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Mostrando postagens de março, 2020

Diário

Na tarde deste 31.03.2020 A luz do outono traduz compadecida                                       a batalha que teremos pela frente as noites serão mais longas que os dias                                      mas quem poderá ouvir o choro dos doentes? Na solidão que a terra guarda e amplia                                     alguns homens darão as mãos O tempo de um jardim ficará distante                                      e a morte chegará breve perto de nós Não quero crer que serão duros demais                             ...

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Rio, 31.03.2020 Caro leitor, hoje, ao acordar, escutei alguns ruídos de automóveis nas proximidades. Pensei "com meus botões": será efeito do comportamento do presidente? Não é possível... afinal, este homem fala sua própria língua que é quase ininteligível. Quanto tempo ainda teremos que ouvir estes ruídos loucos? Ao me olhar no espelho, um pouco depois, observei os meus cabelos brancos mais brancos. Reflexos das preocupações que, em alguns dias, já me fizeram envelhecer alguns anos? O mundo gira, agora, sob efeito de um estranho vírus que saiu das sombras pra circular no nosso mundo tão desamparado. Obriga a todos nós ao silêncio e a quase nenhum consumo. Seguimos precisando cumprir os cuidados com a limpeza das mãos, e uma grande preocupação com o próximo se instalou definitivamente. Seria mais simples se tivéssemos seguido os pedidos dos ambientalistas, etc, etc, não acham? Somos obrigados agora a deixar os aviões no solo e os navios nos seus le...

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Na tarde do dia 30.03.2020 escrevo: Passo roupa com atenção às dobras que guardam mistério: um dia; um momento do dia e uma circunstância As cores quentes do algodão clamam o calor maior as lingeries suplicam sutilezas Enquanto enrolavas e guardavas os tapetes do quarto os espelhos ganharam um banho perfumado Como vamos continuar a sonhar dentro das paredes deste casa? Com certeza os momentos do passado estão próximos mas até mesmo a água que jorra da bica não é a mesma Depois de alguns dias sem poder sair um pouco habitamos nossas vidas de maneira nova e o consumo se esvazia entre os alimentos necessários Quero encontrar o que não vejo em nossos dias a igualdade das mãos dos homens e a partilha das tarefas claras!

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Rio, 30.03.2020 Amanhece e o dia é cinza. As apreensões circulam assim como o desejo de escrever. Um misto de sentimentos cresce junto com a pandemia que se alastra no mundo. Ontem, a tv5 entrevistou o virologista francês Bruno Lina que pesquisa o vírus. Ele explicou que a doença tem dois tempos: primeiro o vírus se multiplica muito e rápido no organismo infectado, depois ataca o sistema imunológico e causa inúmeras infecções (acrescentou que esperam, em abril, conseguir saber em que momento devem medicar para alcançar melhores resultados.) Ainda disse que: o vírus se adaptou muito bem no organismo humano. Nossa! Ao mesmo tempo, ficamos sabendo que um grupo grande de pessoas de muita posse na cidade; os que gostam de festejar sempre, estão infectados. Paris, Milão, Londres, Nova York - Rio. My God! E... Itacaré e Trancoso também. * Um campo                 a folha solta corre             ...

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Rio, 29.03.2020 No meio do dia, um momento de silêncio e música bem baixinha: (Escuto Keith Jarrett) Depois de alguns dias de completo susto e atordoamento, com todas as muitas mudanças que se impuseram em nossas vidas, começo a pensar mais largo. Naturalmente, com a mão calma e a mente em trabalho, alguns temas se impõem. Assim sendo, recupero o sentido maior da vida e do compartilhar, agora, priorizado sem nenhum alarde.  Todos somos humanos, e, nós - os humanos - precisamos uns dos outros ao longo de nossa caminhada. Tanto ou mais do que precisamos da água e da luz do sol. * Há uma terra grande o suficiente  onde cabemos todos nós Há mãos que trabalham o verde e respiram a harmonia de árvores e plantas As flores lá longe nos dão alento (não precisam do vírus para aprender o respeito aos demais seres vivos  nem o respeito ao uso da água)   Plantas e pássaros respiram em liberdade no tronco que a vida lhes abriu A ...

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Rio, 28.03.2020 A manhã azul não parece azul. Está tudo tingido de vírus. Paris já é a cidade mais infectada pelo vírus covid-19 da França. Nova York perdeu seu brilho inventivo. A Itália continua em luta com o invisível que apavora. No Rio de Janeiro, a preocupação maior é com a desigualdade social. Somos, também, o que nos rodeia. Precisamos distribuir muito sabão e água, além de alimentos e dinheiro vivo. Ficção? Não. a boca            a fome a mão             a hora             agora a casa é dentro de casa a literatura é ar puro na paisagem-mãe * À noite, sinto dizer que é tudo muito triste! No nosso país vivemos um tempo bem caótico com um Governo Federal que causa  uma sensação de imenso desamparo.  Com o crescimento do coronavírus no Brasil, as opiniões divergem entre os técnicos  em saúde e o presidente acéfalo e sentimos mal estar c...

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Rio, 27.03.2020 Estamos vivendo a segunda semana de quarenta, quase em seu final. Alguns carros ainda circulam nas ruas. E há os que fazem exercícios nos plays. Há ainda os que correm...correm... Os periquitos soltos sobrevoam por perto. E não conhecem o medo que começa a se instalar ao redor. Um pedaço de sabão não parece ser suficiente. Mas, assim mesmo, seguimos usando "esta pedra mágica". * Os médicos da Itália e da Espanha precisam de nossas orações! A exaustão toma conta das mãos dos que habitam os hospitais do mundo! * À tarde, repito a todos que me leem: permaneçam dentro de casa! Façam isso em nome dos mais idosos, que nos deram os ensinamentos básicos da vida e nos legaram a memória dos dias! Em nome de nossos familiares de todas as idades e de nossos amigos queridos. Em nome do respeito ao próximo! Façam o isolamento horizontal, ou seja, total! * Tempos muito difíceis nos colocam diante de nós mesmos. Diante de nossos hábitos e ...

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Rio, 26.03.2020 Grande e sóbrio silêncio se estende. Ar puro e pouca poeira dentro de casa. Somos habitantes domésticos: tempos de quarentena. Escuto pássaros soltos em revoadas. Flores dão-se a ver no verde da cena e sombras se mostram nos muros a escrever. Incompreensível e absoluto o momento político traz estranhezas. A água super povoada de cloro não tem mais cheiro. Letras no poema recobrem as folhas e os abraços Sejamos árvores dignas de silêncio e fé. ... e no meio do dia, leitor, que possamos construir o alimento a saborear com paciência, e lavar bem as mãos com o sabão nosso de cada dia. * À noite, Diluir as notícias com outras leituras - receita doméstica - encontrando o tom para as conversas mais leves e, se possível, ouvindo música; a boa música de nosso tempo!

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Rio, 25.03.2020 Leitor, enquanto a manhã arde de notícias estranhas, que amargam na boca  com a irresponsabilidade de nosso Presidente,  percebo a maioria do povo atento e sério às orientações e medidas tomadas pelos que trabalham na área da saúde. Confirma-se o presidente fake. Viremos a página de nossa história e sigamos! 

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Rio, 24.03.2020 Acomodo de forma mais lenta as manhãs.  Os poucos ruídos soam mais alto:  a voz de uma criança aprendendo a falar e um adulto que diz: "Vem"! Modifico a forma de trabalhar. Sobram horas para as leituras e os "quitutes" do dia a dia. Não se perde sempre, claro, nem se ganha o tempo todo. Coloco em ordem a mente. Alguns assuntos se impõem Leitor, seu julgamento pouco importa. Importa:  respirar ... Desfruto do silêncio desta manhã sem aviões no ar nem transatlânticos nos oceanos.  * Traduzo, mais livremente, Ponge: p.71 "Em Busca do Sabão Perdido... (...) Como representativo de nosso mundo, de nosso submundo, e de nós mesmos, como nossa impregnação, nosso material e talvez, como nosso retrato de família? Bem, certamente, o sabão é isto aí!"

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Rio, 23.03.2020 Escrevo no silêncio da manhã. Escuto o som da vassoura arranhando o chão de cimento longe. No prédio ao lado, milagrosamente, a louca senhora não grita mais. Os segundos dos dias vagam de outra maneira. A música de um sanfoneiro traz notas nordestinas; "Asa Branca" de Luiz Gonzaga: (algum porteiro toca e não canta) ... "Eu perguntei a Deus do céu,  ai  Por que tamanha judiação" Escuto o refrão que cantarolo pra você, leitor encantado! Agradeço. São 9.00 hs da manhã. Silêncio. * À noite, continuo com as preocupações soltas, e deslizo os dedos nas teclas leves. O silêncio e a solidão são "qualidades essenciais" do sabão, já aprendemos com o poeta Ponge. Aprendemos, agora, novas rotinas com a inclusão do álcool gel dentro de casa.

Diário

Rio, 22.03.2020 Amanheceu mais silencioso o dia de hoje. Domingo. Fazer alguma comida está nos meus planos: cozinhar arroz integral (deixar amaciar bem os g rrã os... refogados só com azeite, cebola, e sal (que chega depois)). Fiquei sabendo que meu novo livro está de quarentena. Está pronto na editora, mas a gráfica não está trabalhando. Tudo em tempo de espera... A vida em novo ritmo. * Á noitinha traduzo, mais um pouco, Francis Ponge no poema Le savon/O sabão. Ed. Gallimard , 1967, p.71                                      "Coligny, 8 de agosto de 1946. É também porque estávamos, então, cruelmente, de forma inconcebível, absurdamente privados do sabão (como estávamos, ao mesmo tempo, de várias coisas essenciais: pão, carvão,  batatas), que nós o amamos, apreciamos, saboreamos como postumamente  em nossa memória, desejada de refazê-lo em poesia..." S...

Diário de um Tempo Indeterminado

Rio, 21.03.2020 Outono chegando em nossos lares junto com a ameaça do vírus covid-19. Muito a fazer diante dos hábitos novos instalados de repente. O pensamento corre só. São tantas as providências e tantos os cuidados. Tememos o invisível vírus! Aos poucos respiro com suavidade na rotina de mais uma manhã cheia de tarefas domésticas. Penso na menina Anne Frank prisioneira de um mínimo espaço e de comidas poucas, durante a Segunda Guerra. Sigo na trilha de pensar nos que estão mais longe, e envio um pouco de energia aos mais necessitados! * Na tarde do mesmo dia. Chove fino. Os vidros das janelas se lavam em pingos - lamentos... Transcrevo, aqui, a tradução livre de um pequeno trecho do poema Le savon/ O sabão de Francis Ponge, escrito em 1946.  p.70 "Interminavelmente? Não. Há com certeza muito a dizer a propósito do sabão.                                    ...

A dança das máscaras - 2

Vamos pedir urgente que os médicos do nosso país ensinem ao Governo o uso correto das máscaras protetoras. E, ainda, privilegiem que as regras básicas sanitárias sejam seguidas por eles. Quarentena é quarentena! Nunca vimos tanta impropriedade!

A dança das máscaras

Seria trágico se não fosse cômico : máscara no olho, máscara na orelha, máscara de lado máscara abaixo do queixo A loucura instalada na forma incorreta do uso das máscaras protetoras Alienação e negação geral Nunca vimos nada igual (na equipe presidencial!) Em 18.03.2020

poema inédito

Palavra Ainda que o dia se abra sempre distinto e, às vezes, assustador a palavra se desdobrará chão. São tantos os seus lugares em pedra, em luz, em sombra ou em sal. Ainda que a mulher seja uma e seja múltipla, as mãos e os pés se manifestam  em formas e cores na nudez que amplia o corpo da palavra. Palavra carne. Grãos de areia submersos no mar de palavras. Palavra sonora que a boca sopra, e assombrada se mostra vestida  na assonância do verso incrédulo ou de pé quebrado. A palavra vive na repetição das vogais que a sustentam. A pele da palavra, a sua lavra corre no verso. Palavra vírus em voo abre asas                                e passa...

Jardim Botânico do Rio de Janeiro

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                                                       Um pouco de beleza e suavidade                                                        (foto de José Eduardo Barros)

Faz de conta ...

É preciso que se entenda que o problema que estamos vivendo no mundo é seríssimo. Sim, precisamos ficar quietos e precisamos mudar a nossa rotina. A hora não é daqui a pouco. A hora é já (o vírus não aguarda!) Meus caros, os países que ficaram aguardando complicaram muito a própria vida. Complicaram a vida dos médicos de seus países, e lotaram os hospitais. Não há garantias, mas podemos buscar fazer diferente. Vamos ouvir os cientistas e os médicos! Ainda faz calor por aqui, nesta cidade maravilhosa, e o coronavírus chega devagar. Mas, já está espalhado entre nós. Vamos colocar em prática, em nosso dia a dia, a calma. Sim, por respeito ao próximo e pelos nossos amigos, pela cidade com hospitais insuficientes para atender a grande maioria de nossa população. Não pensemos apenas com o nosso "umbigo". Sejamos mais dignos. Mais humanos! Vamos permanecer em casa sempre que possível, trabalhando de casa antes que o vírus covid-19 esteja em todos os lugares. Vamos cuida...

Bella Ciao- uma homenagem ao povo italiano e às mulheres de nosso tempo

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Homenagem que se estende à nossa Marielle!

O mundo tingido de vírus

A saúde das pessoas neste momento de propagação do vírus covid-19 ao redor do mundo nos preocupa ao mesmo tempo em que acontece um estado de pânico com o mundo econômico também sendo afetado. Sofre a Itália. Sofre o povo italiano, e sofremos todos nós pois muitos países já foram afetados pelo vírus. No início foi a China, tão poderosa em suas ambições crescentes e com hábitos alimentares tão esdrúxulos. Os dias se somam na luta contra um vírus que assusta muito pela dimensão que vem tomando, pois adoece tanto os jovens como os mais idosos e mata os mais frágeis. A população, em geral, precisa se organizar para conseguir ficar quieta por um tempo, quando a questão é não deixar o vírus se propagar. Aqui, no Brasil, não vivemos dias de sustos, por enquanto. O calor aquece e o vírus chega devagar. O problema que ameaça mais, por aqui, está restrito à economia global que se comporta mal nesta gangorra infiel quando o assunto se torna volúvel nas bolsas de valores do mundo. Embora, o ...

Uma homenagem à minha mãe

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                                             Itaipava em 1996

Dia 8 de março de 2020

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Mulheres que escrevem - vitrine da Travessa do Leblon

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                                                                                                                            E há os livros dentro da livraria, muitos outros... inclusive, os meus.

Apoio o Movimento: Mulheres contra Bolsonaro

No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, vamos caminhar juntas contra este momento do nosso pais, quando temos um presidente que destrói valores já consagrados na nossa caminhada humana e democrática. Nós mulheres faremos, deste mês de março de 2020, um tempo de luta  exigindo respeito às mulheres de todas as classes sociais e dos muitos credos.  Em cores e com harmonia gritaremos nossa força: mulheres unidas contra Bolsonaro!

Livro novo começando a ser escrito em Mantova - Itália, 2018

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                                            No prelo na ed.7Letras

Viva a cidade do Rio de Janeiro!

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                                          Amanhece na zona sul da cidade                                           Bairro do Flamengo                                                     Bairro da Urca                                                                                     Copacabana Conforme sabemos, as cidades são femininas com seus entornos suaves e redondos. A nossa cidade do Rio de Janeiro é pisciana além de se...