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FRANCIS PONGE e sua mesa (continuação)

Francis Ponge escreveu "A Mesa" durante sete anos, a partir de 1967. Parece-me que o poeta escreveu seu objeto, mesa, no ritmo que a “sua mesa” lhe impôs. Em 7 de junho de 1971 ele anotou: Eis para que é preciso começar pois eu o sei agora, por experiência várias vezes renovada: é a madeira e sua sonoridade que surgem para mim cada vez que sonho outra vez à mesa. Pode-se crer que Ponge organiza, nesse jogo com a mesa, algo primordial de seu trabalho: repetição e ritmo. Diremos que é isso, esse movimento, que buscamos conhecer um pouco mais a partir de seus versos, e onde encontramos o poeta sentado – trabalhando diante de sua mesa – essa que, também, lhe apóia o corpo e lhe ensina algo da matéria, da madeira, das pernas firmes no chão, na distância mínima com o objeto que lhe sugere sonoridades na hora da escrita, nessa postura que lhe dá a diferença entre a verticalidade do corpo do homem e a horizontalidade da mesa, a qual comporta inclusive, a posição pres...