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Mostrando postagens de julho, 2024

Anoitece lento

Calor invernal. Uma xícara de chá ao lado do rosto. E as letras aquecidas por palavras na ponta do dedo indicador. De tudo que salta e pula prefiro pingos de chuva ao vento, e as noites prolongadas de palavras. A casa de calor  soa solta e passa. Quase tudo vento. Quase tudo rosto. * Vento. Ervas. Árvores. O sol distante. Ainda o sol de teu abraço. 

Hoje é sábado

Comento, rapidamente, que as notícias da semana foram excessivas, extravagantes e bizarras. Em todo canto se falava do mesmo: um novo candidato, ou melhor nova candidata ao governo dos EUA surgia sorridente, o início das Olimpíadas na França e as visitas do líder máximo das violências causadas pelo Governo de Israel sendo aplaudidas e surpreendendo uma parte do mundo. Nem sei dizer qual delas me parece mais bizarra. Deixo os amigos leitores soltos às próprias reflexões.  Mas, não se enganem pois todas elas são parte de um mesmo repertório.  Os apoiadores das guerras continuam vigorando em seus papéis de líderes máximos.  E isso por si só já é horrível! Até mesmo a Olimpíada de Macron está vestida de mau gosto. Rio que aguarda novos tempos. 2024 Ps: Um texto escrito com enxaqueca!

Detalhes de um inverno

Sobre a firmeza de uma linha rubra do tapete antigo  no chão da sala e mexendo móveis de lugar arrumo pensamentos. Molhando plantas hidrato sensibilidades. Enquanto escrevo manhãs frias segredos correm enevoados.  Superfícies tocadas ligeiramente seguem deixando as horas do dia imaginadas.  Cortinas novas no quarto  comemoram décadas sopradas.  A casa de paredes brancas abrasa cores. Vidraças refletem flores dos vasos e minha voz ganha espaço alcançando o  vento. Rio de Janeiro em julho, 2024 * O tempo é grande A memória ganha sempre E me traz mais que imagens Do vazio ergue-se uma menina Uma rocha no mar Atravessa ondas de espumas Relembro detalhes incessantes Infância longa Sobrevive no peito E se ergue linda Cabelos molhados No verão interminável  Da adolescência de mãos entendidas Eu mesma, ali, espelhada E um corpo adulto vigorando ligeiro Os pés descalços na areia do mar *

Palavras onduladas

palavras livres e múltiplas suspiros e olhares palavras cálidas um espaço em branco janelas e segredos um rosto ou uma voz palavras ácidas liberdade de expressão um olhar de confirmação frutos e insetos luz e nudez palavras caras sombras e bosques mares azuis lamparinas claras palavras asas na imensidão

A mão que fala

             "Aqui é o lugar onde se forma a face                visível e silenciosa das palavras"                                António Ramos Rosa A mão em silêncio escreve e não se dispersa em ruídos.  A boca do poema treme. Se fosse possível tocar a sombra desta mão que escreve as linhas tortas ou apagadas da escrita soariam no silêncio.  O instante em abrigo sorriria na praia aberta. E teu corpo de sílabas sinuosas  qual ondas matutinas na espuma desenhariam a linguagem: (o poema de repente principia).

Hoje é sabado

                 "E já deserto estou.                    Perdido nesta curva melancolia."                                    Giuseppe Ungaretti Gritos de longe soam tal balas perdidas em movimento. O céu não abafa gemidos. Raios de desespero apavorados se mostram. As guerras em mãos humanas gemendo enganos e solidão.  Na noite cega a aurora quase desaparece. Gritos soam em Gaza. Gritos humanos sustentam o horror do momento. Rio sinuoso,  2024.

Poema dos inícios

Pescoço alongado e nuca coberta  de cabelos brancos. Gestos acompanham passos: bem lentos. Na boca o batom passeia rosa. Uma saia florida alarga o horizonte e deixa o caminho mais  leve. O relógio não se impõe lá  longe no cenário natural. Céu claro de nuvens sombrias anunciando a mudança de tom. Final do dia refrescante maré  contrariando o calor de verão.  - É hora de voltar pra casa? Lâminas finas de água e vento ameaçando o poema  acontecem e correm ao lado. A pressa se impõe.  Pés molhados pintam letras. Enquanto o perfume  da terra invade quase tudo. Na janela, uma mulher idosa observa. Olhar vago. Olhares alados se cruzam. Sem rimas os versos ardem. E apressados os pés  brindam um banho quente ao chegar em casa.  As sombras partem.

Em julho de 2024

Imagem
 Pintando novos cenários. 

Mais um sábado

E acreditamos ser possível. Importa o que há entorno. Renovando nossos votos depois de mais de trinta anos unidos, um céu grande nos encobre. Contamos os dias e os meses. Nem todos os países celebram o Dia de Reis, e nos casamos na véspera.  Ele era mais jovem. Éramos jovens. Um céu grande nos cobria. A vida prossegue em ciclos. Ciclos de sete anos? Areias varridas de vento abrem-se poesia. Estrelas guia. Vagas auroras. E importa o amor com as mãos atadas ao sol. Os dias saindo de dentro das noites,  as pupilas desenhando curvas e laços, enquanto a memória sempre presente guarda aves e campos de um futuro  onde o medo é ausente. Canções ainda a cantar com vontade. Murmúrios, ossos e lamentos. Uma flor nos cabelos e névoas no ar. Os pés descalços andando. . * Ainda é sábado  O lápis e o papel Um escrita que escreve Os nervos, as mãos  Sílabas que resistem Intensos sinais Os lábios fechados  Um susto Ou uma agonia Os seios em destaque  Árvores desnudadas...

Vazios

Sentada à mesa do café da manhã  pensamentos entram e saem atravessando paredes, tecidos e ossos. A louça chia embaixo d'água  enquanto dedos ágeis  aguardando o tempo da leitura saboreiam o toque no sabão.  Vazios transbordam horrores para todo lado do mundo; acontecimentos desmedidos. A escrita viva folha no ar surgindo do nada acorda cedo. Não reclama. Em teclas leves se envolve e mãos abertas surgem. A louça escorre lamentos. Vazios alguns homens não pensam: seus dedos só apertam gatilhos. Vazios presidentes ignoram regras e leis. O povo sentado no vazio espia. Mulheres olham incrédulas o novo tempo. Em vão o nublado dia esconde o sol. Inverno no Rio com frio e chuvinha, 2024

O giro que a França dá

 Amigos, Sentimos uma alegria imensa. Depois de um tempo longo e bizarro do governo Macron, que ainda está no poder, podemos com a vitória do Novo Front Populaire acreditar outra vez, e sentir que a voz do povo tem força e realiza mudanças importantes. Teremos nos próximos dois anos na França como Primeiro Ministro alguém escolhido pela Esquerda. Viva!  Certamente, uma voz que ressoará lições Humanistas e em defesa do Meio Ambiente, e, libertadora em muitos níveis.  Viva a França! A França que amamos e acreditamos e que tanto nos ensina! Rio cheio de aprendizados, 2024.

Alegria, alegria

 Comemoramos com o Novo Front Populaire!! Viva a França! * Atenção, jornalistas franceses: É preciso esperar e respirar! E sem paranóias! * Tudo está se desenhando... O povo fez sua escolha! E é lindo demais! Fora fascismo, fora Extrema-direita! * Domingo de esperança renovada, 2024

Hoje é sabado

O que é o nosso mundo? É um tecido de imigrantes! Aqui, lá ou acolá somamos as línguas e a cor da pele. A cultura, os sabores, os sofrimentos e as alegrias que nos habitam. Somos múltiplos! * Viva a Democracia!

Viva a vida e a fraternidade!

 Abaixo o ódio  e viva o amor!

Quadro

Ruídos de cães do lado de fora. Tormentos. Passos e pássaros não incomodam nada. A flor na distância do galho balança. Palavras chamam o poema. O espaço branco da página carrega figuras entre o mar e tinta. Verdes raízes saem e escorrem. Corpos se movem lento. A noite é um poema. * Noite,  pequena e provável noite, chama a vida ardente que me envolve. E chama o poema que nasce  em nuances. Assim, escrevendo logo cedo, poderei dizer o nome do que chega perto do peito e me abraça. Oh meu amor, chama baixinho  e com a ternura antiga os nossos novos dias. * E quando Quando sobre mim baixar a tristeza por qualquer razão  que sua voz ressoe rodeada de memórias. Rio de julho e muito mais, 2024

Mais um dia

O dia se separa de mim ligeiro. Um céu ainda claro  e os pés no chão.  Vozes e mais vozes somam solidão.  Esta hora estranha quando o inverno se levanta e as sombras surgem de qualquer lugar. Corre o outono para longe e o tempo das folhas douradas desaparece. Eu ainda sussurro alguns sonhos. * A folha O verde e a folha dançam  no quadro da artista. E rodopiando sem jeito seguem até cansar. De lado, a árvore olha. Permanece quieta. E o vento zunindo ligeiro chega perto. Verde azulado o lago pede para participar. A cena cresce e aquela folha já amarelada descansa junto ao pincel. Manchas tingem a tela. Um céu tenta se sustentar. Pergunta sem resposta (ninguém gosta).

À noite de primeiro de julho

 Amigos brasileiros temo pela França. E espero não vê-la à porta do caos. Tudo é preocupante neste momento. Inclusive porque a Bolsa de Valores de lá comemora. É estranho! A Extrema Direita sai  vencedora no primeiro turno das eleições do Parlamento francês. E o macronismo afunda. Mas não há maioria para governar! O segundo turno, no próximo domingo, vai apontar uma possível solução? A esquerda está viva mas tudo é imprevisível.  (Há os que temem a esquerda como se fosse um "bicho papão "). Rio de julho e de inversões na política internacional,  2024 *