as mulheres refugiadas nas areias, com angústias e dor,  carregando filhos mortos no peito e caminhando para outras galáxias  entre estrelas e nuvens, sempre poderão nos dizer destes dias tristes destas noites sem palavras e dos nomes próprios subtraídos.  O algodão que cobre o s...

Pintando

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  O traço na tela Abre-se Inesperado em flor luz cor

Hoje é sábado

 E, as manhãs se abrem lentas e os minutos dormem pertinho dos lençóis.  Quando sobre cada um de nós  faz-se a tristeza misturada às preocupações  bebem os rios a fúria de nossos dias. Fronteiras e abismos são cavados.  No outono o dourado despe os galhos e as árvores solitárias dizem muito.  Sonhos mancos traduzem olhos de  ganância.  O céu pálido em instantes. Na onda da noite sonha  o céu.  Rio de maio e de absurdos, 2024.

Poesia do dia

Quando, quando jovem minha mãe caminhou pela cidade, e andou  de bonde. As calçadas limpas espelhavam um ritmo lento. E a praia do Leblon soprava ventos e as pessoas se olhavam e se cumprimentavam em pleno verão.  Esta mania de andar a pé pelo bairro observando tudo,  até mesmo o que é  estranho, e  encontrar amigos nas esquinas  e se sentar e tomar um bom café, nasceu depois. Ela gostava de fazer a feira de Ipanema logo  cedo. E vinha para casa com seus braços cheios de flores, frutas da estação.  Os vestidos múltiplos de cores cobriam um corpo  ágil  e belo. Quando envelheceu, Elza caminhava pelos sonhos. E, doente, ansiava olhar o movimento das  ruas da  varanda de sua casa. Rio de maio e de mães 2024.

Uma visita e muito mais

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 Chegamos no final da tarde. Tarde fria de primavera. Sorrisos e abraços foram dados. Presentes também. As conversas animadas. Curiosidades e informações. Tomamos suco e alguns biscoitos doces e salgados estavam ofertados sobre a mesa baixa diante de nós. Os olhares circulavam entre o espaço da grande sala cheia de obras de arte, livros e histórias do passado. Nos abraços circulou o carinho algumas vezes. Não pensei viver algo assim chez Armande Ponge. Mas vivi. Observei e fui observada com carinho. Agradeci algumas vezes em voz baixa e outras entre sorrisos mansos. Sorrimos muitas vezes. A emoção está registrada na memória e em algumas fotos clicadas por Marie e pelo Zé Eduardo que, também,  se comovia com o momento. Merci, merci!

Detalhes de um museu

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 Museu de Cluny, Paris   E... com dor nos joelhos, também em função do frio, consegui ver e admirar a exposição permanente e as novas obras expostas. Uma maravilha! Cabeças de Reis encontradas em escavações recentes. Visita em abril de 2024

Hoje é sábado

1 Tragédias se misturam no vazio Em grandes e pequenos espaços  Respirando diante das águas  abrimos bem o olhar E acendemos o calor das mãos  Dias e noites de intensidades Não desaparecem os dilúvios Aguardamos a descida das águas  2 A vida e um murmúrio  Qualquer Um animal, a terra e o céu  O frio e a grandeza da música  A música das águas. Murmúrios  3 Muitos outros ninhos E outros sonhos  em nossas mãos, sim, ainda vão nascer 4 Enquanto os olhos brilham crianças brincam e idosos choram 5 Homens e mulheres gemem na noite de depois  

Versos, lágrimas e lamas

Diante deste momento trágico,  uma parte do sul do Brasil  embaixo d'água,  unimos nossos braços. As lágrimas de metade do mundo correm e retornam ao tempo das tragédias e  destruições. Onde arde a dor rostos suplicam. Ainda fatos acontecem e as janelas não estão claras.  Tetos e paredes desaparecem. Objetos se misturam na lama. E as molduras dos dias consomem muito mais que o presente. O mais ínfimo traço  de um amanhecer aguarda a costura de um milagre.

Pulseiras, poeiras

De pulseira ou nua a mulher é múltipla, feminina e errante.   Caminha na rua e salta obstáculos  mas nas festas nem sempre sorri. Nada nas águas doces ou salgadas e  em aguaceiros dança.  Ou se vira e se  multiplica. Pulseiras no pulso gosta de usar e em línguas diversas sabe amar. Vidros e pedras.  Madeira, marfim. Cobre ou prata. Ouro. Cobertos de traços os braços  alcançam o vento, a poeira, as diversas estações.  O pó resta no chão.  Os pés voam. As pulseiras dos antigos navegam. Histórias narram. Somam comportamentos, gestos.  Aos anéis sobram os casamentos? Brilhantes ou platinas. E a poeira dos salões.  A carne e a casa entre panos coloridos. O amor e as recordações. Mulheres multiplicadas. Pulseiras nos braços, nos tornozelos, uma taça na mão.  Um livro aberto e um poema que chora.

Arrumações e novos espaços

Na volta de uma viagem a vida é retomada devagar. Quase tudo que brota da mala entra na máquina de lavar. Só os tênis são limpos no tanque. Algumas roupas pesadas do cansaço e do frio seguem para a lavanderia. E as mais delicadas são lavadas na mão.  Espaços são inventados para os livros novos. Objetos nascidos em outras línguas ganham lugares na casa. Com as mãos circulamos caminhos criados entre a mesa e as cadeiras fixas no chão.  Arrumações.  * O tempo de cada mulher é feito de carne e solidão.  E os vestidos de vento. * Às vezes o vento dispersa tudo. E as roupas supérfluas partem. * Com o tempo até mesmo os muros de pedra se desfazem. * Agendas, cadernos e lápis suplicam espaço. 

Diário

Hoje eles fariam 74 anos de casados. Não estão mais por aqui, mas suas presenças permanecem conosco, perto e bem pertinho. Elza e José firmaram uma vida de construção e partilha de amor. Eu nasci quando eles faziam, exatamente, dez meses de casados. E, no mesmo dia 13. As datas são só datas. As letras escritas harmonizam as histórias.  Os Diários se escrevem... * Este blog, caderno de viagem e exercício de escrita caminha comigo há mais de 14 anos. Está superando os modismos que mudam de suportes. Do blog ao Instagram, escolho os dois. E permaneço fiel ao meu Manuscrito. * Enquanto o mundo em cambalhotas de violências assusta a todos nós, escrevo, leio, rasuro e volto a escrever sempre. * Sempre buscando o gesto Onde me encontro Viva vibrante e lúcida  * A mão cava  a letra a sonoridade vibra Enquanto os pés fincados abrem asas raras, arbustos chiam e pássaros  piam em alvoroço  e recolhem de tudo: ciscos, almas  risos, vírgulas, cores, cortes. Cortesias.

Chegando em casa

Faz calor no Rio. Ontem à noite 28 graus. É sempre muito bom voltar. Um voo tranquilo e um piloto experiente. Dias intensos de rara beleza e sabores nem sempre doces ficam bem guardados na memória.  O olhar dos amigos também.  Estamos voltando ao nosso Rio de Janeiro, à nossa língua, às paredes brancas de nossa casa. * E nosso leito se transforma em nuvem, rapidamente.  * As plantas pedem nossos cuidados. Observo tudo de forma lenta na arquitetura deste dia: espaços, cores e perfumes. * Espero tua mão somada à minha. Nossos olhares por instantes cuidando  e respirando, dentro deste mundo de múltiplos sinais e  onde ainda reverberam sonhos.  * E hoje é domingo, Dia das Mães!

Lágrimas

... e correm lágrimas de crianças e adultos ao redor de ruas, ao redor de nuvens, ao redor de tiros de fuzis e de paredes que tombam. E correm e correm as águas das chuvas desabrigando famílias inteiras. Tempestades inesperadas.  Sinfonia de luz? Nuvem de poesia? Melodia do vento? Correm, correm... Lágrimas. * Quanto tempo ainda teremos para ver a infância das flores e a idade das raízes das árvores? * E, conseguiremos força suficiente para desmontar as mentiras dos homens insanos? * Águas  Aguaceiros Inundações  Tudo girando junto de homens sem escrúpulos 

Ontem, le 9 mai 2024

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Ainda sobre Veneza

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 Fotografo e deixo à mostra meu olhar de paixão com o que vejo.

Daqui para frente

Sempre é sempre. E pensando no presente homens e mulheres unidos. Laços, abraços.  Árvores  precisando de mãos humanas. Plantar e replantar laços dentro do circuito sério.  Fraternidade. *

Paris, une autre fois

Et nous sommes arrivées après un grand embouteillage. Voilà! Faz frio. Os agasalhos sairão das malas para serem usados, novamente. O hotel nos recebe com sorrisos. Voltando da Itália, Paris me parece triste. Um dia cinza.  A viagem, que nos apresentaram como rápida, foi demorada e trabalhosa: barco, táxi, aeroporto, avião, aeroporto, taxi. E um grande engarrafamento no meio do caminho para o hotel. Ufa! Ainda, a esteira das malas parou de funcionar no aeroporto de Paris. Ufa! Um mar de malas paradas. Aguardamos em meio a indianos e franceses. Só os indianos falavam. Uma família enorme que, também, retornava de Veneza. As duas crianças com roupas coloridas brincavam o tempo todo. O avô permanecia em silêncio e os dois homens grandes e fortes conversavam com as três jovens mulheres, ora em inglês ora em sua língua, sem cerimônia. O tempo correu... E chegamos no hotel quase duas horas depois do previsto. Un jour de Victoire?

Escrevo

a vida simples de cada um de nós. A complexidade da destruição total em Gaza, que nunca termina e se complica cada vez mais. A vergonha diante dos atos de alguns homens deste mundo que só destroem, enquanto crianças brincam e entram e saem dos museus admirando obras de arte, artistas e escritores, pensadores e poetas pintam, escrevem ou gritam. Homens e mulheres gemem a dor de tantas desigualdades.  Leio o poeta francês Dominique Fourcade em seu último livro "ça va bien dans la pluie glacée?" Ele fala de Gaza. Do que dizer às crianças de nosso tempo. Do que dizer aos netos, quando indagados sobre tudo isto. A vida simples que se complica. A vida que poderia ser. A vida a ser. A vida. Via. Como continuar a sorrir? Veneza, 8 de maio de 2024.

Ps.

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À tarde, andamos de vaporetto em direção a Ponte de Rialto. Uma confusão completa acontece quando um vaporetto lotado se move lento pelas águas destes delicados canais. Pensei em Virginia Woolf e nas imagens poéticas  e cinematográficas que ela, certamente, escreveria a respeito com ironia. Uma família de indianos silenciosos misturada aos brasileiros que chegavam cheios de malas azuis nos atraíram. Nos sustentamos mais uma vez de pé. Um pouco embalados pelo movimento das águas e a beleza arquitetônica dos séculos que se desdobram ao longo do caminho. Todos nós estávamos extasiados.            E... as fotos falam por si.

Diário

Hoje é o nosso sexto dia em Veneza. Chove fino pela manhã. Escutei os sinos logo cedo. Incansáveis sinos. Há muitos alemães visitando a cidade nesta época do ano e alguns franceses, também. No mais, na sua grande maioria, ainda são os orientais, principalmente os coreanos e os americanos que, como abelhas ao redor do mel, continuam circulando pelas pequeninas ruas de Venezia. Muitas lojas fecharam durante a pandemia. E os comerciantes comentam que foi um tempo difícil porque dependem do turismo. Observo o comércio de luxo se alimentando dos orientais. Eles entram nas incríveis lojas Dior, etc, e compram... compram. (Pagam 8 mil euros por uma bolsa)! Comento que, ontem, fomos à Biblioteca da Universidade Ca' Foscari, e, depois de caminhar na chuvinha discreta, consegui doar dois de meus últimos livros. Ainda me pediram para escrever uma dedicatória. Assim, missão cumprida! Converso com alguns italianos, ora em francês ora em italiano (com algum esforço), e explico com entusiasmo que...

Caderno de viagem

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Accademia de Veneza

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Gallerie dell'Accademia di Venezia, 2024

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 W. de Kooning 

Um mundo alado, Veneza

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Dois tempos em Veneza

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Hoje é sábado

Sabato distinto, amanhece lento. 14 graus. Vamos caminhar até  a Punta della Dogana. Meu pé esquerdo desinchou.  A poesia transpira. Exposições acordam gestos. A idade dos joelhos e dos pés sublinham: dias e noites a vivere intensamente. Venezia, 4 de maio de 2024. * Venise, le pôle magnétique de mon existence.                                                               P. Sollers *

Uma e outra vez, Itália

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Detalhes, luz, arte. Dorsoduro. O mesmo hotel, o mesmo bairro, a vida mudada. Em toda parte o olhar comparece e se encanta. Até mesmo com o pé machucado aproveito muito. Venezia, 3 de maio de 2024. Un'altra volta! As mesmas pontes e as mesmas ruas. A comida inesquecível: sabor de mar, de histórias e antepassados.  Venezia de tantos artistas e poetas.  O mar que canta e perfuma. Vaporettos ao vento. Venezia, meu coração bate forte.  Sinos ao redor. Igrejas e santos.  

Momentos do dia

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