Poema inédito
Roma em cena Trastevere nasce na manhã respingada de orvalho. Assombrada escuto a cena matutina. Pedras negras e roliças não acomodam os pés. Escorregam. Há os espaços largos e os famintos que pedem. No centro do antigo bairro romano a igreja de Santa Maria guarda do olhar o pó no brilho dos antigos. Trastevere atravessa. Do outro lado do rio Tibre noites de verão suportam excessos. Estreitas ruas, pequeninas janelas paredes e casas medievais de quentes cores levam ao vento cenas de Fellini. Na fonte, três mendigos lavam o algodão. Gesticulam. Due donne falam. Tu pensas? Caminhonetes entregam mercadorias. Os cafés abrem... Trastevere acorda lento. Trastevere: uma manhã respingada. Assombrada.