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Mostrando postagens de outubro, 2015

Fotocolagem (a partir de correspondência recebida do Japão)

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                                              Merci, Mami!

Le Bruit du temps, livraria e editora

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Creio que foi no dia 9 de setembro deste ano, que conheci o espaço da livraria e editora Le Bruit du Temps em Paris.   A vitrine tão convidativa quanto perspicaz apresentava alguns livros abertos de escritores já meus conhecidos e, também, queridos: Francis Ponge, Philippe Jaccottet e Virgínia Woolf estavam entre eles.  Logo cedo aguardei a livraria abrir passeando ali por perto. Estávamos no alto da montanha Sainte-Génèvieve e, até mesmo em função disto, pude admirar e fotografar as imagens que essa vitrine apresentava. Mirei com interesse as belas fotos dos escritores e ainda a dedicatória escrita por  Ponge a Jaccottet, confirmando a amizade entre eles. Como um painel literário, a vitrine da livraria dava lugar para a letra manuscrita participando da obra, lugar que, hoje, está quase abandonado; não havendo mais o cuidado de continuar a dar visibilidade à letra.   Quando adentrei a loja propriamente dita já havia escolhido o que queria comprar, e as pergunta...

Le Détail de Daniel Arasse/ O Detalhe de Daniel Arasse

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Nota sobre o livro:   Le Détail   Pour une histoire rapprochée de la peinture de Daniel Arasse foi publicado pela primeira vez em 1992 na coleção Idées et Recherches  e, depois, em 1996, Flammarion. Este livro que "abre um novo campo da história da pintura: o detalhe" nos alcança desabrochando aos poucos o movimento do olhar sobre a obra de arte. Comprei o livro de Arasse no formato de bolso. Pleno de imagens de pinturas célebres, a proposta do autor se cumpre pois ele nos dá uma dimensão nova ao que olhamos, às vezes, muito rapidamente.  O quadro de Lorenzo Lotto, La Nativité , de 1527-1528 que está em Siena, na Pinacoteca Nacional, é um exemplo magnífico do que nos propõe Daniel Arasse.  Cito-o traduzindo livremente: "Tradicionalmente, de fato, Jesus não toma banho depois de seu nascimento - é isso mesmo que distingue seu nascimento do de Maria ou de João Batista. É muito estranho que Salomé assista a este banho - a sábia-mulher incrédu...

Amboise na França

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                                         A capela onde foi enterrado Leonardo da Vinci no                                          jardim do Castelo de Ambois                                           O castelo de Amboise visto de fora                                                                                                       Os jardins do Castelo de Clos-Lucé             ...

Les Carnets de Léonard de Vinci 1/ Os cadernos de Leonardo da Vinci 1

Leio, com alegria, fragmentos e textos dos Cadernos de Leonardo da Vinci . Traduzo uma delicadeza botânica: (p.321) "Cada galho, cada fruto nasce para a inserção de sua folha,  que lhe serve de mãe lhe dando a água das chuvas e a umidade  do rosado noturno e, com frequência, nela também os protege  do excessivo calor dos raios de sol".                                                             G 33 v . Desfrutem! Rio de Janeiro, primavera quentíssima de 2015.

Cartão postal (3)

As folhas se desprendem do caderno: metade letra.                 Metade silêncio. Os ruídos das bombas clareiam a noite. Ela sonha (o mar respira em goles longos) ………………………………………………… Em quê língua cantaremos os próximos séculos? Deixaremos de amar com o corpo quente ? Não olharemos a Guerra sem identidade. Os instantes se escondem nos lutos. Inesperados. O tempo de agora é grande ironia (longe das paredes caiadas de nossas casas visíveis ainda em sonhos).

Cartão postal (2)

Nas estradas da Síria e da Somália: poeira e pedras. O vento corta a pele. Resseca. Aumenta o calor do corpo. Inúmeros corpos; dezenas, centenas. Milhares. Eles andam em passadas graves e avançam mais uma cidade. Um lugarejo qualquer. Perdidos. Fantasmas. Os pés se apoiam no tempo. A história conta as horas. Um dia. Um ano. É o céu quem dá de beber. Desde onde? A história se repete para sempre. - O s teus filhos estão aqui? Alguns morrem no caminho. Não nos surpreendemos mais. As nuvens são ralas e raras. (Antes, costumávamos comer reunidos).

Cartão postal (1)

A guerra inunda e desmonta cidades e planícies. O cenário no fio do tempo se desconstrói. Esta terra é nômade? No exílio é preciso reaprender a falar. ............................................................ A mulher escuta espantada as diferentes línguas que circulam no espaço (os lençóis brancos estão desfeitos em cima da cama) e as mãos procuram os teclados com urgência. Procuram o traço sensível da humanidade. Ela disse andando dentro de casa: "as guerras são sinistras"! A voz de Anna Akhmatova ressoa de algum lugar. As rotas não são mais as mesmas. Eles a olham como estrangeiros. Ela não se reconhece nesses olhares. (Mas as flores de jasmim na primavera perfumam o nosso bairro).