Diário
Rio, 26.07.2020 Em 1970, Marguerite Yourcenar escreveu no livro O tempo, esse grande escultor anunciando que o mundo participava de uma guerra instalada "em meio a uma paz que não é paz" e que tendia a se tornar um ambiente para o homem cada vez mais destrutivo. O capítulo do livro nomeado "Essa facilidade infausta de morrer" contribui, agora, para nos ajudar a pensar um pouco mais esta "poluição" que nos encobre, e que de todas as muitas formas está instalada no mundo. Neste tempo onde Marguerite anotou que já se lia "um mundo em que os anúncios de restaurantes gastronômicos aparecem nos jornais na mesma página onde se leem reportagens sobre povos inteiros que morrem de fome; em que cada mulher num casaco de pele contribui para a extinção de alguma espécie viva; em que nossa volúpia de velocidade agrava cada dia a poluição do ar de que dependemos para viver" e muito mais. As facilidades de um viver estranhamente debochado e pleno de excessos...