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Mostrando postagens de setembro, 2020

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 Rio, 30.09.2020 Nota: Chegamos ao final de setembro assistindo aos horrores da política. Não vi e nem quero ver o reality show da disputa presidencial americana. Obviamente, meu voto nunca seria para o "senhor trump". Do ponto de vista da barbárie, onde somos lançados todos  os dias, interessa mudar os rumos do caminho. E, a luta continua! * Escrever, as nuvens e as falhas entre as folhas        folhagens mortas entre as dobras da mão * Contar os dias        os minutos   os ponteiros girantes  a música do pulso * Caminho entre os sonhos das manhãs sobre as teclas negras sobrevivo À luz do abraço  na lucidez dos passos caminho...

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 Rio, 29.09.2020 Comento constatando com tristeza:  Com os rumos loucos de um país desgovernado, ou seja, com um ministro do Meio Ambiente na contramão de tudo que diz respeito à Natureza, por ser alguém que só se interessa em deixar "passar a boiada", vivemos um tempo de pandemia múltipla.  É assim que leio este momento cheio de incêndios no país e descasos na política, além das mentiras em série que seriam suficientes para desmontar qualquer governo, em um outro lugar do mundo. E ainda se desenha um ministro da Economia desmontado por suas próprias pedaladas em equipe. Escutamos, ontem, na GloboNews:  "O triste fim de Paulo Guedes imaginário", palavras do comentarista Demétrio! * Mas, continuando... Linhas de areias Onde os espaços se abrem nas brechas  das águas que se fazem muito fácil  os homens cavalgam em grandezas imensas imaginadas e cegos no destino a percorrer deslizam  sempre mais um pouco Onde a mão resiste  e não cede   a p...

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 Rio, 28.09.2020 Crônica do Dia Tia Alda me telefonou pra conversar neste final de semana. Entre um assunto e outro foi  contando alguma história do passado. Assim, tomei conhecimento que a primeira casa  de vovô Lins também era vizinha do Palácio, na cidade alta. Aliás, bem ao lado, em uma  rua estreitinha. E, lá, a entrada era por um portão que dava no jardim, onde ficava o balanço,  grande e verde, que conheci pois ele viveu muitas décadas.  Entre uma história e outra, tia Alda recuperou o porão da casa; um local mágico no qual  ela gostava de brincar e descobrir tudo que ficava guardado por lá: panelas gastas, algumas  ferragens, em geral as coisas descartadas pela família. Repetiu várias vezes, que entrava  por um buraco porque o porão da casa velha tinha entradas por baixo da casa. Às vezes, vovô contratava um carro de praça (como nomeavam os táxis naquela época),  e o motorista, Sr. Eduardo, o levava para Santa Teresa ou outr...

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 Rio, 27.09.2020 Escrevo: A primavera geme na surpresa do olhar Ruídos de motos ao redor fora dos limites suportáveis  A cidade sem graça deixa passar os vírus que a população carrega ao acaso Cortada no chão a árvore do Amazonas torna-se tronco de veios vazios Sem pássaros sem nada a madeira passeia no rio que reúne peixes e barcas Naquele lugar da árvore centenária o fogo come tudo até as cobras que rolam  no chão Sem água os jacarés viram carvão As lagartixas e os ninhos de passarinhos desaparecem As árvores cortadas fora dos limites aceitáveis - lá no Pantanal - continuam quietas O carvão negro das fumaças sobe alto e espanta a esperança de todos nós * Nota matutina: Cuidei das plantas e recuperei nos poros - principalmente dos braços - a esperança. Me envolvi no sol da janela como se fosse um manto precioso. Dourado. Inventei cores arbustos, flores de terras estranhas e longínquas.No gesto da mão habitei a pedra. E o  calor chegou rápido. Amanhã e depois de aman...

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 Rio,26.09.2020 Memórias do Amazonas Fotos feitas por mim em 1979                                                         Canoa feita por índios                                                         Um índio torrando farinha                                      * Quem grita A noite tomba sem perfume e esta luz branca um ponto sem palavra - em eclipse - paralisa meu rosto No deserto vermelho sem silêncio o fogo o sangue a sombra de fumaças negras Gritos de animais?

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  Uma conversa entre mulheres   Foram nas flores azuis e verdes em fundo branco, no vestido que escolhi usar  esta  semana, que   me reconheci na primavera mesmo dentro de casa. Não sei  descrever  as nuances  das flores,  mas as sinto tão perto de mim quando estou  dentro deste  vestido. Outro dia, em conversas com Joana, tomei conhecimento das pinturas que  desenhava   com enorme alegria. São flores claras em meio às manchas  desfocadas  e  coloridas  que  nascem de seus traços breves em aquarelas.  As lembranças das cores e das flores acompanham meus passos  femininos  desde  cedo. Algumas violetas nasceram nas janelas desta casa: violetas, violetas. Uma haste branca e longa surgiu também no vaso do chão: um lírio. E antes ainda da primavera nasceram rosas pequeninas... Talvez, eu consiga lançar luz em alguma memória antiga e possa escrever o  vestido...

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 Rio, 25.09.2020 Uma língua habita e assombra estes dias  não mais verdes e  os arcos-íris desaparecem do azul infindo Sabores murchos morrem junto à fumaça dos pastos  que crescem em direções vagas Os animais tombam na primavera sem frescor *

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 Rio, 24.09.2020 Escrevo: Os dias estão sendo vividos como travessias.  No Dicionário on line encontro: Travessias é sinônimo de: travessas, cruzamentos . E neste ato de viver a vida assim, suspiramos. Atravessamos e cruzamos nossos próprios mares e humores. Sim, reconhecemos terras novas além das fronteiras mais fortemente pisadas. Personagens se constroem e desconstroem na rapidez do vento. Somos nossos amigos e, às vezes, nossos inimigos. As pegadas do caminho se apagam facilmente, mas o rastro continua lá. Aqui e agora. Os dias urgem. As palavras são ditas ou escritas. Os desejos acordam até mesmo os murmúrios rabiscados.  * Ao longo da manhâ: No Dicionário francês  Le Nouveau Petit Robert  encontro por extensão o sentido de  " passage "/  passagem.  E caminho com Lacoue-Labarthe comentando a poesia de Paul  Celan. Uma  bonita  construção se faz a  partir das raízes das palavras. Recolhemos a  experiência do poeta...

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 Rio, 23.09.2020 "Em vez de lembrar uma cena aqui e um som ali, colocarei  uma tomada na parede e escutarei o passado."                                                                Virginia Woolf Chegou, em minha mãos, o livro Um esboço do passado Tradução e apresentação de Ana Carolina Mesquita. Editora Nós, 2020 Ainda tem o cheiro de tinta no livro cor de rosa de Virginia Woolf que recebi hoje! Vou tocá-lo devagar. Surpreendo-me, de imediato, com a indagação sobre as coisas: as que sentimos com tamanha intensidade, que passam a ter uma existência independente da nossa mente. Em momentos especiais de nossas vidas, constatamos o que a escritora observa: "Em certos estados de ânimo mais favoráveis, as memórias - aquilo que  esquecemos - emergem até a superfície". Estes tempos de quarentena são também de emoções in...

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 Rio,22.09.2020 Setembro de raízes                                                         Fotos de José Eduardo Barros Observação: Que discurso horrível fez o nosso presidente hoje na ONU. Uma fala delirante! (Na mesma linha do discurso do presidente americano). Uma lástima!

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 Rio, 22.09.2020 A primavera amanhece com chuvas! Os homens nascem e morrem. Alguns constroem e outros destroem. Há os que pesquisam e estudam muito. Os que trabalham intensamente. As mulheres cuidam muito de tudo. As crianças brincam, os adolescentes riem e os idosos ainda trabalham bastante em nossos dias.  Quando os homens de nosso tempo perceberem a importância de cuidar da natureza - como o nosso bem mais precioso - espero que não seja tarde demais.  * Hoje Quem está chegando e batendo à porta? Será alguém que veio se proteger da chuva? Ou quem povoa meus sonhos  nas brincadeiras de menina quando corríamos com a linguagem  soletrando... e bem rápido a língua inventada? Que absurdo! ... Esta lembrança agora: em meio a pandemia brincar com a memória De olhos muito abertos aguardo o dia e os minutos correrem... Quem me chama de longe parece sorrir enquanto a chuva bate na janela. * Começa a primavera  Quem a traz pelas mãos até aqui conhece o poder do ven...

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 Rio, 21.09.2020 Meus caros, está chegando a primavera mas o ar está pesado, denso. Eu me lembro que, no final da década de sessenta, quando vivi em Washington por alguns  meses havia os nomeados "Bombeiros Voluntários", e os exercícios nas escolas para os  possíveis incêndios. Naquele tempo, tudo aquilo era muito surrealista pra mim. Um belo dia, durante uma aula de  ginástica no High School precisamos sair correndo, porque as sirenes tocavam alto e todos  gritavam: "Fire". Vivi um alvoroço desconhecido descendo escadas para aguardar no patio  da Escola até que alto-falantes anunciaram que era só um exercício, e podíamos voltar às  atividades normais.  O fato virou uma história engraçada contada e recontada aos amigos na volta ao Brasil Hoje, com esta série de incêndios lá na costa oeste americana, imagino o número enorme de  "Bombeiros voluntários" que trabalham exaustivamente, e, envolvidos na tarefa agindo  sempre. Aqui no Brasil os ...

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 Rio, 20.09.2020 Um domingo raro! Ainda há jardins que se abrem nas manhãs.  Ainda podemos colher a doçura dos corpos. Na sombra das árvores preocupações e temores se reduzem?  O amor cresce neste setembro de primavera a vir.  Entre espaços vagos caminhos de flores querem sair da escuridão.  Segura o que vibra em silêncio! *

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 Rio, 19.09.2020 Nota de perplexidade: Acordamos com a cidade começando a ficar encoberta. Tempo encoberto. E tememos o ar! O tempo em S.Paulo se traduz, principalmente, com as fuligens espalhadas no ar de má  qualidade. E são provenientes das queimadas que acontecem no Pantanal, sim, as queimadas  inúmeras que o nosso governo não quer ver. Mas a "chuva negra" já chegou em alguns lugares  de Santa Catarina.  O espanto maior que nos atinge agora é com o despreparo das autoridades para comentar  fatos, que sequer reconhecem. Nunca na nossa história as queimadas foram tão estimuladas!  E, elas acontecem há muito tempo. Por que não ouvimos o ministro do Meio Ambiente dizer  alguma coisa? Por que o vice presidente diz palavras de acusações a outros países, em  momento tão extremo?  Tudo está muito fora do lugar. Coisas estranhas ocorrem na nossa fronteira com a Venezuela.  O que veio fazer aqui, em plena pandemia, este "senhor" represent...

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 Rio, 18.09.2020 Tarefas ágeis o bastante. Os ingênuos já se enganaram e os espertos vão ganhando e perdendo espaço  nos jogos da vida. * Dia primaveril Através de ruas e caminhos estreitos encontro países e paisagens novas O vento leva o vento entre meus cabelos e parte sobre a terra de tantos fantasmas Nuvens estrelas luas O corpo desligado se balança Às vezes abraços e afagos nas folhagens verdes equilibram desejos Sabiás frágeis e belos trocam de galhos  onde minhas mãos tão distantes suplicam a graça do abandono  * Bem perto dos anjos A liberdade do mar acalma: segredos e gestos Quando os anjos do sol pisarem por aqui distraídos saberei dizer:  bem-vindos!  

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 Rio, 17.09.2020 Amigos,  O índice de contaminação na nossa cidade ainda é de 1.16 segundo os dados divulgados pelos pesquisadores da UFRJ no dia 10 de setembro. Então, conforme as orientações  divulgadas pela OMS estamos no nível moderado de risco. Ainda precisamos ter muitos  cuidados sempre! O vírus não foi embora, e circula em situações impensáveis. Assistimos na crônica da Corte como se dão as festas, comemorações e posses sem temor. Porém, assistimos também o retorno dos contaminados em bloco, e sem carnaval. Somente,   nos bailes da vida. * Aliás, nunca vimos tanto vai e vem nas decisões de um Presidente da República como agora. Se prestarmos muita atenção, corremos o risco de ficar tontos. * Com algum humor e sem muita divagação, os ruídos dos noticiários se misturam. * Nascem palavras com a sede que se acende  e a página se abre Quando alguma coisa surge sem rodeios é por ela que o olhar acorda A mão volta ao trabalho logo cedo de muitas manei...

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 Rio, 16.09.2020 Manhã de silêncio Brumas e devaneios na casa Janelas desaparecem   Quem se debate longe perde bens e balbucia O fogo arde invade sem rodeios A casa de perto é mansa não resiste Árvores atravessam jardins em chamas Tudo é cinza e tudo tomba Um quarto e uma varanda tão sonhados Carcaças de automóveis e animais Ausência dos passos

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 Rio, 15.09.2020  Cidades perdidas Por um lado é esta cidade abandonada    neste abandono que ocorre em vários níveis  E ainda o país perdendo-se no abismo obsceno:  desmandos e crueldades sem limite. No dia a dia do teu olhar de cada palavra dita ou percebida  no silêncio de um dizer de coisas inocentes sou eu mesma em um país de animais mortos Incêndios demoníacos abraçam planos traçados para fogos longos Cobrem áreas desmedidas e se perdem em caminhos contra a vida * É cruel demais.  Perdemos a rota. Navegamos no escuro. Quase sem direção. Sentimos o lixo.  * E era um país de tanto verde! (onças pintadas e jacarés)

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 Rio, 14.09.2020 Escrevo: A boa notícia é que alguns civis se organizaram e ajudam no combate ao fogo do Pantanal pilotando aviões que lançam água. E um grupo de pessoas soma força  para cuidar e proteger alguns animais feridos nos incêndios criminosos, que ainda  acontecem por lá e neste Brasil afora (sempre fora das normas esperadas!) É horrível o que ocorre na costa oeste dos EUA, mas o que estamos vivendo aqui é  igualmente terrível. E até mesmo pior, pois surge em função de ações humanas  "autorizadas" e estimuladas pelo próprio governo e não fruto dos raios que descem  das alturas! * No olhar que lanço ao mundo agora, recolho os esquecidos, os imigrantes em Lesbos  na Grécia. E por aqui os índios guardados na floresta que os homens invadem e  incendeiam. Separados estamos das alegrias de outrora que nos alimentavam dias e noites: primaveras e verões. Entre nós corria o riso farto e a força das paixões, caminhadas feitas com vagar na natureza...

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 Rio, 13.09.2020 Memórias infantis 1 Amarrando as conchas em um colar sustentado por um fio de nylon ou algodão, as meninas coloriam os dias de verão em Guarapari: chapeuzinhos chineses de cores diversas formavam o ângulo principal. Depois vinham as mínimas bolinhas coloridas de vermelho. Algum  búzio castelo destaca-se no centro, e os muitos nós ajudavam a dar o  ar majestoso à joia. 2 Catar conchinhas era uma brincadeira, de início. Mas, foi se transformando  em tarefa de artesania cada vez mais rara ao longo do tempo. A praia fria  no final da tarde deixava ver as conchas. O sol brilhava na fina areia, e as  ondas com a maré baixando nos presenteava com as conchas diversas e  travessas, que surgiam ou desapareciam ao lado de nossos pés.  3  Os lugares da infância revisitados: texturas, sabores e gestos. "Somos crianças feitas para grandes férias" afirmou Ruy Belo.  Momentos novos da vida guardam gostos sutis quando passeamos na memóri...

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 Rio, 12.09.2020 Vida que vai adiante Um passeio na orla do mar, depois de quase seis meses dentro de casa. Ufa! Estava tudo no mesmo lugar: céu, mar, calçadas e coqueiros ao vento! As pessoas circulavam a pé e de bicicletas usando máscaras coloridas ou nada. Fiz algumas fotos no celular, e procurei o pôr do sol que acontecia, ali, quase na minha frente mais uma vez!                                             Fotos feitas por mim de dentro do carro Nota que chega depois: Importa recuperar a cena observada na esquina de uma rua do bairro do Leblon. Quatro policiais militares conversavam em pé rindo muito. Três deles estavam de máscaras escuras e o quarto sem máscara. De que riam estes policiais tão bem trajados em seus novos uniformes? Posso ficcionar à vontade nestes dias bem bizarros, e intuir que riam da situação agora instalada de forma visível e televisível, no cenário...

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Rio, 12.09.2020  Subitamente  Agarro a ideia  Na varanda do vento De sustentar nossas raízes * Sonhos Convocamos os sonhos. Os sonhos de durar, entendendo que são estes que nos  abrem os olhos com imagens e conversas, e, além disso nos dão a impressão  de estarmos perto, bem perto dos que mais amamos. Nesta noite de setembro de 2020, vi em sonho amigos do passado. Senti a emoção em lágrimas - não as minhas - mas as de uma pessoa amiga da família, que está muito abalada nesta temporada de quarentena. Contudo, ficou claro que a minha tristeza e preocupação com alguns familiares estava presente neste sonho.  Na visão, acompanhada de versos de poemas e  conversas, curiosamente por telefone, as pessoas amigas expressavam a falta que sentiam nestes dias em que perdemos tanto. Quando tudo parece que vai terminar e não termina nunca. 

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 Rio, 11.09.2020 Notas: Hoje é uma data assustadora, que nos leva a pensar as idiossincrasias do mundo. Ainda vivemos Tempos difíceis, que oscilam nas mãos das políticas insensatas. No Rio de Janeiro os hospitais voltam a encher as suas UTIs. Atenção! (A taxa de ocupação é de 82% na rede pública da capital) O número de mortes no Brasil já alcança o absurdo de quase 130 mil! * Dentro dos olhos do dia                                     as cores se misturam aos barulhos e as cenas são tantas fora do pudor                                    que os limites ultrapassam os limites A paciência se incendeia junto a floresta:                                    letras e animais Os homens de terno não se movem &   ...

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Escrito em 10.09.2020 Desconstrução em ação                                                                          Esta facilidade infausta de morrer...                                                                                                             Victor Hugo                                                                             ...

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 Rio, 10.09.2020 Pranto   Nas horas desta tarde sem inverno relembro o tempo em que ríamos sentados ao redor da mesa entre amigos Agora em dias tristes choro os que não conseguem ter nem mesmo seus direitos escutados Era um país com uma certa lucidez embora com pouca honestidade   Neste momento alguns homens perdem os sonhos e outros não conseguem mais dar um sorriso As notícias não dizem as verdades e os braços não mais alcançam um devir Estamos longe demais de nosso povo dito alegre e a emoção mais funda trapaceia   São raros os momentos de veracidade e antes havia uma comoção entre nós ao redor de muitos instantes em conversas mansas e passeios incansáveis Havia e não mais acontece Por enquanto repito alto: estamos tristes!   Escrito ontem: 9.9.2020    

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 Rio, 9.09.2020 Pega fogo o Pantanal Na luz desta tarde  a terra no Pantanal arde O vento é quente em demasia Pássaros correm sem direção certa Jacarés acordados deixam pedaços de córregos secos para trás Lá é tempo de seca  Fumaça e fogo se misturam A lua cheia não aparecerá mais O escuro é tanto Aranhas gafanhotos joaninhas perdem os saltos e as asas O fogo da terra queima ligeiro Onças pintadas na fuga queimam as patas Eu choro os animais neste cenário da janela sobre o bairro onde moro

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 Rio, 8.09.2020 A boca diz e desdiz de forma fugitiva e à vontade. O branco sobre o branco na página  se coloca lento: figuras gastas de muitos dentes.  Hoje a aridez do dia                              ainda de quarentena  não se escreve fácil. Somos todos nós a fazer a história. * A mão e o desejo rompem o código mais conhecido e quebram as esquinas na noite fria.

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 Poesia? Um grito na madrugada. Prefiro o som das cigarras mas elas estão ausentes. Não sou tomada de susto, e construo um enredo pouco delicado. Depois, uma sirene toca durante alguns segundos rápidos. As vozes silenciam longe. É nesse tempo que habitamos agora. Não há mais gritos de cigarras. Os ruídos na noite surgem misturados com os sonhos. E somam camadas sobre o escuro. O sol que ainda nos rege é aguardado tanto quanto a lua. Esperamos o chão.  

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 Rio, 7.09.2020 Manuscritos                                              Anotações feitas em 2015 para o livro editado depois:                                               Oito noites em Veneza , 7Letras  * Amigos, neste pingar de minutos e segundos insistentes, sigo construindo na escrita um volume maior de concentração. Sim, espero o ano de 2021 perseguida pelos pesadelos de 2020 que não terminam. Hoje é 7 de setembro, e não temos o que  comemorar. Com a população confundida entre máscaras e vacinas que se testam,  vamos no barco da vida presenciando um dia e outro como se ainda estivéssemos  ouvindo historinhas infantis "para boi dormir". Mas, nem mesmo dormimos sossegados. Ah, devo acrescentar: o pesadelo maior, claro, se apresenta...

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 Rio,6.09.2020 "A vida é curta, a arte é longa."                                         Hipócrates * Na beira do mar A maré sobe e a maré desce sete vezes enquanto a luz das areias permanece Em volumes densos ou texturas intensas os pés sublinham escritas de vida Crianças e idosos saboreiam o salgado mar São tons brancos de espumas que brincam  Enquanto ao redor a violência dos homens citadinos sorve e cospe a vida em qualquer lugar A sombra dos dias não só na cidade grande  - aqui ou lá fora - não resulta mais em quase nada Mas o mar é verde na sua imensidão e o céu ainda brilha na noite escura  

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 Rio, 5.09.2020 Leitor, não me reconheço mais nesta cidade que me parece desfigurada. Aliás, estamos vivendo um tempo de muitos desmoronamentos. E, as tentativas de demolições contínuas são constrangedoras e antes impensáveis. * Poema de um sábado qualquer Quando o dia começar branco permaneça de pé A mão se sustenta no horizonte grande cada vez mais distante  A paciência acumula os segundos deste sábado   Quem saberá o que se traça em surdina?  Somos nós e nossos amigos entre os ruídos que sopram no azul                                  O sangue e a dor dos que já partiram                                   e ainda partem                                  tingem as cores fortes do momento A mão se estende fá...

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 Rio, 4.09.2020 Caminhando Distintos Tempos do olhar:                                                        Pompéia no verão de 1986 (foto do pai)                                                        Uma década muito dedicada aos estudos                                                         da Psicanálise.                                                           Assis, no outono de 2015 enquanto     ...

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 Rio, 4.09.2020 Notas domésticas: Esta semana fiz doce de melão  com pouco açúcar (muito pouco mesmo).  As lembranças  corriam entre os dedos desde o corte da fruta  até detalhes do encontro com  o "ponto" da calda.  Chegaram, agora pela manhã, as compras do mercado  e as cenouras desta vez vieram com as ramagens bem verdinhas.  Possivelmente, depois, irão enfeitar nossas sopas. * Caminhar Com os passos pequeninos ou não a certeza da memória me dá um alcance enorme Alguns dias flutuam atravessam espaços de mares longínquos: rostos amigáveis chegam bem perto  Sob os pés e os papéis ainda a escrever os dias me alcançam nas margens do verso

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 Rio, 3.09.2020 Cada dia é um só Não temas as manhãs Escute os pássaros em conversas longas Acalme os pensamentos breves e rápidos Levante lento Sigas os passos de teu corpo Deixe que te levem Depois das tarefas feitas recolha os detalhes em buquê e os coloque sobre a mesa no canto da sala Os instantes que brilham devem permanecer em foco O restante desaparecerá sem piedade  

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                                                          Detalhes da árvore Pau mulato no Jardim Botânico do Rio, fotos de José Eduardo Barros

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 Rio, 2.09.2020 Assim fora de nossas mãos nos chega a vida agora. *                                                    Do livro Traduzir, testemunhar no momento onde recupero o efeito da tortura, que é "o de eliminar a testemunha, ou o testemunho". p.32

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 Rio, 1.09.2020 Nota: O importante poeta, ensaísta e professor Marc Nichanian com quem trabalhei sobre a questão de testemunhar e traduzir no livro Traduzir, testemunhar Francis Ponge, editado pela Lumme em 2014, participa de novo da revista francesa Lignes (publicação de agosto 2020). Transcrevo dados biográficos do autor: Nasceu na França em 1946. Filho de imigrantes armenos. Estudou e se doutorou em Matemática e Filosofia. Foi aluno de Philippe Lacoue-Labarthe e Jean-Luc Nancy em Estrasburgo. Lecionou em Paris, Viena e Jerusalém. De 1995 a 2007 foi professor associado em Columbia University e, agora, leciona em Istambul.    

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 Rio, 1 de setembro de 2020 Amigos,  a primavera se aproxima, e eu os convido a plantar árvores! Vamos plantar o verde e as flores!      Fotos de José Eduardo Barros no Jardim Botânico de nossa cidade: Ninfeias