Postagens

Mostrando postagens de agosto, 2025

Livro da Rainha, Isabel de Portugal

Imagem
          O livro saiu em dezembro de 2024. Fiz leituras na noite do lançamento na livraria Lima Barreto, em Ipanema. Foi uma emoção forte compartilhar este momento com alguns amigos, parentes e leitores especiais. No detalhe a capa do livro com foto de José Eduardo Barros, e o início do texto de abertura. Publicação da 7letras.

Rio, 26 de agosto de 2025

 Pudor Nunca falar demais. Dizer na medida a língua medida que te escapa. Bem no fio do mais guardado dizer o inesperado e  o mais sofrido, sim. P.75 do Livro das marés  Quero os vincos em minha face Quero o tempo que vivi As linhas das travessias Os dramas que me marcaram as mãos e os pés  O corpo todo dobrado em ramos E os galhos secos dos temporais * Um instante Um lamento Uma alegria Uma ressurreição  P.131

Repito texto postado em 2018 (durante a escrita do livro A bordo do Clementina e depois)

  Terça-feira, 16 de janeiro de 2018 -  janeiro 16, 2018 As mãos nas teclas acontecem naturalmente. Ruídos leves. Respiração lenta.  Desde bem  cedo o azul insiste em sinalizar o verão. Não longe daqui o mar  sacode sua espuma; vapor  d’água. O livro levanta as letras que se  acomodam na história dos antepassados.  Guardo o espaço da ficção.  Não esqueço os segredos soprados antes. Mas o texto  recomeça e,  em seu movimento, põe as palavras nos lugares. Et voilà...

Solidão

 Diário  Desde bem pequena gosto de me sentir só. São nestes momentos que a intimidade desenhada cresce nas linhas do pensamento. Gosto de ler, gosto de pensar e gosto de olhar os ângulos e os detalhes do viver. Aprendi a degustar o estar só. O burburinho não me interessa. Nem os grupos que circulam em alvoroço. Agora, levo vantagem em relação ao mundo de pessoas que gosta da rua e precisa sair sem parar. Vivo na sombra das paredes e das árvores. Escrevo. Passeio de forma leve desfrutando devagar de tudo. Viajei muito desde bem pequena. Aviões, carros, motos, barcos, veleiros. Ufa! E andei a pé, fiz caminhadas, fiz trilhas em pedras. Nadei e peguei ondas de peito... levei caldos... Dancei em alguns carnavais... dancei valsas e quadrilhas. Remei em canoas, desci cachoeiras, subi em árvores e andei de bicicleta. Estudei em grupos e em cartéis, estudei sozinha e em seminários. Tomei notas. Cadernos e livros carregam a minha caligrafia. Li, reli e traduzi em solidão.  Este di...

Diário de agosto de 2025

Reaprender a olhar o horizonte foi o que escrevi em meu Diário em 2020 para ter como lema, enquanto procurava um caminho para suportar tanta ignorância política, naquela época. E ainda vigora a mesma reflexão. O céu não me parece nada claro.  O mundo através dos mares e das marés está estranho. E não são os sacos plásticos nem a poluição de tudo ao redor o que mais me preocupa. São os homens insanos que ocupam funções de poder e, agora, se organizam para infernizar vários países ao mesmo tempo com ameaças nunca vistas. Com Freud e com Arendt e com muitos outros pensadores que nos acompanham em nossas reflexões, precisamos olhar o horizonte deste momento de mundo. De olhos abertos e críticos já sabemos que os monstros se uniram. E são abertamente sádicos e traiçoeiros. Com as regras sendo colocadas pelos mais insanos tudo se torna preocupante demais. Escrever é só uma forma de refletir. Pensar junto a outros seres humanos como nós. E buscar fortalecer as decisões dos que precisam de...

Dia 20 de agosto de 2025

Imagem
Final do Leblon, RJ Um recanto belo da cidade clicado por mim, no meio do dia e com maré alta. A foto foi levemente modificada trazendo um azul mais intenso no céu. 

Anoitecer neste diário que se escreve:

Espero ter nesta semana alguns encontros. E ao menos uma ou duas alegrias. Inesperadas alegrias, e bem-vindas! Este não é o nosso inverno mais feliz! Morreu um amigo e, agora, parte um primo aos sessenta e sete anos. Abracei jovens e idosos da família na Missa de Sétimo dia, ontem. Observo a vida passando muito rapidamente. Apesar de tudo, eu me permito escrever o próximo livro bem lentamente. Tudo me parece sem cor neste agosto sem graça! Não suporto nem o vaivém das calçadas do bairro. Sob o olhar circunspecto do abajur, a semana está só começando. As ideias se multiplicam e escrevo os minutos do dia dentro de casa. Uma conversa qualquer e o gesto rápido de José podem ser assuntos que tocam à escrita. Encontrei outro dia, na sombra da gaveta, a rosácea de prata que comprei em Assis. Em 2016 ela andou pendurada em um fio de couro no meu pescoço. Uma joia simples que comprei das mãos do artesão naqueles dias impressionantes, quando perambulamos pelas ladeiras deste lugar mágico demais....

Sonhei nuvens & etc

Um céu bordado de nuvens trêmulas alvas detalhadas em flores Coisas assim acontecem  à porta da noite no silêncio despreocupado No toque de silêncio  soando zunindo  a madrugada gelada Ainda não se fecha o inverno ardente inverno que fala alto sobre  o curto-circuito do mundo povoado de instantes desafinados e agudos  Gotas brancas  pingam  alimentos em Gaza Um céu relâmpago brilha longe do chão  Hoje é sábado, agosto de 2025

Uma aberração

Reflito que: O encontro dos presidentes P. e T. me parece uma completa aberração. Muito aperto de mão, poucos sorrisos e alguns olhares desconfiados. Além de nenhuma solução sobre o final da guerra na Ucrânia. Certamente, os assuntos circularam em outras paragens! Os noticiários internacionais se ocupam da questão sinalizando bastante o tapete vermelho e a limusine, mas nada de bom além de palavras amigáveis entre o senhor P. e o outro senhor, que ouviu mais do que falou. Os dois senhores pareciam estar 'pisando em ovos', literalmente. My God! O multilateralismo conforme afirmam os comentaristas internacionais não interessa mais ao governo americano. Por lá, voltaram à política do primeiro eu e depois eu, claro. Lastimável! * Um mundo sem poesia se estende no tapete vermelho! * Não podemos deixar afundar no esquecimento que estes homens são tão destruidores!

Caros amigos,

Devo dizer, nesta manhã de agosto, acordem: Quem arma estratégias golpistas, sempre as armará. Quem só pensa em si mesmo, continuará pensando assim. Quem mente rouba como me ensinou minha mãe, quando eu era bem pequena! E o mundo gira, a terra é redonda e as vacinas nos protegem de muitas doenças conforme nos ensina a ciência! Viva a ciência! E não podemos confiar em quem trai a Democracia de nosso país! Viva a Democracia! E os imigrantes precisam ser respeitados em qualquer lugar do mundo, porque sempre existiram imigrantes no mundo e sempre existirão! Assim como já sabemos faz tempo, que as guerras não servem para nada. E a justiça tarda mas acontece! Reflexões nesta manhã de 2025 ** No traçado feminino Sim,  o traço abro -  uma manhã azul Diante da tela clara um pingo flor Pincéis de seda Acomodando a mão  árvores altas  Antes do desenho  e bem antes nasce o poema no espaço  Formas e passos  Escrevo a linha  dentro e fora do corpo No ponto fixo...

Algumas outras resenhas

Acordam em minha memória outros textos críticos já escritos e publicados ou não sobre o meu trabalho ao longo da caminhada. Recordo que Karla Patrícia Martins lá do Ceará escreveu algumas linhas sobre meu livro A bordo do Clementina e depois. Assim também o fez Flávia Naves de Belo Horizonte depois de ter lido o Livro da Rainha, Isabel de Portugal. Ambas amigas e psicanalistas escreveram na chama da leitura que se fez escrita. Manoel Ricardo de Lima e Gilberto Mendonça Teles escreveram sobre meus primeiros livros, e as resenhas sairam em jornais do Ceará e do Esp.Santo. Lembro bem do meu espanto ao tomar conhecimento destes fatos. Manoel resenhou Canto de sombras em 1998, creio no jornal O Povo de Fortaleza. E Gilberto o livro primeiro, Contornos, em 1992 no jornal A Gazeta de Vitória. Márcia Rambourg, que se tornou a minha tradutora na França, escreveu sobre o livro Gradiva, verão em 2013. Um texto sólido e poético que foi publicado on line na França em La Revue des Ressources. Outros...

Resenha de Paula Siganevich para o livro Leblon voz e chão

Imagem
 Revista Grumo 4, 2005 É uma grande emoção encontrar a revista Grumo Argentina/Brasil                 Brasil/Argentina on line E reler a resenha da querida Paula. Gracias, muchas gracias! Paula Siganevich é argentina, professora aposentada da Universidade de Buenos Aires. Uma das fundadoras da revista Grumo, Argentina/Brasil Brasil/Argentina 

Resenha de Roxana Eminescu para meu livro Estrangeira

Imagem
Roxana Eminescu professora aposentada da Universidade de Brest, França. É sobrinha neta do grande poeta romeno Mihai Eminescu. Exilada desde 1981 na França. Cidadã francesa. Investigadora do Crepal, Paris. Crítica literária e tradutora.  Escreveu sobre o meu livro Estrangeira e o texto foi publicado na Revista do Crepal. Cahier N.18. Presses Sorbonne Nouvelle. 2014.

O idioma pedra de João Cabral resenhado no site do proximolivro.net

https://proximolivro.net/o-idioma-pedra-de-joao-cabral/150106   Amigos, boa leitura!

Descobri esta bela resenha ao meu Diário, escrito durante a pandemia do covid 19

Resenha do livro "Diário de um tempo indeterminado"   Desfrutem do texto!  E, agradeço muito ao autor. 

Resenha: Livro da Rainha

 Resenha REBUZZI, Solange. Livro da Rainha. Isabel de Portugal. Rio de Janeiro. 1ª ed. Rio de Janeiro: 7Letras, 2024           O Livro da Rainha da escritora carioca Solange Rebuzzi coloca em cena um tema presente na História e na Literatura Portuguesa desde o século XIV. A Rainha Santa Isabel (1271-1336) teve sua vida e seus feitos narrados pela primeira vez em uma biografia hagiográfica anônima, mas que pela riqueza de detalhes foi atribuída a seu confessor, Frei Salvado Martins, Bispo de Lamego. Esta biografia, manuscrita por longos anos, na biblioteca do Mosteiro de Santa Clara, foi publicada pela primeira vez no século XVII, com o título “Realçam da vida da gloriosa Santa Isabel Rainha de Portugal” e serviu de apoio à elaboração de outros discursos biográficos bem como de crônicas, como por exemplo, a Crônica de D. Dinis, de Rui de Pina. A partir da versão do século XVII, acompanhada de notas explicativas, José Joaquim Nunes edita esta obra em 19...

Sem anistia

Imagem
 Amigos, Recebo esta bela imagem, logo cedo, via WhatsApp de uma amiga francesa que mora em Paris. Viva! Ela disse, simplesmente: "apareceu ontem no muro perto de minha casa." Mas: É escandaloso o que acontece, hoje, na Câmara dos Deputados em Brasília. Não bastassem as loucuras que proclamam estes aliados loucos da Extrema-Direita, ainda temos que ver e viver esta falta de postura política neste grupo de homens que circula por lá desde que o ex-presidente surgiu articulando esta barbárie. Insanidade é pouco! São homens despreparados para a tarefa que assumem, sempre trabalhando dessa forma desumana. Afinal, agora, confirma-se mais uma vez para que foram eleitos, ou seja, para festejar entre eles a impunidade que pretendem ter. Desvios e ganância! Destruição do Amazonas, e privilégios aos mais ricos! Insuportável acompanhar isso, novamente. Fora!  XÔ! XÔ! Sem anistia! Em todas as línguas! Punição aos deputados que estrangulam o nosso Congresso! Rio de agosto, 2025

O mar entre ventos

Minhas pálpebras acordam famintas O mundo se destrói sem memórias  Entre as paredes e as janelas soam Pássaros rápidos  Um mínimo gesto  E o absurdo do dia Enquanto a manhã de sílabas  E notícias loucas faz volume Passeio as mãos nas superfícies  De obras de arte  O mar perto de mim  Entre ventos murmura Perfumes e pedras Fragmentos obscuros Passos no chão de areia Somos mãos e pulsos abertos Corpos correndo ágeis  Somos vida iluminada de sol A casa é verde, azul e branca Sustentada de palavras e plantas Algumas flores respiram O ar e a língua  Versos sobre os ombros Sopram sombras no horizonte * A mesa nobre  Contempla um bolo de laranja  Entre árvores e ventos O corpo acorda cedo * Escrevo   escrevo A boca pede água pura Água de rio do Amazonas  Água de montanhas azuis  Água verde do mar  De mar cearense A boca sem saliva Escreve a água da chuva Rio de hoje, 2025

Frio no Rio

O frio e os vírus  Resfriados e gripes Sinusites Tem pra todo gosto Com gosto de chá  E de inalação  Agasalhos multiplicados  Andam pela casa. Sobram nos sofás  E sobem até em corpo alado Meias de lã são um consolo No final do dia  Os pés gelados Enrolada com mantas  Coloridas batendo no meu seio  Leio e leio e leio *** Finalmente, menos um Louco nas ruas. Ufa! ** Respiro RESPIRO respiro *

Diário fotográfico

Imagem
A arte soprando os minutos do dia. A tela antiga, um mosaico, chegou aqui vinda de S.P. O tamanho nos surpreendeu. É imensa.  Voilà! * Mosaico é um termo grego, Mouseîn é relativo às musas. A palavra mosaico de origem grega, mousaikón, significa "obra das musas". O trabalho com pequeninas peças de vidro coloridas compõe um todo.

Mãos de sempre

A mão que pinta é a mesma que pensa. A mão que escreve é a mesma que escuta. Em diálogos ou não  as mãos se comunicam. O corpo trabalha com os pés.  A pele recobre sensibilidades. De alto a baixo respiram harmonias. E notas de piano soam nos fios dos cabelos. No alto mar um veleiro encoberto de nuvens. Areias voam gaivotas em arco-íris no chão  de montanhas blues. Mãos cantam versos. Versões dormem por inteiro. (Não copiem meus poemas, por favor!) * Versões diversas do poema Mãos já foram escritas. Inclusive, um trabalho foi apresentado com o mesmo tema na Escola Letra Freudiana. Na época eu estudava Jabès. O grande, Edmond Jabès.

Ainda sobre Régis Bonvicino

Recebi por um bom tempo um ou outro poema de Régis.  Sempre um inédito.  Chegava sem aviso prévio.  Eu não os comentava. Agradecia. Às vezes deixava para ler depois.  Versos violentos. Versos duros. Vocábulos catados à margem da vida. Régis falava sobre tudo. No telefone ou por WhatsApp  conversávamos. Ouvia-se ruídos: o cigarro sendo tragado. Era parte da expressão.  Pingava uma crítica aqui e outra ali, aliás pingava de tudo: rotinas, viagens, governos perigosos & decepções.  Já faz quase um mês  que ele partiu de repente.  Carregava no 'bolso do celular' uma resenha recém-feita  e encomendada de meu Livro da Rainha. Espero possa entregá-la  às nuvens altas do céu de anil. Rio de agosto, 2025