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Mostrando postagens de fevereiro, 2025

A obra e a vida juntas

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Palavras e cores. Constelações.  Poesia. Poésie. Perfumes.  Paul Celan ao lado. (Nutre flores.) Não mais só  "os cabelos de Sulamita". Areias do mar. Imigrantes naufragados. Dormindo? Ainda os cabelos envolvidos  nadavam  entre conchas coloridas. E morrem jovens no mar  do Leme,  etc, à toa. E - sinto muito! Rio de fevereiro que se vai...                     Areias e espumas do mar                                                        Sol, 2025 Obs. Paul Celan A rosa de ninguém  Tradução de Maurício Mendonça Cardozo Edição bilíngue  Ed.34, 2021 PERFUMES MUDOS DE OUTONO. A flor do áster, sem se dobrar, travessou tuas lembranças entre lar e abismo. Um desamparo estranho se fez presente, você chegou quase a viver. P.63

Na janela ausente

Sombras da noite. A mão insiste de forma ausente. Olhares alados.  A mão resiste  a palavras inúteis.  A mão traça sinais vitais.  Luzes dependuradas no céu.  Neste instante a lua vibra longe. * Em torno Escrevo este verão  incandescente. Verão escaldante. E vivo o que eu escrevo. É o corpo que grita. * Abrindo espaços na página Quem escuta? Avanço ou fico fixada? Direi sempre o que penso. Muito. Nada, e a falta presente insistente  não sublinha alienações.  Rio, fevereiro de 2025

Tia Alda partiu

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Recebo, hoje, a notícia de que a querida Alda partiu. Vivemos momentos bonitos juntas: poéticos e criativos. Publico o texto que recebi de meu irmão.  Uma bela homenagem e merecida. Alda, Que sua alma leve Voe alto Entre nuvens e  Arcanjos, Descanse, querida tia  E amiga! Rio, quase Carnaval de 2025 Obs. Alda Estellita Lins foi escritora e poeta.  Publicou inúmeros livros de Crônica. Fez parte da Academia Espirito-santense de Letras. Advogada, trabalhou concursada na Receita Federal do R.J.  Morava em Ipanema, e faleceu aos 92 anos.

Inferno no Rio

Calor insuportável. Exagerado.  Dias e noites de intensidades.  Por toda parte a bebedeira acontece. E nos hospitais eles bebem soro na veia. Há quem goste de folia. Há quem beba até cair. Há o samba no pé.  Samba de raiz. Jovens de todas as idades. Fantasias e sonhos comparecem.  Purpurinas nas esquinas. Carnaval na cidade.  O corpo acordado  e a alma dormindo.  * Depois O depois chega atrasado. Vem de mansinho. Ri por último.  * Não há fantasia do absurdo. Se houvesse seria alada.  E vestida de Odisséia.  * Rio de fevereiro, com temperaturas acima do limite do verão, 2025.

Notícia triste na Alemanha

Saindo vencedor o partido Conservador. É triste!

Algumas camadas

No sábado algumas camadas de azul Sem vento. O mar espuma almas e abraços  Nem tudo é calmo. Nem tudo é lento O sol queima além montanhas, pés e braços  Quando o verão findar devagarinho o verbo veloz não se calará  Em outras telas de cenários citadinos as calmas manhãs. Sabiá correndo rápido demais:  um passo e outro; relâmpago  Outono vibrando, aliás  Luz e sol e vento veloz Novas gamas de azul chegando Douradas montanhas cairão sobre nós  Rio de 22 de fevereiro, às 19hs

Presente carioca

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Areias brancas Verão verde em céu bleu. Blue. Blau. Calor infernal. Sem cor. Vista fixada na lente do celular. Aos leitores e amigos  a foto de 18 de fevereiro da Praia de Botafogo.  Da janela de vidro brilha a paisagem alucinada. * Cartão postal Um fio de areia longe. E o horizonte de contornos femininos em sonhos a navegar. Paisagem sem retoque.

Esperamos ainda

De uma nuvem a outra Aqui esperamos justiça  Com os pés e com as mãos  Ainda esperamos Os tempos mudaram E não estamos armados Quase nada sobrou Ainda esperamos Um longo tempo passou E o mundo ao redor Criará pedaços de chão verdes  Pedaços de esperança  E a paz finalmente

Pintando o verão

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  O verão é verde Azul e amarelo É rosa! É mar e céu  Barco a vela Areia fina e Lua Calor e nuvens douradas Ondas do mar e algas Estrelas de prata É chão e barro. Asfalto Morro Dois Irmãos  Lá no alto Os breves sonhos: O samba no pé  A fome e o riso O suor do trabalho O álcool e o ritmo A canção antiga  As mãos e o bumbo A mulher amada  Um violão  Fevereiro de Carnaval carioca, 2025

No Rio faz mais de 41 graus

O corpo geme o calor, que incomoda até os pés. Não é possível pensar em ficar no sol. Pedimos: água, sombra e ventilador. Sorvete e ar condicionado quando possível. Chapéu ou boné. Roupa fresca. O Verão de 2025 está de matar.  Se você, meu amigo, não gosta de sofrer não venha para o Carnaval do Rio. Praias lotadas e pouco espaço... nem um pouco agradável! E no trânsito todos fervem os miolos! Rio de fevereiro infernal, literalmente. E ainda tem prefeito autorizando cortar mais de cem árvores do Jardim de Alah para fazer obra em local tombado.  Nem com samba, suor e cerveja dá pra aceitar...

Resenhas que gosto de escrever

Onze astros Mahmud Darwich Préfácio e Tradução de Michel Sleiman Tabla, 2021 Alguns poetas não se nomeiam de imediato. Este é o caso do poeta palestino Mahmud Darwich Ele declarou aos 64 anos que seu "nascimento como poeta" havia se completado quando vivia em Paris. Isto na referência às experiências de exílio vividas anteriormente, pois estudou em Moscou, morou no Cairo e em Beirute. Na capital libanesa fundou a revista Al-Karmel e foi editor da revista Assuntos palestinos. Cada coisa em seu lugar, mas estas experiências permanecem ligadas por um sinal de mais, logicamente. Algumas atividades literárias estão unidas e foram vividas ao mesmo tempo por Darwich, conforme lemos nas Notas escritas pelo tradutor. Assim que irei priorizar versos de Mahmud "Na grande partida, amo-a mais" que brotam leves e densos como "as histórias nas escadas da noite" quando "na partida, as borboletas carregam nossas almas, (...) igualamo-nos aos pássaros, compadecemo-nos...

Hoje é sábado

A mão alcança  Um pouco de graça  e muito calor O dia segue alto O tronco e o braço  em campos vivos Raízes, silêncios: O pão  A terra O abraço  Em rotação suave e quase imóvel  seguindo as árvores e o mar a música da praça  Respiram e não se refrescam os poros suados  Leves flores no pescoço  alongando o Rio  Andando pelas ruas Blocos de juventude e muitas cores As palavras jorrando a festa Dentro da janela guardo O dia de agora Abro a porta e fecho Pouso as mãos na escrita Costuro o país onde nasci Com calma traço perfis A vida  O samba * E na palma da mão  o ar que respiro corre mansamente Rio de fevereiro que se abre Carnaval, 2025

Não dá para acreditar

As cenas políticas no mundo agora são absurdas! Não consigo vê-las nem ler a respeito. Parece que estão todos loucos ou fazendo um programa tanto sádico quanto cômico.  Assisti as declarações do sr. Elon em pé, ao lado do presidente americano sentado, e uma criança no chão ou agarrada no  pescoço (pescoço do pai), que mais pareciam falas de um programa de piadas de muito mau gosto. E é rir para não chorar, pois o povo americano vai sofrer bastante nas mãos destes senhores. Muito trabalho pela frente para os homens sérios daquele país.  Enquanto Putin e Zelensky se preparam para trocar territórios e fazer a suposta paz depois de tantas mortes e destruições.  É ridículo. No mínimo ridículo demais! Quem pedirá desculpas a todos nós que sofremos tanto durante todos estes meses de guerra? Quem irá indenizar quem? E as perdas morais e os danos psíquicos? E os doentes ou desamparados? E na questão Palestina o louco "peso pesado" americano só pensa em dinheiro e quer fazer d...

Rio, verão de 2025

 Amigos, Tenho sentido mais calor neste verão carioca do que senti na minha infância em Manaus. Lá, minha mãe recebeu uma recomendação do pediatra para colocar "as crianças no chuveiro frio durante a tarde para evitar febre de calor". Ufa! Eram outros tempos, certamente. Mas, tenho me lembrado desta recomendação que sigo à risca! Em Paris está fazendo 3 graus. E chove todos os dias. Na Suécia ainda está bem frio. Ainda escuro como costuma ser no inverno, mas sem chuvas. O mundo andando em cambalhotas estranhas, enquanto alguns homens e mulheres mais foliões e que vivem nos trópicos aguardam o Carnaval chegar, outros só querem viver em paz e ter o direito à terra onde nasceram. Assim, que ver e ouvir os noticiários do mundo se tornou um momento de reflexão e tristeza. Muitas vezes, giramos o Canal dos noticiários procurando onde tem menos horror. Ou até mesmo saímos deste registro para ouvir música ou para assistir filmes de arte ou sobre a vida de arquitetos importantes inter...

Ateliê dentro de casa

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Novas telas pintadas por mim  ocupam espaços distintos.                      Rio de fevereiro, 2025

Rio 11 de fevereiro de 2025

O dia não é sonho. É caminho e espaço. 

Prêmio Goya para "Ainda estou aqui"

 Amigos, Assisti agora a festa de premiação do Prêmio Goya na TVE (canal 205 da Net) e tive a surpresa bonita de ver que o Brasil ganhou o prêmio para Melhor Filme Íbero-americano. Viva! Parabéns! Mas, não havia ninguém do filme brasileiro tão comentado para receber a premiação. Uma pena! Não entendi o porquê! A festa sempre longa e linda nos brinda com a emoção forte e o talento dos espanhóis, muito talento! Discursos de atores e atrizes sobre a importância de cuidarmos dos imigrantes e das moradias para todos foram ouvidos, shows de cantores e dançarinos flamencos em uma transmissão direta de Granada.  Homenagem especial a Marisa Paredes recém falecida; a fantástica atriz que deixa um legado ao cinema. Richard Gere, ator e produtor homenageado pelo seu trabalho fez uma fala bonita declarando estar casado há onze anos com uma espanhola, e disse que a Espanha é seu segundo lar. Pediu força para este "momento escuro que os EUA estão vivendo" e fez criticas severas ao atual pre...

Final do dia 7.02.2025

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O céu de verão no Final do Leblon visto de nossa casa

Epifanias

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Nas paredes da casa também brotam epifanias. De madeiras esculpidas  ou em telas criadas  pelas mãos humanas  as revelações surgem. 

D. Trump brinca com fogo

Ou bem pior que isto, o presidente americano parece desconhecer a humanidade que vive no mundo ao seu redor, humanidade que respeita regras internacionais instituídas há muito tempo. E humanidade composta de muitos credos e muitas línguas que precisam ser respeitados. Um presidente insano demais. E, logicamente, sem nenhuma reflexão. Parece "gozar" com suas próprias palavras, ameaças e ideias perversas sempre diante de câmeras televisivas. O mundo incrédulo se prepara para agir de forma solidária e contrária a este cenário bizarro. Até agora só vimos ameaças e decisões estranhas vindas do novo governo americano.  Como assim retirar os palestinos de sua própria terra depois de os EUA terem participado da destruição de Gaza disponibilizando armas que foram usadas pelos jovens do exército de Israel matando e ferindo tantos? São quase 48 mil mortos. Como assim decidir para onde vão os palestinos? Ele pensa que pode tomar decisões deste nível de grandeza? Só um homem sem capacidad...

Amigos,

Por aqui, meus caros, vou priorizar o belo. O belo esteticamente falado e conhecido, e ainda o mais surpreendente; aquele que brota rápido e de repente.  O trágico ou o horror vão passar pelas brechas do dia, mas serão reconhecidos e nomeados porque fazem parte de nosso tempo. A arte que tanto nos alimenta, provoca ou acalma será constantemente guardada nestas páginas escritas, fotografadas, pintadas. As mãos que constroem o pensamento e bordam letras compõem este cenário contundente. Desfrutem sempre que possível. Leiam os poetas de todos os tempos! Cada um de nós tem sua rede de poetas mais amados. Nestes dias de tantas dificuldades com alguns países vivendo guerras e violências intermináveis, que a arte possa participar da vida vivida segredando passagens. As luzes caminham conosco tanto quanto os sofrimentos. Sigamos! Rio de fevereiro fervendo, 2025

Árvore ao luar

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Lua branca e nua Tudo se atenua. E meu rosto alvo cansado do dia em névoas se inquieta. Embora o pensamento fresco acomodando um instante de melancolia se iluda nesta hora: a hora do sonho. Até a árvore está despida. Abre as asas o anjo à minha esquerda em suave quietude.                         

Mãos que resistem

A mão resiste à queda insistente. A mão insiste e persiste.             Paisagem sem pássaros. Casas desmoronadas. Os ruídos partem. As pedras contam a história dos dias. Muitos restam sob os escombros. Crianças retornam às cenas da destruição de quase tudo. Uma menina encontra seus brinquedos. A mãe olha a TV intacta na parede da sala. Um pai retorna e diz: Vamos reconstruir ... A mão resiste. Insiste em viver. As palavras vermelhas permanecem conosco  e o brinquedo da menina está no chão.  Nada pode ser em vão.  Nem o voo do pássaro que risca o céu.  Nem a nossa incessante respiração.  Rio de fevereiro, 2025

Domingo 02.02.2025

Amigos, Quem sabe possamos rir com genuína alegria e olhar em torno e saborear o verão. Quem sabe a insanidade de alguns governantes assassinos recue alguns passos. É bem difícil ver o comprometimento de países importantes do ocidente com a matança do povo palestino. Há muito tempo nossos sonhos são interrompidos pela ganância de governos bizarros. Não há como ceder a esta avalanche de loucuras. Lutando para conscientizar os mais jovens e os mais alienados. Lutando por nossa esperança. Lutando por mais igualdade viveremos mais lúcidos e um pouco mais serenos. Quem sabe? * É lindo ver o testemunho daqueles que voltam aos seus países.  E é curioso observar a diferença  da relevância dos depoimentos. Viva o povo palestino!

Magnolia, alegria, dignidade

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E nasce mais uma magnólia no chão de nossa casa. Eu a dedico a meu pai José, que faria 100 anos hoje. Este 'chão' onde vivo há mais de trinta e cinco anos, e que ele me presenteou na década de oitenta.  Aqui, onde ele comentava o café da manhã cinco estrelas, sempre que nos visitava. Aqui, onde conversas sérias aconteciam. Saudades grandes circulam... * O que é um pai? A pergunta retorna.  Certamente, um pai é  muito mais do que a função que exerce; a função paterna. Tanto no imaginário como no simbólico e, até mesmo, no real, um pai ocupa muitos lugares ao longo de nossa vida. Seguimos estruturados por suas palavras e atos. Permanecemos com os sonhos vividos. Rio de Janeiro, 1 de fevereiro de 2025.